4ª feira da 5ª Semana da Quaresma
Antífona de entrada
Vernáculo:
Vós me libertais, Senhor, da ira dos meus inimigos; vós me fazeis triunfar sobre os meus agressores e do homem violento me salvais. (Cf. MR: Sl 17, 48-49) Sl. Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, minha rocha, meu refúgio e Salvador! (Cf. LH: Sl 17, 2. 3)
Coleta
Ó Deus de misericórdia, iluminai nossos corações purificados pela penitência, e ouvi com paternal bondade aqueles a quem dais o afeto filial. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura (Dn 3, 14-20. 24. 49a. 91-92. 95)
Leitura da Profecia de Daniel
Naqueles dias, 14o rei Nabucodonosor tomou a palavra e disse: “É verdade, Sidrac, Misac e Abdênago, que não prestais culto a meus deuses e não adorais a estátua de ouro que mandei erguer? 15E agora, quando ouvirdes tocar trombeta, flauta, cítara, harpa, saltério e gaitas, e toda espécie de instrumentos, estais prontos a prostrar-vos e adorar a estátua que mandei fazer? Mas, se não fizerdes adoração, no mesmo instante sereis atirados na fornalha de fogo ardente; e qual é o deus que poderá libertar-vos de minhas mãos?”
16Sidrac, Misac e Abdênago responderam ao rei Nabucodonosor: “Não há necessidade de te respondermos sobre isto: 17se o nosso Deus, a quem rendemos culto, pode livrar-nos da fornalha de fogo ardente, ele também poderá libertar-nos de tuas mãos, ó rei. 18Mas, se ele não quiser libertar-nos, fica sabendo, ó rei, que nós não prestaremos culto a teus deuses e tampouco adoraremos a estátua de ouro que mandaste fazer”.
19A estas palavras, Nabucodonosor encheu-se de cólera contra Sidrac, Misac e Abdênago, a ponto de se alterar a expressão do rosto; deu ordem para acender a fornalha com sete vezes mais fogo que de costume; 20e encarregou os soldados mais fortes do exército para amarrarem Sidrac, Misac e Abdênago e os lançarem na fornalha de fogo ardente.
24Os três jovens andavam de cá para lá no meio das chamas, entoando hinos a Deus e bendizendo ao Senhor. 49aMas o anjo do Senhor tinha descido simultaneamente na fornalha para junto de Azarias e seus companheiros.
91O rei Nabucodonosor, tomado de pasmo, levantou-se apressadamente, e perguntou a seus ministros: “Porventura, não lançamos três homens bem amarrados no meio do fogo?” Responderam ao rei: “É verdade, ó rei”. 92Disse este: “Mas eu estou vendo quatro homens andando livremente no meio do fogo, sem sofrerem nenhum mal, e o aspecto do quarto homem é semelhante ao de um filho de Deus”.
95Exclamou Nabucodonosor: “Bendito seja o Deus de Sidrac, Misac e Abdênago, que enviou seu anjo e libertou seus servos, que puseram nele sua confiança e transgrediram o decreto do rei, preferindo entregar suas vidas a servir e adorar qualquer outro Deus que não fosse o seu Deus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial (Dn 3, 52-57)
℟. A vós louvor, honra e glória eternamente!
— Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais. A vós louvor, honra e glória eternamente! Sede bendito, nome santo e glorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente! ℟.
— No templo santo onde refulge a vossa glória. A vós louvor, honra e glória eternamente! E em vosso trono de poder vitorioso. A vós louvor, honra e glória eternamente! ℟.
— Sede bendito, que sondais as profundezas. A vós louvor, honra e glória eternamente! E superior aos querubins vos assentais. A vós louvor, honra e glória eternamente! ℟.
— Sede bendito no celeste firmamento. A vós louvor, honra e glória eternamente! ℟.
— Obras todas do Senhor, glorificai-o. A ele louvor, honra e glória eternamente! ℟.
℣. Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Cf. Lc 8, 15) ℟.
Evangelho (Jo 8, 31-42)
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 31Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, 32e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. 33Responderam eles: “Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: ‘Vós vos tornareis livres’?”
34Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. 35O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre. 36Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37Bem sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. 38Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai”.
39Eles responderam então: “O nosso pai é Abraão”. Disse-lhes Jesus: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão! 40Mas agora, vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. 41Vós fazeis as obras do vosso pai”.
