Todas as orações

A prática do amor a Jesus Cristo

Santo Afonso Maria de Ligório

Capítulo IV - Quanto devemos amar a Jesus Cristo

Não Vos Esqueçais

Aqui vem, a propósito, a recomendação: “Não esqueças os benefícios daquele que se responsabiliza por ti, pois Ele deu a vida por ti (Eclo 29,20). Não te esqueças do teu fiador, que para satisfazer teus pecados, quis pagar com sua morte a pena que mereces! Quanto agrada a Jesus Cristo a recordação frequente de sua Paixão!

Quanto sente se dela nos esquecemos! Se alguém sofre ofensas, maus tratos e prisão por seu amigo, fica muito triste ao saber que o amigo não se lembra nem quer que se fale desse assunto. Ao contrário, quanto lhe agradaria saber que o amigo sempre fala disso com ternura e gratidão! Assim Jesus Cristo fica muito contente que nos recordemos com reconhecimento de amor de suas dores e da morte que sofreu por nós.

Antes de sua vinda à terra, Jesus Cristo era muito desejado pelos antigos patriarcas e por todos os povos. Agora Ele deve ser mais ainda nosso único desejo e nosso único amor, pois, sabemos que Ele veio até nós, sabemos o que Ele fez e padeceu por nós até morrer na cruz por nosso amor.

Por isso Jesus instituiu o sacramento da Eucaristia na véspera de sua morte, recomendando que nos recordássemos de sua morte cada vez que nos alimentássemos de seu corpo: “Tomai e comei, fazei isto em minha memória... Cada vez que comerdes deste pão... recordareis a lembrança da morte do Senhor” (1Cor 11,24-26). A Santa Igreja repete o mesmo em suas preces: “Deus, que neste admirável mistério nos deixastes a lembrança de vossa Paixão...” Há também um canto que diz: “Ó Banquete sagrado, em que recebemos Jesus Cristo e onde se renova a lembrança da sua Paixão” ( Antigo Ofício de Corpus Christi, ant. do Magnificat). Percebemos, então, o quanto agrada a Jesus Cristo quem medita sempre em sua Paixão. De propósito, Ele deixou seu corpo e sangue no sacramento da Eucaristia para que tivéssemos contínua e grata memória do que sofreu por nós, e assim crescesse sempre em nós o amor para com Ele. São Francisco de Sales chamou o Calvário de “Montanha dos que amam” (S. Francisco de Sales, Traité de l’amour de Dieu, 1. 12, c. 13) . Não é possível pensar no Calvário, sem amar a Jesus Cristo, que lá quis morrer por nosso amor.

E por que os homens não amam este Deus que fez tanto para ser amado por eles? Antes da Encarnação do Verbo, o homem podia duvidar se Deus o amava com verdadeiro amor. Mas depois da vinda do Filho de Deus, e depois que Ele morreu por amor dos homens, como poderíamos ainda duvidar? Santo Tomás de Vilanova diz: “Olha aquela cruz, aqueles sofrimentos, aquela morte cruel de Jesus por ti. Após tantas e tão grandes provas de amor não podes duvidar que Ele te ama e te ama muito” (S. Tomás de Vilanova, In Dominicam XVII post Pentec., concio 3, n. 7) . E São Bernardo diz que da cruz e das chagas de nosso Redentor sai um grito para nos fazer entender o amor que Ele nos tem (S. Bernardo, In Cantica, sermo 61, n. 4. ML 183-1072).


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