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A prática do amor a Jesus Cristo

Santo Afonso Maria de Ligório

Capítulo V - A alma que ama a Jesus Cristo, ama o sofrimento

Paciência na Dor

“A paciência produz uma obra perfeita.” (Tg 1,4) Isso quer dizer que não existe coisa mais agradável a Deus do que sofrer com paciência e paz todas as cruzes por Ele enviadas. É próprio do amor, fazer a pessoa que ama semelhante à pessoa amada. Dizia São Francisco de Sales: “Todas as chagas do Redentor são outras tantas palavras que nos ensinam como devemos sofrer por Ele. Esta é a sabedoria dos santos, sofrer constantemente por Jesus; assim ficaremos logo santos” (S. Francisco de Sales-Gallizia, Vita, 1.6, c. 2 (in fine): Massime e detti spirituali, Massime per gli ecclesiastici, n. 5). Quem ama o Salvador deseja ser como Ele, pobre, sofredor e desprezado. São João viu todos os santos vestidos de branco, segurando palmas nas mãos (Ap 7,9). A palma é o símbolo do martírio; mas nem todos os santos foram martirizados. Por que então todos seguram palmas?

Responde São Gregório que todos os santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência. E acrescenta: “Nós podemos ser mártires sem a espada, se guardarmos a paciência” ( S. Gregorio, Homiliae XL in Evangelia, 1. 2, hom. 35, n. 7: ML 76-1263).

O mérito de uma pessoa que ama Jesus Cristo consiste em amar e sofrer. Eis o que Deus fez Santa Teresa entender: “Pensa, minha filha, que o mérito consiste no gozar? Não, o mérito consiste em sofrer e amar. Veja minha vida cheia de dores. Acredite, minha filha, aquele que é mais amado por meu Pai recebe dele cruzes maiores; ao sofrimento corresponde o amor. Veja estas minhas chagas, suas dores nunca chegarão a tanto. Pensar que meu Pai admite alguém em sua amizade sem o sofrimento é um absurdo... Mas acrescenta Santa Teresa: “Deus não manda nenhum sofrimento sem pagá-lo imediatamente com algum favor” (Sta. Teresa, Mercedes de Dios, XXXVI, Obras, II, Burgos 1915; Camino de perfección, c. 18, Obras, III; Libro de la vida, c. 11, Obras, I, 77) .

São três as principais graças que Jesus faz às pessoas amadas por Ele: a primeira, não pecar; a segunda, que é maior, o fazer boas obras; a terceira, que é a maior de todas, sofrer por seu amor (B. Batista Varani, Cimarelli, Croniche, Ed. L. Napoli 1680, t. 3, 1. 4, c. 24). Dizia Santa Teresa que quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz (Sta. Teresa, Las Fundaciones, c. 21, Obras, V, Burgos 1918, p. 309). Eis por que os santos agradeciam a Deus ao receberem os sofrimentos.

São Luís, Rei da França, falando da escravidão que sofreu na Turquia, diz: “Eu me alegro e fico muito agradecido a Deus mais pela paciência que me concedeu em minha prisão do que se tivesse conquistado a terra inteira” (Bollandisti, Acta sanctorum, 25 agosto, c. 2, n. 23) . Santa Isabel, rainha da Hungria, tendo perdido seu esposo, foi expulsa do lugar onde morava com seu filho. Sem abrigo e abandonada por todos, dirigiu-se a um convento dos franciscanos e mandou cantar um hino de ação de graças a Deus pelo favor que Ele lhe concedia ao fazê-la sofrer por seu amor (Wadding, Annales Minorum, anho 1927, n. 8) .


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(Santo Afonso Maria de Ligório)
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