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A Oração

Santo Afonso Maria de Ligório

NECESSIDADE DA ORAÇÃO

Os sofrimentos das almas do purgatório

Em que necessidade se acham estas santas prisioneiras! Certo é que seu sofrimento é imenso. “O fogo que as tortura, diz Santo Agostinho, é mais grave do que qualquer sofrimento que possa atormentar o homem nesta vida”. O mesmo diz Santo Tomás, acrescentando ser aquele fogo semelhante ao do inferno: “pelo mesmo fogo é atormentado o condenado, e purificado o escolhido”. Isto quanto ao sofrimento dos sentidos. Mas muito maior é o sofrimento que causa a estas santas esposas a privação da visão de Deus.

Aquelas almas, não só por natureza, mas ainda pelo amor sobrenatural em que ardem para com Deus, com tal ímpeto são impelidas para unirem ao sumo Bem que, vendo-se impedidas por motivo de suas culpas, sofrem dor tão acerba que, se lhes fosse possível a morte morreriam a cada momento. Pois, segundo diz, São João Crisóstomo, esta privação da visão de Deus as atormenta muito mais do que o sofrimento dos sentidos: “Mil fogos do inferno juntos não causariam tanta dor, como esta do dano!” Por isso aquelas santas almas prefeririam sofrer qualquer outro castigo do que serem destituídas um só momento, da suspirada união com Deus. Diz, por isso, o Doutor Angélico que “o sofrimento do purgatório excede toda as dores que podemos sofrer nesta vida”. Refere Dionísio Cartusiano que certo defunto, ressuscitado pela intercessão de São Jerônimo, disse a São Cirilo de Jerusalém que todos os tormentos desta terra são gozosos em comparação com o menor sofrimento do purgatório: “Todos os tormentos desta vida, se comparados à menor pena do purgatório, seriam verdadeiros gozos”. E acrescenta que, se alguém tivesse experimentado aqueles sofrimentos, mais prontamente quereria sofrer todas as dores que sofreram ou sofrerão os homens neste mundo até o dia do juízo, do que sofrer, por um só dia, o menor sofrimento do purgatório. Por isso escreveu São Cirilo que aqueles sofrimentos, quanto à aspereza, são os mesmos do inferno, apenas diferem porque não são eternos.


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(Santo Afonso Maria de Ligório)
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