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Memória Facultativa

Santa Isabel de Portugal

Antífona de entrada

Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Vosso louvor se estenda, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos. (Sl 47, 10-11)
Suscépimus, Deus, misericórdiam tuam in médio templi tui: secúndum nomen tuum Deus, ita et laus tua in fines terrae: iustítia plena est déxtera tua. Ps. Magnus Dóminus et laudábilis nimis: in civitáte Dei nostri, in monte sancto eius. (Ps. 47, 10. 11 et 2)
Vernáculo:
Recebemos, ó Deus, a vossa misericórdia no meio do vosso templo. Vosso louvor se estenda, como o vosso nome, até os confins da terra; toda a justiça se encontra em vossas mãos. (Cf. MR: Sl 47, 10-11) Sl. Grande é o Senhor e muito digno de louvores na cidade onde ele mora; seu monte santo, esta colina encantadora. (Cf. LH: Sl 47, 2. 3a)

Oração do dia

Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura (Os 2, 16. 17b-18. 21-22)


Leitura da Profecia de Oseias


Assim fala o Senhor: 16“Eis que eu a vou seduzir, levando-a à solidão, onde lhe falarei ao coração; 17be ela aí responderá ao compromisso, como nos dias de sua juventude, nos dias da sua vinda da terra do Egito.

18Acontecerá nesse dia, diz o Senhor, que ela me chamará ‘Meu marido’, e não mais chamará ‘Meu Baal’. 21Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça e conforme as práticas da misericórdia. 22Eu te desposarei para manter fidelidade e tu conhecerás o Senhor.

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


Salmo Responsorial (Sl 144)


℟. Misericórdia e piedade é o Senhor.


— Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza. ℟.

— Uma idade conta à outra vossas obras e publica os vossos feitos poderosos; proclamam todos o esplendor de vossa glória e divulgam vossas obras portentosas! ℟.

— Narram todos vossas obras poderosas, e de vossa imensidade todos falam. Eles recordam vosso amor tão grandioso e exaltam, ó Senhor, vossa justiça. ℟.

— Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura. ℟.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar, pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis. (Cf. 2Tm 1, 10) ℟.

Evangelho (Mt 9, 18-26)


℣. O Senhor esteja convosco.

℟. Ele está no meio de nós.


℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo  segundo Mateus 

℟. Glória a vós, Senhor.


18Enquanto Jesus estava falando, um chefe aproximou-se, inclinou-se profundamente diante dele, e disse: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe tua mão sobre ela e ela viverá”.

19Jesus levantou-se e o seguiu, junto com os seus discípulos. 20Nisto, uma mulher que sofria de hemorragia há doze anos veio por trás dele e tocou a barra do seu manto. 21Ela pensava consigo: “Se eu conseguir ao menos tocar no manto dele, ficarei curada”. 22Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse: “Coragem, filha! A tua fé te salvou”. E a mulher ficou curada a partir daquele instante. 23Chegando à casa do chefe, Jesus viu os tocadores de flauta e a multidão alvoroçada, 24e disse: “Retirai-vos, porque a menina não morreu, mas está dormindo”. E começaram a caçoar dele.25Quando a multidão foi afastada, Jesus entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou. 26Essa notícia espalhou-se por toda aquela região.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Antífona do Ofertório

Populum húmilem salvum fácies, Dómine, et óculos superbórum humiliábis: quóniam quis Deus praeter te, Dómine? (Ps. 17, 28. 32)


Vernáculo:
Pois salvais, ó Senhor Deus, o povo humilde, mas os olhos dos soberbos humilhais. Quem é deus além de Deus nosso Senhor? (Cf. LH: Sl 17, 28. 32a)

Sobre as Oferendas

Possamos, ó Deus, ser purificados pela oferenda que vos consagramos; que ela nos leve, cada vez mais, a viver a vida do vosso reino. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão

Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! (Sl 33, 9)

Ou:


Vinde a mim, vós todos os que sofreis e estais curvados sob os vossos fardos, e eu vos aliviarei, diz o Senhor. (Mt 11, 28)
Gustáte et vidéte, quóniam suávis est Dóminus: beátus vir, qui sperat in eo. (Ps. 33, 9; ℣. Ps. 33, praeter ℣. 9)
Vernáculo:
Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio! (Cf. MR: Sl 33, 9)

Depois da Comunhão

Nós vos pedimos, ó Deus, que, enriquecidos por essa tão grande dádiva, possamos colher os frutos da salvação sem jamais cessar vosso louvor. Por Cristo, nosso Senhor.

