Todas as orações

O Abandono à Providência Divina

Padre Jean Pierre de Caussade

Livro Primeiro: Natureza e excelência da virtude do abandono

CAPÍTULO VII - Não há paz estável senão só na submissão à ação divina

A alma que não adere exclusivamente à vontade de Deus, não encontrará nem satisfação nem santificação nos mais diversos meios e nos diversos exercícios de que possa lançar mão, por mais excelentes que eles sejam.

Se o que o próprio Deus escolhe para vós não vos satisfaz, que outra mão que não seja a Sua poderá servir-vos à medida dos vossos desejos? Se mostrais desagrado do alimento que a própria vontade divina vos preparou, que outro manjar não será insípido a um paladar tão estragado?

Uma alma não pode verdadeiramente ser alimentada, fortalecida, purificada, enriquecida e santificada, senão por esta plenitude do momento presente. Que mais queres, portanto? Se nele encontras todos os bens, porque buscá-los noutra parte? Ou que tu entendes as coisas melhor do que Deus? Se Ele ordena que sejam assim, como desejar que fossem de outro modo? Porventura se engana a sua divina sabedoria e a sua divina bondade? E se a bondade e sabedoria de Deus dispõem uma coisa, não deves estar plenamente convencido de que é excelente? Ou é que pensas encontrar a paz, pondo-te em luta com o Onipotente? Pelo contrário, não é verdade que esta luta que tantas vezes renovamos, sem quase o confessarmos a nós mesmos, é a verdadeira causa de todas as nossas agitações?

Com efeito, é justo que a alma que se não encontra satisfeita pela plenitude divina do momento presente, seja castigada com a incapacidade de encontrar contentamento em qualquer outra coisa. Se os livros, os exemplos dos santos e os tratados espirituais privam da paz; se enchem mas não saciam, é sinal de que nos desviamos do puro abandono à ação divina e a enchemos dessas coisas como se lhe pertencessem. A sua plenitude, nesse caso, fecha a entrada a Deus, e é preciso despojar-se dela como de um obstáculo à graça.

Mas quando a ação divina ordena essas coisas, a alma recebe-as como o resto, isto é, como ordem de Deus. Deixa-as tais quais são, não tomando delas senão simplesmente o uso, para se manter fiel; e desde que a hora dos pensamentos passou, abandona-os para se contentar com o momento seguinte. É que de fato, nada há de bom para mim, a não ser a ação emanada da ordem de Deus. Nem posso encontrar noutra parte meio algum, por melhor que seja em si mesmo, mais apropriado para a minha santificação e mais apto para me dar a paz.


Conheça este livro:

O Abandono à Providência Divina
(Padre Jean Pierre de Caussade)
Clique aqui para ler online

Clique aqui para comprar