Meditação de hoje 03/04/2026 Meditação
A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo
Santo Afonso Maria de LigórioCAPÍTULO II - Reflexões particulares sobre os padecimentos de Jesus Cristo na sua morte
Abandonado por todos
1. Predisse ainda Davi o grande tormento que Jesus deveria sofrer na cruz, vendo-se abandonado de todos e até de seus discípulos, afora S. João e a Santíssima Virgem. Esta mãe amorosa com suas presença não diminuía a pena do Filho, mas antes a aumentava, em razão da compaixão que sentia Jesus, vendo-a tão aflita, por causa de sua morte. E assim é que o pobre Senhor nas angústias de sua morte não teve quem o consolasse, o que já foram profetizado por Davi: “Esperei que alguém se entristecesse comigo e ninguém apareceu e esperei que alguém me consolasse e não o achei” (Sl 68,21). Mas a maior pena de nosso atribulado Redentor foi a de ver-se abandonado até por seu eterno Pai, exclamando então, como já previra Davi: “Deus, olhai para mim! Por que me abandonastes? Os clamores de meus pecados são causa de estar longe de mim a salvação” (Sl 21,2). Como se dissesse: Meu Pai, os pecados dos homens (que chamo meus, porque deles me encarreguei) me impedem de me libertar destas dores, que me dão cabo da vida e vós, meu Deus, por que me abandonais no meio de tantas aflições? A estas palavras de Davi correspondem as de S. Mateus, narrando o que disse Jesus pouco antes de sua morte: “Eli, Eli, lamma sabacthani?” Deus meu, Deus meu, por que me abandonastes? (Mt 27,46).
2. De tudo isso bem se deduz quão injustamente se recusaram os judeus a reconhecer Jesus Cristo como seu Messias e Salvador, por ter ele padecido uma morte tão ignominiosa. Eles, porém, não se dão conta de que se Jesus Cristo, em vez de morrer como réu na cruz, tivesse tido uma morte honrosa e gloriosa aos olhos dos homens, não seria mais o Messias prometido por Deus e predito pelos profetas, os quais muitos séculos antes haviam anunciado que nosso Redentor deveria morrer saciado de dores. “Oferecerá a face ao que o ferir e será saciado de opróbrios” (Lm 3,30). Todas essas humilhações e todos esses sofrimentos de Jesus Cristo, já preditos pelos profetas, não chegaram nem sequer ao conhecido de seus discípulos senão depois de sua ressurreição e ascensão ao céu. “Não tiveram conhecimento destas coisas anteriormente seus discípulos, mas quando Jesus foi glorificado recordaram-se de que essas coisas foram escritas a respeito dele e assim lhe fizeram” (Jo 12,16).
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