Homilia do dia 04/07/2022
A filha de Jairo e a nossa comunhão

Depois de ser expulso da cidade dos gadarenos, Jesus retorna a Cafarnaum e realiza ali dois milagres muito conhecidos: a cura da hemorroíssa e a ressurreição da filha de Jairo. Estes dois prodígios, além de expressarem o poder e a missão do Senhor, simbolizam também as duas disposições com que temos de receber a Jesus sacrame...

O Evangelho narra-nos hoje dois milagres de Nosso Senhor: de um lado, a cura da hemorroíssa; de outro, a ressurreição da filha de Jairo. Assistimos aqui, na cidade de Cafarnaum, a uma turba alvoroçada e desejosa de ver os portentos dAquele taumaturgo, cuja fama, comprovada pelos inúmeros prodígios relatados, já se espalhara pela região. Muitos se acotovelam impacientes para poder tocar em Jesus, no qual, ainda que o pareça, não crêem sinceramente; movidos mais por curiosidade que por fé, desejam apenas ter o que admirar e contar aos vizinhos. Só uma mulher, dentre toda aquela gente, tem fé o bastante para merecer ouvir do Salvador: "Coragem, filha! A tua fé te salvou". Vemos neste episódio muito bem retratada a situação em que infelizmente se encontram tantos fiéis: apressam-se nas igrejas para ir à fila da comunhão, recebem a Cristo sacramentado — muitas vezes sem reverência e recolhimento — e voltam-se para seus bancos, indiferentes ao Corpo em que tocaram, ao Sangue que beberam, ao Hóspede que receberam.

Mas o Senhor, que nos chama amigos e quer ter conosco verdadeira intimidade, ressuscita em seguida a filha de Jairo; e para indiciar o recolhimento com que O temos de tratar, leva consigo ao quarto da menina os dois discípulos prediletos: São João e São Pedro, em quem ficaram gravadas para sempre as palavras que ali ouviram: "Talítha kum!" (cf. Mc 5, 41). Que também nós possamos corresponder a este desejo de Jesus de recebê-lO na Eucaristia com fé, reverência, silêncio e recolhimento. Deixêmo-lO conduzir-nos ao quarto das nossas enfermidades, ao aposento escondido do nosso coração; ouçamos o que Ele nos tem a dizer e demos-Lhe toda a liberdade para curar-nos, ressuscitar-nos, trazer-nos de volta à vida da graça, se desgraçadamente a perdemos. Seja este, pois, o nosso propósito para o dia de hoje — comungar com fé e devoção, reservando um tempo generoso para estar aos pés de Cristo, em diálogo íntimo, franco e amoroso.

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Santo do dia 04/07/2022


Santa Isabel de Portugal (Memória Facultativa)
Local: Estremoz, Portugal
Data: 04 de Julho † 1336


Teve por pai, Pedro III, rei de Aragão, e por mãe, Constância, filha de Mainfroi, filho do imperador Frederico II. Nasceu no ano 1271 e foi chamada no batismo de Isabel, de Santa Isabel, da Hungria, sua tia, que tinha sido canonizada por Gregório IX, em 1235. Seu nascimento reconciliou seu avô e seu pai, cujas divergências perturbavam o reino. O rei Tiago, seu avô, encarregou-se de educar a netinha e a deixou, ao morrer, já penetrada das mais sublimes máximas da piedade, embora não tivesse ainda feito seis anos.

