VII — Das penas do inferno: pena de sentido e duração Exercícios Espirituais de Santo Inácio - Meditações
Oração Preparatória
Meu Deus e meu Senhor, creio firmemente que estais aqui presente.
Vos adoro, meu Deus, com toda a submissão e afeto do meu coração, e humildemente vos peço perdão de todos os meus pecados.
Vos ofereço, Senhor e meu Pai, esta meditação, e espero que me concedais as graças necessárias para realizá-la bem. Para esse mesmo fim, recorro a Vós, Santíssima Virgem, minha Mãe, aos Anjos e Santos, para que intercedais por mim e me alcanceis o que necessito para tirar fruto desta meditação. Amém.
Prelúdio primeiro — composição de lugar conforme a Meditação VI.
Vê, com a vista da imaginação, o comprimento, a largura e a profundidade do inferno.
Prelúdio segundo — o mesmo da Meditação VI.
Pede sentimento interno da pena que padecem os condenados, para que, se por tuas faltas te esqueceres do amor do Senhor eterno, ao menos o temor das penas te ajude a não cair em pecado.
Palavras de Jesus Cristo segundo o Evangelho de São Lucas (Lc 16,19-31): "Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino, e todos os dias se banqueteava esplendidamente. Ao mesmo tempo, vivia um pobre mendigo chamado Lázaro, coberto de chagas, o qual se colocava diariamente à porta da casa desse rico; e era tal a necessidade desse pobre, que desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa daquele, mas ninguém lhas dava, e até os cães vinham lamber-lhe as feridas.
Aconteceu, pois, que esse mendigo morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado no inferno. Estando em tormentos, levantou os olhos e viu de longe Abraão, e Lázaro em seu seio; e, exclamando, dizia estas palavras: Pai Abraão, tem piedade de mim e envia Lázaro para que, molhando a ponta do dedo em água, venha refrescar a minha língua, porque estou padecendo tormentos terríveis nestas chamas.
Mas Abraão lhe respondeu: Filho, lembra-te de que recebeste muitos bens em tua vida, e Lázaro, ao contrário, males; por isso ele agora é consolado, e tu és atormentado. Além disso, há um grande abismo entre nós e vós, de modo que os que quiserem passar daqui para aí não podem; nem tampouco os que estão aí podem vir para cá.
O rico lhe respondeu: Eu te suplico, pai Abraão, que o envies à casa de meu pai, onde tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho do que aqui se passa e os impeça de vir para este lugar de tormentos. Abraão replicou: Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam. Não, pai Abraão, disse ele; mas, se algum dos mortos for até eles, certamente farão penitência. Abraão respondeu: Se não ouvem Moisés nem os Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos."
Nota 1. Este pobre sofreu com paciência chagas, pobreza, miséria e abandono dos homens. O rico viveu em soberba, orgulho, avareza, regalo, luxúria e dureza de coração para com os pobres.
Nota 2. A casa do Epulão é o mundo; seu pai, o diabo; e os cinco irmãos representam os sensuais, isto é, os que vivem segundo os cinco sentidos. Ai daquele que não crer, pois será condenado (Mc 16,16).
Queres o testemunho de um morto? Ei-lo, dizendo-te: "Lembra-te do meu julgamento, pois assim será o teu. O que ontem aconteceu comigo, hoje acontecerá contigo" (Eclo 38,23).
Ponto 1 — A pena de sentido no inferno é terribilíssima em sua essência
A pena de sentido no inferno é terribilíssima em sua essência. Imagina, alma minha, que te encontras numa noite escura no cume de um altíssimo penhasco; que abaixo de ti se abre um vale profundo; e que a terra se rasga de tal modo que podes, com tua vista, descobrir em seu seio o inferno.
Imagina que é uma prisão colocada no centro da terra, que tem muitas léguas de profundidade, toda cheia de fogo, de tal modo fechada e cercada por montanhas impenetráveis que, por toda a eternidade, nem mesmo a fumaça poderá escapar. Nessa prisão jazem os condenados, empilhados uns sobre os outros, como tijolos num forno. Consideremos agora a qualidade do fogo em que ardem.
