Meditação de hoje 30/01/2026 Meditação
O Abandono à Providência Divina
Padre Jean Pierre de CaussadeLivro Primeiro: Natureza e excelência da virtude do abandono
CAPÍTULO II - Os deveres de cada momento são sombras, sob as quais se oculta a ação divina
A virtude do Altíssimo cobrir-te-á com a sua sombra, disse o Anjo a Maria. Esta sombra, na qual se esconde a virtude de Deus para gerar Jesus Cristo nas almas, é o que cada momento traz em si de deveres, de gozos ou de cruz.
Com efeito, estes são apenas sombras à maneira daquelas a que damos este nome na ordem da natureza, e que se estendem sobre os objetos sensíveis como um véu que no-los encobre. Assim na ordem moral e sobrenatural, os deveres de cada momento, sob as suas obscuras aparências, encobrem a verdade da vontade divina, a única a merecer a nossa atenção. Assim as olhava Maria. E por isso essas sombras deslizando sobre as suas faculdades, longe de a perturbarem, alimentavam a sua fé d'Aquele que é sempre o mesmo. Retirai-vos, ó Arcanjo, vós sois uma sombra; o vosso momento voa e vós desapareceis. Maria ultrapassa-vos, vai avançando sempre; já vos encontrais longe dela; mas o Espírito Santo que dela se apoderou através desta missão sensível, jamais a abandonará.
Há poucos rasgos extraordinários na vida exterior da Virgem Santíssima. Pelo menos a Sagrada Escritura não no-los faz notar. A vida de Maria apresenta-se-nos muito simples e comum, quanto ao exterior. Faz e sofre o que fazem e sofrem as pessoas da sua condição. Vai visitar sua prima Santa Isabel, como vão também os outros parentes. Recolhe-se a um estábulo; é uma consequência da sua pobreza. Volta a Nazaré, de onde a perseguição de Herodes a havia afastado; Jesus e José aí viviam com ela do seu trabalho. Tal era para a Sagrada Família o pão de cada dia.
Mas de que pão se alimenta a fé de Maria e de José? Qual é o sacramento de todos os seus momentos sagrados? Que descobrem debaixo da aparência dos acontecimentos que vão enchendo esses momentos? O que neles há de visível é semelhante ao que sucede ao resto dos homens; mas o invisível, o que a fé aí entrevê e descobre, é nada menos que Deus realizando grandes coisas. O pão dos Anjos, ó maná celeste, pérola evangélica, sacramento do momento presente! A quem é que tu o dás? Esurientes reples bonis! Enches de bens os que têm fome de Deus. E Deus revela-se aos pequenos e aos humildes, ainda nas coisas mais pequenas; mas os grandes e soberbos, que não consideram senão as aparências, esses não O descobrem nem mesmo nas coisas grandes.
| Conheça este livro: O Abandono à Providência Divina (Padre Jean Pierre de Caussade) |
| Clique aqui para ler online Clique aqui para comprar | |
