XXIII — Do terceiro grau de humildade Exercícios Espirituais de Santo Inácio - Meditações
Oração Preparatória
Meu Deus e meu Senhor, creio firmemente que estais aqui presente.
Vos adoro, meu Deus, com toda a submissão e afeto do meu coração, e humildemente vos peço perdão de todos os meus pecados.
Vos ofereço, Senhor e meu Pai, esta meditação, e espero que me concedais as graças necessárias para realizá-la bem. Para esse mesmo fim, recorro a Vós, Santíssima Virgem, minha Mãe, aos Anjos e Santos, para que intercedais por mim e me alcanceis o que necessito para tirar fruto desta meditação. Amém.
Prelúdio primeiro — Composição de lugar
Imagina, alma minha, que vês Jesus flagelado, coroado de espinhos, preterido a Barrabás, e que, sendo levado por Pilatos a uma varanda, todo o povo grita: Tira-o, tira-o; crucifica-o, crucifica-o.
Prelúdio segundo — Petição
Ó meu Jesus! Dai-me a graça de amar os desprezos e humilhações. Quando me vir humilhado, fazei que eu me cale, e apenas diga: Bem me está, Senhor, que me hajais humilhado, para que assim eu aprenda os vossos justíssimos preceitos Sl 118(119),71.
Ponto 1
A equidade e a justiça exigem de nós o amor aos desprezos. Somos tão cegos, e está tão profundamente arraigada em nosso coração a estima própria, que acreditamos ter uma vida extremamente infeliz quando não nos dão atenção e quando somos, de algum modo, desprezados; e, no entanto, é certo que nada nos convém mais do que os desprezos, e que todos os homens juntos jamais poderiam nos desprezar tanto quanto merecemos. Escuta com atenção, alma minha, algumas verdades que são evidentes:
1. Deus pode e deve necessariamente castigar o pecado. Assim nos ensina a fé. Deus é justiça infinita. Pois bem, assim como Ele não seria bondade infinita se não premiasse o bem, também não seria justiça infinita se não castigasse o mal. Crês nisso, alma minha? Passemos adiante.
2. Deus pode castigar o pecado como quiser. Assim como Deus é justiça infinita, também é soberania infinita; pode castigar o pecado com dores no corpo, com angústias e aflições na alma; mas o desprezo parece ser o castigo mais próprio do pecado, porque, sendo o pecado um desprezo feito contra Deus, merece justamente ser castigado com desprezo, e que seja desprezado o homem que teve a audácia de desprezar a Deus.
3. Deus pode servir-se de qualquer um para castigar o pecado. Em Davi, Deus castigou o pecado por meio de seu próprio filho. No profeta desobediente, castigou por meio de uma fera que o despedaçou em sua viagem. No ímpio Heliodoro, por meio de um anjo que o açoitou até a morte. Em Jesus Cristo, Seu Filho unigênito, castigou nossos pecados por meio de um apóstolo que O vendeu. Pode, pois, Deus castigar-me também e enviar-me desprezos pelo meio que mais Lhe aprouver.
4. Por mais que Deus castigue o pecado nesta vida, sempre o castiga menos do que ele merece. Se Deus prolongasse minha vida até o dia do juízo, e eu a passasse entre perpétuos incômodos, maus-tratos e afrontas, com todas essas coisas jamais eu poderia reparar o desprezo que fiz à Sua divina Majestade com um só pecado venial. Recolhe agora teus pensamentos, alma minha, e responde-me. Cometeste alguma vez algum pecado? Ai, que não só um, mas cem e mil! Pode, pois, Deus castigar-te, e castigar-te com desprezos, se Ele quiser? Isso é inegável. Por muitos que sejam os desprezos com que Deus permita que sejas afrontado, nunca serão nem em número nem daquela qualidade como tu tens merecido por um só pecado venial.
Assim é verdadeiramente. Que se segue daqui? Segue-se que não podes ter razão de te lamentar por qualquer desprezo que se te faça, porque não se te faz nenhum agravo; segue-se daqui que entre os desprezos, quaisquer que sejam, deves louvar a Deus e bendizê-Lo, sendo eles sempre menores do que tu tens merecido; segue-se que é coisa justa e devida que por toda a tua vida sejas sempre desprezado e afrontado.