1. É universal e atormenta todo o corpo e toda a alma. — O condenado jaz no inferno sempre no mesmo lugar que lhe foi assinalado pela divina Justiça, sem poder mover-se, como em um cepo; o fogo, no qual está como o peixe na água, totalmente envolvido, queima-o ao redor, à direita, à esquerda, por cima e por baixo.
A cabeça, o peito, as costas, os braços, as mãos e os pés: tudo está penetrado de fogo, de maneira que tudo parece ferro em brasa, como se neste momento fosse retirado da forja. O teto sob o qual habita o condenado é fogo; o alimento que toma é fogo; a bebida que prova é fogo; o ar que respira é fogo; tudo o que vê e tudo o que toca, tudo é fogo.
Mas esse fogo não é apenas exterior; passa também ao interior do condenado: penetra o cérebro, os dentes, a língua, a garganta, o fígado, o pulmão, as entranhas, o ventre, o coração, as veias, os nervos, os ossos, a medula destes e o sangue "No inferno haverá fogo inextinguível, verme imortal, fetidez intolerável, trevas palpáveis, golpes dos que açoitam e desespero de todos os bens" São Gregório.
E o que é mais terrível: esse fogo, por virtude divina, chega também a atuar nas potências da própria alma, inflamando-as e atormentando-as "Pelo nome de fogo designa-se toda aflição.".
Ora, pois, se eu me encontrasse acorrentado em uma fornalha de ferro em brasa, de maneira que tivesse todo o corpo ao ar livre, mas com um só braço no fogo, e Deus me conservasse a vida por mil anos nesse estado, que tormento tão intolerável não seria esse? Pois que será estar todo penetrado e cercado de fogo, não em um só braço, mas em todas as potências da alma?
2. Esse fogo é muito mais terrível do que o homem pode imaginar. — Tenha o fogo natural desta vida toda a atividade que se queira para queimar e atormentar, mas não será nem sequer sombra do fogo do inferno. Duas são as causas pelas quais este é incomparavelmente mais atroz que aquele.
A primeira é a justiça de Deus, que se serve dele como de instrumento para castigar a injúria infinita feita à sua suprema Majestade, desprezada por uma coisa criada; e por isso comunicou a esse elemento uma atividade de abrasar que quase toca o infinito.
A segunda é a malícia do pecado, porque, conhecendo Deus que o fogo deste mundo não é suficiente para castigar o pecado como ele merece, comunicou ao fogo do inferno uma virtude tão eficaz que jamais poderá ser compreendida por nenhum entendimento humano.
Mas, afinal, como abrasa esse fogo? Abrasa tanto, alma minha, que, segundo dizem os mestres ascéticos, se uma única centelha dele caísse sobre uma pedra de moinho, a reduziria em um momento a pó; se caísse sobre um globo de bronze, o derreteria imediatamente como se fosse cera; e, se caísse em um lago reduzido a gelo, o faria ferver num instante.
Detém-te aqui um pouco, alma minha, e responde a algumas perguntas que vou fazer-te. Em primeiro lugar te pergunto: se, à força de fogo, se reduzisse a uma brasa um touro de bronze, como costumavam fazer para atormentar os santos mártires, e depois colocassem diante dos teus olhos todo gênero de bens que o coração humano pode desejar, com o acréscimo de um reino florescente; e te prometessem tudo isso com a condição de que, apenas por meia hora, te encerrassem nele, o que escolherias?
Ah! Dirias: se me oferecessem cem reinos, jamais seria tão tola a ponto de aceitar essa oferta, ainda que tão grandiosa, com condição tão bárbara, e mesmo que estivesse certa de que naquele momento Deus conservaria minha vida.
Pergunto em segundo lugar: se estivesses já na posse de um grande reino e nadasses em um mar de inestimáveis bens, de maneira que nada te restasse a desejar; e, nesse estado, surpreendida pelo inimigo, fosses aprisionada em grilhões e obrigada a renunciar ao reino ou a sofrer dentro do touro em brasa apenas por meia hora, o que responderias? Ah! Dirias: antes preferiria passar toda a vida em extrema pobreza e estar sujeita a qualquer outra miséria e calamidade do que padecer tormento tão grande.
