Nome: Santa Maria Madalena (Festa)
Data: 22 de Julho † s. I

Quanto à primeira introdução do cristianismo nas Gálias, os sentimentos variaram na França, por dois séculos. Até então, tinha-se acreditado, como aliás por toda parte, que o cristianismo tinha sido pregado na Gália meridional por São Lázaro, primeiro Bispo de Marselha, por suas duas irmãs Santa Marta e Santa Maria Madalena, e por São Maximino, um dos setenta discípulos, primeiro Bispo de Aix.

Pelo fim do século dezessete, em seguida, e por autoridade de Launoy, doutor suspeito e temerário, certo número de escritores, mais ou menos infetos de jansenismo, fazendo-se eco uns dos outros, propuseram e afirmaram que aquela tradição comum e antiga sobre a primeira introdução do cristianismo nas Gálias era falsa e inventada depois do século décimo. Católicos mesmos, sem a considerar com mais atenção, repetiam o que ouviam dizer. Tornou-se opinião dominante na França essa, de que falamos. Puseram-se a mudar a tradição dos breviários e dos missais, tanto em Paris como em outras dioceses. Santa Maria Madalena não era mais uma e a mesma; foi dividida em três pessoas, a mulher pecadora e penitente, Maria, irmã de Lázaro e enfim Maria Madalena da qual o Salvador tinha expulsado sete demônios. A chegada de Lázaro e de suas duas irmãs à Provença foi declarada como não acontecida. A missão apostólica dos sete primeiros bispos foi retardada de mais de dois séculos. Tudo, porque tal era a opinião de Launoy e de seus sequazes, que caminhavam mais ou menos nas pegadas de Lutero e de Calvino. Entretanto, a Igreja romana, no seu breviário como no missal e no martirológio, e em seus escritos mais certos, conservava a antiga tradição, aliás, honrosa para a França.

Hoje, em 1848, um padre francês, o padre Faillon da congregação de São Sulpício, demonstrou, por muitos documentos ou monumentos inéditos ou pouco comuns, que a Igreja romana tinha razão e que os liturgistas franceses erraram em subverter tão precipitadamente sua liturgia e antiga tradição, ante autoridades e argumentos mais mesquinhos uns que os outros.

Ele prova primeiro que Santa Maria Madalena, Maria, irmã de Lázaro e a pecadora penitente, são uma e a mesma pessoa. Prova-o pela tradição primitiva, perpétua e geral dos gregos e dos latinos. Entre os gregos, exceto dois ou três padres que, de passagem, admitem ou supõem várias pessoas, a unidade foi reconhecida e ensinada por todos os outros, principalmente por aqueles que trataram da questão de uma maneira mais expressa: Amônio Sacas, mestre de Orígenes, e Eusébio de Cesareia. Orígenes por primeiro imaginou várias mulheres em lugar de uma só. Ainda não está bem de acordo consigo mesmo. Reconhece até duas vezes que muitos intérpretes do Evangelho falam somente de uma mulher. Num lugar supõe três ou mesmo quatro, persuadido de que era esse o meio de se resolverem mais facilmente as objeções de Celso. Aliás, admite três; mais adiante, somente duas; enfim, há uma passagem onde parece admitir apenas uma. Também Orígenes foi citado pró e contra as distinções. São Crisóstomo acha que todos os evangelistas parecem falar de uma só pessoa; em sua opinião particular, distingue duas, e mesmo várias pecadoras. Eis os dois Padres gregos que se afastam do sentimento antigo e comum. Santo Efrem, diácono da Igreja de Edessa, na Síria, vivia no século IV. Como seus escritos eram lidos publicamente depois da sagrada Escritura, seu parecer pode ser considerado como o da Síria inteira. Ora, diz positivamente que a pecadora penitente, Maria, irmã de Lázaro e Maria Madalena, possessa de sete demônios, é uma e mesma pessoa, que depois de uma vida escandalosa, mereceu ser associada aos apóstolos e evangelistas, por anunciar a ressurreição do Salvador. Quanto à tradição da Igreja latina, o autor faz ver que os Padres latinos supõem todos, sem exceção, que Maria Madalena é a mesma irmã de Marta ou a pecadora. Enfim, por um trabalho tão edificante como interessante, expõe a aplicação alegórica que os santos doutores fazem das diversas ações da pecadora, de Maria, irmã de Lázaro, e de Maria Madalena, à gentilidade, antes pecadora, depois penitente, depois mais santamente dedicada, como de uma só e mesma pessoa.

Eis agora particularidades que se nos apresentam sobre Maria Madalena: foi aquela pecadora que banhou os pés do Senhor com suas lágrimas e com os cabelos os enxugava; beijava-os e ungia-os com um perfume. Maria Madalena foi reconhecida como aquela de quem o Senhor expulsou sete demônios e que o acompanhava, junto de outras mulheres, com seus doze discípulos, ajudando-os a se manter em suas missões de cidade em cidade, com os cuidados próprios das mulheres da época. Maria Madalena também é reconhecida como aquela que estando em casa com sua irmã Marta, recebe Jesus e fica aos seus pés escutando-o enquanto a irmã, entre as panelas trabalha. Maria Madalena é também reconhecida no Santo Evangelho como aquela que fica junto da irmã Maria, após ter perdido o irmão delas, Lázaro. Maria chora e reclama ao Senhor que se Ele estivesse estado junto deles, o irmão não teria falecido. Então, se compadecendo, o Senhor que os amava, ressuscita Lázaro. Maria Madalena também é reconhecida como aquela que fica junto de Maria, Mãe de Jesus, aos pés da Cruz, com São João. E por fim, Maria Madalena é a primeira testemunha da ressurreição, quando junto de outras mulheres, foi bem cedo ao sepulcro para embalsamar o corpo do Senhor e acabam encontrando o sepulcro vazio, conversa com os Anjos e depois o Senhor aparece para ela, não o reconhece, mas quando Ele diz seu nome, seus olhos se abrem. Assim, Santa Maria Madalena foi encarregada por Nosso Senhor de levar a seus apóstolos a mais feliz das notícias, sua gloriosa ressurreição; e depois, com sua irmã e seu irmão ressuscitado, veio anunciá-la à feliz nação da França.

Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume XIII. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 11 jul. 2021.

Oração a Santa Maria Madalena

Santa Maria Madalena, vós que ouvistes da boca de Jesus estas palavras: “Muito lhe foi perdoado porque muito amou… vai em paz, os teus pecados estão perdoados”, alcançai-me de Deus o perdão dos meus erros e pecados, deixai-me participar do ardente amor que inflamou o vosso coração, para que eu seja capaz de seguir a Cristo até o Calvário, se for preciso e assim, mais cedo ou mais tarde, tenha a felicidade de abraçar e beijar os pés do divino Mestre.
Como Jesus ressuscitado vos chamou pelo nome: “Maria!” ele chame também pelo meu nome, e eu nunca mais me desvie do seu amor, com recaídas nos erros do meu passado.

Santa Maria Madalena, eu vos peço esta graça, por Cristo Nosso Senhor.
Amém!

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