53 Rezar por nos mesmos

DEVEMOS REZAR POR NÓS MESMOS

Já tivemos oportunidade de escrever sobre o livro “Oração” de Santo Afonso Maria de Ligório. Nele, o fundador dos redentoristas discorre sobre a importância de rezarmos abordando diversos pontos para lá de essenciais a respeito do tema. Seu livro é verdadeiramente um tesouro. Entre outras verdades, de modo simples e direito, ele salienta que quem reza, se salva; quem não reza, se condena.

Sabemos o quanto é importante rezar pelo próximo, tanto que São Tiago nos exorta a que rezemos uns pelos outros (Tg, 5, 16). Porém devemos rezar por nós mesmos sem risco de acharmos que isso possa ser uma atitude egoísta. E rezar – como dito no artigo anterior – insistentemente. São João Crisóstomo (347-407), Patriarca de Constantinopla, doutor da Igreja e grande pregador, afirma que o Senhor não se impacienta conosco por pedirmos muitas coisas a Ele. Pelo contrário, ele diz que: “Deus só se irrita contra nós, quando deixamos de rezar”. Portanto, significa que não devemos perder a fé na oração.

Voltando ao livro de Santo Afonso, temos que ele nos esclarece que uma oração bem-sucedida deve contar com 4 qualidades essenciais:

1) nunca devemos deixar de rezar por nós mesmos, por nossa salvação e santificação;

2) é preciso rezar com humildade;

3) é preciso rezar com confiança;

4) é preciso ter perseverança na oração.

Daí ele afirmar com todas as letras que “quem reza, se salva; quem não reza, certamente se condena.”.

Baseado nos seus estudos de Teologia e na afirmação de outros santos, ele afirma que há certas graças que Deus dá ainda que não peçamos – como o batismo e a vocação –, mas há graças que Deus só concede a quem pede. Essas graças são a perseverança e salvação. Não é à toa que Jesus ensinou aos seus apóstolos e discípulos: “Pedi e recebereis” (João 16, 24). Ou seja, apesar de o fato de Deus conhecer as nossas necessidades, ele quer que tomemos a postura humilde e filial de pedir a Ele as graças de que necessitamos. Razão pela qual nos ensinou a oração do Pai-nosso que, entre outras coisas, pede a graça da perseverança: “não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.”. Razão também pela qual a Igreja nos admoesta a que rezemos todos os dias a Ave-Maria, onde pedimos a graça da salvação: “Rogai por nós, os pecadores, agora e na hora da nossa morte”.

Por tudo isso, vê-se a importância da reza do terço, pois nele rezamos tanto a oração do Pai-nosso quanto da Ave-Maria, além de louvarmos a Deus pelo Glória ao Pai.

Abaixo, transcrevemos um trecho da obra de Santo Afonso, onde ele pontua com especial felicidade, e de forma incisiva, a necessidade de orarmos.

“Sem a oração, segundo a providência ordinária de Deus, serão inúteis todas as meditações, todos os propósitos e todas as promessas. Se não rezarmos, seremos infiéis a todas as luzes recebidas e a todas as nossas promessas. A razão é a seguinte: para fazer atualmente o bem, para vencer as tentações e para praticar a virtude, numa palavra, para observar inteiramente todos os preceitos divinos, não bastam as luzes recebidas anteriormente, nem as meditações e os propósitos que fizemos. É necessário ainda o auxílio de Deus. E este auxílio atual, como logo veremos, Deus não o concede senão a quem reza e reza com perseverança. As luzes recebidas, as considerações e os bons propósitos que fazemos, servem para que rezemos nas ocasiões iminentes de desobedecer á lei divina e, assim, possamos obter o socorro divino, que nos conservará incólumes do pecado. Sem isto, sucumbiremos.”

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