2º Domingo da Páscoa — Domingo da Divina Misericórdia
Antífona de entrada
Ou:
Acolhei a alegria da vossa glória dando graças a Deus, que vos chamou ao seu reino celestial, aleluia. (Cf. 4Esd 2, 36-37)
Quasi modo géniti infántes, allelúia: rationábiles, sine dolo lac concupíscite, allelúia, allelúia, allelúia. Ps. Exsultáte Deo adiutóri nostro: iubiláte Deo Iacob. (1 Petr. 2, 2; Ps. 80, 2)
Vernáculo:
Como criancinhas recém-nascidas, desejai o leite legítimo e puro, que vos vai fazer crescer na salvação, aleluia. (Cf. MR: 1Pd 2, 2) Sl. Exultai no Senhor, nossa força, e ao Deus de Jacó aclamai! (Cf. LH: Sl 80, 2)
Glória
Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso.
Nós vos louvamos,
nós vos bendizemos,
nós vos adoramos,
nós vos glorificamos,
nós vos damos graças
por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho de Deus Pai.
Vós que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai,
tende piedade de nós.
Só Vós sois o Santo,
só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo,
Jesus Cristo,
com o Espírito Santo,
na glória de Deus Pai.
Amém.
Coleta
Ó Deus de eterna misericórdia, na festa anual da Páscoareacendeis a fé do povo a vós consagrado. Aumentai a graça que destes, para que todos compreendam melhor o Batismo que os lavou, o Espírito que os regenerou, e o sangue que os redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
Primeira Leitura — At 2, 42-47
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Os que haviam se convertido 42eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. 43E todos estavam cheios de temor por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. 44Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; 45vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um.
46Diariamente, todos frequentavam o Templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração.
47Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 117(118), 2-4. 13-15. 22-24 (R. 1)
℟. Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom; eterna é a sua misericórdia!
— A casa de Israel agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!” A casa de Aarão agora o diga: “Eterna é a sua misericórdia!” Os que temem o Senhor agora o digam: “Eterna é a sua misericórdia!” ℟.
— Empurraram-me, tentando derrubar-me, mas veio o Senhor em meu socorro. O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. “Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis”. ℟.
— “A pedra que os pedreiros rejeitaram tornou-se agora a pedra angular”. Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos! Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos! ℟.
Segunda Leitura — 1Pd 1, 3-9
Leitura da Primeira Carta de São Pedro
Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, 4para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus.
5Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. 6Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações.
7Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira — mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo — e alcançará louvor, honra e glória no dia da manifestação de Jesus Cristo.
8Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
℣. Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creram sem ter visto! (Jo 20, 29) ℟.
Evangelho — Jo 20, 19-31
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”.
24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”.
26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”.
27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”
30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Creio
Creio em Deus Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Às palavras seguintes, até Virgem Maria, todos se inclinam.
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne
e na vida eterna. Amém.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Angelus Dómini descéndit de caelo, et dixit muliéribus: quem quaéritis, surréxit, sicut dixit, allelúia. (Mt. 28, 2. 5. 6)
Vernáculo:
Um anjo do Senhor desceu do céu. Então o anjo falou às mulheres: Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! (Cf. Bíblia CNBB: Mt 28, 2. 5. 6)
Sobre as Oferendas
Senhor, nós vos pedimos: aceitai as oferendas do vosso povo (e dos que renasceram nesta Páscoa), para que, renovado(s) pela confissão do vosso nome e pelo Batismo, alcance(m) a felicidade eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Mitte manum tuam, et cognósce loca clavórum, allelúia: et noli esse incrédulus, sed fidélis, allelúia, allelúia. (Io. 20, 27; ℣. Ps. 117, 1. 2. 5. 8. 10. 11. 13. 14. 15. 16. 17. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 28. 29)
Vernáculo:
Coloca aqui a tua mão e reconhece o lugar dos cravos, e não sejas incrédulo, mas fiel, aleluia. (Cf. MR: Jo 20, 27)
Depois da Comunhão
Nós vos pedimos, Deus todo-poderoso: concedei que permaneça sempre em nossos corações o sacramento pascal que recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 12/04/2026
A Fé abre as portas da Misericórdia
São Tomé, ajoelhado diante de Jesus, tocando fisicamente suas chagas e sendo tocado espiritualmente pelo Ressuscitado, afirmou: “Meu Senhor e meu Deus”. Assim se abriram as portas da misericórdia divina, e, do peito aberto de Cristo, jorraram torrentes de graça.
