Meditação de hoje 07/05/2026 Meditação
Imitação de Cristo
Tomás de KempisLivro IV - Do Sacramento do Altar - DEVOTA EXORTAÇÃO À SAGRADA COMUNHÃO Voz de Cristo: Vinde a mim todos que penais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei, diz o Senhor (Mt 11,78). O pão que eu darei é a minha carne, pela vida do mundo (Jo 6,52). Tomai e comei, este é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim (Lc 22,19). Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele (Jo 6,57). As palavras que eu vos disse são espírito e vida (Jo 6,64).
Capítulo 3 - Da utilidade da comunhão frequente
1. Voz do discípulo: Eis que venho a vós, Senhor, para aproveitar-me de vossa munificência, e deliciar-me neste sagrado banquete, que vós, Deus meu, preparastes, na vossa ternura, para o pobre. Em vós se acha tudo o que posso e devo desejar; vós sois minha esperança, fortaleza, honra e glória. Alegrai, pois, hoje, a alma de vosso servo, porque a vós, Senhor Jesus, levantei a minha alma. Desejo receber-vos agora com devoção e reverência; desejo hospedar-vos em minha casa, para que, com Zaqueu, mereça ser abençoado e contado entre os filhos de Abraão. Minha alma suspira por vosso corpo; meu coração deseja ser convosco unido.
2. Dai-vos a mim e estou satisfeito; porque sem vós nada me pode consolar. Sem vós não posso estar, e sem vossa visita não posso viver. Por isso muitas vezes devo achegar-me a vós e receber-vos para remédio de minha salvação, a fim de não desfalecer no caminho quando estiver privado deste alimento celestial. Assim vós mesmo o dissestes uma vez, misericordiosíssimo Jesus, quando pregáveis e curáveis diversas enfermidades: “Não os quero despedir em jejum, para que não desfaleçam no caminho” (Mt 15,32). Fazei também do mesmo modo comigo, pois ficastes neste Sacramento para consolação dos fiéis. Vós sois a suave refeição da alma, e quem dignamente vos receber se tornará participante e herdeiro da glória eterna. A mim, que tantas vezes caio e peco, tão depressa afrouxo e desfaleço, mui necessário me é que, com a oração, confissão e comunhão frequentes, me renove, purifique e afervore, para não abandonar meus santos propósitos, abstendo-me da comunhão por mais tempo.
3. Pois “os sentidos do homem estão inclinados para o mal desde a sua adolescência” (Gn 8,21), e se não o socorre o remédio celestial, logo cai o homem de mal em pior. Porque, se agora, comungando ou celebrando, sou tão negligente e tíbio, que seria se não tomasse este remédio e não buscasse tão poderoso conforto? E ainda que não esteja, todos os dias, preparado, nem bem disposto para celebrar, contudo me quero esforçar para, nos tempos convenientes, receber os sagrados mistérios e tornar-me participante de tanta graça. Porque, enquanto a alma fiel, longe de vós, peregrina neste corpo mortal, a única e principal consolação para ela é que muitas vezes se lembre do seu Deus e receba devotamente o seu Amado.
4. Ó maravilhosa condescendência de vossa bondade para convosco, que vós, Senhor Deus, Criador e vivificador de todos os espíritos, vos dignais de vir à minha pobre alma e saciar-lhe a fome com toda a vossa divindade e humanidade! Ó ditoso coração, ó alma bem-aventurada, que merece receber-vos com devoção a vós, seu Deus e Senhor, e nesta união encher-se de gozo espiritual! Oh! Que grande Senhor recebe, que amável hóspede agasalha, que agradável companheiro acolhe, que fiel amigo aceita, que formoso e nobre esposo abraça, mais digno de ser amado que tudo o que se ama e deseja! Dulcíssimo amado meu, emudeçam diante de vós o céu e a terra com todos os seus ornatos; porque tudo o que têm de brilho e beleza é dom de vossa liberalidade e não chega a igualar a glória de vosso nome, “cuja sabedoria não tem medida” (Sl 146,5).
Reflexões
Se os mundanos te perguntam por que comungas tão frequentemente, dize-lhes que é para aprender a amar a Deus, para purificar-te de tuas imperfeições, para livrar-te de tuas misérias, para consolar-te em tuas aflições e para apoiar-te em tuas fraquezas. Dize-lhes que dois tipos de pessoas devem comungar frequentemente: os perfeitos, porque, estando bem dispostos, não teriam razão para não aproximar-se da fonte da perfeição; e os imperfeitos, a fim de poder justamente pretender à perfeição; os fortes, para que não se tornem fracos, e os fracos para que se tornem fortes; os doentes, para serem curados, e os sãos, a fim de que não fiquem doentes; e que, tu, como imperfeita, fraca e doente, tens necessidade de comunicar-te muitas vezes com tua perfeição, tua força e teu médico.
Dize-lhes que aqueles que não têm muitos afazeres mundanos devem comungar muitas vezes, porque têm a comodidade de fazê-lo, e aqueles que têm muitas obrigações mundanas, porque têm necessidade de comungar; e que aquele que trabalha muito e que está carregado de penas também deve comer alimentos fortes e muitas vezes. Dize-lhes que recebes o Santo Sacramento para aprender a recebê-lo bem, porque não se faz bem uma ação que não se exerce frequentemente (Introduction à la vie dévote, parte II, cap. XXI, I, 93).
Oração
Ó Salvador de nosso coração, uma vez que estamos todos os dias à vossa mesa para comer, não somente vosso pão, mas vós mesmo que sois nosso pão vivo e superessencial, fazei que todos os dias façamos uma boa e perfeita digestão deste alimento tão perfeito e que vivamos perpetuamente de vossa sagrada doçura, bondade e amor (223e lettre spirit., X, 500).
| Conheça este livro: Imitação de Cristo (Tomás de Kempis) |
| Clique aqui para ler online Clique aqui para comprar | |
