Sábado da 5ª Semana da Quaresma
Antífona de entrada
Domine, ne longe fácias auxílium tuum a me, ad defensiónem meam áspice: líbera me de ore leónis, et a córnibus unicornuórum humilitátem meam. Ps. Deus, Deus meus, respice in me, quare me dereliquisti? longe a salute mea verba delictorum meorum. (Ps. 21, 20. 22 et 2)
Vernáculo:
Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro! Arrancai-me da goela do leão, e a mim tão pobre, desses touros que me atacam! Sl. Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? E ficais longe de meu grito e minha prece? (Cf. LH: Sl 21, 20. 22 e 2)
Coleta
Deus, que fizestes de todos os renascidos em Cristo uma nação santa e um sacerdócio régio, concedei-nos a vontade e a força de fazer o que ordenais, para que o povo chamado à eternidade seja concorde na fé e justo nas ações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Ez 37, 21-28
Leitura da Profecia de Ezequiel
21Assim diz o Senhor Deus: “Eu mesmo vou tomar os israelitas do meio das nações para onde foram, vou recolhê-los de toda parte e reconduzi-los para a sua terra.
22Farei deles uma nação única no país, nos montes de Israel, e apenas um rei reinará sobre todos eles. Nunca mais formarão duas nações, nem tornarão a dividir-se em dois reinos. 23Não se mancharão mais com os seus ídolos e nunca mais cometerão infames abominações. Eu os libertarei de todo o pecado que cometeram em sua infidelidade, e os purificarei. Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus.
24Meu servo Davi reinará sobre eles, e haverá para todos eles um único pastor. Viverão segundo meus preceitos e guardarão minhas leis, pondo-as em prática. 25Habitarão no país que dei a meu servo Jacó, onde moraram vossos pais; ali habitarão para sempre, também eles, com seus filhos e netos, e o meu servo Davi será o seu príncipe para sempre.
26Farei com eles uma aliança de paz, será uma aliança eterna. Eu os estabelecerei e multiplicarei, e no meio deles porei meu santuário para sempre. 27Minha morada estará junto deles. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 28Assim as nações saberão que eu, o Senhor, santifico Israel, por estar o meu santuário no meio deles para sempre”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Jr 31, 10. 11-12ab. 13 (R. cf. 10d)
℟. O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.
— Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes: “Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e o guardará qual pastor a seu rebanho!” ℟.
— Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e o libertou do poder do prepotente. Voltarão para o monte de Sião, entre brados e cantos de alegria afluirão para as bênçãos do Senhor: ℟.
— Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra. ℟.
℣. Lançai para bem longe toda a vossa iniquidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração! (Ez 18, 31) ℟.
Evangelho — Jo 11, 45-56
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 45muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele. 46Alguns, porém, foram ter com os fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. 47Então os sumos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho e disseram: “O que faremos? Este homem realiza muitos sinais. 48Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele, e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar Santo e a nossa nação”.
49Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote em função naquele ano, disse: “Vós não entendeis nada. 50Não percebeis que é melhor um só morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?” 51Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote em função naquele ano, profetizou que Jesus iria morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para reunir os filhos de Deus dispersos. 53A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus.
54Por isso, Jesus não andava mais em público no meio dos judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto, para a cidade chamada Efraim. Ali permaneceu com os seus discípulos. 55A Páscoa dos judeus estava próxima. Muita gente do campo tinha subido a Jerusalém para se purificar antes da Páscoa. 56Procuravam Jesus e, ao reunirem-se no Templo, comentavam entre si: “O que vos parece? Será que ele não vem para a festa?”
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Domine, vivífica me secúndum elóquium tuum: ut sciam testimónia tua. (Ps. 118, 154. 125)
Vernáculo:
Senhor, vivificai-me, segundo a vossa palavra e conhecereis teus ensinamentos. (Cf. MRQ: Sl 118, 154. 125)
Sobre as Oferendas
Acolhei, Senhor nós vos pedimos, as oferendas do nosso jejum; elas nos tornem dignos da graça do vosso perdão e nos conduzam às promessas eternas. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Aufer a me opprobrium et contemptum, quia mandata tua exquisivi, Domine: nam et testimonia tua meditatio mea est. (Ps. 118, 22. 24; ℣. Ps. 118, 1. 2. 39. 45. 77. 99. 100. 143)
Vernáculo:
Livrai-me do insulto e do desprezo, pois eu guardo as vossas ordens, ó Senhor. Minha alegria é a vossa Aliança, meus conselheiros são os vossos mandamentos. (Cf. LH: Sl 118, 22. 24)
Depois da Comunhão
Senhor, nós vos pedimos humildemente: assim como nos alimentais com o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, dai-nos participar da natureza divina. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 28/03/2026
A morte que nos dá a vida
O Evangelho de hoje nos mostra o conselho dos chefes do povo decididos a entregar à morte Aquele que é o Autor da vida. “É melhor um só morrer pelo povo”, profetiza Caifás, “do que perecer a nação inteira.”