O Evangelho deste 2.º Domingo da Páscoa, Domingo in albis e Festa da Divina Misericórdia, é o de São João, capítulo 20, versículos de 19 a 31, que apresenta uma espécie de resumo dos acontecimentos desde o Domingo de Páscoa, com a aparição de Jesus uma semana antes, quando Ele, ao anoitecer do domingo, encontrou-se com dez Apóstolos (já que Judas estava morto,; Tomé, ausente) e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”, enviando-lhes o Paráclito e dando-lhes o poder de perdoar os pecados.Foi uma espécie de gesto profético para expressar antecipadamente o que iria cumprir-se em Pentecostes, quando o número dos Doze estivesse completo com Matias (cf. At 1, 15-26) e os Apóstolos recebessem enfim o Espírito Santo (cf. At 2, 1-4).Depois de ressuscitar, o Senhor disse: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra” (Mt 28, 18). Em outras palavras, se antes da Encarnação nós recebíamos a graça diretamente de Deus, a partir de agora nós iremos recebê-la por intermédio da humanidade do Verbo. Ou seja: um ser humano — sim, é Deus Filho; mas é também verdadeiro homem — um homem glorioso ama com um Coração humano, pensa em cada um de nós sem cessar e a todo momento nos convida a receber o Espírito Santo. A primeira coisa que o Espírito Santo faz é purificar-nos do pecado; ora, essa graça do perdão é recebida no Batismo e na Confissão; logo, cada vez que recebemos um ou outro desses sacramentos, o Ressuscitado sopra sobre o fiel e envia-lhe o Espírito. E o gesto de soprar sobre os Apóstolos indica exatamente que é por meio da humanidade gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo que recebemos todas as graças do Céu. A Lei, diz São João, nós a recebemos de Moisés; mas a graça nos veio por meio de Jesus Cristo. Essa é a primeira realidade do Domingo de Páscoa, e foi isso que celebramos no domingo passado. São João, contudo, nota um detalhe que não nos contam os outros evangelistas. É o fato de que, na primeira aparição de Jesus aos Apóstolos, Tomé estava ausente e que, ao receber a Boa-nova, sua reação foi de incredulidade. Tomé queria provas, indícios palpáveis da Ressurreição. Os discípulos certamente lhe tinham falado das chagas de Jesus, e deve ter sido o testemunho deles que o levou a reagir, dizendo: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei” (Jo 20, 25).Uma das coisas fascinantes do Evangelho de São João é a insistência com que o evangelista, inspirado pelo Espírito Santo, revela as chagas gloriosas de Cristo. Por que Jesus ressuscitado, que já não sofre nem tem doenças, mantém suas chagas de amor? Antes de tudo, porque Ele quer que mantenhamos viva a memória de que o Ressuscitado é o Crucificado. Não são dois homens diferentes. É um só e o mesmo, unido ao Verbo com o mesmo corpo que, glorificado, preserva as chagas como sinal de amor. Eis aqui uma coisa fantástica: a morte se transforma em fonte de vida, e uma chaga, em fonte de cura e de transformação. Jesus mostra aos Apóstolos sua chaga de amor. Os Apóstolos, certamente fascinados, devem ter recebido uma graça especial naquela primeira aparição no Domingo de Páscoa, quando viram as chagas gloriosas, que se tornaram como uma santa obsessão para o discípulo amado.O evangelista que reclinou a cabeça no peito de Jesus, o mesmo que aos pés da Cruz viu-lhe o peito trespassado pela lança, hoje, Oitava de Páscoa, vê brotar do mesmo costado uma fonte de graça. Assim como ele viu sangue e água brotarem do peito de Jesus, da mesma chaga bendita ele vê brotar um caudal de graças celestes. O mesmo São João, na 2.ª Leitura, fala insistentemente da água, do sangue e da visão de fé que ele teve no Domingo de Páscoa, mas que faltou a Tomé. Este não acreditou, e só deu o passo no 2.º Domingo da Páscoa, ou seja, na Oitava, neste Domingo que estamos celebrando. Eis o que nos diz a 2.