Nome: São Símaco (Memória Facultativa)
Local: Roma, Itália
Data: 19 de Julho † 514

O Papa Santo Anastácio havia morrido a 16 de novembro do ano 498 e foi escolhido para seu sucessor o diácono Símaco, filho de Fortunato e nascido na Sardenha, segundo certos manuscritos, em Roma, segundo outros. Símaco ocupou a Santa Sé por mais de quinze anos.

No começo de seu pontificado, a 1º de março de 499, reuniu em Roma e aí presidiu a um Concílio na Basílica de São Pedro. Aí, encontravam-se setenta e dois bispos, sessenta e sete padres e cinco diáconos. Fizeram-se três decretos para impedir as divergências nas eleições dos bispos. Entre os padres signatários, o primeiro foi o arcípreste Lourenço, do título de São Praxedes, o mesmo que tinha sido eleito antipapa. Por comiseração, o Papa Símaco fê-lo Bispo de Nocera.

O santo Papa Símaco que exercitava uma grande caridade para com os cativos e os confessores exilados teve também que sofrer uma perseguição. O patrício Festo, que tinha prometido ao imperador de Constantinopla levar o pontífice Romano às suas vistas, estava zangado por não ter podido fazer nomear, em 498, um Papa que tivesse aqueles sentimentos. Quatro anos depois, tornou a acender o fogo da discórdia e renovou o cisma do antipapa Lourenço. Os cismáticos acusaram caluniosamente Símaco de ter cometido adultérios e alienado os bens da Igreja. Como a discórdia aumentasse cada vez mais, os católicos, de acordo com o Papa, sugeriram ao rei Teodorico fazer decidir essa contenda com um numeroso concílio dos Bispos de seu reino. Os bispos receberam ordem, e os da Emília, da Ligúria e do Vêneto, que, para ir a Roma deviam passar por Ravena, perguntaram ao rei o motivo da reunião. Ele respondeu que era para examinar os crimes de que Símaco era acusado pelos inimigos. Os bispos disseram que o mesmo Papa é que devia convocar o Concílio: que a Santa-Sé tinha esse direito primeiro pelo mérito e principado de São Pedro, depois pela autoridade dos concílios, e que não se encontrava nenhum exemplo de que tivesse sido submetido ao juízo de seus inferiores. O rei disse que o Papa mesmo tinha manifestado, por suas cartas, vontade para a convocação do concílio. Os bispos pediram para ler essas cartas e o rei as mandou apresentar, assim como as peças do processo. Dos cento e quinze bispos que se reuniram em Roma, os primeiros, em sua qualidade de metropolitas, eram Lourenço de Milão e Pedro de Ravena. Como deviam presidir ao julgamento não quiseram ver o Papa Símaco, para não dar nenhum motivo de murmuração aos cismáticos; mas não se separaram para isso de sua comunhão, pois jamais deixaram de dizer seu nome no santo Sacrifício.

O concílio reuniu-se primeiro na basílica de Júlio, no mês de julho de 501, sob o consulado de Fausto Avieno, que era descendente da ilustre família dos Cipiões e que era do partido do Papa Símaco e da boa causa. Lá, os Bispos que tinham passado por Ravena, contaram o que tinham dito ao rei. Apesar disso, ainda havia uma inquietação geral sobre a legitimidade do concílio. Depois, quando falavam de começar o assunto principal, o Papa Símaco entrou na Igreja, demonstrou seu reconhecimento para com o rei pela convocação do concílio, declarou que ele mesmo o tinha desejado e, na presença de todos os Bispos, deu-lhes a autoridade para julgar a causa. Estes são os termos do Concílio.