Afetos
1. Confissão e humilhação de si mesmo. — É justo, ó meu Deus! — e eu o confesso — é justíssimo que eu viva entre desprezos e que os encare de nenhum outro modo senão como efeitos da vossa misericórdia para comigo. Ai! Que são todos os desprezos dos homens em comparação com os que eu tenho merecido? Se Vós, ó meu Jesus, me tivésseis tratado segundo o rigor da vossa justiça, onde estaria eu agora? Ah! Vós o sabeis, ciência infinita. Eu estaria no inferno e seria vilipendiado por todos os eleitos por toda a eternidade. Seria desprezado por toda a eternidade por todos os Anjos do céu e por todos os homens da terra.
Destes desprezos eternos me preservastes Vós, ó meu Jesus, por pura misericórdia vossa; e, em lugar deles, Vos contentais com que eu sofra apenas os desprezos que me forem feitos nesta vida. Não é justo, então, que eu os veja como efeitos da vossa misericórdia e que os suporte com uma paz imperturbável?
2. Propósito. — Assim o farei, ó meu Jesus, com o vosso divino auxílio, e não permitirei que este pensamento se afaste de mim. Pequei, e mereci ser escarnecido e desprezado por toda a eternidade, no céu e na terra, pelos Anjos e pelos homens, pelos eleitos e pelos condenados. Sempre terei isso impresso na memória, em todas as ocasiões, e em meio aos desprezos e ignomínias quero louvar e bendizer a vossa infinita bondade e misericórdia.
Ponto 2
Nosso interesse exige que amemos os desprezos. É muito certo que não se encontra nos desprezos coisa alguma que não pareça amarga e desagradável; mas considera, alma minha, que nós amamos muitas coisas que são amargas e ingratas à natureza, porque sabemos que nos são vantajosas. A um enfermo atormentado por dores agudas, não se pode fazer coisa mais agradável do que lhe oferecer um remédio — por mais desagradável que seja — que certamente eliminará ou ao menos aliviará seu mal. E por que nós não poderíamos amar os desprezos, refletindo nas grandes e singularíssimas vantagens que eles trazem consigo? Mas quais são essas vantagens? Eu te insinuarei as principais.
Primeira vantagem. — Os desprezos destroem em nós a soberba. O pior mal e o maior obstáculo que uma alma pode encontrar no caminho da perfeição é a soberba e a vanglória. Enquanto houver no coração a mínima estima de si mesmo, um pequeno contentamento, uma ambiçãozinha pelos elogios humanos, jamais acontecerá que Deus entre a habitar nele com satisfação. Um coração assim, Ele o contempla com horror, foge dele e o deixa vazio de Suas luzes celestiais, de santos afetos, de moções piedosas, das graças mais escolhidas e das disposições mais especiais de Sua providência. Poder-se-ia imaginar mal maior para uma alma que anseia pela perfeição?
Mas não haverá remédio para tanto mal? Sim, alma minha, e tem por certa esta verdade incontestável: o remédio mais seguro, mais eficaz, mais rápido são os desprezos. Para apagar um grande incêndio, não há coisa mais oportuna do que uma chuva impetuosa enviada pelas nuvens; e para desenraizar a soberba, não há nada mais poderoso do que os desprezos e humilhações.
Oh, quão poucos são os que sem esse meio chegam à verdadeira humildade! Não deverias tu, alma minha, desejar com todo amor os desprezos? Não deverias, em meio a eles, transportada de alegria, louvar, bendizer e dar graças ao teu Deus? Agradece-se a um cirurgião por arrancar um dente com dor momentânea, livrando-nos de uma dor contínua; e não hás de agradecer a teu Deus, que, sujeitando-te a um mal menor, como os desprezos, te livra de um mal muitíssimo pior, que é a soberba?
Segunda vantagem. — Os desprezos produzem em nós a humildade. A melhor disposição para a perfeição é a humildade. Mal Deus a descobre num coração, imediatamente entra nele e o enche com a abundância de Suas graças. O coração humilde é semelhante a um vale, porque assim como as águas que descem do monte se reúnem todas no vale e o tornam fértil e fecundo, assim a graça divina, abandonando o coração inchado e soberbo, figurado no monte, se recolhe no coração humilde e este fica profundamente enriquecido. Poder-se-ia jamais imaginar um tesouro mais abundante que esse?
