Orientações Gerais Exercícios Espirituais de Santo Inácio - Meditações
Ao realizarmos os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, seja em público, em particular ou individualmente, inúmeras vezes nos solicitaram o livro desses exercícios explicados. A intenção era aproveitar melhor seus ensinamentos, podendo meditar e rumiar detidamente, com o livro em mãos, e ainda repetir o que uma vez ouviram de viva voz.
Além disso, desejavam ter o material em mãos para realizar os exercícios por si mesmos nos anos em que não fosse possível contar com um diretor espiritual. Atendendo a esse desejo tão útil, louvável e santo, decidimos publicá-los e organizar suas meditações em dez dias: oito completos e dois incompletos, correspondendo à véspera e ao dia de comunhão e conclusão.
O primeiro dia tem apenas uma meditação, e o último, duas; os demais possuem quatro: duas pela manhã e duas à tarde e à noite.
Para melhor compreensão, é importante entender que os mestres espirituais dividem as meditações em três vias, conforme os três estados de quem medita:
1. Via purgativa: para pecadores que desejam abandonar seus pecados, com o objetivo de purificar a alma de vícios, culpas e pecados.
2. Via iluminativa: para aqueles que progridem na virtude, buscando iluminar a alma com verdades e virtudes.
3. Via unitiva: para os já perfeitos, que buscam unir-se a Deus em amor perfeito.
Santo Inácio organiza essa matéria em quatro semanas: a primeira corresponde à via purgativa; a segunda e a terceira, à via iluminativa; e a quarta, à via unitiva.
Seguindo essa estrutura, dividimos as meditações em cinco seções:
1. Primeira seção: meditações para chorar e confessar os pecados, alcançando a pureza de alma.
2. Segunda seção: meditações para evitar recaídas e manter a pureza alcançada.
3. Terceira seção: meditações sobre as virtudes de Cristo, correspondentes à segunda semana de Santo Inácio.
4. Quarta seção: meditações mais profundas sobre o espírito e a perfeição das obras de Cristo, correspondentes à terceira semana.
5. Quinta seção: meditações da via unitiva, correspondentes à quarta semana.
Incluímos as palavras de Santo Inácio no início de cada meditação, preservando seu estilo original, seguidas pela explicação detalhada.
Recomendamos que todas as meditações indicadas para cada dia sejam feitas. Se isso não for possível em atos públicos ou na igreja, realizem-nas em particular, utilizando este livro como guia.
Que tudo seja para a maior glória de Deus, louvor de Maria Santíssima e salvação das almas. Amém.
Tempo e Modo de Realizar a Meditação
1. Cada meditação terá a duração de uma hora.
2. Como geralmente cada meditação possui três pontos, e cada ponto contém dois afetos, o tempo será distribuído da seguinte forma: começa-se invocando o Espírito Santo; em seguida, realizam-se a oração preparatória e os prelúdios correspondentes; depois se lê o primeiro ponto e, terminado ele, guarda-se silêncio para meditar o que foi lido. Passados dez minutos, lê-se o primeiro afeto e, ao completar o quarto de hora, o segundo. O mesmo método é aplicado aos pontos seguintes.
3. O último quarto de hora será dedicado aos colóquios, à conclusão, à ação de graças, ao oferecimento dos propósitos e resoluções, ao exame da própria meditação, à recapitulação de todos os pontos e à escolha daquilo que causou maior impressão. Esse ponto será retomado interiormente; se possível, será anotado brevemente para que jamais seja esquecido, tornando-se o ramalhete espiritual extraído da meditação.
4. Durante a meditação, medita-se e contempla-se. Meditar consiste em discorrer de uma verdade a outra; contemplar é, internamente, com um olhar simples e direto sobre a verdade, experimentar grandes afetos, como admiração, amor e dor pelos pecados.
5. A meditação realiza-se com a aplicação das três potências da alma: memória, entendimento e vontade. A memória recorda e mantém presente a matéria da meditação; o entendimento reflete sobre essa matéria e pondera os bens da prática da verdade e os danos de negligenciá-la; a vontade, seguindo o bem que o entendimento propõe, forma propósitos e resoluções.
Para fortalecer a vontade, utiliza-se a aplicação imaginária dos sentidos, como se visse, ouvisse ou tocasse as pessoas e coisas mencionadas na meditação. Essa aplicação imaginária inflama os afetos da vontade de modo admirável, levando-a a afastar-se do mal, fazer o bem, buscar a paz e segui-la "Afasta-te do mal e faze o bem; busca a paz e segue-a" Sl 34,15.
Como Rever a Meditação
Ao terminar cada meditação, convém recordar com simplicidade como ela foi feita, sem transformar esse momento em um checklist mecânico. A revisão serve para recolher o fruto espiritual, pedir perdão pelo que faltou e firmar melhor os propósitos.
Antes de tudo, considera se entraste na meditação com reta intenção, desejo eficaz de aproveitá-la e alguma preparação dos propósitos e graças especiais a pedir. Recorda também se avivaste a fé na presença de Deus, ofereceste a meditação a Ele e pediste a graça necessária para realizá-la com fruto.
Depois, revê o modo como meditaste: se fizeste a composição de lugar, se leste os pontos com atenção, se aplicaste o que leste ao estado presente de tua alma, se tiraste propósitos práticos e se guardaste a postura corporal conveniente.
Observa ainda se houve sono, preguiça, pensamentos inúteis, vaidade pelo fervor sensível, inquietação por secura ou desolação, abandono dos colóquios e súplicas, demora excessiva em raciocínios, pouco tempo dedicado aos afetos ou abreviação da meditação por secura, tentação ou outro pretexto.
Por fim, recolhe os propósitos que tiraste da meditação e decide colocá-los em prática no mesmo dia. Pede a graça e tudo de que precisas para alcançar esse objetivo, lembrando também de rezar por aqueles por quem deves interceder e por toda a Igreja.
Se perceberes que faltaste em algo, pede perdão e propõe emenda; se não encontrares falta alguma, dá graças a Deus. Aquilo que mais tocou o coração deve ser guardado durante todo o dia como um ramalhete espiritual; se possível, anota-o brevemente para não esquecer, conforme aconselha Santo Inácio.