ª Leitura, extraída da Primeira Carta de São João: “Esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé” (Jo 5, 4). Os discípulos, antes amedrontados, fechados no Cenáculo por medo dos judeus, de repente têm a experiência da fé e encontram-se com Jesus ressuscitado: “Este é o que veio pela água e pelo sangue, Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água; o sangue)” (1 Jo 5, 6). São João, aqui, fala da fé que brota do lado aberto de Jesus, pela água e pelo sangue. Ele vê a fonte de vida que brota do peito do Senhor: em cujas “chagas fomos curados” (1 Pe 2, 24). Visão semelhante à do evangelista foi a de Jesus a Santa Faustina Kowalska, religiosa polonesa canonizada por São João Paulo II. Jesus mostrou-lhe rios, não já de água e de sangue, mas de uma luz branca e de uma vermelha, saídos do seu lado como irradiações de amor e de graça e manifestação da Divina Misericórdia.Com a Ressurreição, abre-se um tempo de graça, no qual todos podem aproximar-se de Nosso Senhor confiantes. Se, quando éramos inimigos de Deus, Ele morreu por nós, agora que fomos reconciliados, como Ele não irá nos acolher, amar e perdoar? Confiantes, mesmo se nossa fé estiver vacilante e manca, claudicante e coxa, vamos a Cristo Jesus. Como Tomé, prostremo-nos diante da presença divina de Nosso Senhor para professar a fé. Aqui está o segredo. Muitos gostam de falar da Divina Misericórdia na Oitava de Páscoa, e fazem bem; mas nem sempre se dão conta de que só é possível ter acesso a ela pela fé. Não à toa este é o Evangelho de hoje: São Tomé, ajoelhado diante de Jesus, professando a fé — uma das mais belas profissões de fé, senão a mais bela de todo o Novo Testamento: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20, 28). Assim se abriram os portões da misericórdia divina, de modo que Tomé recebeu, do peito aberto de Cristo, torrentes de graça. Mas tudo isso pela fé.Os evangélicos protestantes insistem muito na fé, mas, infelizmente, o conceito que eles têm dela é, no mínimo, infantil. São herdeiros de Lutero, e Lutero foi mau aluno… Em seu comentário à Epístola aos Romanos, a fé é descrita como algo emocional; ter fé em Deus seria o mesmo que confiar nele. Ora, confiança não é coisa ruim. A própria Santa Faustina diz que devemos confiar na misericórdia divina. No entanto, confiança é apenas um sentimento. Um macaquinho lança-se nos braços da mãe porque confia nela, de modo irracional, é verdade, mas ainda assim sentimental, passional, o que — repita-se — não é ruim. Confiar é importante, mas não é a essência da fé. A fé pode, sim, gerar sentimentos de confiança; mas não se resumem a eles. A fé é antes de tudo um toque do Ressuscitado.O Evangelho deste domingo nos diz que Tomé tocou Jesus; quando, na verdade, era Tomé quem precisava ser tocado por Ele. Assim, Jesus diz ao Apóstolo como que o contrário do que dissera a Maria Madalena. Uma semana antes, Cristo disse a Maria: “Noli me tangere”, quer dizer: “Não me toques”. Agora Ele se dirige a Tomé, dizendo: “Põe o teu dedo aqui” (Jo 20, 27). Sim, Jesus pede que Tomé o toque, mas porque é Ele quem quer tocar Tomé. Aqui está a dinâmica da fé. O ato de fé acontece por um toque da graça do Ressuscitado. Jesus quer nos tocar com a luz da sua verdade. Cristo, “luz que ilumina todo homem”, é Aquele por meio de quem “a graça e a verdade se manifestaram” (Jo 1, 17) a nós. Isso, na prática, significa que precisamos mudar de opinião; você precisa mudar de cabeça; você precisa, tocado por Ele, fazer o ato da obediência da fé, graças ao qual a inteligência é iluminada pela verdade de Cristo, e a vontade é convidada a aderir a Ele. Com o ato de fé: “Meu Senhor e meu Deus”, abrem-se os portões da misericórdia para Tomé. De modo que São João, testemunha desse ocorrido, atesta: “Esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé” (Jo 5, 4).Feita a experiência da fé, surge a pergunta: “Para onde iremos nós, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68). Foi São Pedro quem o disse, mas Jesus já o tinha dito de forma ainda mais profunda alguns versículos antes, no capítulo 6 do Evangelho de São João: “As minhas palavras são espírito e vida” (Jo 6, 63). Portanto, ouça as palavras de Cristo. Ele quer falar com você, a todo momento, como falou durante todo o caminho com os discípulos de Emaús. Ele quer falar ao seu coração e tocar em você.O importante do Evangelho de hoje não está em Tomé tocar Jesus, mas em Jesus tocar Tomé. Quando Ele o toca, surge a fé; quando surge a fé, a inteligência, iluminada, e a vontade, convidada, aderem a Cristo. Eis a vitória que vence o mundo. Então, sim, nasce a confiança no amor misericordioso e divino de Nosso Senhor.Agora precisamos amá-lo de volta. É por isso que, na 2.