Evangelização

Ser católico hoje: fidelidade diante da pressão cultural

por Thiago Zanetti em 14/01/2026 • Você e mais 88 pessoas leram este artigo Comentar


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Tempo de leitura 4 minutos

Ser católico no mundo atual exige fidelidade e coragem. Em uma sociedade marcada pelo relativismo moral e pela rápida transformação dos costumes, a Igreja Católica é frequentemente acusada de ser ultrapassada ou incapaz de acompanhar o seu tempo. No entanto, a missão da Igreja nunca foi adaptar a verdade às modas culturais, mas guardar, anunciar e testemunhar a verdade recebida de Cristo.

O Catecismo da Igreja Católica ensina com clareza que a fé não é fruto de construção humana, mas dom confiado por Deus à Igreja: 

“‘O patrimônio sagrado’ da fé (‘depositum fidei’), contido da Sagrada Tradição e na Sagrada Escritura, foi confiado pelos apóstolos à totalidade da Igreja” (Catecismo da Igreja Católica, n. 84). 

Por isso, a Igreja não tem autoridade para modificar aquilo que recebeu, mas o dever de permanecer fiel.

Em um mundo que absolutiza o desejo individual, a fidelidade da Igreja à moral cristã passa a ser vista como intolerância. Questões como união homoafetiva, aborto e eutanásia são frequentemente apresentadas como sinais de progresso, enquanto a posição católica é tratada como atraso. No entanto, a Igreja não rejeita pessoas. Ela reafirma que todo ser humano possui dignidade infinita, criada à imagem e semelhança de Deus.

Sobre a dignidade da vida humana, o Catecismo é inequívoco: 

“A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2270). 

E ainda: 

“Sejam quais forem os motivos e os meios, a eutanásia direta consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. É moralmente inadmissível” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2277).

Esses ensinamentos não nascem de rigidez, mas de fidelidade ao Evangelho. São João Paulo II afirma na encíclica Evangelium Vitae: 

“A vida humana é sagrada, porque, desde a sua origem, supõe ‘a ação criadora de Deus’ e mantém-se para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim” (Evangelium Vitae, n. 53). 

Defender a vida, portanto, não é uma pauta ideológica, mas uma exigência da fé cristã.

O mesmo se aplica à moral sexual. A Igreja ensina que o amor verdadeiro não se reduz ao sentimento, mas está inseparavelmente ligado à verdade sobre o ser humano. O Catecismo afirma:

“A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2337). 

Essa visão, muitas vezes rejeitada pelo mundo, busca proteger a dignidade da pessoa e orientar o amor para sua plenitude.

Ser católico hoje significa aceitar que a fidelidade pode gerar oposição. Na Homilia da Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, em 18 de abril de 2005, o então Cardeal Joseph Ratzinger afirmou: 

“Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento… Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar ‘aqui e além por qualquer vento de doutrina’, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.”

A Igreja não busca aprovação social, mas a salvação das almas.

Ao longo dos séculos, culturas mudaram, ideologias passaram e impérios ruíram. A Igreja permaneceu fiel à sua missão. Como recorda o Concílio Vaticano II:

“A Igreja, à qual todos somos chamados e na qual por graça de Deus alcançamos a santidade, só na glória celeste alcançará a sua realização acabada, quando vier o tempo da restauração de todas as coisas (…).”

Ser católico hoje é permanecer firme nessa esperança. É compreender que a fidelidade não é atraso, mas testemunho. Em meio às pressões culturais e às transformações sociais, a Igreja continua sendo sinal de contradição, luz para o mundo e guardiã da verdade que não passa.

Thiago Zanetti

Por Thiago Zanetti
Jornalista, copywriter e escritor católico. Graduado em Jornalismo e Mestre em História Social das Relações Políticas, ambos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). É autor dos livros Beleza (UICLAP, 2025), Mensagens de Fé e Esperança (UICLAP, 2025), Deus é a resposta de nossas vidas (Palavra & Prece, 2012) e O Sagrado: prosas e versos (Flor & Cultura, 2012).
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