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A Esmola
Venerável Padre André BeltramiCAPÍTULO XV
VÁRIAS ESPÉCIES DE ESMOLAS
O nome de esmola abraça todas as obras de misericórdia espirituais e corporais. A Igreja enumera sete obras de caridade que dizem respeito ao corpo e sete ao espírito.
As corporais: Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; visitar os enfermos e encarcerados; remir os cativos; enterrar os mortos.
As espirituais são: Dar bom conselho; ensinar os ignorantes; castigar os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do próximo; rogar a Deus pelos vivos e defuntos.
Há ainda os hospitais, as obras pias, os orfanatos, as missões a socorrer; e quem dá dinheiro e roupa para sustentar as benéficas instituições pratica todas ou quase todas as obras de misericórdia, porquanto aí os infelizes recebem remédios, alimento, vestuário e tudo de quanto necessitam.
Colégios fundados para abrigar órfãos ou crianças abandonadas, com o fim de adestrá-los em alguma arte ou ofício, merecem também ser ajudados com a esmola. Jesus ama extremamente os meninos; e, quem os acolhe para educá-los e instruí-los, terá os seus favores mais escolhidos. Quantos jovens têm êxito esplêndido e tornam-se úteis à sociedade; ao passo que, se não fossem internados num colégio permaneceriam no ócio e na miséria.
O jovem Hildebrando, filho dum pobre carpinteiro, tornou-se um Gregório VII, talvez o mais heroico dos pontífices antigos.
Giotto, socorrido por Cimabue, tornou-se de pastorzinho um excelente pintor.
Canova, de modelador um escultor de nomeada, com o auxílio do senador João Fallieri.
O Papa Xisto V era filho de pobres pais que o encarregaram de vigiar a grei; mas um franciscano descobriu o seu engenho, fê-lo estudar e o jovem correspondeu com fidelidade. Ordenou-se, foi elevado à púrpura cardinalícia e finalmente eleito Papa, desenvolvendo uma atividade maravilhosa, compreendida no seu mote favorito: «Morrer em pé».
S. Pedro Damião deveu também a sua grandeza a um parente que lhe custeou os estudos.
O célebre orador Massillon foi ajudado pela caridade dos fiéis, pela qual pode fazer os seus estudos e tornar-se um dos príncipes da arte oratória.
O rico que socorre as obras pias, encontrará na outra vida uma messe abundante de obras santas. Entrando no Céu, será recebido por numerosas almas que o saudarão como seu benfeitor. — «Nós somos», dir-lhe-ão alguns, radiantes de alegria, «órfãos que fomos acolhidos no colégio mantido com vossas esmolas». «Nós somos» exclamarão outros, «selvagens da África e a Oceania, que fomos instruídos e batizados por missionários enviados com os vossos abundantes socorros, para tirar-nos das trevas da idolatria. A vós devemos a nossa glória eterna».
E todas aquelas almas formarão o seu júbilo e a sua coroa por todos os séculos. Então ele bendirá a caridade feita e entoará um hino de perene agradecimento ao Altíssimo, que lhe outorgou a graça de converter as riquezas terrenas em riquezas imarcescíveis do Céu.
Concluamos. No leito de morte devemos abandonar tudo e separar-nos do nosso dinheiro; há, porém, um meio de levá-lo além da sepultura e achá-lo multiplicado na outra vida: Dá-lo aos pobres e às instituições de caridade.
Quando um rico emigra para a América. vende os seus bens e o valor. o deposita em algum banco célebre de Paris ou de Londres, levando consigo um recibo mediante o qual, chegando ao Novo Continente, lhe dão o mesmo valor em outro banco em correspondência com o primeiro. E nisto usa prudência finíssima, porque se levasse consigo o dinheiro equivalente poderia ser roubado.
A vida presente é uma viagem para a eternidade. O rico que deseja encontrar os seus bens na Cidade do Paraíso, dê-os aos pobres, que são os banqueiros do Senhor.
A esmola é o banco mais vantajoso e infalível que dá cem por um no mundo e a glória eterna no Céu.
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