Todas as orações

A prática do amor a Jesus Cristo

Santo Afonso Maria de Ligório

Capítulo IV - Quanto devemos amar a Jesus Cristo

Frutos da Caridade

Eis o que São João Crisóstomo diz dos frutos gerados em uma pessoa que possui o amor de Deus: “Quando o Amor de Deus se apodera de uma pessoa, produz nela um insaciável desejo de trabalhar pela pessoa amada; tanto que, por muitas e grandes que sejam as obras que faça, e por mais longo que seja o tempo dedicado a seu serviço, tudo lhe parece nada. Sempre se aflige por fazer pouco para Deus, e se lhe fosse lícito morrer e consumir-se inteiramente por Ele, de bom grado o faria. Por isso, por mais que faça, sempre se considera inútil. O amor ensina à pessoa o que Deus merece, e na claridade desta luz divina vê todos os defeitos de suas ações, de tudo tira confusão e sofrimento, reconhecendo que todos os seus trabalhos são bem pouca coisa para um Senhor tão grande”( S. João Crisóstomo, In Genesim, hom. 55, n. 2, 3. MG 54-482; hom. 34, n. 5 e 6: MG 53-319, 320, 321).

Diz São Francisco de Sales: “Como se engana a pessoa que faz consistir a santidade em outras coisas e não em amar a Deus! Uns põem a santidade na austeridade ou em dar esmolas, outros na oração ou frequência dos sacramentos. Para mim, não conheço outra santidade senão a de amar a Deus de todo o coração; todas as outras virtudes sem este amor não passam de um montão de pedras. E se não possuímos esse amor, a culpa é nossa, pois não nos decidimos a nos dar inteiramente a Deus” (Esprit de S. François de Sales, I. re partie, c. 25; 7. me partie, c. 4; Introdução à Vida Devota, 1.ª p., c. 1).

Santa Teresa sentiu em sua alma, certa vez, como se Jesus lhe dissesse: “Tudo o que não me agrada, é vaidade”(Sta. Teresa, Libro de la Vida, c. 40, Obras, I, Burgos, 1915). Como seria bom que todos entendessem esta verdade: “Uma só coisa é necessária” (Lc 10,42). Não é necessário ser rico neste mundo, ganhar a estima dos outros, levar vida cômoda, ter dignidades, passar por sábio. A única coisa necessária é amar a Deus e fazer sua vontade. Só para este fim Ele nos criou e nos conserva a vida; somente assim podemos ser admitidos no céu. A toda a alma que deseja ser sua esposa, o Senhor diz: “Coloca-me como um selos sobre teu coração, como um selo sobre teus braços...” (Ct 8,6) para que dirijas a mim todos os teus desejos e ações; sobre teu coração a fim de que não entre em ti outro amor senão o meu, sobre teu braço para que não tenhas em vista senão a mim em tudo que fazes. Como corre rapidamente na perfeição quem só olha Jesus Crucificado em todas suas ações e só a Ele procura agradar!

O fim de todos os nossos esforços deve ser, portanto, adquirir um verdadeiro amor a Jesus Cristo. Os mestres da vida espiritual descrevem os sinais do verdadeiro amor:

– É TEMEROSO, e seu medo é dar desgosto a Deus.

Assim, se alguém tivesse uma fé tão grande ao ponto de deslocar as montanhas, como se conta de São Gregório Taumaturgo, mas não tivesse a caridade, nada lhe valeria. Se distribuísse todos os seus bens aos pobres, se sofresse voluntariamente o martírio, mas sem a caridade, isto é, por uma outra finalidade que não a de agradar a Deus, tudo isso nada lhe valeria. Por isso, São Paulo nos indica os sinais da verdadeira caridade, e ao mesmo tempo nos ensina a prática das virtudes que são filhas da caridade:

“A caridade é paciente, é bondosa A caridade não tem inveja, não se ostenta, não se enche de orgulho, não é ambiciosa e não busca seus próprios interesses. Não se irrita, não guarda rancor, nem se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1Cor 13,4-7)

Vamos considerar, neste livro, estas características da caridade para ver se realmente temos verdadeiro amor a Jesus Cristo. Isto nos fará compreender as virtudes em que devemos nos exercitar para conservar e aumentar em nós esse santo amor.

– É PURO, amando somente a Deus e só porque Deus merece ser amado.

– É ARREBATADOR, pois arrasta a alma e a faz viver como que fora de si mesma, como se não visse, não ouvisse e não tivesse mais os sentidos para as coisas da terra. Atenta em só amar a Deus.

– É UNITIVO, unindo estreitamente a vontade da criatura à vontade de seu Criador.

– É DESEJOSO, porque enche a alma do desejo de deixar a terra para unir-se perfeitamente a Deus no Paraíso, a fim de amá-lo com todas as suas forças.

Mas ninguém ensina melhor as características e a prática da caridade do que o grande pregador desta rainha das virtudes, São Paulo. Ele diz primeiramente que sem a caridade o homem é nada, e de nada se aproveita: “Ainda que eu tivesse toda a fé a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria” (1Cor 13,2-3).

Assim, se alguém tivesse uma fé tão grande ao ponto de deslocar as montanhas, como se conta de São Gregório Taumaturgo, mas não tivesse a caridade, nada lhe valeria. Se distribuísse todos os seus bens aos pobres, se sofresse voluntariamente o martírio, mas sem a caridade, isto é, por uma outra finalidade que não a de agradar a Deus, tudo isso nada lhe valeria. Por isso, São Paulo nos indica os sinais da verdadeira caridade, e ao mesmo tempo nos ensina a prática das virtudes que são filhas da caridade:

“A caridade é paciente, é bondosa A caridade não tem inveja, não se ostenta, não se enche de orgulho, não é ambiciosa e não busca seus próprios interesses. Não se irrita, não guarda rancor, nem se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1Cor 13,4-7)

Vamos considerar, neste livro, estas características da caridade para ver se realmente temos verdadeiro amor a Jesus Cristo. Isto nos fará compreender as virtudes em que devemos nos exercitar para conservar e aumentar em nós esse santo amor.


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