Todos as meditações
A assunção de Maria

Não pôde certamente Maria ser afligida na morte por algum remorso de consciência, pois não fora sempre santa, pura e livre de toda a sombra de culpa atual e original?

Dela por isso foi dito: “és toda formosa, minha amiga, e não há mancha em ti” (Ct 4,7). Desde que teve o uso da razão, isto é, no primeiro instante de sua imaculada Conceição no seio de Santa Ana, começou a Virgem a amar o seu Deus com todas as veras. E assim continuou sempre, adiantando-se cada vez mais na perfeição e no amor em toda a sua vida. Todos os seus pensamentos, desejos e afetos só a Deus tinham por objeto. Não disse palavra, não fez movimento, não deu uma vista de olhos, não respirou, que não fosse por Deus e para glória sua, sem jamais se separar um momento do amor divino. Ah! Na hora feliz de sua morte lhe apareceram em torno do leito todas as suas belas virtudes, praticadas na vida: aquela sua fé tão constante; aquela sua confiança em Deus tão amoroso; aquela paciência tão forte no meio de tantas penas; aquela humildade no meio de tantos privilégios; aquela modéstia, aquela mansidão, aquela piedade para com as almas, aquele zelo da divina glória. Sobretudo apresentou-se-lhe aquela perfeita caridade para com Deus, ao lado daquela total conformidade com a vontade divina. Todas, em suma, apareceram-lhe e, consolando-a, diziam-lhe: somos obras vossas e não vos deixaremos. Nossa Senhora e nossa Mãe, nós somos filhos de vosso belo coração.

Leia, reze e medite

“Quando Jesus falava, uma mulher levantou a voz do meio da multidão e lhe disse: ‘Feliz o ventre que te trouxe, e os seios que te amamentaram!’ Mas ele respondeu: ‘Felizes, antes, os que ouvem a palavra de Deus e a observam!’” (Lc 11,27-28).

Saudades de Maria Santíssima

Depois da Ascensão de Jesus Cristo, ficou Maria no mundo para atender à propagação da fé. Por isso a ela recorriam os discípulos do Salvador. Resolvia-lhes a Senhora as dúvidas, confortava-os nas perseguições, animava-os nos trabalhos pela glória divina e salvação das almas remidas. Muito voluntariamente se demorava na terra, entendendo ser essa a vontade de Deus para o bem da Igreja. Mas não podia deixar de sentir a pena de ver-se longe da presença e da vista de seu amado Filho, que subira ao céu. “Porque onde está vosso tesouro, aí estará também vosso coração” (Lc 12,34). Onde alguém julga estar seu tesouro e seu contentamento, aí estará fixo o amor e o desejo de seu coração. Se, pois, Maria não amava outro bem senão Jesus, estando Ele no céu, no céu estavam todos os seus desejos.

ORAÇÃO

Ó dulcíssima Senhora e Mãe nossa, já deixastes a terra e chegastes a vosso reino, onde imperais como Rainha sobre todos os coros dos anjos, segundo canta a Santa Igreja. Bem sabemos que nós, pecadores, não éramos dignos de possuir-vos conosco, neste vale de lágrimas. Mas sabemos também que, no meio de vossas grandezas, não vos esquecestes de nós, miseráveis, e que, por terdes sido sublimada a tanta glória, não perdestes, antes aumentou em vós, a compaixão para com os pobres filhos de Adão. Do trono excelso em que reinais, volvei-nos, ó Maria, vossos piedosos olhos e tende compaixão de nós.

Lembrai-vos de que, ao deixar esta terra, prometestes que não nos havíeis de esquecer. Olhai para nós e socorrei-nos. Vede no meio de quantos perigos e tempestades nos achamos e acharemos até o fim de nossa vida. Pelos merecimentos de vosso bemaventurado trânsito, alcançai-nos a santa perseverança na amizade divina, para sairmos enfim desta vida na graça de Deus. Desse modo, iremos um dia beijar também vossos pés no paraíso, unindo-nos aos espíritos bem-aventurados, para louvar-vos e cantar vossas glórias, como mereceis. Amém.

℣. Rogai por nós, ó Mae bendita do Redentor.
℟. E fazei-nos caminhar, cada dia, no caminho de Jesus. Amém.

Salve, Rainha, mãe de misericórdia...

℣. Rogai por nós, ó Virgem, Mãe e Senhora,
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.