Mas qual é o meio para adquirir uma virtude tão agradável a Deus? Volta os olhos a Jesus, alma minha, e dEle aprenderás o modo de adquiri-la. Este amado Redentor se fez nosso modelo em todas as virtudes e nos mostrou também os meios mais eficazes para alcançá-las. Mas que meio nos deu Jesus para obter a humildade? Nenhum outro senão guardar perpétuo silêncio nos desprezos e humilhações. Se tu, alma minha, aprendesses a calar nos desprezos e a amá-los, Ele sem dúvida te concederia o espírito de humildade, que é o Seu espírito, e tu começarias a possuí-lo no momento em que começasses a praticá-la.
Afetos
Ah, Jesus meu, meu Redentor e meu tudo! Agora conheço perfeitamente o que Vos desagrada em meu coração e o que Vos impede de fixar nele a vossa morada: aquele desejo de ser honrado e estimado pelos homens; aquele andar como à caça de louvores e honras; aquela ambição de ser preferido a todos em todas as coisas, isso é, ó meu Deus, o que Vos torna odiosa a estada em meu coração.
Maldita ambição, de quantas graças me despojaste! De quantas luzes celestiais me privaste! De quantos consolos divinos me defraudaste! Quanto me afastaste de Deus! E quantos outros males ainda não me podes acarretar! Fatigar-me-ei em vão e não terei entrada junto de Vós, ó Jesus, se não extirpar de meu coração esta perversa inclinação, que lançou nele raízes tão profundas. Um Deus tão humilde e uma criatura tão soberba não podem ter uma amizade familiar e recíproca. Ou Vós, ó meu Jesus, havíeis de mudar o vosso coração, amando doravante a altivez e a soberba, ou eu deverei mudar o meu, amando desde agora a humilhação e os desprezos.
Perdoai, ó meu Jesus, a minha simplicidade; bem sei que o meu é o que se deve mudar. Assim o farei, sim, meu amado Jesus; mas, se Vós não me fortalecerdes com a vossa graça, serão vãos todos os meus propósitos. Eu mesmo não ouso sair fiador de minhas promessas; esta maldita ambição aprofundou-se tanto em meu coração que não encontro em mim força suficiente para arrancá-la. Já a detestei mil vezes, mas nem por isso deixou de brotar com mais vigor do que antes; e não devo lançar a culpa disso em ninguém mais senão em mim mesmo, porque meus propósitos não passam de palavras vãs, com as quais me engano a mim mesmo e me torno mais culpado diante de Vós.
Se me propusesse deveras a isso, deveria dar graças com as mãos juntas a quem me desprezasse, e abraçar alegremente todas as ocasiões que me proporcionassem o humilhar-me. Mas a verdade é, ó meu Jesus, que esta é uma raiz que ninguém pode desarraigar senão a vossa mão onipotente. Voltai, pois, os vossos olhos para mim, ó piedosíssimo Jesus, extirpai em mim todo desejo de vanglória e fazei com que em meu coração não reine mais do que o vosso espírito unicamente e o amor aos desprezos.
Ponto 3
O desprezo merece ser amado por sua própria excelência e preeminência. Se tu soubesses, alma minha, o quanto vale aos olhos de Deus o menosprezo, oh, com quanta boa vontade e com quanto prazer irias procurá-lo, por mais repugnante que fosse à fraca natureza! Portanto, considera atentamente as excelências que encerra em si um desprezo sofrido com paciência.
Primeira excelência. — Tolerar o desprezo em silêncio é o sacrifício mais digno que podemos oferecer a Deus de nós mesmos nesta vida. O desejo de aparecer e adquirir reputação e estima dos homens é uma paixão tão comum e universal, que talvez não haja homem que esteja livre dela. Há alguns que não têm dificuldade em se privar das comodidades e em extenuar o corpo com jejuns e outras austeridades; há outros que, amantes da solidão, empregam muitas horas em orações, e também há os que, por mais aflitos que se vejam com dores e enfermidades, no entanto, manifestam uma paciência invicta; parecem insaciáveis de padecimentos.