Agora volta o pensamento do temporal ao eterno. Para evitar o tormento do touro, que não duraria mais que uma pequena meia hora, tu te privarias de todas as coisas, até das mais queridas e agradáveis, e padecerias qualquer outro mal, ainda que gravíssimo. Por que não discorres assim quando se trata do eterno?
Deus ameaça, não já com meia hora em um touro de bronze, mas com uma prisão de fogo eterno. Pois, para evitá-la, não deverias privar-te de tudo o que Ele proibiu, por mais deleitável que te possa ser, e abraçar com gosto tudo o que Ele mandou, ainda que te seja sumamente penoso "Momentâneo é aquilo que deleita; eterno, o que atormenta." "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" Mt 25,41 "Estes irão para o suplício eterno, os justos, porém, para a vida eterna" Mt 25,46 "Onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga" Mc 9,47 "Transcorrem os seus dias no bem-estar, e num instante descem à morada dos mortos" Jó 21,13 "Quanto ela se glorificou e viveu em delícias, tanto lhe dai de tormento e luto" Ap 18,7 "Quem de vós poderá habitar com o fogo devorador? Quem de vós poderá habitar com as chamas eternas?" Is 33,14?
"Cada um sofre o que fez; o crime recai sobre o autor; o culpado é oprimido por seu próprio exemplo" (Sêneca). "Fácil é descer ao inferno; mas retornar o passo e escapar às brisas do alto céu: essa é a obra, esse é o trabalho" (Virgílio).
Lembra-te desta máxima: o deleite passa num momento, e o que te atormentará durará eternamente.
Afetos
1. Temor. — Todas essas verdades já me eram conhecidas e eu acreditava nelas, ó meu Deus! Mas como tenho vivido? Ai, quão dolorosa me é esta pergunta! Eu pequei e mereci o inferno; e por quê? Acaso me foi oferecido algum reino se eu pecasse, ou fui ameaçado com a morte se não pecasse? Ah, não; o objeto pelo qual pequei, Vós e eu o sabemos, e me envergonho: por um objeto tão vil pequei e mereci o inferno; tamanha foi minha cegueira, minha tolice, e tão cruel fui comigo mesmo.
Mas o que passou espero que já me haveis perdoado, ó Deus meu misericordiosíssimo. O que me faz temer e tremer é o futuro. Posso pecar de novo, posso morrer em pecado e me condenar; ainda não morreram as más inclinações que outras vezes me fizeram cair; a mortificação é muito pouca; a justiça divina não está inteiramente satisfeita; ainda não posso me lisonjear de ter conquistado perfeitamente a bondade de Deus; o fervor é muito débil. Ai! É demasiado certo que posso pecar de novo, que posso morrer em pecado, que ainda posso me condenar!
2. Humilde súplica para obter a graça. — Ó meu Deus, nesta incerteza da minha salvação, não sei fazer outra coisa senão elevar a Vós os olhos, o coração e as mãos, para implorar com meus gemidos vossa misericórdia. Ó meu Jesus, meu Deus, meu Redentor, meu tudo; lembrai-Vos daquelas chagas que Vos deixastes abrir por mim, daquelas dores que por mim padecestes, daquele preciosíssimo sangue que por mim derramastes.
Lembrai-Vos daquela paciência que suportou durante tanto tempo os meus pecados; daquela misericórdia que tão paternalmente me convidou à penitência; daquela benignidade que tão graciosamente me perdoou. Lembrai-Vos daquela bondade com que, preferindo-me a milhares, me chamastes a estes santos exercícios; daquela longanimidade com que pacientemente haveis tolerado até agora a minha impiedade; daquele amor com que, depois de abusar de tantas graças, me chamastes de novo à perfeição.
Ah! Será possível que tudo isso seja perdido para mim? Sim, ó Jesus. Tudo será perdido se Vós não tiverdes misericórdia de mim. Ah! Voltai, então, vossos olhos paternais para mim, ó Jesus, e salvai-me; talvez o céu não tenha motivo maior para bendizer vossa misericórdia, se a concederdes a mim depois de tantos pecados.
