Todos as meditações

Livro I - Avisos úteis para a vida espiritual

Capítulo 12 - Da utilidade das adversidades

1. Bom é passarmos algumas vezes por aflições e contrariedades, porque frequentemente fazem o homem refletir, lembrando-lhe que vive no desterro e, portanto, não deve pôr sua esperança em coisa alguma do mundo. Bom é encontrarmos às vezes contradições, e que de nós façam conceito mau ou pouco favorável, ainda quando nossas obras e intenções sejam boas. Isto ordinariamente nos conduz à humildade e nos preserva da vanglória. Porque, então, mais depressa recorremos ao testemunho interior de Deus, quando de fora somos vilipendiados e desacreditados pelos homens.

2. Por isso, devia o homem firmar-se de tal modo em Deus, que lhe não fosse mais necessário mendigar consolações às criaturas. Assim que o homem de boa vontade está atribulado ou tentado, ou molestado por maus pensamentos, sente logo melhor a necessidade que tem de Deus, sem o qual não pode fazer bem algum. Então se entristece, geme e chora pelas misérias que padece. Então causa-lhe tédio viver mais tempo, e deseja que venha a morte livrá-lo do corpo e uni-lo a Cristo. Então compreende também que neste mundo não pode haver perfeita segurança nem paz completa.

O que essa meditação nos ajuda a enxergar quando passamos pelas adversidades da vida?

As dificuldades, contrariedades e aflições que passamos na vida não são inúteis nem castigos sem sentido, mas ocasiões que nos despertam para o eterno que a gente espera. Elas lembram que este mundo não é definitivo e que nenhuma segurança humana é completa. Quando somos contrariados, mal compreendidos ou desvalorizados, mesmo tendo boas intenções, o nosso orgulho vai perdendo força e a humildade ganha espaço. Isso acontece quando passamos essas tribulações ancorados em Deus. A dor, os combates interiores e até a tristeza acabam purificando o coração e podemos perceber que nosso consolo verdadeiro não encontramos nas criaturas, mas só em Deus, onde encontramos a paz em meio ao caos.

Agora, pra encerrar, deixo três perguntas simples pra te ajudar a refletir:

Como costumo reagir quando sou contrariado ou mal interpretado... tento sempre me justificar ou me calo apoiado na graça divina?

Em que situações difíceis eu percebi que minha esperança estava apoiada em mim, nas coisas ou nas pessoas?

Quando passo por contrariedades sou tentado a desconfiar de Deus ou fico firme na fé e na humildade?