Sábado da 13ª Semana do Tempo Comum
Memória Facultativa
Santa Maria no sábado ou Santa Isabel de Portugal
Antífona de entrada
Omnes gentes plaudite manibus: iubilate Deo in voce exsultationis. Ps. Quoniam Dominus excelsus, terribilis: Rex magnus super omnem terram. (Ps. 46, 2. 3)
Vernáculo:
Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria. (Cf. MR: Sl 46, 2) Sl. Porque sublime é o Senhor, o Deus Altíssimo, o soberano que domina toda a terra. (Cf. LH: Sl 46, 3)
Coleta
Ó Deus, pela graça da adoção nos tornastes filhos da luz; concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas permaneçamos sempre no esplendor da verdade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Am 9, 11-15
Leitura da Profecia de Amós
Assim diz o Senhor: 11“Naquele dia, reerguerei a tenda de Davi, em ruínas, e consertarei seus estragos, levantando-a dos escombros, e reconstruindo tudo, como nos dias de outrora;12deste modo possuirão todos o resto de Edom e das outras nações, que são chamadas com o meu nome, diz o Senhor, que tudo isso realiza.
13Eis que dias virão, diz o Senhor, em que se seguirão de perto quem ara e quem ceifa, o que pisa as uvas e o que lança a semente; os montes destilarão vinho e as colinas parecerão liquefazer-se. 14Mudarei a sorte de Israel, meu povo, cativo; eles reconstruirão as cidades devastadas, e as habitarão, plantarão vinhas e tomarão o vinho, cultivarão pomares e comerão seus frutos.15Eu os plantarei sobre o seu solo e eles nunca mais serão arrancados de sua terra, que eu lhes dei”, diz o Senhor teu Deus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 84(85), 9. 11-12. 13-14 (R. 9)
℟. O Senhor anunciará a paz para o seu povo.
— Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar; a paz para o seu povo e seus amigos, para os que voltam ao Senhor seu coração. ℟.
— A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus. ℟.
— O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus. ℟.
℣. Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem. (Jo 10, 27) ℟.
Evangelho — Mt 9, 14-17
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 14os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?” 15Disse-lhes Jesus: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão.
16Ninguém coloca remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa a roupa e o rasgão fica maior ainda. 17Também não se põe vinho novo em odres velhos, senão os odres se arrebentam, o vinho se derrama e os odres se perdem. Mas vinho novo se coloca em odres novos, e assim os dois se conservam”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Sicut in holocausto arietum et taurorum, et sicut in milibus agnorum pinguium: sic fiat sacrificium nostrum in conspectu tuo hodie, ut placeat tibi: quia non est confusio confidentibus in te Domine. (Dan. 3, 40)
Vernáculo:
Como em holocausto de carneiros e de touros, como milhares de gordos cordeiros. Seja este o sacrifício na tua presença, hoje, e leva à perfeição os que te seguem, pois para os que confiam em ti não há desilusão. (Cf. Bíblia CNBB: Dn 3, 40)
Sobre as Oferendas
Ó Deus, que nos assegurais os frutos dos vossos mistérios, fazei que nosso serviço corresponda à santidade dos vossos dons Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Ou:
Pai, rogo por eles, para que sejam um em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste, diz o Senhor. (Cf. Jo 17, 20-21)
Christus resurgens ex mortuis iam non moritur, alleluia, mors illi ultra non dominabitur, alleluia, alleluia. (Rm. 6, 9; ℣. Ps. 95, 1. 2. 3. 4. 7-8a. 8b-9a vel Ps. 15, 1-2. 5. 8. 9. 10. 11; p.207)
Vernáculo:
Sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre ele. (Cf. Bíblia CNBB: Rm 6, 9)
Depois da Comunhão
Ó Deus, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, que oferecemos em sacrifício e recebemos em comunhão, nos transmitam uma vida nova, para que, unidos a vós pela caridade que não passa, possamos produzir frutos que permaneçam. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 04/07/2026
Sem a graça, nada somos
Sem a renovação que a graça opera em nós, somos como panos e odres velhos, incapazes de, com as próprias forças, suportar as exigências da vida cristã nem, muito menos, de levar a cabo a obra da nossa santificação. Só Deus pode vir em nosso socorro e, por meio de sua graça, transformar-nos em criaturas novas, cujas obras passam a ser dignas, nele e por Ele, de receber como prêmio a vida eterna. Peçamos a Cristo que não prive nunca do auxílio da graça os que somos mendigos de todos os seus dons.