Ponto 2 — A pena de sentido no inferno é terrível em sua duração
A coisa mais terrível que há no inferno é sua duração. O condenado perde a Deus, e O perde por toda a eternidade. Mas que é a eternidade? Ó minha alma! Até agora não houve nenhum anjo que tenha podido compreender o que é a eternidade; como poderás compreendê-la tu? No entanto, para formar dela alguma ideia, considera as duas verdades seguintes:
1. A eternidade não se acaba jamais. — Esta é aquela verdade que fez tremer até os maiores santos. Chegará o juízo final, o mundo perecerá, os réprobos serão tragados pela terra e precipitados no inferno, e depois Deus, com sua mão onipotente, fechará essa prisão tão infeliz.
Então correrão tantos milhares de anos quantas são as folhas das árvores e plantas de toda a terra; tantos milhares de anos quantas são as gotas de água de todos os mares e de todos os rios; tantos milhares de anos quantos são todos os átomos do ar; tantos milhares de anos quantos são os grãos de areia de todas as margens e de todos os mares. E depois do transcurso de um número tão inumerável de anos, que será a eternidade?
Até então não terá passado nem sequer a metade, nem a centésima parte, nem a milésima: nada. Agora volta a começar e durará outro tanto; e depois mil vezes, e mil milhões de vezes outro tanto. E depois de tão longo espaço ainda não terá passado a metade, nem a centésima, nem a milésima parte, nem sequer nada da eternidade. Até esta hora os condenados não tiveram interrupção em arder, e agora começam de novo. Ó mistério profundíssimo! Terror sobre todo terror! Ó eternidade! Quem pode compreender-te?
Imaginemos que o infeliz Caim, chorando no inferno, não tenha derramado em cada mil anos mais que uma única lágrima. Agora, minha alma, recolhe todos os teus pensamentos e reflete assim: já se passaram ao menos seis mil anos desde que Caim se encontra no inferno, e ele não derramou senão seis lágrimas, que Deus conserva milagrosamente.
Quantos anos teriam que passar para que suas lágrimas enchessem todos os vales da terra, inundassem todas as cidades, todos os povoados, todos os castelos e ultrapassassem todos os montes até submergir toda a terra? Da terra até o sol, suponhamos a distância de trinta e quatro milhões de léguas: que número de anos não seria necessário para encher com as lágrimas de Caim esse espaço imenso?
Da terra até o firmamento, suponhamos haja a distância de cento e sessenta milhões de léguas, e ainda essa não é a metade da que há até o céu, onde estão os bem-aventurados. Ó Deus! Que número de anos pode-se imaginar suficiente para encher com essas lágrimas um vazio tão interminável como o que há entre a terra e o céu?
E, no entanto, ó verdade totalmente incompreensível, mas tão certa como o é que Deus não pode mentir, chegaria um tempo em que essas lágrimas de Caim seriam suficientes para inundar o mundo, alcançar o sol, tocar o firmamento e encher todo o vazio que há desde a terra até o último céu.
Há ainda mais: se Deus enxugasse todas essas lágrimas até a última gota e Caim começasse de novo a chorar, encheria outra vez com elas todo o espaço indicado e o voltaria a encher cem, mil vezes e centenas de milhões de vezes, e assim sucessivamente; e, depois de todo esse cálculo inumerável de anos, não só não teria passado a metade da eternidade, mas nem sequer um único instante. Até agora Caim esteve ardendo no inferno, e agora começa a arder de novo.
2. A eternidade é sem interrupção e sem alívio. — Seria, na verdade, pequeno consolo e pouca vantagem para os condenados poder receber um breve alívio uma única vez a cada mil anos. Figuremo-nos ver no inferno um lugar onde estejam três condenados: o primeiro, submerso em um lago de fogo sulfúreo; o segundo, acorrentado a um grande rochedo e atormentado por dois demônios, dos quais um lhe introduz continuamente chumbo derretido pela garganta, e o outro o derrama por todo o corpo, cobrindo-o da cabeça aos pés; e o terceiro, dilacerado por duas serpentes, das quais uma se enrola ao redor do corpo e o morde cruelmente, e a outra, introduzindo-se em suas entranhas, lhe despedaça o coração.