Mas, não obstante, todos estes que parecem tão avantajados nas virtudes, bem frequentemente não sabem suportar em silêncio um desprezo, uma calúnia, nem sequer uma palavra depreciativa. Aqui a virtude desfalece e a santidade geralmente se despedaça; tão arraigado está no coração humano este maligno apetite e tão difícil é arrancá-lo. E assim, sendo necessário para vencê-lo um esforço e uma violência extraordinária, quem não vê quão excelente sacrifício oferecerá a Deus aquele que o realiza e sai vitorioso?
Segunda excelência. — Tolerar em silêncio o desprezo é a medula e a parte essencial do seguimento de Jesus Cristo. Se observares atentamente, alma minha, as ações de Jesus Cristo, verás que em toda a sua vida e em todas as idades Ele tolerou desprezos. Foi desprezado em seu nascimento no estábulo de Belém; desprezado em sua infância na fuga para o Egito; desprezado em sua adolescência na oficina de Nazaré; desprezado na idade adulta na pregação e na morte de cruz.
Foi desprezado em Si mesmo e em todas as Suas obras; foi desprezado em Sua divindade e humanidade; desprezado em Suas virtudes; desprezado em Sua doutrina; desprezado em Seus milagres, e tudo quanto dizia e fazia era mal interpretado e desprezado.
Foi desprezado por toda sorte de pessoas. Foi desprezado por nacionais e estrangeiros; desprezado por sacerdotes e leigos; desprezado por reis, nobres e plebeus; desprezado por militares e civis.
Os sábios O desprezaram; como não havia sido ensinado por eles, diziam: "De onde tirou Este tal sabedoria, sendo um homem que nem sequer aprendeu letras?" Mas Jesus guardava silêncio e não defendia Sua honra, pois podia lhes dizer que era a Sabedoria incriada, e Aquele que tudo sabe não tem necessidade de aprender nada, e Aquele que é enviado para ser mestre de todos não deve ser discípulo de ninguém.
Os ricos O desprezaram: o Senhor Jesus é dono da terra e de todas as coisas que há nela; no entanto, por amor aos desprezos, escolheu pais pobres, companheiros pobres, comida pobre, vestimenta pobre, ocupação pobre, casa pobre, e em tudo amou a pobreza e a abjeção, e por isso mereceu o desprezo dos ricos, que amam as riquezas, os confortos e a vaidade.
Os jovens camponeses e contemporâneos O desprezaram. Os hebreus se casavam aos dezenove anos; ao verem Jesus jovem, elegante, belo e refinado, que não dava atenção às mulheres nem às coisas do mundo, que vivia afastado de más companhias e das diversões da juventude, que zombarias, que desprezos não fariam dEle!
Com exceção de Maria Santíssima e de São José, os parentes O desprezaram ao ver que não se casava nem procurava fazer fortuna; criticavam-No e O tinham por um homem digno de desprezo. Tão logo Jesus começou a reunir discípulos e a pregar, alguns de Seus parentes saíram para buscá-Lo, porque diziam que Ele havia perdido o juízo (Mc 3,21).
Jesus não confiava neles, nem com eles quis ir à festa de Jerusalém; de modo que, ao ver-se tão desprezado por parentes e conterrâneos, chegou a dizer: "Não há profeta sem honra senão em sua própria pátria e entre seus parentes", e que "os principais inimigos do homem são os da sua própria casa".
Depois de tudo o que foi dito até aqui, não deves afirmar, alma minha, que sofrer com paciência e silêncio os desprezos e amar a abjeção é a essência do espírito de Jesus Cristo, e que não se pode adquirir o Seu espírito sem amar o desprezo?
Terceira excelência. — Sofrer em silêncio o desprezo é a chave do Coração de Jesus e o meio para unir-se com Ele. Perderás teu esforço, alma minha, se buscas a Jesus sem buscar os desprezos. Orar, suspirar, jejuar, vigiar e outros exercícios devotos não são suficientes; é necessário que morras, e morras à força de desprezos; é necessário que te vistas de Jesus Cristo, amando como Ele os desprezos, se desejas ter entrada em Seu diviníssimo Coração.
