Meditação de hoje 16/05/2026 Meditação
O Diálogo
Santa Catarina de SenaCapítulo XVIII - Deus Pai Explica Como Atingir a Perfeição
Como se vive o amor-amizade - A vigília de oração - Parte 5
Não desejo que penseis nos pecados um por um, para que tal consideração não contamine a mente com lembranças impuras. O que não quero é que se faça unicamente a recordação dos pecados, em particular ou em geral, sem a lembrança da paixão de Cristo e da imensidade do meu perdão, para evitar a perplexidade interior. Se não forem acompanhados pelo pensamento da paixão, o autoconhecimento e a reflexão sobre os próprios pecados, confundem a alma. Neste caso o demônio estaria presente e, sob pretexto de falso arrependimento e desprezo das culpas, levaria a pessoa à condenação. Além disso, por falta de confiança na minha misericórdia, corre-se o risco de cair no desespero, um dos enganos a que o demônio pode conduzir meus servidores. Para vossa utilidade, portanto, se quiserdes fugir das maquinações do diabo e agradar-me, conservai o coração aberto ao meu incomensurável perdão. O diabo orgulhoso não tolera um espírito humilde; não suporta a imensidade do meu amor, no qual a pessoa humilde se apoia. Se bem te lembras, certa vez o demônio quis aterrorizar-te com semelhante confusão interior. Afirmava ele que tua vida era uma falsidade, que não havias cumprido a minha vontade. Auxiliada por mim, agiste como realmente deverias agir, pois nada recuso a quem me implora. Com humildade, tu te apoiaste na minha misericórdia e disseste: "Confesso ao criador que transcorri a vida em trevas! Refugio-me, porém, nas chagas de Cristo crucificado e lavo-me no seu sangue. Destruirei desse modo minhas iniquidades e com amor hei de alegrar-me em meu criador". Então o demônio retirou-se. Em outra batalha ele quis levar-te ao orgulho e dizia: "És perfeita, agradável a Deus. Não é necessário que te mortifiques mais, nem que chores ainda os teus pecados". Naquela ocasião eu te iluminei e entendeste o caminho a seguir, o da humildade, respondendo: "Pobre de mim! João Batista jamais pecou, foi santificado no seio materno, e, no entanto, penitenciou-se muito. Eu, ao invés, cometi tantas faltas e ainda não comecei a reconhecê-las com lágrimas e verdadeira contrição; ainda não tomei consciência de quem é Deus, o ofendido, nem de quem sou eu, a pecadora". Não tolerando esse ato de humildade e de confiança na minha misericórdia, o demônio disse: "Maldita sejas tu, pois de nenhum modo consigo vencer-te! Se te rebaixo ao desespero, tu te elevas à misericórdia; se te engrandeço pela vaidade, tu te rebaixas até o inferno pela humildade e aí me persegues. Não voltarei mais; tu combates com a lança da caridade".
Por conseguinte, o orante deve controlar o autoconhecimento mediante a consciência da minha misericórdia, e vice-versa. Agindo assim sua oração vocal será útil a ele e agradável a mim. Se perseverar em tal exercício, passará da oração vocal imperfeita à oração do espírito, a perfeita. Ao contrário, se sua preocupação continuar apenas na quantidade de preces, jamais o conseguirá. O mesmo aconteceria se abandonasse a oração mental pela vocal. Pois existem pessoas tão ignorantes que, indo orar, fazem a intenção de recitar determinadas orações vocais; nessa ocasião eu as visito de uma forma ou de outra, conforme o meu agrado ou seus desejos anteriores. Dou-lhes, por exemplo, arrependimento dos pecados; recordo-lhes meu amor; torno presente em suas mentes a pessoa do meu Filho sob variadas maneiras. Mas tais pessoas, para completar aquele número de orações, desprezam minha visita, com remorso de abandonar quanto começaram... Não deveriam tomar essa atitude! Logo que a pessoa percebe minha visita, nas modalidades de que falei, deve deixar a oração vocal. Mais tarde, uma vez cessada a oração do espírito, e, se dispuser de tempo, poderá retomar aquilo a que se propusera fazer. Na falta de tempo, despreocupe-se, não fique triste, não se perturbe. A única exceção se dá para o Ofício Divino (Liturgia das Horas) que os clérigos têm obrigação de recitar sob pena de pecado. É obrigação dos clérigos dizê-lo até a morte. Quando os clérigos sentirem tais visitas na hora do Ofício, conservem o espírito elevado no amor e tomem a decisão de recitar o ofício no momento ou depois, mas não devem faltar à própria obrigação.
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