Movendo-se Deus à piedade, concede-lhes um pequeno alívio: o primeiro, depois do transcurso de mil anos, é retirado do lago e recebe o refrigério de beber um copo de água fresca; ao cabo de uma hora, é lançado de novo ao lago. O segundo, depois de mil anos, é desatado de seu grande rochedo e lhe é permitido descansar; mas, passada outra hora, é novamente submetido ao mesmo tormento. O terceiro, concluídos os mil anos, fica livre das serpentes; mas, passada uma hora de trégua, é novamente atacado e martirizado por elas.
Ai! Quão mesquinho seria esse consolo: padecer mil anos e descansar somente uma hora. Pois nem mesmo isso há no inferno. Arder sempre naquelas horríveis chamas e nunca receber nenhum alívio por toda a eternidade; ser sempre mordido e despedaçado pelo remorso e jamais ter descanso por toda a eternidade; sofrer sempre uma ardentíssima sede e nunca receber o refrigério de um gole de água por toda a eternidade; ver-se sempre aborrecido por Deus e jamais gozar de um só olhar terno seu por toda a eternidade; sentir-se sempre amaldiçoado pelo céu e pelo inferno e não obter de nenhum jamais uma demonstração de amigável benevolência.
Esta é a essencial desgraça do inferno: tudo ali é sem socorro, sem remédio, sem alívio, sem interrupção, sem fim, eterno, eterno.
Afetos
1. Ação de graças. — Agora entendo em parte, ó meu Deus, o que é o inferno: é um lugar de extrema dor, um lugar de desesperação extrema; e este é o lugar que eu mereci por meus pecados, e no qual já estaria aprisionado há tantos anos se vossa imensa misericórdia não me houvesse libertado.
Eu irei repetindo mil vezes estas palavras: o Coração de Jesus me amou; do contrário, neste momento eu já me encontraria no inferno. A misericórdia de Jesus teve piedade de mim; pois, do contrário, eu já estaria no inferno. O sangue de Jesus me reconciliou com o Pai celestial; se não, já habitaria no inferno. Este será o hino que quero Vos cantar, meu Deus, por toda a eternidade. Sim, desde já é minha intenção repetir estas palavras tantas vezes quantos momentos se passaram desde aquela hora infeliz em que pela primeira vez Vos ofendi.
2. Arrependimento. — Mas qual foi depois a minha gratidão para com Deus por essa misericórdia tão piedosa que Ele usou comigo? Ele me livrou do inferno, ó caridade imensa! ó bondade infinita! Depois de um benefício tão grande, não deveria eu ter-Lhe dado todo o meu coração e amado com o amor dos serafins mais inflamados?
Não deveria eu ter dirigido todas as minhas ações, buscado em tudo e somente o seu divino beneplácito, e aceitado todas as contrariedades com alegria para manifestar-Lhe meu amor recíproco?
Poderia eu ter feito menos do que isso depois de um benefício tão insigne? E, no entanto, que foi o que eu fiz? Oh, ingratidão digna de um novo inferno! Eu Vos pus de lado, ó meu Deus, e correspondi às vossas misericórdias com novos pecados e ofensas. Reconheço que fiz mal, ó meu Deus, e me arrependo de todo o coração. Ah, se eu pudesse derramar um mar de lágrimas para chorar tamanha e monstruosa ingratidão! Ó Jesus! Tende misericórdia de mim, que agora estou totalmente decidido a querer morrer mil vezes antes que voltar a Vos ofender.
Pai-Nosso e Ave-Maria.
Conclusão da Meditação
Vos dou graças, meu Deus, pelos bons pensamentos, afetos e inspirações que me comunicastes nesta meditação.
Oferecimento
Vos ofereço os propósitos que nela formei e vos peço uma graça muito eficaz para colocá-los em prática. Para esse fim, suplico a Vós, Maria, minha Mãe, aos Anjos e Santos da minha devoção, que intercedais por mim e me alcanceis essa graça. Amém.