Às almas que assim procedem, é a elas que Jesus ama; a estas ilumina para conhecer os segredos de Sua grandeza e majestade; a estas consola e lhes dá a saborear as doçuras de Seu amor; com estas trata familiarmente e as admite à Sua união. Estas são aquelas almas afortunadas, nas quais cumprirá ainda nesta vida a promessa que fez com estas palavras: Eis que estou à porta e bato; se houver quem ouça a Minha voz e Me abrir a porta, Eu entrarei e cearei com ele, e ele Comigo.
Dize-me agora, alma minha, não somos inteiramente cegos e não deveríamos chorar com lágrimas amargas nossa insensatez, quando nos entristecemos com os desprezos? Não deveríamos suspirar com os mais ardentes desejos por um bem que tanto foi amado por Jesus? Não deveríamos também nós estimá-lo acima de todas as coisas? Não deveríamos abraçá-lo com grande alegria? Ah! Como nos odiamos a nós mesmos, privando-nos de um bem tão precioso, que não tem igual na terra! Ah! Nós somos como aquele enfermo que quer curar-se, mas não quer usar o remédio.
Afetos
Oblação. — Ah! Sim, reconheço claramente, ó meu amado Jesus! Enquanto o amor pela glória mundana tiver lugar em meu coração, nem Vós vireis jamais a mim, nem eu poderei jamais aproximar-me de Vós com intimidade. É necessário expulsar o desejo das honras e empregar todos os esforços para que em seu lugar entre o amor ao desprezo; assim o proponho, amantíssimo Jesus meu, e desde já Vos ofereço isso em sacrifício; dignai-Vos ouvir minhas súplicas e dai-me forças para cumprir as seguintes resoluções:
1. Detesto e abomino de todo coração e deponho a vossos pés todo desejo de honra. Não quero que haja homem no mundo que volte para mim seu pensamento, que me estime, me ame e me honre nem por um momento; e se contra minha vontade isso vier a acontecer, é minha intenção detestar toda complacência que daí possa surgir, como coisa odiosa aos vossos olhos.
2. Amo e abraço de todo o meu coração o desprezo. Qualquer coisa que por vossa misericórdia me suceder, a suportarei em silêncio por vosso amor; Vos louvarei e bendirei também por ela, como por um grandíssimo favor e benefício que me vem de vossa mão.
3. Deixo neste instante todo o direito que possa ter para com o mundo à minha fama e honra; tudo deixo ao vosso arbítrio. De agora em diante não cuidarei mais de nada disso e o considerarei como um bem alheio que nada me pertence. Dignai-Vos aceitá-lo, ó Jesus meu, e assim como vosso eterno Pai se serviu para Sua glória do direito que Vós tínheis à boa fama, permitindo que fôsseis desprezado e vilipendiado, assim também servi-Vos Vós do direito que eu posso ter ao meu bom nome. Esta é, ó Jesus meu, a oblação do meu sacrifício; eu a renovarei cada dia, e espero viver e morrer tendo-a na boca e no coração.
Petição do espírito de humildade. — Mas, quem me dará que meu coração se mantenha constantemente nessas felizes disposições? Só Vós, ó Jesus meu, só Vós podeis fazê-lo, e sem Vós, meus bons desejos se desvanecerão como fumaça; sem Vós, jamais terão qualquer bom efeito os meus bons propósitos; sem Vós, minha boa intenção não poderá permanecer constante nem por uma hora.
Portanto, voltai para mim vossos olhos misericordiosíssimos, ó amantíssimo Jesus meu! Dai-me um coração que seja inteiramente conforme ao vosso; fazei que eu ame o que Vós amastes, que eu aborreça o que Vós aborrecestes; fazei que eu aborreça todas as vaidades e a estima dos homens, como Vós as aborrecestes. Esta graça Vos peço; por ela suspiro.
Pai-Nosso e Ave-Maria.
Conclusão da Meditação
Vos dou graças, meu Deus, pelos bons pensamentos, afetos e inspirações que me comunicastes nesta meditação.
Oferecimento
Vos ofereço os propósitos que nela formei e vos peço uma graça muito eficaz para colocá-los em prática. Para esse fim, suplico a Vós, Maria, minha Mãe, aos Anjos e Santos da minha devoção, que intercedais por mim e me alcanceis essa graça. Amém.