Evangelização

A murmuração que fecha portas espirituais e afasta as bênçãos de Deus

por Thiago Zanetti em 16/01/2026 • Você e mais 87 pessoas leram este artigo Comentar


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Tempo de leitura: 4 minutos

A Sagrada Escritura trata a reclamação constante como algo sério, com consequências espirituais reais. Murmurar não é apenas expressar cansaço ou dor, mas manifestar um coração que perdeu a confiança na providência de Deus. Por isso, a Bíblia adverte com firmeza: “Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e, por isso, foram mortos pelo Exterminador” (1Cor 10,10). A murmuração aparece como causa de afastamento da graça e de perda do caminho prometido.

O exemplo mais claro é o povo de Israel no deserto. Mesmo após a libertação do Egito e inúmeros sinais divinos, o povo reclamava constantemente. A Escritura registra que “O Senhor ouviu as vossas murmurações. Encheu-se de ira” (Dt 1,34) e, como consequência, aquela geração não entrou na Terra Prometida. Não foi a ausência de promessa, mas a incredulidade alimentada pela reclamação que fechou as portas do cumprimento.

No Novo Testamento, São Paulo exorta os cristãos a uma atitude oposta à murmuração: “Fazei tudo sem murmurar nem questionar” (Fl 2,14). Essa orientação revela que a reclamação corrói a vida comunitária e enfraquece a fé pessoal. Quando o coração se habitua a reclamar, perde-se a capacidade de reconhecer a ação de Deus mesmo nas provações.

O Papa Francisco no exortação apostólica Evangelii Gaudium afirmou: “Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre”.

A murmuração constante fere essa confiança, pois revela dificuldade em esperar e abandonar-se à vontade divina. A gratidão é uma disposição fundamental da oração. Onde não há gratidão, a vida espiritual se enfraquece.

Os documentos da Igreja alertam para o perigo espiritual da reclamação. Francisco, mais uma vez, na exortação apostólica Gaudete et Exsultate, afirma: “O mundo das murmurações, feito por pessoas que se dedicam a criticar e destruir, não constrói a paz. Pelo contrário, tais pessoas são inimigas da paz e, de modo nenhum, bem-aventuradas” (n. 87).

Essa advertência mostra que reclamar não é algo neutro, mas um hábito que intoxica a alma e impede o crescimento na santidade.

Reclamar fecha portas porque desvia o olhar de Deus para a falta, da promessa para o problema, da confiança para o medo. A murmuração gera amargura interior e conduz facilmente à desobediência, pois quem não confia também não aceita os caminhos do Senhor. Por isso, a Escritura exorta: “Dai graças em toda e qualquer situação, porque está é a vontade de Deus, no Cristo Jesus, a vosso respeito” (1Ts 5,18).

A gratidão, ao contrário, abre caminhos espirituais. Ela não nega o sofrimento, mas reconhece que Deus permanece fiel. O cristão amadurece quando aprende a substituir a reclamação pela confiança, certo de que, mesmo no deserto, o Senhor continua conduzindo o seu povo rumo às Suas promessas.

Thiago Zanetti

Por Thiago Zanetti
Jornalista, copywriter e escritor católico. Graduado em Jornalismo e Mestre em História Social das Relações Políticas, ambos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). É autor dos livros Beleza (UICLAP, 2025), Mensagens de Fé e Esperança (UICLAP, 2025), Deus é a resposta de nossas vidas (Palavra & Prece, 2012) e O Sagrado: prosas e versos (Flor & Cultura, 2012).
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