Meditação de hoje 02/06/2026 Meditação
Imitação de Cristo
Tomás de KempisLivro IV - Do Sacramento do Altar - DEVOTA EXORTAÇÃO À SAGRADA COMUNHÃO Voz de Cristo: Vinde a mim todos que penais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei, diz o Senhor (Mt 11,78). O pão que eu darei é a minha carne, pela vida do mundo (Jo 6,52). Tomai e comei, este é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim (Lc 22,19). Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele (Jo 6,57). As palavras que eu vos disse são espírito e vida (Jo 6,64).
Capítulo 5 - Da dignidade do Sacramento e do estado sacerdotal
1. Cristo: – Ainda que tiveras a pureza dos anjos e a santidade de São João Batista, não serias digno de receber ou administrar este Sacramento. Porque não é devido a merecimento algum humano que o homem pode consagrar e administrar o Sacramento de Cristo e comer o pão dos anjos. Sublime mistério e grande dignidade dos sacerdotes, aos quais é dado o que aos anjos não foi concedido! Porque só os sacerdotes legitimamente ordenados na Igreja têm o poder de celebrar a missa e consagrar o corpo de Cristo, porquanto é tão somente o ministro de Deus que usa das palavras de Deus, por ordem e instituição de Deus; Deus, porém, é o autor principal e invisível agente, a cujo aceno tudo obedece.
2. Neste augustíssimo sacramento deves, pois, mais crer em Deus onipotente que em teus próprios sentidos ou em qualquer sinal visível. Por isso deves aproximar-te deste mistério com temor e reverência. Olha para ti e considera que ministério te foi confiado pela imposição das mãos do bispo. Foste ordenado sacerdote e consagrado para o serviço do altar; cuida agora em oferecer a Deus o sacrifício em tempo oportuno, com fé e devoção, e de levar uma vida irrepreensível. Não se te diminui o encargo, ao contrário, estás agora mais apertadamente ligado aos vínculos de disciplina e obrigado a maior perfeição e santidade. O sacerdote deve ser ornado de todas as virtudes de dar aos outros o exemplo de vida santa. Ele não deve trilhar os caminhos vulgares e comuns dos homens, mas a sua convivência seja com os anjos do céu ou com os varões perfeitos na terra.
3. O sacerdote, revestido das vestes sagradas, faz as vezes de Cristo, para rogar devota e humildemente a Deus por si e por todo o povo. Traz o sinal da cruz do Senhor no peito e nas costas, para que continuamente se recorde da paixão de Cristo. Diante de si, na casula, traz a cruz, para que considere, com cuidado, os passos de Cristo, e se empenhe de os seguir com fervor. Nas costas também está assinalado com a cruz, para que tolere com paciência, por amor de Deus, qualquer injúria que outros lhe fizeram. Diante de si traz a cruz para chorar os próprios pecados; atrás de si, para deplorar também os alheios, por compaixão, e para que saiba que é constituído medianeiro entre Deus e o pecador. Também não cesse de orar e oferecer o santo sacrifício, até que mereça alcançar graça e misericórdia. Quando o sacerdote celebra a Santa Missa, honra a Deus, alegra os anjos, edifica a Igreja, ajuda os vivos, proporciona descanso aos defuntos e faz-se participante de todos os bens.
Reflexões
Sem dúvida, não se pode imaginar algo de mais ousado, de mais espantoso, do que ter nas próprias mãos e criar pela palavra, segundo a expressão de São Jerônimo, aquele que os anjos não poderiam compreender pelo pensamento nem louvar dignamente, essas santas inteligências que nós mesmos não podemos conceber nem louvar dignamente (IIe lettre spirit., VII, 44).
Francisco de Sales, elevado ao sacerdócio, não ousou subir ao altar no dia seguinte ao de sua ordenação, pois achou que devia preparar-se por um retiro de três dias. Nesses dias ele tomou três resoluções dignas da sublime ideia que ele fazia do sacerdócio:
• a primeira, de ter em todas as suas ações o mesmo espírito de religião que ele tem no altar, e de fazer de todos os momentos do dia uma preparação contínua para o sacrifício do dia seguinte, de maneira que pudesse responder sinceramente, se alguém lhe perguntasse qual era a razão de sua conduta: “Eu me preparo para celebrar a missa”;
• a segunda, de nunca mostrar no altar senão as mesmas disposições que ele gostaria de ter para morrer e comparecer diante de Deus;
• a terceira, de unir-se em tudo a Jesus Cristo, sumo sacerdote, pelo recolhimento do amor e pela imitação de seus exemplos (Vie de saint François de Sales, por M. Hamon, t. I, 1, II, cap. I).
Oração
Meu Senhor, eu ofereço este meu sacrifício, e com ele me ofereço inteiramente à vossa honra e glória eterna, em união com este ardente amor e purísisma intenção com que vos destes como alimento na última ceia e vos oferecestes a vós mesmo em sacrifício no madeiro da santa cruz. E no lugar da pouca reparação que tenho feito e de minha fraca devoção, ofereço-vos aquela profunda humildade, pureza e caridade com a qual vossa santíssima mãe e vossos servos se aproximaram deste divino sacramento, e aquela com a qual ofereceram este sacrifício vossos apóstolos e todos os santos padres, desde o começo até o presente, e com a qual vo-lo oferece ainda toda a santa Igreja Católica (Opusc., III, 116).
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