No Evangelho de hoje, um grupo de discípulos de São João Batista pergunta ao Senhor por que Ele e os seus seguidores não jejuam. Em resposta, Jesus utiliza três comparações: a do esposo, a do remendo novo em pano velho e a do vinho novo em odres velhos.
Ao longo dos séculos, a tradição espiritual da Igreja interpretou essas imagens de diversas maneiras. Entre essas interpretações, merece destaque a de Remígio de Auxerre, monge beneditino do século IX, cujos ensinamentos foram recolhidos por São Tomás de Aquino na Catena Aurea (cf. In Matth., c. 9, l. 3).
Segundo Remígio, Jesus não exige ainda dos discípulos as práticas mais rigorosas de penitência porque eles são semelhantes aos panos e odres velhos mencionados na parábola. Ainda não haviam sido plenamente renovados pela doutrina evangélica e pela ação transformadora da graça divina.
Naquele momento, Cristo ainda não passara pela sua Paixão, Morte e Ressurreição, nem enviara o Espírito Santo à Igreja. Por isso, os discípulos ainda não possuíam a plenitude das forças espirituais necessárias para suportar determinadas exigências ascéticas sem correr o risco de desanimar ou perder a perseverança.
Essa interpretação evidencia uma verdade fundamental da vida cristã: o primado da graça. Como ensina o próprio Senhor: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Nenhuma obra verdadeiramente sobrenatural nasce apenas dos esforços humanos.
Ao mesmo tempo, essa leitura recorda a delicadeza da Providência divina. Deus concede a cada alma, no tempo oportuno e da maneira mais adequada, os auxílios necessários para o seu crescimento espiritual. Ele não exige antes de conceder a graça necessária para corresponder ao seu chamado.
É verdade que não podemos tornar-nos santos por nossas próprias forças. Contudo, podemos alcançar a santidade mediante a graça que Deus jamais se cansa de oferecer, pois deseja “que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4).
Essa certeza deve estimular-nos a pedir constantemente, com humildade e confiança, as graças de que necessitamos. A vida espiritual não é fruto da autossuficiência, mas da dependência amorosa de Deus.
Sem o auxílio divino, nossos jejuns, mortificações e esforços ascéticos tornam-se obras estéreis. Quando, porém, são sustentados pela graça, convertem-se em instrumentos eficazes de santificação.
Reconheçamo-nos, portanto, como verdadeiros mendigos da graça, necessitados daquele que “segundo o seu beneplácito, realiza em nós o querer e o executar” (Fl 2,13). Somente apoiados na força de Deus poderemos perseverar no caminho que conduz à santidade.
Deus abençoe você!
Santo do dia 04/07/2026
Santa Isabel de Portugal (Memória Facultativa)
Local: Estremoz, Portugal
Data: 04 de Julho † 1336
Teve por pai, Pedro III, rei de Aragão, e por mãe, Constância, filha de Mainfroi, filho do imperador Frederico II. Nasceu no ano 1271 e foi chamada no batismo de Isabel, de Santa Isabel, da Hungria, sua tia, que tinha sido canonizada por Gregório IX, em 1235. Seu nascimento reconciliou seu avô e seu pai, cujas divergências perturbavam o reino. O rei Tiago, seu avô, encarregou-se de educar a netinha e a deixou, ao morrer, já penetrada das mais sublimes máximas da piedade, embora não tivesse ainda feito seis anos.
