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A prática do amor a Jesus Cristo

Santo Afonso Maria de Ligório

Capítulo IV - Quanto devemos amar a Jesus Cristo

A Caridade de Cristo

Neste grande mistério da redenção dos homens, é preciso considerar o desejo e o cuidado que teve Jesus Cristo em achar diversos modos de ser amado por nós. Se Ele queria morrer para nos salvar, bastava-lhe morrer junto com os outros meninos mortos por Herodes. Mas não, antes de morrer, Ele quis passar durante trinta e três anos uma vida cheia de trabalhos e sofrimentos. Durante essa vida, quis manifestar-se de tantas formas diversas para atrair nosso amor. Apareceu primeiro como pobre criancinha em uma estrebaria de animais. Depois como simples operário em uma oficina e finalmente como um condenado sobre a cruz. Antes de morrer na cruz, quis ainda passar por circunstâncias comovedoras para nos fazer amá-lo.

Quis que o víssemos agonizante no horto das Oliveiras todo banhado de suor de sangue, depois diante de Pilatos, todo machucado por açoites. Depois gozam dele como se fosse um rei de teatro, trazendo na mão uma cana, um trapo de cores vivas sobre os ombros, e uma coroa de espinhos na cabeça. Arrastado à morte pela rua com a cruz sobre os ombros, foi finalmente pregado na cruz, no Monte Calvário. Merece ou não merece ser amado um Deus que quis sofre tantas dores e empregar tantos meios para atrair nosso amor? Dizia o Padre João Rigoleu: “Eu não farei outra coisa senão chorar de amor por um Deus que foi levado por amor a morrer pela salvação dos homens” (Vie du P. Jean Rigoleu, S.J., Lyon, 1739, 4.ª ed., p. 62).

Diz São Bernardo: “Grande coisa é o amor” (S. Bernardo, In Cantica, sermo 83, n. 4, 5. ML 183-1083, 1084). Grande e preciosa coisa é o amor! Salomão, falando da sabedoria divina, que não é outra coisa senão a caridade, chamou-a de tesouro infinito, porque quem tem a caridade torna-se participante da amizade de Deus (Sb 7,14).

Diz Santo Tomás que a caridade é a rainha das virtudes; onde reina a caridade, aí aparecem todas as outras virtudes, como um cortejo, encaminhando todas a unirnos mais a Deus (Summa Theol. 1-2, q. 62, De virtutibus theol., a. 4, c.; 2-2, q. 23, a. 6, 7, 8). Mas, como diz São Bernardo, propriamente é a caridade a virtude que nos une com Deus (S. Bernardo, In Cantica, sermo 71, n. 8. ML 183-1125: sermo 8, n. 9. ML 183-814)

De fato, lemos muitas vezes na Bíblia que Deus ama os que o amam: “Amo os que me amam... Se alguém me ama, meu Pai o amará e nós viremos a Ele e nele faremos nossa morada. Quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” ( Pr 8,17; Jo 14,23; 4,16). Eis a bela união que opera a caridade: une a alma a Deus! Além disso, o amor nos dá força para fazer e sofrer grandes coisas por Deus. “O amor é forte como a morte.”(Ct 8,6)

Escreve Santo Agostinho: “Não há coisa tão difícil que a força do amor não supere; por isso naquilo que se ama, ou não se sente o cansaço ou o próprio cansaço é amado” (Sto. Agostinho, De moribus Ecclesiae et de moribus Manichaeorum, 1. duo) .


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