Meditação de hoje 03/03/2026 Meditação
Imitação de Cristo
Tomás de KempisLivro III - Da consolação interior
Capítulo 57 - Que o homem não se desanime em demasia, quando cai em algumas faltas
1. Jesus: Filho, mais me agradam a paciência e humildade nos reveses que a muita consolação e fervor nas prosperidades. Por que te entristece uma coisinha que contra ti disseram? Ainda que fosse maior, não te devias ter perturbado. Deixa passar isso agora, não é novidade; não é a primeira vez, nem será a última, se muito tempo viveres. Mas valoroso és, enquanto te não sucede alguma adversidade. Sabes até dar bons conselhos e acalentar os outros com tuas palavras; mas quando bate, de improviso, à tua porta a tribulação, logo te falta conselho e fortaleza. Considera tua grande fraqueza, que tantas vezes experimentas nas pequenas coisas; todavia, é para tua salvação que isso e semelhantes coisas acontecem.
2. Procura esquecer isso como melhor souberes, e, se te impressionou, não te abale nem te perturbe muito tempo. Sofre ao menos com paciência o que não podes sofrer com alegria. Ainda que te custe ouvir esta ou aquela palavra e te sintas indignado, modera-te, e não deixes escapar da tua boca alguma expressão despropositada, com que os pequenos se poderiam escandalizar. Logo se acalmará a tempestade em teu coração, e a dor se converterá em doçura, com a volta da graça. Eu ainda vivo, diz o Senhor, pronto para te ajudar e consolar, mais do que nunca, se em mim confiares e me invocares com fervor.
3. Sê mais corajoso, e prepara-te para suportar coisas maiores. Nem tudo está perdido por te sentires a miúdo tribulado e gravemente tentado. Homem és e não Deus; carne és e não anjo. Como poderás tu perseverar sempre no mesmo estado de virtude, se tal não pôde o anjo no céu, nem o primeiro homem no paraíso? Eu sou que levanto os aflitos e os salvo, elevo à minha divindade os que conhecem as suas fraquezas.
4. A alma: Senhor, bendita seja a vossa palavra, mais doce na minha boca que um favo de mel (Sl 18,11;118,103). Que seria de mim em tantas tribulações e angústias, se vós me não confortásseis com vossas santas palavras? Contanto que chegue afinal ao porto de salvação, que importa o que e quanto tiver sofrido? Concedei-me bom fim, ditoso trânsito deste mundo. Lembrai-vos de mim, meu Deus, e conduzi-me pelo caminho reto ao vosso reino! Amém.
Reflexões
Devemos consternar-nos com as faltas cometidas por um arrependimento profundo, calmo, constante, tranquilo, mas não turbulento, inquieto nem desanimador. Tens consciência de que teu atraso no caminho das virtudes provém de tua culpa? Então, humilha-te diante de Deus, implora sua misericórdia, prostra-te diante da face de sua bondade e pede-lhe perdão, confessa tua falta e suplica-lhe piedade aos ouvidos de teu confessor para receber dele a absolvição. Mas, depois de feito isto, permanece em paz e, tendo detestado a ofensa, abraça amorosamente a abjeção que está em ti por ter retardado teu avanço no bem (Amour de Dieu, 1. IX, cap. VII, II, 265).
Levanta teu coração quando ele cair, com doçura, humilhando-te profundamente diante de Deus, reconhecendo a tua miséria, sem ficar surpreso com tua falta, uma vez que não é de admirar que a enfermidade seja enferma, a fraqueza fraca e a miséria miserável. Detesta, contudo, com todas as tuas forças a ofensa que fizeste a Deus e, com uma grande coragem e confiança na misericórdia dele, entrega-te à prática da virtude que havias abandonado (Introduction à la vie dévote, parte III, cap. IX, I, 130).
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