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A profecia de Simeão

Eis que São Simeão recebe em seus braços o Menino-Deus e prediz a Maria que aquele Filho será o objeto das contradições e perseguições dos homens. “Eis aqui está posto este Menino como alvo a que atirará a contradição: e uma espada de dor transpassará até a tua alma” (Lc 2,34-35). Disse a Virgem a Santa Matilde que a esse vaticínio se lhe mudou toda alegria em tristeza. Efetivamente, como foi revelado a Santa Teresa, a bendita Mãe sabia dos sacrifícios que seu Filho devia fazer da vida para a salvação do mundo. Mas naquele momento, de um modo mais particular e distinto, conheceu as penas e a cruel morte, reservadas a seu pobre Filho no futuro. Conheceu, então, que o havia de contradizer, e contradizer em tudo: em sua doutrina, porque, em vez de nele crerem, haviam-no de condenar como blasfemador, por ter dado testemunho da divindade. No excesso de seu sofrimento, chegou a suar sangue. Contradisseram e perseguiram-no, enfim, no corpo e na alma. Basta dizer que foi Ele martirizado em todos os seus membros sagrados: nas mãos, nos pés, no rosto, na cabeça, em todo o corpo, e finalmente morreu consumido pelas dores, já sem sangue e coberto de opróbrios, sobre um madeiro infame.

Leia, reze e medite

“Disse Simeão: ‘Agora, Senhor, podeis deixar ir em paz vosso servo, conforme vossa palavra, porque meus olhos viram vossa Salvação, que preparastes diante de todos os povos, luz para iluminar as nações e para dar glória a Israel, vosso povo’. O pai e a mãe de Jesus estavam maravilhados com as coisas que dele se diziam. Simeão os abençoou e disse a Maria, sua mãe: ‘Este menino vai ocasionar a queda e o reerguimento de muitos em Israel; ele será um sinal de contradição; a ti própria, uma espada te traspassará a alma, para que se revelem os pensamentos de muitos corações’” (Lc 2,29-35).

O tempo não mitigou os sofrimentos de Maria

O tempo, que costuma mitigar a dor dos aflitos, não pôde alivia-la em Maria. Aumentava-lhe, pelo contrário, a aflição. Crescendo, ia Jesus mostrando cada vez mais sua beleza e amabilidade. Mas de outro lado ia também se avizinhando da morte. Com isso, cada vez mais a dor por haver de perdê-lo apertava também o coração da Mãe. Tal como a rosa que cresce por entre espinhos, crescia a Mãe de Deus em anos no maior dos sofrimentos. E como crescem os espinhos à medida que a rosa desabrocha, crescem também em Maria – rosa mística do Senhor – os penetrantes espinhos das aflições.

ORAÇÃO

Ó minha bendita Mãe, não só uma espada, porém tantas quantas foram meus pecados, tenho eu acrescentado a vosso coração. Não a vós, que sois inocente, minha Senhora, mas a mim, réu de tantos delitos, são devidas as penas. Já que contudo quisestes sofrer tanto por meu amor, impetrai-me por vossos merecimentos uma grande dor de minhas culpas e a paciência necessária para sofrer os trabalhos desta vida. Por maiores que sejam, sempre serão leves em comparação dos castigos, que tenho merecido, e de meus pecados, que me têm tornado tantas vezes digno do inferno. Amém.

℣. Rogai por nós, ó Mãe terna e compassiva.
℟. Dai-nos a graça de viver a vida cheios de esperança. Amém.

Salve, Rainha, mãe de misericórdia...

℣. Rogai por nós, ó Virgem, Mãe e Senhora,
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.