Meditação de hoje 13/06/2026 Meditação
A prática do amor a Jesus Cristo
Santo Afonso Maria de LigórioCapítulo VI - Quem ama a Jesus Cristo, ama a mansidão
INTRODUÇÃO
“A caridade é benigna.” O espírito de mansidão é próprio de Deus. “Meu espírito é mais doce do que o mel.” (Eclo 24,27) A pessoa que ama a Deus, ama a todos os que são amados por Deus, isto é, todos os homens. Por isso, procura sempre socorrer, consolar, contentar a todos na medida do possível. Eis o que diz São Francisco de Sales, mestre e modelo da mansidão: “A humilde mansidão é a virtude das virtudes que Deus tanto nos recomendou. É necessário praticá-la sempre e em toda parte”. Dá-nos ainda a seguinte regra: “Quando vedes alguma coisa que se pode fazer com amor, fazei-o; o que não se pode fazer sem discussões, deixai-o” (S. Francisco de Sales, Lettre 1539, Julho-outubro 1619, à Madame de Villesavin, Oeuvres, XVIII, 417; Lettre 1254,10 de novembre 1616, à Madame Grillet de Monthoux. Oeuvres, XVII, 305, 306). Isso se refere ao que podemos deixar sem ofender a Deus, porque, quando existe ofensa a Deus, esta deve ser impedida sempre e depressa por aquele que é obrigado a impedi-la.
A mansidão deve ser praticada especialmente com os pobres, os quais normalmente, por causa de sua pobreza, são tratados asperamente pelos homens. Deve-se ainda usar da mansidão particularmente com os doentes que se encontram aflitos e, as mais das vezes, recebem pouco cuidado dos outros. Devemos exercer a mansidão principalmente com os inimigos. É preciso “vencer o mal com o bem” (Rm 12,21), isto é, o ódio com o amor, a perseguição com a mansidão. Assim fizeram os santos e por esse meio conseguiram o afeto de seus maiores inimigos.
Diz São Francisco de Sales: “Não há nada que tanto edifique o próximo como a caridosa benignidade no trato”(S. Francisco de Sales, Lettre 1223, à Mère de Bréchard, 22 de julho 1616, Oeuvres, XVII, 260). Ele tinha ordinariamente o sorriso nos lábios. Sua aparência, suas palavras, suas maneiras respiravam mansidão (Sta. Joana de Chantai, Déposition pour la béatification et canonisation de S. François, a. 32 (Procès d‘Annecy, 1627), Vie et Oeuvres, XVII, 260). São Vicente de Paulo afirmava jamais ter conhecido um homem mais manso, parecendo-lhe ver a imagem viva da bondade de Jesus Cristo. Mesmo quando sua consciência o obrigava a negar alguma coisa, o santo mostrava tanta benevolência com as pessoas, que elas iam embora contentes, embora não tivessem obtido o que desejavam (Abelly, Vie, 1. 3, c. 12). Era manso para com todos, com os superiores e com seus iguais, com seus inferiores, com as pessoas de casa e de fora (Sta. Joana de Chantal, Déposition pour la beátification et canonisation de S. François, a. 27. Vie et Oeuvres de la Sainte, III, 130). Era bem diferente dos que, segundo sua expressão, parecem anjos na rua e demônios em casa (S. Francisco de Sales, Introduction à la vie dévote, p. 3, c. 8). No trato com seus empregados, não se queixava nunca de suas faltas; advertia-os apenas e sempre com bondade (Camus (éd. abrégée Collet), p. 5, c. 10). Coisa muito louvável em todos os superiores!
O superior deve usar de toda mansidão com seus súditos. Ao lhes impor alguma coisa, deve antes pedir que mandar. Dizia São Vicente de Paulo: “Para os superiores, não há melhor meio de se fazer obedecer do que a mansidão” (S. Vicente de Paulo, cf. Abelly, Vie, 1. 3, c. 24, s. 1). “Experimentei todos os meios de governar – dizia Santa Joana de Chantal – e não encontrei nenhum melhor do que o modo bondoso e paciente.” (Mére de Chaugy, Mémoires sur la vie et les vertus de S. Jeanne de Chantal, p.3, c. 19. Vie et Oeuvres de la Sainte, I, p. 466)
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