Solenidades e Festas
Santa Maria, Mãe de Deus: por que esse título é central para a fé cristã
por Thiago Zanetti em 01/01/2026 • Você e mais 32 pessoas leram este artigo Comentar
Tempo de leitura: 5 minutos
No dia 1º de janeiro, a Igreja celebra a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Mais do que uma devoção mariana, este título toca o coração da fé cristã. Chamá-la de Mãe de Deus não é um exagero piedoso nem uma expressão simbólica. Trata-se de uma verdade doutrinal que protege o núcleo do cristianismo: quem é Jesus Cristo.
Compreender esse título é essencial para entender corretamente a Encarnação, a identidade de Cristo e o próprio plano da salvação.
O que significa dizer que Maria é Mãe de Deus
Quando a Igreja proclama Maria como Mãe de Deus, ela não afirma que Maria é origem da divindade ou anterior a Deus. O que se afirma é algo muito mais preciso: Maria é mãe da Pessoa de Jesus Cristo, e Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Na fé cristã, Jesus não é duas pessoas, uma divina e outra humana. Ele é uma única Pessoa, o Filho eterno do Pai, que assumiu a natureza humana no seio da Virgem Maria. Assim, aquela que é mãe dessa Pessoa é, com toda verdade, Mãe de Deus.
O Catecismo da Igreja Católica expressa isso de forma clara e definitiva:
“Denominada nos Evangelhos ‘a Mãe de Jesus’ (Jo 2,1; 19,25). Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como ‘a Mãe do meu Senhor’ (Lc 1,43). Com efeito, Aquele que ela concebeu do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus (Theotókos)” (CIC, 495).
Este ensinamento não exalta Maria acima de Deus, mas defende a verdade sobre Cristo.
A origem do título Mãe de Deus na Igreja
O título Mãe de Deus, em grego Theotokos, foi solenemente afirmado no Concílio de Éfeso, no ano 431. Naquele contexto, a Igreja enfrentava uma grave confusão doutrinal que separava excessivamente a humanidade e a divindade de Cristo.
Ao proclamar Maria como Mãe de Deus, a Igreja protegeu a fé na unidade da Pessoa de Cristo. Negar esse título levaria, inevitavelmente, a afirmar que Maria teria dado à luz apenas um homem, e que a divindade teria se unido a ele depois. Isso destruiria o mistério da Encarnação.
Portanto, o dogma mariano nasce, na verdade, de uma afirmação cristológica. Defender Maria como Mãe de Deus é defender que Jesus é Deus desde o primeiro instante de sua concepção humana.
Fundamento bíblico da maternidade divina
A Sagrada Escritura sustenta essa verdade de modo claro, ainda que não utilize diretamente a expressão Mãe de Deus.
No Evangelho de Lucas, Isabel proclama:
“Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1,43)
Na tradição bíblica, chamar alguém de “meu Senhor” é reconhecer nele a autoridade divina. Isabel, movida pelo Espírito Santo, reconhece em Maria a mãe daquele que é o Senhor.
São Paulo também afirma:
“Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei” (Gl 4,4)
O Filho enviado é eterno e divino. Ele nasce de uma mulher. Essa mulher é Maria.
Por que esse título é central para a fé cristã
O título Mãe de Deus não é secundário nem opcional. Ele garante verdades fundamentais da fé:
Primeiro, afirma que Jesus é verdadeiramente Deus.
Segundo, afirma que Jesus é verdadeiramente homem.
Terceiro, afirma que essas duas naturezas estão unidas em uma única Pessoa.
Se Maria não fosse Mãe de Deus, Cristo não seria plenamente Deus desde o início de sua vida humana. E se Cristo não fosse plenamente Deus, a redenção não teria valor infinito.
Assim, o título mariano protege a fé na salvação.
O que essa verdade muda na vida do cristão
Reconhecer Maria como Mãe de Deus não é apenas aceitar um dogma, mas acolher uma realidade espiritual profunda. Deus quis precisar de uma mãe. Deus quis entrar na história por meio da obediência, da fé e da entrega de uma mulher.
Ao confiar Maria à Igreja como Mãe, Cristo também nos ensina o caminho da humildade, da escuta e da confiança total em Deus.
Começar o ano celebrando Santa Maria, Mãe de Deus, é lembrar que a fé cristã não se apoia em ideias abstratas, mas em um Deus que se fez carne, entrou na história e se deixou carregar nos braços de uma mãe.
Maria, Mãe de Deus, guarda o centro da nossa fé: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Salvador do mundo.

Por Thiago Zanetti
Jornalista, copywriter e escritor católico. Graduado em Jornalismo e Mestre em História Social das Relações Políticas, ambos pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). É autor dos livros Beleza (UICLAP, 2025), Mensagens de Fé e Esperança (UICLAP, 2025), Deus é a resposta de nossas vidas (Palavra & Prece, 2012) e O Sagrado: prosas e versos (Flor & Cultura, 2012).
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