Estamos às vésperas do Domingo de Ramos, e o Evangelho de hoje é a sentença de morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos no evangelho de São João, capítulo 11. Jesus acaba de ressuscitar Lázaro e diz: “Eu sou a ressurreição e a vida”.A reação dos judeus é quererem matar Lázaro e também Jesus. O sumo sacerdote, Caifás, então diz: “Vocês não entendem que é melhor que um único homem morra por toda a nação? Sem querer, Caifás profetiza.É interessante notar como o evangelista São João lhe ressalta a graça de estado. Caifás não estava em estado de graça. Infelizmente, era um pecador, não estava em estado de graça; mas era sumo sacerdote. Por isso, se ele não tinha o estado de graça, tinha ao menos a graça de estado, ou seja, por ser Caifás sumo sacerdote, Deus usa dele como de um instrumento. Mesmo sem sabê-lo, Caifás profetiza e dá-nos a chave de leitura de tudo o que irá acontecer daqui em diante, quando virmos Jesus crucificado.Inicia-se então o desencadear da história que irá culminar na Paixão, na morte de Jesus pelo povo. Sim, “convém que um morra pelo povo”. Sim, Jesus veio para isso, morrer e dar sua vida por nós. Foi para isso que Ele veio ao mundo. É na Cruz que encontramos a razão de ser da sua vida. Ele veio dar a vida, e dá-la em abundância.No entanto, poderíamos dizer que Ele dá a vida em dois sentidos. Em primeiro lugar, Ele dá a vida no sentido de perder a sua, isto é, Ele se entrega à morte para que nós sejamos salvos. Mas Ele dá a vida, em segundo lugar, porque nos dá uma outra vida, a vida do Céu, a vida eterna, que é vida em abundância: de fato, por sua morte, nós recebemos a vida. Nós nos aproximamos dos dias da semana derradeira de Cristo na terra, a Semana Santa.Nós nos aproximamos deste drama, um duelo entre a vida e a morte, por isso precisamos compreender que há um duelo também dentro de nós. Também nós somos um campo de batalha. Nesta semana maior que é a Semana Santa, veremos o bem e o mal, a vida e a morte, a luz e as trevas beligerantes, a lutar uma guerra e um tremendo duelo: Mors et vita duello conflixēre mirando, — “A vida e a morte travaram um duelo admirável”. E a vida vencerá!A pergunta, diante desta luta, deste drama que todos nós vivemos, não é quem irá vencer, se Deus, se o diabo; se a vida, se a morte. Sabemos que a vida vencerá, sabemos que Deus vencerá, sabemos que Cristo triunfará. A grande pergunta é: — De que lado estaremos quando Ele manifestar a sua glória?E então? Vamos nos decidir? Estaremos entre os derrotados, como Caifás, Herodes e Pilatos, que diante do mundo parecem ter poder e ser os vitoriosos e triunfantes, quando, na verdade, são os derrotados, ou nós estaremos do lado daquele que é vencedor porque é vítima? Sim, victor quia victima!Sejamos como Ele, vítimas de amor, para sairmos vencedores na Páscoa que virá.
Deus abençoe você!
Santo do dia 28/03/2026
São Guntrano (Memória Facultativa)
Local: Châlon-sur-Saône, França
Data: 28 de Março † 593
São Guntrano era filho do Rei Clotário e neto de Clóvis I e Santa Clotilde. Sendo ele o segundo rebento - enquanto um dos irmãos, Cariberto, reinava em Paris, e o outro, Sigeberto, reinava na Austrásia, ao mesmo tempo que residia em Metz - Guntrano foi coroado Rei de Orléans e Borgonha em 561, fazendo de Chalons sua capital. Quando incitado a pegar em armas contra os ambiciosos irmãos e os lombardos, não tirou nenhum outro proveito de suas vitórias (sob a conduta de um bravo general chamado Mommol) senão trazer a paz aos seus domínios.
Apagou com lágrimas de arrependimento os crimes em que acabara se envolvendo pelos bárbaros costumes de seu país. A prosperidade do reino de S. Guntrano, tanto na paz quanto na guerra, condena aqueles que pensam que a politica humana não pode ser modelada segundo as máximas do Evangelho, quando na verdade nada mais pode tornar um governo tão próspero. Sempre tratou os pastores da Igreja com respeito e veneração. Era protetor dos oprimidos e adorável padrinho dos súditos. Dedicava a maior atenção ao cuidado dos doentes. Jejuava, orava, derramava lágrimas e oferecia-se a Deus dia e noite como uma vítima pronta para ser sacrificada no altar da Sua justiça, de modo a aplacar-lhe a ira, que o próprio Guntrano acreditava ter provocado e atraído sobre o povo inocente. Era um severo punidor dos crimes de seus oficiais e restringiu com excelentes regras a bárbara libertinagem de suas tropas; ao mesmo tempo, nenhum outro homem concedia tão facilmente seu perdão. Com magnificência monárquica, construiu e dotou de recursos muitas igrejas e mosteiros.
Este bom rei faleceu a 23 de março de 593, aos 68 anos de vida, tendo reinado 31 anos e alguns meses.
REFLEXÃO
Não há meio de salvação mais confiável que praticar a misericórdia, conforme o disse Nosso Senhor: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5, 7).
BUTLER, Alban. Vida dos Santos: para todos os dias do ano. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2021. 560 p. Tradução de: Emílio Costaguá. Adaptação: Equipe Pocket Terço.
São Guntrano, rogai por nós!