ª Leitura, São João insiste que Cristo veio não somente pela água, mas também pelo sangue. Ora, uma das interpretações dos Santos Padres a esse respeito diz que a água é a fé, e o sangue, o amor. Nesse sentido, o que une nossa alma a Jesus é a água (fé), mas também o amor (sangue). Por isso, nossa vida espiritual necessita de atos de fé e de amor a Jesus, ou seja, precisamos crer nele e amá-lo concretamente. Neste Domingo da Divina Misericórdia, quando nos aproximarmos da santa Comunhão, peçamos a Jesus: Senhor, que nesta Comunhão sejais vós a me tocar. Mais do que experiências físicas de laboratório, de realidades empíricas, concretas e carnais, como quis Tomé ao vos tocar, eu vos peço: tocai-me Vós e soprai sobre mim o vosso Espírito Santo. Concedei-me a graça de crer, pois essa é a vitória que vence o mundo. Quando minha inteligência for iluminada e a minha vontade, atraída, o mundo não irá me seduzir nem será nada para mim. Vós sereis o meu grande amor, a minha grande verdade. Inclinado diante da vossa augusta presença na Eucaristia nesta Missa de domingo, quero dizer-vos com a mesma fé dos Apóstolos: “Meu Senhor e meu Deus”.
Neste domingo, portanto, comungue bem, unido à água e ao sangue, aos raios de luz branca e de luz vermelha, com fé e com amor na divina e santíssima misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Deus abençoe você!
Santo do dia 12/04/2026
São Giuseppe Moscati (Memória Facultativa)
Local: Nápoles, Itália
Data: 12 de Abril † 1927
Giuseppe Moscati nasceu em 25 de julho de 1880 em Benevento, sétimo entre os nove filhos do magistrado Francesco Moscati e Rosa De Luca, do Marquês de Roseto. Ele foi batizado em 31 de julho de 1880.
Em 1881 a família Moscati mudou-se para Ancona e depois para Nápoles, onde Giuseppe fez sua primeira comunhão na festa da Imaculada Conceição de 1888. De 1889 a 1894 Giuseppe completou o ensino médio e depois os estudos escolares no "Vittorio Emanuele", obtendo o diploma do ensino médio com notas brilhantes em 1897, com apenas 17 anos. Alguns meses depois, iniciou seus estudos universitários na faculdade de medicina da Universidade Napolitana.
É possível que a decisão de escolher a profissão médica tenha sido influenciada em parte pelo fato de que na adolescência Joseph foi confrontado, de forma direta e pessoal, com o drama do sofrimento humano. Em 1893, de fato, seu irmão Alberto, um tenente de artilharia, foi trazido para casa depois de sofrer um trauma incurável após uma queda de cavalo. Durante anos, José derramou seus cuidados carinhosos ao seu amado irmão, e então ele teve que experimentar a relativa impotência dos remédios humanos e a eficácia dos confortos religiosos, os únicos que podem nos dar a verdadeira paz e serenidade. É, no entanto, um fato que, desde muito jovem, Giuseppe Moscati demonstra uma sensibilidade aguda pelos sofrimentos físicos dos outros; mas seu olhar não se detém neles: penetra até os últimos recessos do coração humano.
Em 4 de agosto de 1903, Giuseppe Moscati formou-se em medicina com nota máxima e direito à imprensa, coroando assim o "currículo" de seus estudos universitários de forma digna. Cinco meses após a formatura, o Dr. Moscati participa do concurso público para o cargo de assistente ordinário nos Hospitais Unidos de Nápoles; quase ao mesmo tempo apoia outro concurso para auxiliar extraordinário nos mesmos hospitais, com base em provas e qualificações. Na primeira das competições, de vinte e um classificados, ele ocupa o segundo lugar; no outro, consegue o primeiro lugar geral, e isso de forma tão triunfal que - como se lê em um julgamento qualificado - "deixa os examinadores e companheiros espantados".
Desde 1904 Moscati trabalha como assistente no hospital degl Incurabili, em Nápoles, e entre outras coisas organiza a hospitalização de pessoas afetadas pela raiva e, através de uma intervenção pessoal muito corajosa, salva os pacientes no hospital de Torre del Greco, durante a erupção do Vesúvio em 1906.
