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A natividade de Maria

Inegavelmente, foi a alma de Maria a mais bela que Deus criou. Depois da Encarnação do Verbo, foi esta a obra mais formosa e mais digna de si, feita pelo Onipotente neste mundo. Uma maravilha enfim que só é excedida pelo próprio Criador. Por isso não desceu a graça em Maria, gota a gota como nos outros santos. Desceu, ao contrário, tal como “a chuva sobre o velo” (Sl 71,6). Semelhante à lã do velo, sorveu a Virgem com alegria toda a grande chuva de graça, sem perder uma só gota.

Era-lhe, pois, lícito exclamar: “na plenitude dos santos está minha morada” (Eclo 24,16). Isso significa, conforme a explicação de São Boaventura: possuo em sua plenitude o que só em parte possuem os outros santos. E São Vicente Ferrer, referindo-se particularmente à santidade de Maria, antes de seu nascimento, diz que ela excedeu a de todos os anjos e santos.

A graça que adornou a Santíssima Virgem sobrepujou não só a de cada um em particular, mas a de todos os santos reunidos.

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“Naquele momento, exultou Jesus de alegria no Espírito Santo e disse: ‘Eu vos bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque estas coisas que escondestes aos sábios e entendidos, vós as revelastes à gente simples. Sim, Pai, eu vos bendigo, porque foi de vosso agrado fazer isto. O Pai me entregou todas as coisas, e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar’” (Lc 10,21-22).

Maria foi fiel à divina graça

Alegremo-nos com a nossa amável menina, que nasce tão santa, tão cara a Deus, e cheia de graça. E alegremo-nos não só por ela, mas também por nós. Pois veio ao mundo enriquecida de graça tanto para a glória como para o bem nosso. Adverte Santo Tomás que de três modos foi cheia de graça a Santíssima Virgem. Na alma, porque desde o princípio sua bela alma foi inteiramente de Deus. No corpo, pois que de sua puríssima carne mereceu revestir o Verbo Eterno. Finalmente o foi em nosso comum benefício, para que todos os homens pudessem participar da sua graça. Alguns santos, ajunta o Doutor Angélico, possuem tanta graça que não só lhes basta a eles, como é suficiente para salvar a muitos, ainda que não a todos os homens. Só a Jesus e a Maria foi dada tão abundante graça, que seria suficiente para salvar a todo o gênero humano.

ORAÇÃO

Ó santa e celeste menina, vós que sois a Mãe destinada a meu Redentor, e a grande medianeira dos míseros pecadores, tende piedade de mim. Eis a vossos pés outro ingrato, que a vós recorre e implora compaixão. É certo que eu, por minhas ingratidões para com Deus e para convosco, mereceria ser abandonado por Deus e por vós. Mas eu ouço dizer, e assim creio, que vós não recusais ajudar quem com confiança a vós se recomenda. Assim o creio por saber quanto é grande vossa misericórdia. Ó criatura, a mais sublime do mundo, já que acima de vós não há senão Deus, e diante de vós são mui pequenos os grandes céus; ó santa dos santos, ó Maria, abismo de graça e cheia de graça, socorrei um miserável, que a perdeu por sua culpa. Sei que sois tão cara a Deus que Ele nada vos nega. Sei também que gostais de empregar vossa grandeza em aliviar os miseráveis pecadores. Eia, pois, mostrai quanto é grande o crédito que tendes junto a Deus, e impetrai-me uma luz, uma chama divina tão poderosa, que de pecador me mude em santo. Desprendei-me de todo afeto terreno para que eu me abrase todo no divino amor. Fazei-o, Senhora, que bem podeis fazê-lo. Fazei-o pelo amor daquele Deus que vos fez tão grande, tão cheia de poder e de piedade. Assim espero. Amém.

℣. Rogai por nós, ó Bendita e Escolhida de Deus.
℟. Guardai-nos em vosso amor e conservai-nos na união. Amém.

Salve, Rainha, mãe de misericórdia...

℣. Rogai por nós, ó Virgem, Mãe e Senhora,
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.