Meditação de hoje 26/06/2026 Meditação
A prática do amor a Jesus Cristo
Santo Afonso Maria de LigórioCapítulo VI - Quem ama a Jesus Cristo, ama a mansidão
A bondade e a mansidão
O superior deve mostrar-se benigno mesmo nas repreensões que tem a fazer. Uma coisa é repreender com energia e outra repreender com aspereza. É preciso, às vezes, repreender com energia, quando a falta é grave, principalmente em caso de repetição da falta e depois de a pessoa ter sido avisada. Mas evitemos repreender com aspereza e com raiva; quem repreende com raiva faz mais mal do que bem. Esse é o zelo errado que São Tiago reprova. Há quem se glorie de dominar assim sua família ou comunidade, e pensa que é assim que se deve governar. São Tiago não pensa assim: “Se tendes um zelo amargo, não vos glorieis” (Tg 3,14).
Se em algum caso raro houvesse necessidade de dizer uma palavra áspera para que alguém percebesse a gravidade de seu erro, é preciso temperar a dureza, terminando com alguma palavra mais mansa. É preciso curar as feridas, a exemplo do bom samaritano, com vinho e óleo. São Francisco de Sales dizia: “Assim como o óleo fica boiando quando despejado num copo de água, assim em todos os nossos atos deve ficar por cima a bondade” (S. Francisco de Sales, Introduction à la vie dévote, partie 3, c. 8). Se a pessoa a ser repreendida está alterada, convém deixar a repreensão para outra hora e esperar que passe a raiva, caso contrário mais a irritaríamos. “Quando uma casa pega fogo não se deve jogar mais lenha na fogueira.”(Surio, De probatis sanctorum historiis, 10 outubro, Vita S. Joannis "prior do monastério de Bridlington")
“Não sabeis de que espíritos sois.” Foi esta a resposta que Jesus deu a seus discípulos Tiago e João, quando eles queriam que fossem castigados os samaritanos, que os tinham expulsado de sua cidade:
– Que espírito é esse? Não é o meu! Meu espírito é de bondade e mansidão; “não vim para perder, mas para salvar as pessoas” (Lc 9,55-56) e estais querendo que eu as perca? Calai-vos e não me façais semelhantes pedidos, porque não é esse meu espírito!
De fato, com que mansidão tratou Jesus a mulher adúltera:
– “Mulher, ninguém te condenou? Nem eu te condenarei. Vai e não peques mais”(Jo 8,10-11) .
Contentou-se apenas em admoestá-la a não mais pecar e a mandou em paz. Com quanta bondade procurou converter e converteu a samaritana. Começou pedindo-lhe água. Depois lhe disse:
– “Se soubesses quem é que te pede de beber!”
Em seguida revelou-lhe que era o Messias esperado. Com quanta bondade procurou converter o traidor Judas. Deixou que ele comesse com Ele no mesmo prato. Lavou-lhe os pés e o admoestou no momento da traição:
– “Judas, é com um beijo que me trais? Com um beijo trais o Filho do Homem?”
Como é que mais tarde converteu Pedro, depois de ter sido regenerado por Ele? “O Senhor voltou-se e olhou para Pedro.” (Lc 22,48-61) Ao sair da casa do pontífice, sem censurar seu pecado, lançou sobre ele um olhar de ternura e o converteu.
E converteu de tal forma que Pedro durante toda a vida não deixou de chorar a grave ofensa que fizera a seu Mestre.
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