Meditação de hoje 22/04/2026 Meditação
A prática do amor a Jesus Cristo
Santo Afonso Maria de LigórioCapítulo V - A alma que ama a Jesus Cristo, ama o sofrimento
A Dor e o Céu
Dizia São José Calazans: “Para ganhar o céu, todo sofrimento é pouco” (S. José Calazans, V. Talenti, Vita, 1. 6, c. 2, p. 481-2). E São Paulo: “Os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá se revelar em nós”. E São Paulo: “Os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deverá se revelar em nós” (Rm 8,18). Seria uma grande vantagem sofrer a vida inteira todos os tormentos sofridos pelos mártires, só para gozarmos um momento do céu. Com maior razão devemos então abraçar nossas cruzes, sabendo que os sofrimentos desta vida curta nos farão conquistar uma felicidade eterna. “Nossas tribulações do momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna.”(2Cor 4,17)
Santo Agapito, mocinho de poucos anos, quando foi ameaçado de morte, respondeu: “Que maior felicidade posso eu ter do que a de perder minha cabeça para vê-la depois coroada no céu?”(Bollandisti, Acta sanctorum. Acta S. Agapiti in 4, 18 agosto). São Francisco costumava sempre dizer: “O bem que espero é tão grande que todo sofrimento é prazer para mim”(Fioretti di S. Francesco, Delle sacrosante Istimate di S. Francesco, Considerazione lª). Para obter o paraíso é preciso lutar e sofrer. “Se sofremos com Cristo, com Ele reinaremos.” Não pode haver prêmio sem merecimento, nem merecimento sem paciência. “Não recebe a coroa, senão aquele que lutou segundo as regras do jogo.”(2Tm 2,12; 2,5) Terá maior coroa quem combate com maior paciência. Coisa admirável! Quando se trata dos bens temporais desta terra, os mundanos procuram conquistar o máximo de coisas possíveis. Quando se trata dos bens eternos, dizem que basta um cantinho no paraíso. Esse não foi o comportamento dos santos. Nesta vida contentaram-se com qualquer coisa e desapegaram-se dos bens terrenos. Tratando-se dos bens eternos, eles procuraram ganhar o mais possível. Agora eu lhes pergunto: quem age com mais sabedoria e prudência?
Falando desta vida, é certo que quem padece com mais paciência vive com mais paz. Dizia São Felipe Neri que neste mundo não há purgatório: ou é paraíso ou é um inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida gozam do paraíso. Quem assim não o faz, sofre o inferno! (S. Felipe Neri, Bacci, Vita, 1. 2, c. 20, n. 20) Sim, como escreve Santa Teresa, quem abraça as cruzes que Deus lhe manda não as sente ( S. Teresa, Conceptos del amor de Dios, c. 2, Obras, IV, Burgos 1917, p. 235, 236). São Francisco de Sales, achando-se uma vez cercado de sofrimentos, disse: “De algum tempo para cá as grandes tribulações e oposições que sinto me trazem uma paz tão grande e me predizem a união próxima e estável de minha alma com Deus; sinceramente falando, é a única ambição e o único desejo de meu coração”(S. Francisco Sales, Lettre 540, à la Baronne de Chantal, 14 juillet 1609. Oeuvres, t. 14, Annecy, 1906) . Na verdade, não há paz para aqueles que levam uma vida errada, mas só para quem vive unido com Deus e com sua santa vontade.
Um missionário religioso, nas Índias, assistia uma vez à execução de um condenado. Este, antes de morrer, chamou-o e lhe disse: “Sabe, padre, eu fui de sua Congregação Religiosa. Enquanto observava o regulamento de vida, eu era muito feliz. Mas desde que comecei a relaxar, achei tudo difícil e passei a me aborrecer com tudo. Abandonei a vida religiosa para me entregar aos vícios; eles finalmente me trouxeram a este fim desgraçado que agora o senhor está vendo. Digo-lhe isto para que meu exemplo possa servir a outros”. Dizia o Padre Luís da Ponte: “Considere como amargas as coisas doces desta vida e como doces as amargas; assim terá sempre paz” (Ven. Luís da Ponte, Alcuni avvisi salutari trovati nei manoscritti del P. da Ponte n. 4. Longaro degli Oddi, S.I., Vita (Roma, 1761), último capítulo). Isso é verdade, porque os prazeres ainda que agradáveis à natureza, deixam sempre o amargor do remorso da consciência devido ao apego desordenado que, as mais das vezes, colocamos neles. Mas as amarguras desta vida, aceitas das mãos de Deus com resignação, tornam-se suaves e queridas às pessoas que amam o Senhor.
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