Evangelização

A penitência que mais gera frutos, e quase ninguém escolhe

por Thiago Zanetti em 27/02/2026 • Você e mais 114 pessoas leram este artigo Comentar


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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante a Quaresma, muitos pensam logo em um tipo específico de sacrifício: deixar de comer algo, reduzir o uso das redes sociais ou assumir alguma prática externa de renúncia. Essas escolhas são boas e fazem parte da tradição espiritual. Mas existe uma penitência que gera frutos profundos e que quase ninguém escolhe: a conversão concreta das atitudes do dia a dia.

A verdadeira penitência não está apenas no que se corta, mas no que se transforma. A Igreja ensina que o objetivo do tempo quaresmal é voltar o coração para Deus e reorganizar a vida. Sem isso, o sacrifício se torna apenas esforço humano.

O Catecismo da Igreja Católica afirma: “(…) o apelo de Jesus à conversão e à penitência não visa em primeiro lugar às obras exteriores, ‘o saco e a cinza’, os jejuns e as mortificações, mas à conversão do coração, à penitência interior” (CIC 1430). Isso significa que a penitência externa deve nascer de uma decisão interior de mudança. Quando essa decisão não existe, o gesto perde sua força.

A penitência mais difícil

Renunciar a um alimento por 40 dias é desafiador, mas mudar o próprio comportamento é ainda mais exigente. Pedir perdão, controlar a irritação, abandonar críticas constantes, reorganizar o tempo de oração, romper com um pecado habitual. Essas são penitências silenciosas, menos visíveis, porém muito mais transformadoras.

Elas exigem humildade. Exigem constância. Exigem decisão real. E, justamente por isso, são menos escolhidas. É mais fácil abrir mão de algo externo do que enfrentar aquilo que está enraizado no coração.

A Quaresma, no entanto, é o tempo ideal para esse combate interior. É o momento de olhar para a própria vida com sinceridade e perguntar: o que precisa mudar de verdade?

Frutos que permanecem

Quando a penitência toca o comportamento e não apenas o hábito externo, os frutos aparecem. Cresce a paciência. A oração se torna mais verdadeira. A caridade se torna mais concreta. A relação com Deus deixa de ser formal e passa a ser viva.

A penitência bem vivida não termina na Páscoa. Ela deixa marcas duradouras. Forma um coração mais atento, mais vigilante e mais disponível à graça.

Como escolher bem a penitência

Antes de decidir qualquer sacrifício, é necessário identificar o ponto mais frágil da vida espiritual. Aquilo que mais afasta de Deus e mais prejudica a relação com o próximo. A penitência deve atingir esse ponto.

Não se trata de fazer mais coisas. Trata-se de fazer aquilo que realmente leva à conversão.

A penitência que mais gera frutos é aquela que ninguém vê, mas que muda a pessoa por dentro. É aquela que prepara o coração para a Páscoa e continua produzindo efeitos depois que os 40 dias terminam.

A Quaresma não pede apenas renúncia. Pede transformação.

Thiago Zanetti

Por Thiago Zanetti
Jornalista, copywriter e escritor católico. Graduado em Jornalismo e Mestre em História Social das Relações Políticas, ambos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). É autor dos livros Beleza (UICLAP, 2025), Mensagens de Fé e Esperança (UICLAP, 2025), Deus é a resposta de nossas vidas (Palavra & Prece, 2012) e O Sagrado: prosas e versos (Flor & Cultura, 2012).
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