Todos as meditações
A vós bradamos, os degredados filhos de Eva

Não só do céu e dos santos é Maria Santíssima Rainha, senão também do inferno e dos demônios, porque os venceu valorosamente com suas virtudes. Já desde o princípio do mundo, tinha Deus predito à serpente infernal a vitória e o império que sobre ela obteria nossa Rainha. “Eu porei inimizade entre ti e a mulher; ela te esmagará a cabeça” (Gn 3,15). Mas quem foi esta mulher, sua inimiga, senão Maria, que, com sua profunda humildade e santa virtude, sempre venceu e abateu as forças de Satanás, como atesta São Cipriano? É para se notar que Deus falou “eu porei” e não “eu ponho” inimizade entre ti e a mulher. Isso faz para mostrar que sua vencedora não era Eva, que já então vivia, mas uma descendente sua. Esta devia trazer a nossos primeiros pais, como diz São Vicente Ferrer, um bem maior do que aquele que tinha perdido com seu pecado. Maria é, portanto, essa excelsa mulher forte que venceu o demônio e, em lhe abatendo a soberba, esmagou lhe a cabeça, conforme as palavras do Senhor: Ela te esmagará a cabeça.

Leia, reze e medite

“Assim como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, entrou a morte; assim, a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. Já antes da lei havia pecado no mundo; o pecado, porém, não é levado em conta quando não existe lei. No entanto, a morte dominou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram como pecou Adão, que era figura daquele que devia vir. Entretanto, não acontece com o dom o mesmo que aconteceu com a falta. Se, pela falta de um só, todos morreram, com quanto maior abundância se derramou sobre todos a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo!” (Rm 5,12-15).

O nome de Maria

Ó Senhora minha, exclama São Germano, só pela invocação de vosso nome segurais vossos servos de todos os assaltos do inimigo. Se os cristãos nas tentações tivessem cuidado de proferir com devoção e confiança o nome de Maria, é certo que não cairiam nelas. Ó Mãe de Deus, se confiar em vós, não serei certamente vencido, pois, defendido por vós, perseguirei meus inimigos; triunfarei com certeza, opondo-lhes como escudo vossa proteção e vosso onipotente patrocínio.

Lemos no Antigo Testamento que o Senhor guiava seu povo na saída do Egito, de dia, por meio de uma coluna de nuvem, e à noite, por uma coluna de fogo (Êx 13,21). Essa maravilhosa coluna, ora de nuvem ora de fogo, era figura de Maria e dos ofícios que exerce continuamente para nosso bem.

Como nuvem, protege-nos dos ardores da divina justiça; como fogo, defende-nos contra os demônios. Assim como a cera se derrete ao calor do fogo, também perdem os demônios toda a força sobre as almas que, lembradas do nome de Maria, invocam na com frequência e, principalmente, procuram imitá-la.

ORAÇÃO

Se eu vos tivesse chamado sempre em meu socorro, se vos houvesse invocado, jamais teria perecido. Ah! Minha Rainha e meu refúgio, ajudai-me; tomai-me sob vosso manto e nunca permitais que eu torne a ser presa do inferno. Sei que sempre me haveis de valer e dar vitórias todas as vezes que vos invocar. Temo, contudo, que nas tentações me esqueça de chamar-vos em meu socorro. Eis, portanto, a graça que vos imploro e de vós espero, ó virgem Santíssima. Fazei que sempre vos tenha presente à memória, especialmente nas lutas contra as tentações.

Ajudai-me para que então vos diga muitas vezes: Maria, valei-me, valei-me, ó Maria. E, quando chegar finalmente o dia de minha última luta com o inferno, na hora da morte, assisti-me então, ó minha Rainha, de modo especial. Fazei vós mesma que eu me lembre de invocar-vos sem cessar, com a boca ou com o coração, para que, expirando com vosso dulcíssimo nome e o de vosso Filho Jesus nos lábios, possa ir vos bendizer e louvar e nunca mais separar-me de vossos pés, por toda eternidade no paraíso. Amém.

℣. Rogai por nós, ó Virgem bendita, pois a vós recorremos.
℟. Em todas as nossas necessidades, estendei-nos vossas mãos. Amém.

Salve, Rainha, mãe de misericórdia...

℣. Rogai por nós, ó Virgem, Mãe e Senhora,
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.