Todos as meditações
A perda de Jesus no Templo

Essas penas de nossa Mãe devem, primeiramente, servir de conforto às almas que se veem privadas das consolações e da suave presença do Senhor. Chorem, se quiserem, mas chorem com paz e resignação, como Maria chorou a ausência de seu Filho. Cobrem ânimo e não temam, por isso, ter perdido a graça divina. O próprio Deus disse a Santa Teresa: ninguém se perde sem o saber, e ninguém fica enganado sem querer ser enganado. Por apartar-se dos olhos da alma que o ama, não se aparta ainda o Senhor de seu coração. Esconde-se, muitas vezes, para ser procurado com maior amor e mais desejo. Mas quem quiser achar Jesus precisa procurá-lo não entre os prazeres e as delícias do mundo, porém entre as cruzes e mortificações, como Maria. “Nós te procuramos com aflição.” Aprendamos com a Virgem Maria, diz Orígenes, o modo de procurar a Jesus.

Leia, reze e medite

“Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando ele fez doze anos, subiram a Jerusalém, como era costume durante a festa. Passados os dias da festa, quando estavam voltando, ficou em Jerusalém o menino Jesus, sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na comitiva, fizeram o percurso de um dia inteiro. Depois o procuraram entre os parentes e conhecidos e, não o encontrando, voltaram a Jerusalém a sua procura. Depois de três dias o encontraram no Templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. ‘Filho, por que você fez isso conosco? Seu pai e eu o estávamos procurando, cheios de aflição.’ Jesus lhes respondeu: ‘Por que me estavam procurando? Não sabiam que eu deveria estar naquilo que é de meu Pai?’. Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,41-52).

Jesus deve ser tudo para nós

Outro bem fora de Jesus não devemos procurar neste mundo. Jó não era infeliz, quando perdeu tudo quanto possuía na terra: fortuna, filhos, saúde e honras, a ponto de passar de um trono para um monturo. Como sempre, tinha a Deus consigo, e ainda assim era feliz. Perdera os dons de Deus, mas não o perdera, a Deus, escreve Santo Agostinho. Verdadeiramente infelizes são aqueles que perderam a Deus. Se Maria se lamentou da perda do Filho, por três dias, quanto mais deveriam os pecadores chorar a perda da graça divina. Pois não lhes diz o Senhor: “não sois meu povo e eu não quero ser vosso Deus? (Os 1,9). Não é pecado um rompimento entre Deus e a alma? “Vossas iniquidades vos separam de vosso Deus” (Is 59,2). Ainda que os pecadores possuíssem todos os bens da terra, tendo perdido a Deus, tudo o mais outra coisa não é que “fumaça e aflição”, como confessou Salomão (Pr 1,14). Como é grande a infelicidade desses pobres obcecados! Eles, afirma Vulgato Agostinho: perdem um boi e não deixam de ir procurá-lo; perdem um jumento e não têm repouso. Entretanto descansam, comem e bebem, tendo perdido a Deus, o Sumo Bem!

ORAÇÃO

Ó Virgem bendita, por que assim vos afligis, buscando vosso Filho, como se não soubésseis onde Ele está? Não vos recordais que está em vosso coração? Não sabeis que Ele se compraz entre os lírios? Vós mesma o dissestes: “O meu amado é para mim e eu sou para ele, que se apascenta entre as açucenas” (Ct 2,16). Vossos pensamentos e afetos, tão humildes, tão puros, tão santos, são outros Iírios que convidam o Divino Esposo a habitar em vós.

Ah! Maria, vós suspirais por Jesus, vós que não amais senão a Jesus! Eu é que devo suspirar, eu e tantos pecadores que o não amamos e o temos perdido por nossas ofensas. Minha Mãe amabilíssima, se por minha culpa vosso Filho ainda não tornou a minha alma, fazei que eu o ache de novo. Bem sei que Ele se faz achar por quem o busca. Mas fazei que eu o procure como devo. Vós sois a porta pela qual se chega a Jesus, fazei que também eu chegue a Ele por meio de vós. Amém.

℣. Rogai por nós, ó Senhora do Reino e da paz.
℟. Inspirai nossa vida e nossas atitudes cristãs. Amém.

Salve, Rainha, mãe de misericórdia...

℣. Rogai por nós, ó Virgem, Mãe e Senhora,
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.