Pedro III, tendo subido ao trono de Aragão, colocou junto de sua filha somente pessoas virtuosas, cujos exemplos lhe pudessem servir continuamente de lição. A jovem princesa era de uma mansidão admirável de caráter, e só tinha prazer nas coisas que levavam a Deus. Era fazer-lhe grande prazer levá-la à Igreja, ou a algum exercício de religião. Desde a idade de oito anos, praticava mortificação: inutilmente, diziam-lhe que era muito jovem, para a induzirem a moderar o fervor. Como consequência desse fervor, tinha uma santa inveja de todos os que via fazer o bem. A mortificação dos sentidos, unia a da vontade, e um amor extraordinário à oração, a fim de obter a graça de reprimir suas paixões e mesmo prevenir-lhe as revoltas: nisso, conseguiu vencer-se perfeitamente e conquistar uma humildade profunda. Como a virtude lhe parecia mais preciosa que todas as vantagens, tinha horror a tudo o que fosse capaz de a dissipar, e mostrava-se inimiga declarada de todos os vãos divertimentos do mundo. Somente o canto dos salmos e dos hinos da Igreja não lhe era insípido; todos os dias recitava o breviário e o fazia com tanto cuidado como o eclesiástico mais fervoroso. Os pobres chamavam-na de mãe, pela sua caridade compassiva com a qual provia às suas necessidades.
Quando atingiu doze anos, casou-se com Dionísio, rei de Portugal. Esse príncipe tinha menos considerado nela a virtude, que o brilho do nascimento e as belas qualidades de corpo e de espírito; deixou-lhe, entretanto, a liberdade de se entregar aos seus exercícios e não pôde recusar sua admiração à piedade da esposa. Semelhante a Ester, a rainha de Portugal, não foi perturbada pelo aparato das grandezas humanas; fez sábia distribuição do tempo, para aliar os deveres do cristianismo aos de seu estado. Jamais faltava às suas práticas de devoção, a menos que não houvesse razões muito poderosas para a afastar de um plano, que ela mesma se tinha traçado. Todos os dias levantava-se bem cedo. Depois de uma longa meditação, rezava matinas, laudes e prima: depois, ouvia a missa, onde comungava frequentemente. Dizia também, todos os dias, o ofício da Virgem e o dos mortos. Retirava-se frequentemente ao seu oratório para fazer piedosas leituras; tinha também horas determinadas para seus afazeres domésticos, assim como para o cumprimento dos deveres para com o próximo. Seu trabalho consistia em fazer ornamentos para as igrejas ou coisas para uso dos pobres, no que era ajudada por suas damas de honra. Restavam-lhe somente alguns minutos para as conversas inúteis e outros divertimentos. Todo seu exterior revelava simplicidade. Era afável e cheia de bondade para com todos: possuía eminentemente o espírito de compunção e, muitas vezes, acontecia-lhe na oração derramar lágrimas abundantes. Mais de uma vez quiseram persuadi-la a moderar a austeridade; mas sempre respondia que a mortificação em nenhuma parte é mais necessária do que sobre o trono, onde tudo parece excitar e nutrir as paixões. Os jejuns prescritos pela Igreja não eram suficientes para seu fervor; jejuava todo o Advento e depois de São João Batista até a Assunção. Pouco tempo após, recomeçava nova quaresma, que durava até a festa de São Miguel.
A caridade pelos pobres era uma das virtudes que mais se admiravam em Santa Isabel. Por seus cuidados, os estrangeiros eram provistos de alojamento e de tudo o que lhes era necessário. Fazia uma cuidadosa indagação dos pobres vergonhosos e dava-lhes secretamente com que se alimentar e o necessário para viver segundo a própria condição. As moças pobres, e muitas vezes expostas ao perigo de ofender a Deus, encontravam em sua liberalidade um dote para casar-se, segundo sua condição. Visitava os enfermos, servia-os com as próprias mãos, curava-lhes as feridas mais asquerosas. Fez construir diversos estabelecimentos em várias partes do reino; fundou entre outros, em Coimbra, um hospital perto de seu palácio e em Torres-Novas, uma casa para mulheres arrependidas com um hospital para os enjeitados. Indiferente a tudo o que a ela se referia pessoalmente, ocupava-se somente com os meios de prodigalizar alívio aos infelizes e parecia viver unicamente para eles. Tantos cuidados não lhe impediam cumprir também os outros deveres. Amava e respeitava o marido, era-lhe submissa e suportava-lhe os defeitos com paciência.
