Meditação de hoje 24/04/2026 Meditação
Imitação de Cristo
Tomás de KempisLivro IV - Do Sacramento do Altar - DEVOTA EXORTAÇÃO À SAGRADA COMUNHÃO Voz de Cristo: Vinde a mim todos que penais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei, diz o Senhor (Mt 11,78). O pão que eu darei é a minha carne, pela vida do mundo (Jo 6,52). Tomai e comei, este é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim (Lc 22,19). Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele (Jo 6,57). As palavras que eu vos disse são espírito e vida (Jo 6,64).
Capítulo 2 - Como neste sacramento se mostra ao homem a grande bondade e caridade de Deus
1. A voz do discípulo: Confiado, Senhor, na vossa bondade e grande misericórdia, a vós me chego, qual enfermo ao médico, faminto e sequioso à fonte da vida, indigente ao Rei do céu, servo ao Senhor, criatura ao Criador, desconsolado ao meu piedoso Consolador. Mas donde me vem a graça de virdes a mim? Quem sou eu, para que vós mesmos vos ofereçais a mim? Como ousa o pecador aparecer diante de vós? E vós, como vos dignais vir ao pecador? Conheceis vosso servo e sabeis que nenhum bem há nele para que lhe presteis esse benefício. Confesso, pois, minha vileza, reconheço vossa bondade, louvo vossa misericórdia e dou-vos graças por vossa excessiva caridade. Por vós mesmos fazeis isso, não por meus merecimentos, mas para que vossa bondade me seja mais manifesta, maior caridade me seja infundida e a caridade me seja mais perfeitamente recomendada. Pois que assim vos apraz e assim ordenastes, a mim também me agrada vossa condescendência, e oxalá não ponham estorvo meus pecados!
2. Ó dulcíssimo e benigníssimo Jesus! louvor vos devo pela participação do vosso sacratíssimo corpo, cuja existência ninguém pode explicar! Mas que hei de pensar nesta comunhão, chegando-me a meu Senhor, a quem não posso devidamente honrar, e todavia desejo receber com devoção? Que coisa melhor e mais salutar posso pensar, senão humilhar-me totalmente diante de vós e exaltar vossa infinita bondade para comigo? Eu vos louvo, Deus meu, e vos engrandeço para sempre. Desprezo-me e a vós me submeto no abismo de minha vileza.
3. Vós sois o Santo dos santos, e eu a escória dos pecadores. Vós baixais para mim, que não sou digno de levantar os olhos para vós. Vindes a mim, quereis estar comigo, convidais-me ao vosso banquete. Quereis dar-me o alimento espiritual e o pão dos anjos, que outro, na verdade, não é senão vós mesmo, pão vivo, que descestes do céu e dais a vida ao mundo.
4. Eis a fonte do amor donde resplandece a vossa misericórdia! Que ações de graças vos são devidas por este benefício! Oh! quão salutar e proveitoso foi o vosso desígnio em instituir este Sacramento! Quão suave e delicioso banquete, em que a vós mesmos vos destes em alimento! Quão admiráveis, Senhor, são vossas obras, quão inefável vossa verdade! Porque dissestes – e tudo se fez, e fez-se aquilo que ordenastes.
5. Coisa maravilhosa e digna de fé e acima de toda compreensão humana é que vós, Senhor, meu Deus, verdadeiro Deus e homem, estejais todo inteiro debaixo das insignificantes espécies de pão e vinho, e, sem serdes consumido, alimentais aquele que vos recebe. Vós, Senhor do universo, que não precisais de coisa alguma, quisestes morar em nós por vosso Sacramento; conservai meu coração e meu corpo sem mancha, para que com alegre e pura consciência possa muitas vezes celebrar e receber vossos mistérios, para minha eterna salvação, visto que os instituístes e ordenastes principalmente para vossa honra e perpétua lembrança.
6. Regozija-te, minha alma, e agradece a Deus tão excelente dádiva e singular consolação, que ele te deixou neste vale de lágrimas. Porque todas as vezes que celebrares este mistério e receberes o corpo de Cristo, renovas a obra de tua redenção e te tornas participante de todos os merecimentos de Cristo. Pois a caridade de Cristo nunca se diminui, nem se esgota jamais a grandeza de sua propiciação. Por isso te deves preparar sempre para esse ato pela renovação do espírito, e considerar com atenção este grande mistério de salvação. Tão grande, novo e delicioso se te deve afigurar, quando celebras ou ouves missa, como se Cristo no mesmo dia descesse pela primeira vez ao seio da Virgem e se fizesse homem, ou como se, pendente da cruz, padecesse e morresse pela salvação dos homens.
Reflexões
Nosso Senhor, diz o santo apóstolo, ofereceu-se a Deus seu Pai, por nós, como hóstia de odor e de suavidade. Oh! Que divinos odores não espalhou ele diante de seu Pai Eterno, quando instituiu o Santíssimo Sacramento do altar, no qual nos testemunhou tão admiravelmente a grandeza incomparável de seu amor! Oh! Que perfume infinitamente suave foi então este ato de amor tão incompreensível de Nosso Senhor, dando-se a nós, que éramos seus inimigos, e que lhe causávamos a morte! Foi então verdadeiramente que ele nos deu o meio de chegar a este grau supremo de união que ele nos desejava, de fazer um com ele, assim como ele e seu Pai são um, como lhe havia pedido, no extremo de seu amor por nós, encontrando ao mesmo tempo um meio de poder fazer isto, instituindo o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, pela recepção do qual fazemos uma mesma coisa com ele: Nós formamos um só corpo, embora sejamos muitos, pois todos participamos do mesmo pão e do mesmo cálice (1Cor 10,17). Ó bondade incomparável, como sois digna de ser amada! Até que ponto abaixou-se a grandeza de Deus por cada um de nós, e até onde quer ele elevar-nos, unir-nos tão perfeitamente a si, que nos torna uma mesma coisa com ele! Nosso Senhor quis fazer isto para ensinar-nos como somos todos amados com um mesmo amor pelo qual ele se une a nós neste Santíssimo Sacramento; assim quer ele que nos amemos todos com este mesmo amor que tende à união, mas a uma união maior e mais perfeita do que se pode dizer (Sermon pour le IIIe dimanche de Carême, IV, 301).
Oração
Ó doce Jesus, meu Salvador e meu Deus, como vos sou devedora pelo amor que me testemunhastes neste divino sacramento de amor, onde vos tornais mais meu do que eu sou vossa, e que sou minha a mim mesma! Ah! quem me dera a graça de poder, de uma vez para sempre, apertar-vos e colar no meu peito, e não fazer mais do que uma mesma coisa convosco! Oh! que Jesus esteja para sempre em meu coração, que ele viva e reine nele eternamente; que para sempre seu santo nome seja bendito, e o nome de sua santa mãe que nos deu um tal Filho! (Edition Migne, Opusc., III, 1427).
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