Pedro III, tendo subido ao trono de Aragão, colocou junto de sua filha somente pessoas virtuosas, cujos exemplos lhe pudessem servir continuamente de lição. A jovem princesa era de uma mansidão admirável de caráter, e só tinha prazer nas coisas que levavam a Deus. Era fazer-lhe grande prazer levá-la à Igreja, ou a algum exercício de religião. Desde a idade de oito anos, praticava mortificação: inutilmente, diziam-lhe que era muito jovem, para a induzirem a moderar o fervor. Como consequência desse fervor, tinha uma santa inveja de todos os que via fazer o bem. A mortificação dos sentidos, unia a da vontade, e um amor extraordinário à oração, a fim de obter a graça de reprimir suas paixões e mesmo prevenir-lhe as revoltas: nisso, conseguiu vencer-se perfeitamente e conquistar uma humildade profunda. Como a virtude lhe parecia mais preciosa que todas as vantagens, tinha horror a tudo o que fosse capaz de a dissipar, e mostrava-se inimiga declarada de todos os vãos divertimentos do mundo. Somente o canto dos salmos e dos hinos da Igreja não lhe era insípido; todos os dias recitava o breviário e o fazia com tanto cuidado como o eclesiástico mais fervoroso. Os pobres chamavam-na de mãe, pela sua caridade compassiva com a qual provia às suas necessidades.

Quando atingiu doze anos, casou-se com Dionísio, rei de Portugal. Esse príncipe tinha menos considerado nela a virtude, que o brilho do nascimento e as belas qualidades de corpo e de espírito; deixou-lhe, entretanto, a liberdade de se entregar aos seus exercícios e não pôde recusar sua admiração à piedade da esposa. Semelhante a Ester, a rainha de Portugal, não foi perturbada pelo aparato das grandezas humanas; fez sábia distribuição do tempo, para aliar os deveres do cristianismo aos de seu estado. Jamais faltava às suas práticas de devoção, a menos que não houvesse razões muito poderosas para a afastar de um plano, que ela mesma se tinha traçado. Todos os dias levantava-se bem cedo. Depois de uma longa meditação, rezava matinas, laudes e prima: depois, ouvia a missa, onde comungava frequentemente. Dizia também, todos os dias, o ofício da Virgem e o dos mortos. Retirava-se frequentemente ao seu oratório para fazer piedosas leituras; tinha também horas determinadas para seus afazeres domésticos, assim como para o cumprimento dos deveres para com o próximo. Seu trabalho consistia em fazer ornamentos para as igrejas ou coisas para uso dos pobres, no que era ajudada por suas damas de honra. Restavam-lhe somente alguns minutos para as conversas inúteis e outros divertimentos. Todo seu exterior revelava simplicidade. Era afável e cheia de bondade para com todos: possuía eminentemente o espírito de compunção e, muitas vezes, acontecia-lhe na oração derramar lágrimas abundantes. Mais de uma vez quiseram persuadi-la a moderar a austeridade; mas sempre respondia que a mortificação em nenhuma parte é mais necessária do que sobre o trono, onde tudo parece excitar e nutrir as paixões. Os jejuns prescritos pela Igreja não eram suficientes para seu fervor; jejuava todo o Advento e depois de São João Batista até a Assunção. Pouco tempo após, recomeçava nova quaresma, que durava até a festa de São Miguel.

A caridade pelos pobres era uma das virtudes que mais se admiravam em Santa Isabel. Por seus cuidados, os estrangeiros eram provistos de alojamento e de tudo o que lhes era necessário. Fazia uma cuidadosa indagação dos pobres vergonhosos e dava-lhes secretamente com que se alimentar e o necessário para viver segundo a própria condição. As moças pobres, e muitas vezes expostas ao perigo de ofender a Deus, encontravam em sua liberalidade um dote para casar-se, segundo sua condição. Visitava os enfermos, servia-os com as próprias mãos, curava-lhes as feridas mais asquerosas. Fez construir diversos estabelecimentos em várias partes do reino; fundou entre outros, em Coimbra, um hospital perto de seu palácio e em Torres-Novas, uma casa para mulheres arrependidas com um hospital para os enjeitados. Indiferente a tudo o que a ela se referia pessoalmente, ocupava-se somente com os meios de prodigalizar alívio aos infelizes e parecia viver unicamente para eles. Tantos cuidados não lhe impediam cumprir também os outros deveres. Amava e respeitava o marido, era-lhe submissa e suportava-lhe os defeitos com paciência.

