Todos as meditações

Livro I - Avisos úteis para a vida espiritual

Capítulo 10 - Como se devem evitar as conversas supérfluas

1. Evita, quanto puderes, o bulício dos homens, porque muito nos perturbam os negócios mundanos ainda quando tratados com reta intenção; pois bem depressa somos manchados e cativos da vaidade. Quisera eu ter calado muitas vezes e não ter conversado com os homens. Por que razão, porém, nos atraem falas e conversas, se raras vezes voltamos ao silêncio sem dano da consciência? Gostamos tanto de falar, porque pretendemos, com essas conversações, ser consolados uns pelos outros e desejamos aliviar o coração fatigado por preocupações diversas. E ordinariamente sentimos prazer em falar e pensar, ora nas coisas que muito amamos e desejamos, ora nas que nos contrariam.

2. Mas, ai! muitas vezes é em vão e sem proveito, pois essa consolação exterior é muito prejudicial à consolação interior e divina. Cumpre, portanto, vigiar e orar, para que não passe o tempo ociosamente. Se for lícito e oportuno falar, seja de coisas edificantes. O mau costume e o descuido do nosso progresso espiritual concorrem muito para o desenfreamento de nossa língua. Ajudam muito, porém, ao aproveitamento espiritual os devotos colóquios sobre coisas espirituais, mormente quando se associam em Deus pessoas que pensam e sentem do mesmo modo.

Vamos entrar com mais atenção no que essa meditação nos ensina

Podemos perceber como as conversas fúteis, sem propósito, mesmo quando nos parecem inofensivas, acabam roubando a nossa paz interior e afastando a gente do coração de Deus. Muitas vezes falamos não por necessidade real, mas pra buscar um consolo, distração ou validação, e saímos dessas conversas mais vazios do que entramos. Na verdade, esse tipo de consolação exterior não substitui a consolação que vem de Deus e, pelo contrário, pode nos afastar desse consolo celeste. O silêncio bem vivido, não é fuga, mas cuidado interior, ou seja: um ato de prudência. E quando a palavra é necessária, ela deve servir pra edificar, pra nos aproximar de Deus e fortalecer nossa caminhada espiritual, especialmente quando partilhada com quem busca o mesmo sentido de vida.

Pra encerrar, deixo três perguntas simples pra te ajudar a trazer isso pro seu cotidiano:

Que tipos de conversa mais têm ocupado meu tempo e minha energia?

Depois de falar muito, costumo me sentir mais em paz… ou mais angustiado?

Tenho tentado evitar companhias e ocasiões que me levem a pecar pela língua?