Antífona de Entrada:
Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos; e toda língua proclame, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor! (Fl 2,10s)

Oração do Dia:
Ó Deus, que escolhestes Inácio de Azevedo e seus trinta e nove companheiros para regarem com seu sangue as primeiras sementes do evangelho lançadas na Terra de Santa Cruz, concedei-nos professar constantemente, para vossa maior glória, a fé que recebemos de nossos antepassados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Primeira Leitura (Is 38,1-6.21-22.7-8)


Leitura do Livro do Profeta Isaías.

1Naqueles dias, Ezequias foi acometido de uma doença mortal. Foi visitá-lo o profeta Isaías, filho de Amós, e disse-lhe: “Isto diz o Senhor: Arruma as coisas de tua casa, pois vais morrer e não viverás”. 2Então Ezequias virou o rosto contra a parede e orou ao Senhor, dizendo: 3“Peço-te, Senhor, te lembres de que tenho caminhado em tua presença, com fidelidade e probidade de coração, e tenho praticado o bem aos teus olhos”. Ezequias prorrompeu num grande choro.

4A Palavra do Senhor foi dirigida a Isaías: 5“Vai dizer a Ezequias: Isto diz o Senhor, Deus de Davi, teu pai: ‘Ouvi a tua oração, vi as tuas lágrimas; eis que vou acrescentar à tua vida mais quinze anos, 6vou libertar-te das mãos do rei da Assíria, junto com esta cidade, que ponho sob minha proteção’.

21Então, Isaías ordenou que fizessem uma cataplasma de massa de figos e a aplicassem sobre a ferida, que ele ficaria bom. 22Perguntou Ezequias: “E qual é o sinal de que hei de subir à casa do Senhor?” 7“Este é o sinal que terás do Senhor, de que ele cumprirá a promessa que fez: 8Eis que farei recuar dez graus a sombra dos graus que já desceu no relógio solar de Acaz”. De fato, a marca do sol recuara dez graus dos que ela tinha descido.


— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


Salmo Responsorial (Is 38,10-12.16)


R. Vós livrastes minha vida do sepulcro, a fim de eu não deixar de existir.


— Eu dizia: “É necessário que eu me vá no apogeu de minha vida e de meus dias; para a mansão triste dos mortos descerei, sem viver o que me resta dos meus anos”. R.

— Eu dizia: “Não verei o Senhor Deus sobre a terra dos viventes nunca mais; nunca mais verei um homem neste mundo!” R.

— Minha morada foi à força arrebatada, desarmada como a tenda de um pastor. Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida, mas agora foi cortada a sua trama. R.

— Ó Senhor, meu coração em vós espera; por vós há de viver o meu espírito, curai-me e conservai a minha vida. R.


Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27)


Evangelho (Mt 12,1-8)


— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo  segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

1Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer. 2Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: “Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!”

3Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? 4Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? 5Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma?

6Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. 7Se tivésseis compreendido o que significa: ‘Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes. 8De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.


— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Homilia: Sejamos revestidos pela Misericórdia Divina

“Quero a misericórdia e não o sacrifício’, não teríeis condenado os inocentes. De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado” (Mateus 12,7).

Jesus passou no meio de uma plantação em dia de sábado e colheu as espigas para alimentar os Seus discípulos. Sabemos que os fariseus criaram caso com Jesus por causa disso, porque eles estavam muito mais preocupados com a lei do sábado do que com a fome dos discípulos, com a situação deles naquele dia.

Eles não entenderam que o Reino de Deus é, em primeiro lugar, amor, compaixão e misericórdia, e não a lei. Talvez, possamos pensar que Jesus estava desprezando a lei, mas não! Na verdade, o espírito da lei é o amor, e não o contrário. Não é a lei que deve reger o amor, mas é o amor que deve reger todas as leis, todas as práticas religiosas; é o amor que deve reger a nossa própria vida de fé e de seguimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.


A religião é uma bênção quando nos conduz ao amor e à misericórdia

Não precisamos ignorar nenhum dos mandamentos, não precisamos ignorar nenhum dos dogmas da nossa fé. Não precisamos renegar nenhum preceito daquilo que nos é ensinado, pelo contrário, podemos viver cada letra dos mandamentos e da lei divina se tivermos amor e misericórdia em nosso coração. Senão, nos tornaremos pessoas rigoristas, preocupadas com o rigor do julgamento, e viveremos essa onda de violência acusatória que permeia, muitas vezes, os nossos relacionamentos quando julgamos, catalogamos, rotulamos, dizemos que o outro não cumpre isso, não faz aquilo. Na verdade, não estamos revestidos da misericórdia divina, da misericórdia que nos leva a cuidarmos do outro, a nos preocuparmos com o outro acima de toda e qualquer lei religiosa.

