Nome: Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros mártires (Memória)
Local: Brasil
Data: 17 de Julho † 1570

Inácio era de Portugal, do Porto. Ali nasceu em 1527, de Dom Emanuel e de Dona Violante, ambos descendentes de ricas e nobres famílias lusitanas.

Depois de cuidadosa educação e duma estada em Coimbra, onde se decidiu pela vida religiosa, entrou na Companhia de Jesus. Era no ano de 1548, e Inácio estava naquela idade dos grandes ideais, dos sonhos, das grandes esperanças dos vinte anos.

Noviço excelente, moço exemplaríssimo, ardoroso no trato das coisas de Deus, tanto que o provincial, Simão Rodrigues, procurou docemente moderar-lhe as austeridades. Nem bem terminara o curso de teologia e já era nomeado reitor do colégio Santo Antônio de Lisboa.

São Francisco de Bórgia, eleito geral em 1565, confiou ao padre Inácio de Azevedo a missão de inspecionar o Brasil.

Doze anos antes, a 13 de junho de 1553, com o Segundo Governador-Geral, Dom Duarte da Costa, que vinha substituir Tomé de Sousa, aportava em Salvador da Bahia, o Padre Luís de Grã, ex-reitor do colégio de Coimbra, que chefiava seis jesuítas. Entre eles, o mais humilde e modesto era José de Anchieta, aquele Anchieta de Iperoig, do Poema à Virgem, que, numa das suas famosas cartas, diria desta terra de Santa Cruz: "Todo o Brasil é um jardim em frescura e bosques, e não se vê em todo o ano árvore nem erva seca".

José de Anchieta, Nóbrega, Diogo Jácome, Vicente Rodrigues, Brás Lourenço e outros, são nomes que desbravaram terras e almas indígenas, acendendo dentro da Pátria e dos corações o fogo ardente do cristianismo.

Inácio de Azevedo esteve três anos no Brasil. Nossa terra, já evangelizada, com membros da Companhia entre sete tribos do interior, possuía, na costa, escolas e seminários.

No relatório que fez aos superiores, o bem-aventurado pediu reforços. A nova terra era vasta e, pois, aquele punhado de irmãos necessitava de novos colaboradores.

Francisco de Bórgia aconselhou-lhe o recrutamento de religiosos pela Espanha e Portugal. Que reunisse o número que se fizesse necessário e, comandando-o, partisse novamente para as plagas brasileiras.

Depois de cinco meses de preparativos, Inácio de Azevedo, aos 5 de junho de 1570, com trinta e nove companheiros, partia na São Tiago, uma nau mercante, enquanto trinta outros religiosos seguiam num barco de guerra da esquadra comandada por Dom Luís de Vasconcelos, então governador do Brasil.

Oito dias depois, alcançavam a Madeira: Dom Luís decidiu ali permanecer até que ventos mais favoráveis soprassem, mas o capitão da São Tiago preferiu demandar as Canárias.

Falava-se, então, amiúde, dos perigosos, audaciosos corsários que infestavam o Atlântico, franceses. A São Tiago, perto da Grande Canária, antes de seguir para Las Palmas, onde faria escala, ancorou num pequenino porto, e, ali, Inácio foi aconselhado a deixar o barco.

Inspirado por Deus, talvez, o bem-aventurado jesuíta preferiu continuar a bordo. Deixando o pequenino ancoradouro, a nau alcançou o mar alto. Eis senão quando, um corsário francês surgiu ao longe. Comandava-o o huguenote Jacques Souries, que partira de La Rochelle justamente para capturar os jesuítas. E foi a abordagem, seguida de feia luta corpo a corpo.

Dominada a São Tiago pelos calvinistas, Souries concedeu a vida a todos os sobreviventes menos aos religiosos, aos quais degolaram a sangue frio, menos a um, o coadjutor temporal que servia na cozinha, que foi tomado como escravo.

Destarte, pereceram Inácio de Azevedo e trinta e nove companheiros que buscavam o Brasil daqueles primeiros tempos. Com Inácio, receberam a coroa do martírio Aleixo Delgado, Afonso de Baena, Álvaro Mendez, Amaro Vaz, André Gonzales, Antônio Correa, Antônio Fernandes, Antônio Soares, Benedito de Castro, Brás Ribeira, Domingos Fernandes, Manoel Alvarez, Manoel Fernandes, Manoel Pacheco, Manoel Rodrigues, Estêvão Zuraro, Fernando Sanches. Francisco Alvarez, Francisco de Magalhães, Gaspar Alvarez, Gonçalves Henriques, Gregório Scrivano, Tiago de Andrade, Tiago Perez, João Baeza, João Fernandes de Braga, João Fernandes de Lisboa, João de Maiorca, João de São João, João de São Martinho, João de Zafra, Luis Correa, Marcos Caldeira, Nicolau Dinio, Pedro Fontura, Pedro Munhoz ou Nunes, Simão Acosta, Simão Lopes e Francisco Godói, que era parente de Santa Teresa de Ávila.

Com exceção de nove, espanhóis, os demais eram portugueses. Em 1854, Pio IX confirmava-lhes o culto.

Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume XIII. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 11 jul. 2021.

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