Comportamento

Por que o católico não deve assistir ao BBB 26

por Thiago Zanetti em 05/01/2026 • Você e mais 356 pessoas leram este artigo Comentar


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Tempo de leitura: 5 minutos

Com a proximidade do Brig Brother Brasil 26, que estreia na próxima segunda na Rede Globo, surge novamente uma pergunta que precisa ser respondida com clareza e honestidade: um católico deve assistir a esse tipo de programa? À luz da fé cristã, da Sagrada Escritura e do Catecismo da Igreja Católica, a resposta mais coerente é não. Não por moralismo, nem por desprezo às pessoas envolvidas, mas porque esse tipo de entretenimento não está em conformidade com a vida cristã nem contribui para o crescimento espiritual do fiel.

O Big Brother Brasil é estruturado sobre a exposição constante da intimidade, conflitos, disputas de ego, sensualização e comportamentos que, de modo recorrente, contrariam a virtude da temperança, da pureza, da caridade e da prudência. Mesmo quando tais atitudes são apresentadas como “jogo” ou “entretenimento”, elas moldam mentalidades, normalizam vícios e enfraquecem o senso moral de quem consome esse conteúdo com frequência.

A Sagrada Escritura é clara ao alertar sobre aquilo que deve ocupar o coração do cristão: “Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, digno de respeito ou justo, puro, amável ou honroso, com tudo o que é virtude ou louvável” (Fl 4,8). Quando analisamos honestamente o conteúdo do BBB, torna-se difícil enquadrá-lo nesse critério bíblico.

O problema não está apenas em um episódio isolado, mas na lógica do programa como um todo. Ele estimula a curiosidade desordenada sobre a vida alheia, promove julgamentos constantes, incentiva rivalidades e frequentemente banaliza o corpo, os afetos e a dignidade humana. A Palavra de Deus adverte: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar” (Rm 12,2). Assistir regularmente a um programa que reforça valores contrários ao Evangelho é, pouco a pouco, permitir essa conformação.

O Catecismo da Igreja Católica reforça essa responsabilidade ao tratar dos meios de comunicação social: “Os meios de comunicação social (especialmente a mídia) podem gerar certa passividade entre os usuários, tornando-os consumidores pouco criteriosos a respeito das mensagens e dos espetáculos” (CIC, n. 2496). 

Além disso, há a questão do tempo. A vida cristã não é neutra no uso das horas e dos dias. Jesus nos chama à vigilância: “Vigiai, pois, não sabeis o dia, nem a hora” (Mt 25,13). Dedicar tempo significativo a um programa que não edifica, enquanto se negligenciam a oração, a leitura espiritual, a convivência familiar e as obras de caridade, é uma inversão de prioridades incompatível com o chamado cristão.

Isso não significa desprezar as pessoas que participam ou assistem ao programa. A Igreja não condena indivíduos, mas avalia práticas. E, nesse caso, trata-se de uma prática que não ajuda o católico a buscar a santidade, que é a vocação universal de todos os fiéis (cf. CIC, n. 2013).

Existem hoje inúmeras alternativas mais saudáveis e coerentes com a fé: boas leituras, filmes e séries que respeitam a dignidade humana, momentos de oração, formação doutrinal, convivência familiar e até formas simples de lazer que não colocam em risco a vida interior. O próprio Jesus adverte: “Que adianta alguém ganhar o mundo inteiro, ser perder a própria  vida?” (Mc 8,36).

Portanto, diante do BBB 26, a postura mais fiel ao Evangelho é clara: o católico não deve assistir. Não por imposição externa, mas por fidelidade a Cristo, por zelo pela própria alma e por amor à verdade. Renunciar a esse tipo de entretenimento é, na prática, escolher viver de modo mais coerente com a fé que se professa.

Thiago Zanetti

Por Thiago Zanetti
Jornalista, copywriter e escritor católico. Graduado em Jornalismo e Mestre em História Social das Relações Políticas, ambos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). É autor dos livros Beleza (UICLAP, 2025), Mensagens de Fé e Esperança (UICLAP, 2025), Deus é a resposta de nossas vidas (Palavra & Prece, 2012) e O Sagrado: prosas e versos (Flor & Cultura, 2012).
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