Nome: Imaculada Conceição da Virgem Maria (Solenidade)
Data: 08 de Dezembro

No dia 8 de dezembro a Igreja celebra solenemente a festa da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria. No Brasil, por determinação da CNBB e autorização da Santa Sé, esta solenidade é sempre celebrada no dia 8 de dezembro, mesmo que este dia seja Domingo do Tempo do Advento.

Já celebrada desde o século XI, esta solenidade se insere no contexto do Advento-Natal, unindo a espera messiânica e o retorno glorioso de Cristo com a admirável memória da Mãe. Em tal sentido, este período litúrgico deve ser considerado tempo particularmente oportuno para o culto da Mãe do Senhor (cf. Paulo VI. Marialis cultus, 4).

Celebram-se as maravilhas de Deus, preservando a Virgem Maria de todo pecado desde o primeiro instante de sua concepção no seio materno, pois devia ser cheia de graça aquela de quem nasceria o chamado Filho de Deus (cf. Evangelho, Le 1,26-38).

Em Maria, concebida sem o pecado original e livre de toda culpa por toda a sua vida, a Igreja contempla o ser humano ideal, criado por Deus: abençoado com toda sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo. Em Jesus Cristo, Deus nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e imaculados diante dele no amor. Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo, conforme a decisão de sua vontade, para louvor e glória da sua graça com a qual ele nos agraciou no Amado (cf. 2° leitura, Ef 1,3-6.11-12).

A primeira leitura mostra como pela desobediência entrou o pecado no mundo (cf. Gn 3,9-15.20). Mas já, no chamado protoevangelho, é anunciada a vitória de uma mulher sobre a serpente: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência dela; esta te esmagará a cabeça enquanto tu te lanças contra o seu calcanhar.

Além do privilégio da Conceição imaculada, além de cheia de graça desde o primeiro momento de sua existência, porque escolhida para ser Mãe do Filho de Deus feito homem, ela acolheu em seu seio o próprio Deus. Por isso, aclama Francisco de Assis, saudando-a com entusiasmo: Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça e todo o bem.

Aquilo que Deus realizou em Maria, em previsão dos méritos de Cristo, pode realizar-se, de algum modo, em todos pela graça de Deus. Todos os seres humanos foram escolhidos por Deus antes da fundação do mundo para serem santos e imaculados diante dele no amor, a serem abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais. O que a Igreja celebra em Maria está presente em nós como ideal a ser alcançado pela graça de Deus, em Cristo Jesus.

Cantando as glórias de Maria, cultuamos a Deus. Nela contemplamos a benevolência de Deus para com os homens; nela contemplamos o homem e a mulher ideais, chamados a realizar plenamente o plano de Deus; nela contemplamos a Igreja que recebe o dom de Deus e o transmite aos homens; nela vemos cada pessoa humana convidada a pronunciar o seu "fiat" ao seu Criador; nela, enfim, já contemplamos a Igreja glorificada e a glória que espera a cada um de nós. Em Maria celebramos a criação, comemoramos a redenção em Jesus Cristo, a Igreja e cada um de nós.

Maria está intimamente ligada ao Mistério do Advento. É evocada como a Imaculada. O Senhor vem à terra para que toda a Igreja, a humanidade inteira possa realizar, não por privilégio, mas por graça, o que contemplamos em Maria.

A expressão litúrgica desta solenidade é de uma riqueza enorme. Como síntese, apresentamos o corpo do Prefácio que canta Maria e a Igreja, Prefácio inspirado na Lumen Gentium e na Sacrosanctum Concilium, documentos do Concilio Vaticano II. Ele articula o dogma da imaculada conceição em quatro dimensões: a cristológica, a eclesiológica, a soteriológica e a escatológica: A fim de preparar para o vosso Filho mãe que fosse digna dele, preservastes a Virgem Maria da mancha do pecado original, enriquecendo-a com a plenitude da vossa graça. Nela, nos destes as primícias da Igreja, esposa de Cristo, sem ruga e sem mancha, resplandecente de beleza. Puríssima, na verdade, devia ser a Virgem que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha, que tira os nossos pecados. Escolhida, entre todas as mulheres, modelo de santidade e advogada nossa, ela intervém constantemente em favor de vosso povo.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

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