Dionísio tinha excelentes qualidades: amava a justiça; era corajoso, humano e compassivo; mas guiava-se pelas máximas corrompidas do mundo e manchou a santidade do leito nupcial com amores ilegítimos. Isabel, menos atingida pela injúria que recebia, do que pela ofensa de Deus e pelo escândalo que disso resultava, rezava assiduamente, e fazia rezar pela sua conversão. Procurava ganhar o coração do marido pelos caminhos da doçura: interessava-se pela sorte dos filhos que tinha tido das outras mulheres e encarregava-se ela mesma, de os fazer educar. Tal procedimento fê-lo abrir os olhos. Ele renunciou às desordens e conservou sempre, depois, a fidelidade que devia à virtuosa esposa. Suas virtudes brilharam com novo resplendor depois da conversão. Tornou-se glória dela e ídolo dos súditos, que lhe deram o cognome de Liberal e de Pai da pátria. Instituiu a ordem de Cristo em 1318, fundou com magnificência verdadeiramente real a universidade de Coimbra e ornou o reino com edifícios públicos.
Pouco tempo depois o rei Dionísio que reinava havia quarenta anos, caiu doente. Isabel deu-lhe nessa ocasião as maiores demonstrações de dedicação e de afeto. Servia-o ela mesma, e quase nunca saía de seu quarto, a não ser para ir à Igreja. Mas seu principal cuidado era obter-lhe uma boa morte. Distribuiu, portanto, abundantes esmolas e mandou que se fizessem orações de todos os lados, na intenção de obter-se aquela graça. O rei, durante todo o curso da doença deu provas de uma sincera penitência. Morreu em Santarém, a 6 de janeiro de 1325. Depois que ele expirou, a rainha foi rezar em seu oratório particular; em seguida ela se consagrou ao serviço de Deus, tomando o hábito da ordem terceira de São Francisco. Assistiu aos funerais do marido e seguiu-lhe o corpo até à Igreja dos cistercienses de Odiveras, onde o príncipe tinha escolhido o sepulcro. Lá ficou por muito tempo, depois do que fez uma peregrinação a Compostela, de onde voltou a Odiveras, para celebrar o aniversário do rei.
Terminada a cerimônia, retirou-se a um mosteiro de clarissas que tinha começado a construir antes da morte do rei. Desejava consagrar-se à penitência pela profissão religiosa; mas disso foi dissuadida por motivos de caridade, pelo próximo e sobretudo pelos pobres. Assim, contentou-se em usar o hábito da ordem terceira de São Francisco e viver em uma casa ao lado do mosteiro, onde reuniu noventa religiosas; visitava-as frequentemente e as servia às vezes, com Beatriz, sua neta.
A febre de que ficou possuída, chegando, revelou logo que ela estava no fim da vida. Confessou-se várias vezes, recebeu o santo viático de joelhos, ao pé do altar, depois, o sacramento da Extrema-Unção. Mostrou durante toda sua doença uma grande devoção à Santa Virgem, que invocava mui frequentemente: parecia cheia de alegria e de consolação interior. Morreu nos braços do filho e da neta, a 4 de julho de 1336, na idade de sessenta e cinco anos. Enterraram-na entre as Clarissas de Coimbra e operaram-se vários milagres em sua sepultura. Em 1612 tiraram a terra que lhe cobria o corpo, que estava inteiro, e que está presentemente numa caixa magnífica. Urbano VIII canonizou a serva de Deus em 1625.
Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume XI. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 21 jun. 2021.
Santa Isabel de Portugal, Rogai por nós!