Mas os cismáticos, em vez de provar suas acusações, recorreram à violência. Atacaram com armas o Papa e seu cortejo, no momento em que se dirigia segunda vez ao concílio. Tudo bem considerado, os bispos julgaram que era a vontade de Deus que se restituísse à Itália seu Pastor e que nada mais lhes restava que exortar os dissidentes à concórdia. A questão não era mais saber se Símaco tinha sido canonicamente eleito: não havia mais dúvidas a esse respeito, mas, se as coisas de que o acusavam os inimigos não o tornavam indigno do episcopado. Como os inimigos não apresentassem prova alguma canônica, nem legal e outros obstáculos ainda tornassem o julgamento impossível, os bispos resolveram entregar tudo ao juízo de Deus. Mandaram, então, delegados ao senado, para lhe declarar que as causas de Deus deviam ser deixadas ao juízo de Deus, a quem nada é oculto; que era preciso agir assim, sobretudo no caso presente, onde se tratava do sucessor de São Pedro; que quase todo o mundo se comunicava com Símaco e que era urgente remediar ao mal que pode causar a divisão. Eles fizeram várias vezes ao senado semelhantes advertências, exortando-o a aderir, como convinha aos filhos da Igreja, ao que tinha sido feito no concílio, segundo a inspiração de Deus. A causa primeira da discórdia estava, não no clero, nem no povo, mas no senado, ou melhor, num de seus chefes, o patrício Festo, que lhes tinha trazido o germe funesto de Constantinopla.

A 1º de outubro, o Papa São Símaco tinha reunido em Roma um concílio, cujos decretos respiram o mesmo vigor apostólico. Tratava-se de remediar aos males que as igrejas sofriam da parte daqueles que invadiam os bens, quer móveis, quer imóveis, que os fiéis tinham deixado por testamento às Igrejas, para a remissão de seus pecados e para conquistar a vida eterna. Os concílios precedentes já tinham feito diversas determinações a esse respeito; mas o Papa Símaco que, segundo a opinião dos bispos que fizeram várias aclamações em seu louvor, julgou que era necessário renová-las, para procurar desenrraigar os abusos que se multiplicavam pela invasão dos bens da Igreja. Ficou então estabelecido tratarem-se como hereges manifestos os usurpadores desses bens, e anatematizá-los, se se recusassem a restituí-los; proibiu-se também admiti-los à comunhão, até que tivessem satisfeito por uma restituição inteira. O concílio refere dois decretos do de Gangres, que proíbem, sob pena de anátema, receber ou dar as oblações dos fiéis, sem que o bispo o saiba, ou o administrador dos bens da Igreja.

Depois desses decretos tão importantes, todo o concílio, erguendo-se, exclamou oito vezes: Todas estas coisas nos agradam; pedimos que sejam confirmadas para sempre! Oito vezes: Jesus Cristo, ouvi-nos. Viva Símaco! Quinze vezes: Todo aquele que violar conscientemente estas coisas, que seja ferido com um anátema perpétuo! Enfim, dezoito vezes: Rogamos-vos confirmar nossos decretos!

A firmeza dessa linguagem, no começo do século sexto, sob um rei ariano, causará admiração, talvez. O que não deixará de admirar menos, é que esse rei ariano se conformava com tais decretos. Teodorico, tendo sabido, a pedido de Eustórgio, Bispo de Milão, que se tinham arrebatado àquela igreja bens e direitos que tinha na Sicília, ordenou que lhe fossem restituídos com a proibição de os usurpar no futuro.

Eis como nos primeiros anos do século sexto, mesmo depois de dois concílios ecumênicos a esse respeito, toda a Igreja do Oriente suplicava ao Papa lhe indicasse o caminho reto; eis como, há quatorze séculos, toda a Igreja do Oriente reconhecia solenemente que, depois de Deus, sua única salvação estava no Papa.

O Papa São Símaco morreu a 19 de julho de 514, tendo ocupado a Santa Sé durante quinze anos e perto de oito meses. A 26 do mesmo mês de julho, teve por sucessor Santo Hormisdas, sob cujo pontificado veremos a reconciliação do Oriente com Roma, a 6 de agosto.

Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume XIII. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 11 jul. 2021.

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