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Apresentação de Maria

Desde o primeiro momento em que esta celeste menina foi santificada no seio de sua Mãe (que foi o primeiro instante de sua Imaculada Conceição), recebeu também o uso perfeito da razão. Pois logo aí devia começar a adquirir mérito.

Assim o afirmam, por comum sentença, os doutores como Padre Suárez. Na opinião deste último, o modo mais perfeito por que Deus santifica as almas consiste, também segundo Santo Tomás, em santificá-la por próprio merecimento, como se deve crer que foi santificada a Santíssima Virgem. E esse privilégio foi concedido aos anjos e a Adão, assevera-nos o Doutor Angélico. Ainda com maior razão devemos crer que foi concedido a Maria, pois, havendo-se Deus dignado fazê-la sua Mãe, temos que supor que lhe haja conferido maiores dons, que a todas as outras criaturas. Em sua qualidade de Mãe, diz Suárez, tem a Virgem certo direito singular a todos os dons de seu Filho. Em virtude da união hipostática, foi justo que Jesus tivesse a plenitude de todas as graças. Assim, por causa da maternidade divina, conveio também que de Jesus recebesse Maria graças maiores, do que todas as dispensadas aos outros santos e anjos.

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“Jesus ainda estava falando ao povo, quando veio sua mãe com seus irmãos, que ficaram de fora, procurando lhe falar. Alguém lhe disse: ‘Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e querem falar contigo’. Respondeu Jesus a quem lhe trouxe a notícia: ‘Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?’ E, apontando para os discípulos, acrescentou: ‘Aqui está minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que fizer a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse será meu irmão, irmã e mãe’” (Mt 12,46-50).

Maria ofereceu a Deus seu ser

Ah! Certamente por amor desta excelsa menina, acelerou o Redentor sua vinda ao mundo. Enquanto Maria, em sua humildade, nem se julgava digna de ser a serva da Divina Mãe, foi ela mesma a eleita para essa sublime dignidade. Com a fragrância de suas virtudes e poderosas Súplicas, atraiu a seu seio virginal o Filho de Deus. Por isso dela diz o Divino Esposo: “ouviu-se a voz da rola em nossa terra” (Ct 2,12). À semelhança da rola amava sempre a solidão, vivendo neste mundo como em um deserto. Como a rola que vai carpindo pelos campos, Maria sempre gemia no templo, lamentando as misérias do mundo perdido e pedindo a Deus a comum redenção. Oh! Com que afeto e fervor repetia diante de Deus as súplicas dos profetas, para que mandasse o Redentor!

ORAÇÃO

Ó dileta de Deus, amabilíssima menina Maria, ah! se assim como vos apresentastes no templo, pronta e inteiramente, consagrastes-vos à glória e ao amor de vosso Deus, eu pudesse também vos oferecer neste dia os primeiros anos de minha vida para dedicar-me todo a vosso serviço, ó santa e dulcíssima Senhora minha, como seria então feliz! Mas não é mais tempo, porquanto, infeliz, tenho perdido tantos anos a servir o mundo e meus caprichos, quase inteiramente esquecido de vós e de meu Deus.

Consagro-vos, pois, ó minha Rainha, minha mente, para que pense sempre no amor que mereceis; minha língua, para louvar-vos; meu coração, para amar-vos. Aceitai, ó puríssima Virgenzinha, a oferta que vos apresenta este mísero pecador. Ajudai com vossa poderosa intercessão, ó Mãe de misericórdia, minha fraqueza e impetrai-me de vosso Jesus a perseverança e a fortaleza para servos fiel até a morte, a fim de que, servindo-vos sempre nesta vida, possa depois ir louvar-vos eternamente no céu.

℣. Rogai por nós, ó Virgem Santa e Imaculada.
℟. Fazei-nos santos e santas, como sois a Santa de Deus. Amém.

Salve, Rainha, mãe de misericórdia...

℣. Rogai por nós, ó Virgem, Mãe e Senhora,
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.