Nos anos seguintes Giuseppe Moscati obteve a idoneidade, em concurso de exames, para o serviço de laboratório do hospital de infectologia "Domenico Cotugno". Em 1911, ele participou do concurso público para seis postos de ajuda ordinária no Ospedali Riuniti e ganhou sensacionalmente. Há as nomeações como coadjutor ordinário nos hospitais e depois, na sequência do concurso para médico ordinário, a nomeação como diretor de sala, ou seja, médico chefe. Durante a Primeira Guerra Mundial, foi diretor dos departamentos militares do Ospedali Riuniti. Este "currículo" hospitalar é ladeado pelas várias etapas da universidade e da científica: desde os anos universitários até 1908, Moscati é assistente voluntário no laboratório de fisiologia; a partir de 1908 foi assistente pleno no Instituto de Química Fisiológica. Por concurso, obtém um local de estudo na estação zoológica. Na sequência de um concurso foi nomeado formador voluntário da III Clínica Médica, e responsável pelo departamento de química até 1911. Ao mesmo tempo, cobriu os vários níveis de ensino.
Em 1911 obteve, por habilitação, o Livre Docência em Química Fisiológica; ele é responsável pela liderança da pesquisa científica e experimental no Instituto de Química Biológica. Desde 1911 leciona, ininterruptamente, "Investigações laboratoriais aplicadas à clínica" e "Química aplicada à medicina", com exercícios e demonstrações práticas. A título privado, durante alguns anos letivos, leciona semiologia hospitalar, semiologia clínica e patológica e casuística a numerosos licenciados e estudantes. Durante vários anos letivos concluiu a substituição nos cursos oficiais de Química Fisiológica e Fisiologia. Em 1922, obteve a Livre Docência em Clínica Médica Geral, com dispensa da aula ou da prova prática por unanimidade de votos da comissão.
Famoso e muito procurado no meio napolitano ainda muito jovem, o professor Moscati logo ganhou fama nacional e internacional por suas pesquisas originais, cujos resultados foram publicados por ele em várias revistas científicas italianas e estrangeiras. Essas pesquisas pioneiras, que se concentram especialmente no glicogênio e tópicos relacionados, garantem a Moscati um lugar de honra entre os pesquisadores médicos da primeira metade do nosso século.
No entanto, não são apenas ou mesmo principalmente as qualidades geniais e os sucessos sensacionais de Moscati - sua metodologia seguramente inovadora no campo da pesquisa científica, seu extraordinário olhar diagnóstico - que despertam o espanto de quem a aborda. Mais do que tudo, é a sua própria personalidade que deixa uma impressão profunda em quem o encontra, a sua vida límpida e coerente, toda impregnada de fé e caridade para com Deus e para com os homens. Moscati é um cientista de primeira linha; mas para ele não há contrastes entre fé e ciência: como pesquisador, ele está a serviço da verdade e a verdade nunca está em contradição consigo mesma, muito menos com o que a Verdade eterna nos revelou. A aceitação da Palavra de Deus não é, por outro lado, para Moscati um simples ato intelectual, abstrato e teórico: para ele a fé é, por outro lado, a fonte de toda a sua vida, a aceitação incondicional, calorosa e entusiástica da realidade do Deus pessoal e de nossas relações com ele. Moscati vê o Cristo sofredor em seus pacientes, o ama e o serve neles. É este impulso de amor generoso que o impele a fazer o melhor sem parar pelos que sofrem, não para esperar que os doentes venham até ele, mas para procurá-los nos bairros mais pobres e abandonados da cidade, para curar de graça, na verdade, para ajudá-los com os próprios ganhos de seus pais. E todos, mas sobretudo os que vivem na miséria, intuem na admiração o poder divino que anima o seu benfeitor. Assim Moscati torna-se o apóstolo de Jesus: sem nunca pregar, ele anuncia, com a sua caridade e com o modo como vive a sua profissão de médico, o Divino Pastor e conduz a ele os oprimidos e sedentos de verdade e de bondade. Com o passar dos anos, o fogo do amor parece devorar Giuseppe Moscati. Sua atividade externa cresce constantemente, mas suas horas de oração também são prolongadas e seus encontros com Jesus no sacramento são progressivamente internalizados.
Quando, em 12 de abril de 1927, Moscati morreu subitamente, abatido em plena atividade, com apenas 46 anos, a notícia de sua morte foi anunciada e espalhada de boca em boca com as palavras: "O santo doutor está morto". Estas palavras, que resumem toda a vida de Moscati, recebem hoje o selo oficial da Igreja.
Fonte: causesanti.va (adaptado)
São Giuseppe Moscati, rogai por nós!