Dionísio tinha excelentes qualidades: amava a justiça; era corajoso, humano e compassivo; mas guiava-se pelas máximas corrompidas do mundo e manchou a santidade do leito nupcial com amores ilegítimos. Isabel, menos atingida pela injúria que recebia, do que pela ofensa de Deus e pelo escândalo que disso resultava, rezava assiduamente, e fazia rezar pela sua conversão. Procurava ganhar o coração do marido pelos caminhos da doçura: interessava-se pela sorte dos filhos que tinha tido das outras mulheres e encarregava-se ela mesma, de os fazer educar. Tal procedimento fê-lo abrir os olhos. Ele renunciou às desordens e conservou sempre, depois, a fidelidade que devia à virtuosa esposa. Suas virtudes brilharam com novo resplendor depois da conversão. Tornou-se glória dela e ídolo dos súditos, que lhe deram o cognome de Liberal e de Pai da pátria. Instituiu a ordem de Cristo em 1318, fundou com magnificência verdadeiramente real a universidade de Coimbra e ornou o reino com edifícios públicos.

Pouco tempo depois o rei Dionísio que reinava havia quarenta anos, caiu doente. Isabel deu-lhe nessa ocasião as maiores demonstrações de dedicação e de afeto. Servia-o ela mesma, e quase nunca saia de seu quarto, a não ser para ir à Igreja. Mas seu principal cuidado era obter-lhe uma boa morte. Distribuiu, portanto, abundantes esmolas e mandou se fizessem orações de todos os lados, na intenção de obter-se aquela graça. O rei, durante todo o curso da doença deu provas de uma sincera penitência. Morreu em Santarém, a 6 de janeiro de 1325. Depois que ele expirou, a rainha foi rezar em seu oratório particular; em seguida ela se consagrou ao serviço de Deus, tomando o hábito da ordem terceira de São Francisco. Assistiu aos funerais do marido e seguiu-lhe o corpo até à Igreja dos cistercienses de Odiveras, onde o príncipe tinha escolhido o sepulcro. Lá ficou por muito tempo, depois do que fez uma peregrinação a Compostela, de onde voltou a Odiveras, para celebrar o aniversário do rei.

Terminada a cerimônia, retirou-se a um mosteiro de clarissas que tinha começado a construir antes da morte do rei. Desejava consagrar-se à penitência pela profissão religiosa; mas disso foi dissuadida por motivos de caridade, pelo próximo e sobretudo pelos pobres. Assim, contentou-se em usar o hábito da ordem terceira de São Francisco e viver em uma casa ao lado do mosteiro, onde reuniu noventa religiosas; visitava-as frequentemente e as servia às vezes, com Beatriz, sua neta.

A febre de que ficou possuída, chegando, revelou logo que ela estava no fim da vida. Confessou-se várias vezes, recebeu o santo viático de joelhos, ao pé do altar, depois, o sacramento da Extrema-Unção. Mostrou durante toda sua doença uma grande devoção à Santa Virgem, que invocava mui frequentemente: parecia cheia de alegria e de consolação interior. Morreu nos braços do filho e da neta, a 4 de julho de 1336, na idade de sessenta e cinco anos. Enterraram-na entre as Clarissas de Coimbra e operaram-se vários milagres em sua sepultura. Em 1612 tiraram a terra que lhe cobria o corpo, que estava inteiro, e que está presentemente numa caixa magnífica. Urbano VIII canonizou a serva de Deus em 1625.

Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume XI. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 21 jun. 2021.