São Pier Giorgio Frassati (Memória Facultativa)
Local: Turim, Itália
Data: 04 de Julho † 1925
Pier Giorgio Frassati nasceu em Turim, no dia 6 de abril de 1901, em uma família rica e respeitada. Seu pai, Alfredo Frassati, era dono de um dos maiores jornais da Itália e chegou a ser senador; sua mãe, Adelaide, tinha profundo apreço pelas artes. Tudo indicava que Pier Giorgio teria uma vida cercada de privilégios e comodidades. Mas Deus traçou outro caminho para ele. Desde pequeno, Pier Giorgio demonstrava uma sensibilidade incomum para com o sofrimento alheio. Não buscava os aplausos do mundo, mas sim a alegria silenciosa de servir a Cristo nos pobres e abandonados.
Na adolescência e juventude, sua vida espiritual ganhou uma intensidade extraordinária. Participava diariamente da Santa Missa, comungava com profunda devoção e cultivava uma amizade filial com a Santíssima Virgem Maria, a quem recorria pelo Santo Rosário. Para Pier Giorgio, viver era estar em estado de graça, caminhar na pureza, lutar contra o pecado e fazer da fé um testemunho concreto.
Seu amor pelos pobres era sem medida. Visitava os doentes nos hospitais, levava alimentos e roupas às famílias necessitadas, e, muitas vezes, oferecia discretamente o que possuía: não foram raras as vezes em que voltou para casa sem o casaco, porque havia encontrado alguém com mais frio que ele. Jamais fazia alarde desses gestos. Vivia a caridade como quem respira: natural, simples e escondida, mas cheia de Cristo.
Ao mesmo tempo, era um jovem alegre, esportista, amante das montanhas, amigo sincero. Reunia colegas para subir os picos nevados dos Alpes, mas nunca sem antes convidá-los a rezar. Via a beleza da criação como um sinal que conduzia ao Criador, e aproveitava cada momento para testemunhar sua fé sem medo ou vergonha. Não se envergonhava do Evangelho, mesmo em ambientes hostis.
Mas a entrega de Pier Giorgio não ficou sem cruz. Aos 24 anos, contraiu uma poliomielite fulminante, provavelmente ao visitar os mais necessitados. Sofreu intensamente, mas não se revoltou. Pelo contrário, ofereceu sua dor em silêncio, com serenidade e confiança em Deus. No dia 4 de julho de 1925, entregou sua alma ao Senhor. Naquele funeral, Turim viu algo inesperado: milhares de pobres, famintos e doentes encheram as ruas para despedir-se daquele jovem que tinha sido para cada um deles uma presença concreta da misericórdia de Cristo.
Em 20 de maio de 1990, São João Paulo II o beatificou, chamando-o de “o homem das oito bem-aventuranças”. E, no dia 7 de setembro de 2025, a Igreja inteira se alegrou ao ver Pier Giorgio Frassati ser canonizado pelo Papa Leão XIV. Foi a primeira canonização de seu pontificado, um marco de graça para todo o povo de Deus. Naquele dia, a Igreja proclamou solenemente aquilo que já estava inscrito no coração de tantos fiéis: Pier Giorgio é exemplo seguro de santidade, modelo para os jovens e testemunho de que o caminho para o Céu passa pelo amor à Eucaristia, pela devoção a Nossa Senhora e pela caridade concreta aos irmãos.
Sua vida permanece como um chamado: viver de joelhos diante do altar e de mãos estendidas para os necessitados. Pier Giorgio Frassati mostra que a verdadeira grandeza não está na riqueza nem no prestígio, mas em ser todo de Cristo e todo para os outros.
São Pier Giorgio Frassati, rogai por nós!
Referências:
BIBLIOTECA CATÓLICA. Pier Giorgio Frassati: quem foi, vida e devoção. Disponível em: https://bibliotecacatolica.com.br/blog/devocao/pier-giorgio-frassati/. Acesso em: 6 set. 2025.
CAUSA DEI SANTI. Pier Giorgio Frassati. Disponível em: https://www.causesanti.va/it/santi-e-beati/pier-giorgio-frassati.html. Acesso em: 6 set. 2025.
VATICAN NEWS. Beato Pier Giorgio Frassati. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/07/04/beato-pier-giorgio-frassati.html. Acesso em: 6 set. 2025.


