Todos as meditações

Livro I - Avisos úteis para a vida espiritual

Capítulo 6 - Das afeições desordenadas

1. Todas as vezes que o homem deseja alguma coisa desordenadamente, torna-se logo inquieto. O soberbo e o avarento nunca sossegam; entretanto, o pobre e o humilde de espírito vivem em muita paz. O homem que não é perfeitamente mortificado facilmente é tentado e vencido, até em coisas pequenas e insignificantes. O homem espiritual, ainda um tanto carnal e propenso à sensualidade, só a muito custo poderá desprender-se de todos os desejos terrenos. Daí a sua frequente tristeza, quando deles se abstém, e fácil irritação, quando alguém o contraria.

2. Se, porém, alcança o que desejava, sente logo o remorso da consciência, porque obedeceu à sua paixão, que nada vale para alcançar a paz que almejava. Em resistir, pois, às paixões, se acha a verdadeira paz do coração, e não em segui-las. Não há, portanto, paz no coração do homem carnal, nem no do homem entregue às coisas exteriores, mas somente no daquele que é fervoroso e espiritual.

Vamos pensar um pouco sobre o que essa meditação quer nos dizer

Nós fomos feitos com um buraco no coração com o formato de Deus. Assim, só Deus pode saciar a nossa alma plenamente. A maioria dos homens tem desejos desordenados de coisas terrenas e não tem domínio das suas próprias vontades. Muitas vezes deixamos que essas vontades nos dominem. E se o desejo terreno é satisfeito, a consciência traz o remorso, pois o homem percebe que não era aquilo que ele deveria ter. Nessas horas a tristeza, a frustração e o vazio da alma são inevitáveis. A verdadeira tranquilidade não nasce de fazer tudo o que se quer, mas de aprender a resistir às paixões e colocar ordem no coração.

Agora, nossas três perguntas pra reflexão:

Que desejos ou vontades têm me deixado mais inquieto no dia a dia?

O que eu tenho desejado é algo que contribui para minha santificação ou somente para a vida terrena?

Em que pequenas coisas posso começar a praticar mais domínio interior e desapego hoje?