A religião é uma bênção quando nos conduz ao amor e à misericórdia, mas ela se torna um mal quando nos mantém presos às leis, ao rigorismo, às doutrinas que não nos levam a ter amor e compaixão para com o outro. Por isso, para Jesus, sem precisar desprezar de forma alguma o sábado, o ser humano é mais sagrado para Ele.

O ser humano é mais sagrado para o coração de Deus. A nossa dor, a nossa fome, a misericórdia que muitos seres humanos estão passando e vivendo... Sei que, muitas vezes, queremos levantar a bandeira de Deus, da religião, dos valores, mas essa bandeira tem que ser levantada, primeiro, no nosso coração.

Religião é vida, cuidado, misericórdia e paciência; religião é entrar no coração do outro e compreender os sentimentos que ele tem.

Cuidado, porque os fariseus eram muito religiosos, mas das práticas e não do amor e da misericórdia. Cuidado para não sermos religiosos em demasia, porque rezamos bastante, porque jejuamos, porque cumprimos os preceitos, porque não somos como os outros, mas nos falta amor e misericórdia no trato com o nosso irmão.

O que quero é a misericórdia, e não o sacrifício pelo sacrifício.

Deus abençoe você!   

Pe. Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
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Memória do Beato Inácio de Azevedo e companheiros mártires

A história dos mártires, como a dos primeiros que morreram pela evangelização do Brasil, é prova e também testemunho gritante de que o mistério de Cristo redentor, verdadeiro e único Mediador principal entre Deus e os homens, não exclui — antes, pelo contrário, torna até mais conveniente — a existência de mediadores secundários e, em certo sentido, corredentores. Os quais, dependentes e subordinados a Cristo, contribuem ao seu modo para a salvação dos que Deus sabe hão de converter-se e alcançar o porto da eterna bem-aventurança. Assista à homilia do Padre Paulo Ricardo para esta sexta-feira, dia 17 de julho, e conheça a história dos santos mártires que, reinando gloriosos no céu, rogam para que a fé que eles aqui vieram pregar cresça e frutifique no coração do povo brasileiro.





Santo do Dia:

Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros mártires

Quarenta mártires. Entre eles 2 padres, 24 estudantes e 14 irmãos auxiliares. Portugueses e espanhóis. Todos pertenciam à Companhia de Jesus.

Inácio de Azevedo nasceu no Porto em 1526. Aos 23 anos, já tinha entrado na Companhia de Jesus ocupando vários serviços. Era ardoroso pelas missões além fronteiras.

Foi quando o Superior Geral o enviou para o Brasil e, ao retornar, testemunhou a necessidade de mais missionários. Saíram por isso, 3 naus missionárias. Em uma delas estavam Inácio de Azevedo e os 39 companheiros. A nau foi interceptada por 5 navios de inimigos da fé católica que queriam a morte de todos.

Por amor à Igreja ele aceitou o martírio, exortou e consolou seus filhos espirituais. Foi morto e lançado ao mar e todos foram martirizados, alcançando a coroa da glória na eternidade.

Inácio e seus companheiros foram assassinados por serem católicos e missionários. Estamos no tempo das novas missões, a começar na nossa casa e onde convivemos. Ali, é o primeiro lugar onde devemos testemunhar o amor a Cristo e, se preciso, sofrer por Ele.

Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros mártires, rogai por nós!

 


Oração sobre as Oferendas:
Aceitai, ó Deus, as nossas oferendas e fazei que sejamos fortalecidos pelo mesmo sacrifício que sustentou no martírio o bem-aventurado Inácio e seus companheiros. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona de Comunhão:
Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho; mas, se morrer, produzirá muitos frutos (Jo 12,44).

Oração depois da Comunhão:
Tendo participado, ó Deus, do mistério pascal à mesa da eucaristia, fazei-nos fiéis ao vosso serviço, a exemplo dos quarenta mártires que deram por vós a sua vida. Por Cristo, nosso Senhor.