4ª feira da 8ª Semana do Tempo Comum
Memória Facultativa
Santo Agostinho de Cantuária, Bispo
Antífona de entrada
Factus est Dóminus protéctor meus, et edúxit me in latitúdinem: salvum me fecit, quóniam vóluit me. Ps. Díligam te Dómine fortitúdo mea: Dóminus firmaméntum meum, et refúgium meum, et liberátor meus. (Ps. 17, 19. 20 et 2-3)
Vernáculo:
O Senhor tornou-se meu protetor e me conduziu para um lugar espaçoso; ele me salvou, porque me ama. (Cf. MR: Sl 17, 19-20) Sl. Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, minha rocha, meu refúgio e Salvador! (Cf. LH: Sl 17, 2-3a)
Coleta
Fazei, Senhor, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais, e vossa Igreja vos possa servir alegre e tranquila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 1Pd 1, 18-25
Leitura da Primeira Carta de São Pedro
Caríssimos,18sabeis que fostes resgatadosda vida fútil herdada de vossos pais,não por meio de coisas perecíveis,como a prata ou o ouro,19mas pelo precioso sangue de Cristo,como de um cordeiro sem mancha nem defeito.20Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso,e neste final dos tempos, ele apareceu,por amor de vós.21Por ele é que alcançastes a fé em Deus.Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória,e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus.
22Pela obediência à verdade, purificastes as vossas almas,para praticar um amor fraterno sem fingimento.Amai-vos, pois, uns aos outros,de coração e com ardor.23Nascestes de novo,não de uma semente corruptível, mas incorruptível,mediante a palavra de Deus, viva e permanente.24Com efeito,“toda carne é como erva,e toda a sua glória como a flor da erva;secou-se a erva, cai a sua flor. 25Mas a palavra do Senhor permanece para sempre”.Ora, esta palavra é a que vos foi anunciada no Evangelho.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 147(147B), 12-13. 14-15. 19-20 (R. 12a)
℟. Glorifica o Senhor, Jerusalém!
— Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou; ℟.
— a paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. ℟.
— Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos, suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos. ℟.
℣. Veio o Filho do Homem, a fim de servir e dar sua vida em resgate por muitos. (Mc 10, 45) ℟.
Evangelho — Mc 10, 32-45
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo,32os discípulos estavam a caminho, subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele:33“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos.34Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará”.35Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir”.36Ele perguntou: “O que quereis que eu vos faça?”37Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!”38Jesus então lhes disse: “Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?”39Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado.40Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado”.41Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João.42Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam.43Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo;44e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos.45Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Domine convértere, et éripe ánimam meam: salvum me fac propter misericórdiam tuam. (Ps. 6, 5)
Vernáculo:
Oh! voltai-vos a mim e poupai-me, e salvai-me por vossa bondade! (Cf. LH: Sl 6, 5)
Sobre as Oferendas
Ó Deus, que nos dais o que oferecemos, e aceitais nossa oferta como um gesto de amor, fazei que os vossos dons, nossa única riqueza, frutifiquem para nós em prêmio eterno. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Ou:
Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo, aleluia. (Mt 28, 20)
Qui mihi minístrat, me sequátur: et ubi ego sum, illic et miníster meus erit. (Io. 12, 26; ℣. Ps. 16, 1ab. 1cd. 2. 3. 5. 6. 7. 8-9a)
Vernáculo:
Aquele que me serve, siga-me; e onde eu estiver, estará também o meu servidor, diz o Senhor. (Cf. MR: Jo 12, 26)
Depois da Comunhão
Saciados pelo dom que nos salva, imploramos, Senhor, a vossa misericórdia, e pedimos que, pelo mesmo sacramento no qual nos alimentais neste mundo, nos leveis benigno a participar da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 27/05/2026
Surdos ao amor de Cristo
O que Jesus quer hoje de nós é um coração atento, senhor de si e capaz de ordenar, com a ajuda da graça, as paixões desordenadas que latem em nosso interior.