Disseram-lhe, então: “Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus”. 42Respondeu-lhes Jesus: “Se Deus fosse vosso Pai, certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Eripe me de inimícis meis, Deus meus: et ab insurgéntibus in me líbera me, Dómine. (Ps. 58, 2)
Vernáculo:
Libertai-me do inimigo, ó meu Deus, e protegei-me contra os meus perseguidores! (Cf. LH: Sl 58, 2)
Sobre as Oferendas
Acolhei, Senhor, as oferendas que nos destes, a fim de que oferecidas em vossa honra possam tornar-se remédio para nós. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Vernáculo:
Eis que lavo minhas mãos como inocente e caminho ao redor de vosso altar, celebrando em alta voz vosso louvor, e as vossas maravilhas proclamando. (Cf. LH: Sl 25, 6. 7)
Depois da Comunhão
Senhor, o sacramento recebido nos seja um remédio de salvação, purifique os vícios dos nossos corações e nos mantenha sob a vossa proteção. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 20/03/2024
Filhos de Deus, não da mentira
“Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
Permanecer na palavra de Cristo é permanecer na verdade, e permanecer na verdade é permanecer livre não só do erro, mas também das formas de escravidão a que uma vontade cega, desviada do seu fim, acaba conduzindo. É o Senhor mesmo quem o diz: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, ao mesmo tempo que revela a triste condição em que se encontravam os fariseus e se encontram, ainda hoje, tantas almas desgraçadas: “Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado”. Ora, que outra coisa supõe o pecado senão o erro por parte quer da inteligência, que julga ser bom o que só aparenta sê-lo, quer da vontade, que se obstina em buscar essas ilusões fora da ordem devida? Foi assim que perdeu o demônio, travestido de serpente, aos nossos primeiros pais. Apresentou-se-lhes com palavras sedutoras e, para os induzir à desobediência, não precisou de nada mais do que uma mentira: “Vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses” (Gn 3, 5). Foi com uma mentira, pois, que o diabo se apropriou do gênero humano, e é com mentiras e mais mentiras que ele mantém cativos a quantos não se deixam libertar pela verdade: “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44). Para que não tenhamos por pai tamanho monstro nem por cabeça o primeiro dos condenados, tomemos o remédio que no princípio do Evangelho nos propõe o Senhor: “Se permanecerdes na minha palavra” — palavra de Cristo, palavra da Igreja, e não palavra do mundo, da moda, das seitas e falsas doutrinas. Permanecendo nela, teremos garantida a nossa permanência na verdade e, por isso mesmo, na verdadeira liberdade dos filhos de Deus.
Deus abençoe você!
Por causa do pecado, a humanidade tornou-se escrava da iniquidade, ré de morte eterna e sujeita às mentiras do diabo. Ainda que muitos clamem por liberdade, no fundo, não é possível ser livre sem a graça redentora de Cristo, que nos dá a força de lutar pelo bem e pela virtude, as duas grandes armas de que dispomos para resistir à astúcia homicida de Satanás.Ouça a homilia do Padre Paulo Ricardo para esta quarta-feira, dia 20 de março, e que o Senhor fortaleça hoje o nosso coração com a sua verdade libertadora.
Santo do dia 20/03/2024
São José Bilczewski (Memória Facultativa)
Local: Lviv, Ucrânia
Data: 20 de Março† 1923
José (Józef) Bilczewski nasceu em 26 de abril de 1860 em Wilamowice, perto de Kęty, na atual diocese de BielskoŻywiec, antiga diocese de Cracóvia.
Depois de completar a escola primária em Wilamowice e Kęty, frequentou o ginásio em Wadowice, onde em 1880 obteve seu bacharelado. Em 6 de julho de 1884 foi ordenado sacerdote em Cracóvia pelo Cardeal Albino Dunajewski. Em 1886 ele recebeu seu doutorado em teologia pela Universidade de Viena. Depois de mais estudos em Roma e Paris, em 1890 ele fez o exame de qualificação na Universidade Jagellonica em Cracóvia.
Um ano depois tornou-se professor de teologia dogmática na Universidade John Casimir de Leopoli, ocupando também, por um certo período, o cargo de reitor da faculdade teológica e mais tarde como reitor da própria universidade. Como professor, era muito apreciado pelos alunos e, ao mesmo tempo, gozava da estima e amizade de seus colegas professores universitários. Ele se dedicou ao trabalho científico e, apesar de sua idade relativamente jovem, adquiriu a reputação de um cientista autoritário.
Suas extraordinárias capacidades de intelecto e coração foram notadas pelo imperador da Áustria, Franz Joseph, que apresentou o bispo Giuseppe Bilczewski ao Santo Padre como candidato à vaga sé metropolitana de Lviv. O Santo Padre Leão XIII acolheu positivamente a proposta do Imperador e em 17 de dezembro de 1900 nomeou Dom Giuseppe Bilczewski, de 40 anos, Arcebispo de Lviv de rito latino.
A complexa situação social, econômica, étnica e religiosa fez com que o cuidado da grande diocese exigisse do Pastor grande força moral, grande confiança em Deus, uma fé revigorada pelo contato contínuo com Deus.
Dom Giuseppe Bilczewski distinguiu-se por sua grande bondade de coração, compreensão, humildade, piedade, diligência e zelo pastoral que brotaram de seu imenso amor a Deus e ao próximo.
Tomando posse da Arquidiocese de Lviv, indicou, com muita clareza, seu programa pastoral que continha nas palavras "sacrificar-se totalmente pela santa Igreja". Indicou, entre outras coisas, a necessidade do desenvolvimento do culto ao Santíssimo Sacramento e a frequente aproximação à Sagrada Comunhão.
Durante os 23 anos de seu serviço pastoral, mudou o rosto da Arquidiocese de Lviv. Somente sua morte, ocorrida em 20 de março de 1923, pôs fim à sua vasta e perspicaz ação pastoral.
Ele havia se preparado para a morte, e a recebeu com paz e submissão, como sinal da vontade de Deus, sempre considerada por ele como santa.
Ele deixou este mundo desfrutando de uma reputação universal de santidade. De acordo com o seu testamento foi sepultado no cemitério de Janów, chamado cemitério dos pobres, em Lviv, desejando repousar entre aqueles de quem sempre foi pai e protetor.
Fonte: causesanti.va (adaptado)
São José Bilczewski, rogai por nós!


