Todas as orações

A Esmola

Venerável Padre André Beltrami

CAPÍTULO II

UM BANCO INFALÍVEL

Há, porém, um banco infalível, no qual deveriam pôr seus capitais todos os cristãos, certos de que se locupletarão no tempo e na eternidade, na terra e no Céu. Esse banco conta já milhares de anos de existência e nunca abriu falência, e temos firme certeza que há de durar até o fim do mundo. As pessoas sábias e previdentes, que pensam, seriamente nos seus verdadeiros interesses, sempre confiaram a ele os seus bens e dele tiraram riquezas inexauríveis.

Moisés recomenda este banco ao seu povo em muitíssimos lugares de sua lei e a maior parte dos livros do Antigo Testamento o exaltam com louvores magníficos. O livro de Tobias parece escrito unicamente para demonstrar a sua utilidade, a sua grandeza, as vantagens imensas que traz consigo; e um Anjo descido do Céu tece-lhe o mais belo elogio, recomendando-o a todos.

Jesus Cristo, vindo à terra, falou muitas vezes de tal banco, altamente, e encomiou e o propôs aos seus sequazes.

Mas, que banco misterioso é esse? Os nossos corteses leitores já adivinharam; esse banco privilegiado é a esmola.

O próprio Deus, criador de todas as coisas, senhor de todo o ouro do mundo, é o banqueiro, que não pode falir, e é fiel a pagar os juros. Os agentes do banco são os pobres, que recebem em nome d’Ele. Tudo quanto damos aos necessitados para aliviá-los nas suas misérias, em dinheiro, alimento, vestuário ou abrigo, é como se o déssemos ao mesmo Deus. Os pobres são uma continuação, uma imagem real, um retrato perfeito de Jesus sofredor, o qual é honrado e servido na pessoa deles. Nosso Senhor considera feito a Si mesmo tudo quanto fazemos em favor dos pobres. Até o copo d’água dado em seu nome ao sedento terá recompensa. O Divino Redentor repetiu muitas vezes esta confortadora doutrina, que o pobre é Seu representante na terra. Na descrição do juízo universal Ele a tornou óbvia e familiar com um diálogo que vale por um tratado e contém a mais alta filosofia.

No dia em que os homens deverem dar contas das riquezas que Deus lhes colocou nas mãos, Ele dirá com ar de júbilo aos eleitos: «Vinde, benditos de meu Pai, vinde possuir o Reino que vos está preparado desde o início dos tempos. Pois que, Eu tive fome e vós Me destes de comer; Eu tive sede e vós Me destes de beber; andava peregrino e Me destes pousada; estava nu e Me destes de vestir; estava enfermo e Me visitastes; estava preso e Me consolastes» Admirados de tal modo de falar, dirão os justos: «Quando vos vimos faminto, sedento, peregrino, nu, enfermo e preso, e fomos em vosso socorro?» E responderá Jesus: «Tudo que tendes feito aos pobres, Eu o considero feito à Minha pessoa».

Voltando-se depois para os maus, os exprobará por terem-no desprezado nos pobres, afirmando que todas as vezes que negaram uma esmola aos necessitados fizeram uma injúria a Ele.

Os pobres são, pois, os agentes do banco divino, que recebem os capitais, em nome de Deus; e o que depusermos em suas mãos será entregue a Jesus Cristo, que nos recompensará nesta vida e na outra. O nosso bom Anjo da Guarda, à guisa de fiel secretário, toma nota das esmolas e das obras de caridade que fazemos.

Ora, se esta é a verdade, porque não pomos os nossos capitais nesse banco? Deus, que é o banqueiro, pode talvez falir? Ele que é o Senhor do mundo, que depositou o ouro e os diamantes nas entranhas das rochas e no seio dos montes, pode talvez tornar-se pobre e nos arrastar à miséria, como fazem os banqueiros deste mundo? Não. Ele é infalível e nos enriquecerá no tempo e na eternidade.


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A Esmola
(Venerável Padre André Beltrami)
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