Meditação de hoje 23/06/2026 Meditação
A Prática da Presença de Deus
Irmão Lourenço da RessurreiçãoConversações
III Conversação
Irmão Lourenço disse-me que a base de sua vida espiritual tinha sido a aquisição pela fé de um alto conceito e valorização de Deus; e depois de terem sido adquiridos, já não tinha nenhum outro cuidado a não ser o de rechaçar fielmente todos os outros pensamentos, para poder assim fazer tudo por amor a Deus. Que quando não tinha nenhum pensamento sobre Deus por um tempo, não se perturbava, porque depois de ter reconhecido este fato lamentável diante de Deus, retornava a Ele com muito mais confiança. Ele disse que a confiança que depositamos em Deus honra ao Senhor enormemente, e faz descer sobre nós grandes graças. Que era impossível não somente enganar a Deus, mas também era impossível para uma alma sofrer durante muito tempo, se é que estava perfeitamente entregue a Ele e determinada a suportar qualquer coisa por amor a Ele. Desta forma o Irmão Lourenço havia experimentado frequentemente o imediato socorro da Graça Divina. E devido a sua experiência com a graça de Deus, quando tinha um trabalho para fazer, não pensava nele com antecedência, mas só quando chegava a hora de fazer, e encontrava como refletido em Deus (como em um espelho, evidentemente) tudo o que era adequado fazer.
Quando os trabalhos externos lhe distraiam um pouco de seus pensamentos sobre Deus, uma lembrança fresca proveniente de Deus lhe enchia a alma, e assim era tão inflamado e transportado que lhe resultava difícil conter-se. Ele disse que estava mais unido a Deus em seu trabalho externo, que quando o deixava de lado para retirar-se a fazer as suas devoções. Sabia que no futuro teria uma grande dor física ou mental, e que o pior que podia acontecer era perder esse sentimento de Deus, que tinha desfrutado durante tanto tempo, mas que a bondade de Deus assegurava-lhe que não lhe abandonaria totalmente, e que lhe daria força para suportar qualquer mal que lhe suceder com a permissão de Deus. Portanto, não tinha nenhum medo.
Não tinha tido a ocasião de consultar nada sobre seu estado. Que quando ele tentou fazê-lo, sempre tinha saído mais perplexo; e que como estava ciente de sua disposição de dedicar sua vida a Deus por amor a Ele, não tinha nenhum medo do perigo. Que a entrega perfeita a Deus era um caminho seguro ao céu, um caminho no qual temos sempre suficiente luz para saber nos conduzir. Que o principal da vida espiritual, é ser fiel no cumprimento de nossos deveres e negarmos a nós mesmos; e quando o fazemos desfrutamos de prazeres inefáveis: que nas dificuldades somente necessitamos recorrer a Jesus Cristo, e suplicar por sua graça, com a qual tudo chega a ser fácil.
Muitos não crescem como cristãos, porque se agarram às penitências e exercícios particulares, mas negligenciam o amor de Deus, que é a meta de tudo. Que isto se manifesta claramente por suas obras, e é a razão por que se veem tão poucas virtudes sólidas. Que não precisava nem arte ou ciência para ir a Deus, mas apenas um coração resolutamente determinado a não dedicar-se a outra coisa a não ser Deus, do amor a Deus e de amar somente a Ele.
| A Prática da Presença de Deus (Irmão Lourenço da Ressurreição) |
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