Ao anunciar no Evangelho de hoje a iminência de sua dolorosíssima Paixão, o que Jesus encontra no coração dos discípulos é a mais grosseira incompreensão. Após descrever os acontecimentos centrais de seu mistério pascal, o Senhor é interrogado por Tiago e João se lhes poderia ser concedido, assim que for instaurado seu Reino de glória, sentar-se um à direita e outro à esquerda de seu trono. Esse episódio retrata, de forma bastante expressiva, até que ponto nossas paixões desordenadas — no caso dos filhos de Zebedeu, o afã de honra e poder; no dos outros Apóstolos, o ciúme e o espírito de rixa — nos podem tornar surdos à palavra de Deus. Distraídos por nossas ninharias, por nossas preocupações às vezes tão mundanas e desimportantes, somos incapazes de enxergar que o Senhor quer nos dar o seu amor, iluminando-nos com sua graça e reservando-nos o melhor lugar dentro de seu SS. Coração. Quantas vezes, ao nos pormos em oração diante do sacrário, nos comportamos como os filhos de Zebedeu: enquanto Jesus sacramentado tenta confidenciar-nos as doçuras de seu amor, nossa imaginação vaga, incontrolável, entre contas a pagar e preocupações com o futuro! Mas assim como a frustração de ver morto e pregado a uma cruz o Senhor em que tanto confiaram foi para os Apóstolos ocasião de purificação, assim também nossos problemas e dificuldades são um meio de que Deus se serve para pôr em ordem nosso mundo interior tão conturbado. Que saibamos, pois, perseverar na oração e apresentar a Cristo, sempre tão paciente conosco, nossa incapacidade de rezar sem o auxílio da graça. Que Ele, cujo amor eucarístico celebraremos amanhã na solenidade de Corpus Christi, nos ajude a acompanhá-lo até suas dores em Jerusalém, a fim de podermos participar da glória de sua Ressurreição.
Deus abençoe você!
Santo do dia 27/05/2026
Santo Agostinho de Cantuária, Bispo (Memória Facultativa)
Local: Cantuária, Inglaterra
Data: 27 de Maio † 604/605
A Grã-Bretanha, evangelizada desde os tempos apostólicos (o primeiro missionário que lá desembarcou teria sido, segundo uma lenda, José de Arimateia), havia recaído na idolatria após a invasão dos saxões no século V e no VI. Quando o rei do Kent, Etelberto, desposou a princesa cristã Berta, filha do rei de Paris, ela mandou que fosse edificada uma igreja e alguns padres católicos viessem celebrar os sagrados ritos. Recebendo a notícia, o papa Gregório Magno julgou que os tempos estavam maduros para a evangelização da ilha. A missão foi confiada ao prior do mosteiro beneditino de santo André, Agostinho, cuja principal qualidade não deve ter sido a coragem, mas em compensação era muito humilde e dócil.
Partiu de Roma à frente de quarenta monges em 597. Fez uma parada na ilha de Lerins. As informações sobre o temperamento belicoso dos saxões amedrontaram-no de tal modo que voltou a Roma para suplicar ao papa que mudasse de programa. Para encorajá-lo Gregório nomeou-o abade e pouco depois, para fazê-lo dar o passo decisivo, apenas chegando na Gália, fez que fosse sagrado bispo. A viagem ocorreu igualmente em breves etapas. Por fim, com a chegada da primavera, lançaram-se ao largo e chegaram à ilha britânica de Thenet, onde o rei, movido pela boa esposa, foi pessoalmente encontrá-los.
Os missionários aproximavam-se do cortejo real em procissão ao canto das ladainhas, segundo o ritual introduzido recentemente em Roma. Para todos foi uma feliz surpresa. O rei acompanhou os monges até à residência já fixada em Canterbury, no meio da estrada entre Londres e o mar, onde surgiu a célebre abadia que tomará o nome de Agostinho, coração e sacrário do cristianismo inglês. A obra missionária dos monges teve êxito inesperado, pois o próprio rei pediu o batismo, arrastando com o seu exemplo milhares de súditos a abraçarem a religião cristã.
Em Roma a notícia foi recebida com alegria pelo papa, que expressou sua satisfação nas cartas escritas a Agostinho e à rainha. Juntamente com um grupo de novos colaboradores, o santo pontífice enviou a Agostinho o pálio e a nomeação de arcebispo primaz da Inglaterra, mas ao mesmo tempo admoestava-o paternalmente a não se ensoberbecer pelos sucessos obtidos e pela honra do alto cargo que lhe conferia. Seguindo as tradições do papa quanto à repartição dos territórios eclesiásticos, Agostinho erigiu outras duas sedes episcopais, a de Londres e a de Rochester, consagrando bispos Melito e Justo. O santo missionário morreu a 26 de maio de 604 e foi sepultado em Canterbury na igreja que traz o seu nome.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
Santo Agostinho de Cantuária, rogai por nós!


