Devoções

Por que a cruz é o centro da espiritualidade quaresmal?

por Thiago Zanetti em 02/04/2025 • Você e mais 281 pessoas leram este artigo Comentar

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Tempo de leitura: 5 minutos

No coração da espiritualidade quaresmal está a cruz de Cristo. Mas por que a cruz ocupa um lugar tão central nesse período?

O significado da cruz na vida cristã

A cruz é o símbolo máximo da fé cristã. Para muitos, pode parecer contraditório que um instrumento de tortura e morte seja visto como sinal de salvação. No entanto, a partir da morte e ressurreição de Cristo, a cruz assume um novo significado: ela se torna o trono da vitória sobre o pecado e a morte.

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No Catecismo da Igreja Católica (CIC, 617), encontramos a explicação de que:

“Por sua santíssima Paixão no madeiro da cruz mereceu-nos a justificação (…) a Igreja venera a Cruz, cantanto, Salve, ó Cruz, única esperança” (CIC, 617).

A Cruz e o Mistério da Redenção

A cruz é o centro do mistério da redenção porque, nela, Jesus ofereceu sua vida como resgate por muitos (cf. Mc 10,45).

Na Audiência Geral de 5 de abril, o Papa Francisco meditou:

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“Jesus na cruz não recrimina, ama. Ama e perdoa quantos o ferem (cf. Lc 23, 34). Assim converte o mal em bem, assim converte e transforma a dor em amor”.

Esta afirmação nos lembra que a cruz é um convite a vivermos o amor sacrificial, especialmente durante a Quaresma.

A Quaresma como caminho para a cruz

A espiritualidade quaresmal nos conduz, passo a passo, ao Calvário. Cada prática – seja o jejum, a esmola ou a oração – tem um propósito claro: ajudar-nos a participar do sacrifício de Cristo.

Na Encíclica Salvifici Doloris, São João Paulo II afirma que:

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“A Cruz de Cristo projecta a luz salvífica de um modo assim tão penetrante sobre a vida do homem e, em particular, sobre o seu sofrimento” (Salvifici Doloris, 21).

Assim, durante a Quaresma, somos chamados a abraçar a cruz não apenas como um peso, mas como um caminho de redenção.

“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

Esta exortação de Jesus é um convite a carregar a cruz com esperança e confiança, certos de que a dor não tem a última palavra.

O valor redentor do sofrimento

A cruz nos ensina que o sofrimento, quando unido a Cristo, tem um valor redentor. No mistério pascal, Jesus transforma a dor em fonte de vida. A Quaresma é, portanto, um tempo para refletirmos sobre nossas próprias cruzes e nos perguntarmos: estamos oferecendo nossas dores a Deus? Estamos unindo nossos sacrifícios ao sacrifício de Cristo?

Santa Teresa de Calcutá costumava dizer:

“O sofrimento é um dom de Deus, e cada momento que sofremos, Ele está mais próximo de nós”.

“A dor e o sofrimento na vida são um beijo de Jesus, um sinal de que nos aproximamos tanto dele que ele pode beijar-nos”.

Isso nos lembra que, mesmo nas tribulações, podemos encontrar sentido se nos abrirmos à graça redentora que flui da cruz.

A cruz como sinal de esperança

A cruz não é apenas símbolo de dor, mas também de esperança. Quando contemplamos o Crucificado, não estamos olhando para um derrotado, mas para Aquele que venceu o pecado. A ressurreição dá sentido à cruz e a transforma em fonte de esperança.

São Paulo expressa essa realidade ao afirmar:

“Nós, porém, proclamamos Cristo cruicificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1,23-24).

Assim, a cruz é fonte de força e sabedoria para aqueles que creem.

A espiritualidade da cruz no cotidiano

A espiritualidade quaresmal não termina no Domingo de Ramos ou na Sexta-feira Santa, mas se estende a toda a vida cristã. Viver sob o signo da cruz significa aceitar as pequenas cruzes cotidianas com paciência e confiança.

São Francisco Xavier dizia:

“A ausência da cruz é a ausência da vida”.

Adotar essa espiritualidade significa reconhecer que, mesmo nos desafios diários, Deus está nos moldando e fortalecendo.

Na Quaresma, somos convidados a meditar profundamente sobre a cruz, pois ela nos revela o amor infinito de Deus. O cristão que abraça a cruz encontra nela a fonte de vida e ressurreição. Que neste tempo quaresmal possamos, com humildade e fé, nos unir ao Crucificado e experimentar a força redentora que emana do madeiro santo.

A cruz, símbolo central da espiritualidade quaresmal, nos conduz ao coração do mistério pascal: a passagem da morte para a vida. Que possamos viver este tempo como uma peregrinação ao Calvário, certos de que, ao lado do Crucificado, encontramos o sentido pleno da nossa fé.

Thiago Zanetti

Por Thiago Zanetti
Jornalista, copywriter e escritor católico. Graduado em Jornalismo e Mestre em História Social das Relações Políticas, ambos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). É autor dos livros Deus é a resposta de nossas vidas (Palavra & Prece, 2012) e O Sagrado: prosas e versos (Flor & Cultura, 2012).
Acesse o Blog: www.thiagozanetti.com.br
Siga-o no Instagram: @thiagoz.escritor

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