2ª feira da 7ª Semana da Páscoa
Memória Facultativa
São João I, Papa e Mártir
Antífona de entrada
Accipite iucunditatem gloriae vestrae alleluia: gratias agentes Deo, alleluia: qui vos ad caelestia regna vocavit, alleluia, alleluia, alleluia. Ps. Attendite popule meus legem meam: inclinate aurem vestram in verba oris mei. (4 Esdr. 2, 36. 37; Ps. 77)
Vernáculo:
Acolhei a alegria da vossa glória dando graças a Deus, que vos chamou ao seu reino celestial, aleluia! (Cf. MR: 4Esd 2, 36-37) Sl. Escuta, ó meu povo, a minha Lei, ouve atento as palavras que eu te digo. (Cf. LH: Sl. 77, 1)
Coleta
Senhor, venha sobre nós a força do Espírito Santo, para que, com firmeza de coração, possamos acolher vossa vontade e testemunhá-la por uma vida santa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 19, 1-8
Leitura dos Atos dos Apóstolos
1Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões montanhosas e chegou a Éfeso. Aí encontrou alguns discípulos e perguntou-lhes: 2“Vós recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?” Eles responderam: “Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo!”
3Então Paulo perguntou: “Que batismo vós recebestes?” Eles responderam: “O batismo de João”. 4Paulo disse-lhes: “João administrava um batismo de conversão, dizendo ao povo que acreditasse naquele que viria depois dele, isto é, em Jesus”. 5Tendo ouvido isso, eles foram batizados no nome do Senhor Jesus.
6Paulo impôs-lhes as mãos e sobre eles desceu o Espírito Santo. Começaram então a falar em línguas e a profetizar. 7Ao todo, eram uns doze homens. 8Paulo foi então à sinagoga e, durante três meses, falava com toda convicção, discutindo e procurando convencer os ouvintes sobre o Reino de Deus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 67(68), 2-3. 4-5ac. 6-7ab (R. 33a)
℟. Reinos da terra, cantai ao Senhor.
— Eis que Deus se põe de pé, e os inimigos se dispersam! Fogem longe de sua face os que odeiam o Senhor! Como a fumaça se dissipa, assim também os dissipais, como a cera se derrete, ao contato com o fogo, assim pereçam os iníquos ante a face do Senhor! ℟.
— Mas os justos se alegram na presença do Senhor; rejubilam satisfeitos e exultam de alegria! Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome! O seu nome é Senhor: exultai diante dele! ℟.
— Dos órfãos ele é pai, e das viúvas protetor; é assim o nosso Deus em sua santa habitação. É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados, quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura. ℟.
℣. Se com Cristo ressurgistes, procurai o que é do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai. (Cl 3, 1) ℟.
Evangelho — Jo 16, 29-33
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 29os discípulos disseram a Jesus: “Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. 31Jesus respondeu: “Credes agora? 32Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só porque o Pai está comigo. 33Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!”
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Lauda anima mea Dominum: laudabo Dominum in vita mea: psallam Deo meo, quamdiu ero, alleluia. (Ps. 145, 2)
Vernáculo:
Bendize, minh’alma, ao Senhor! Bendirei ao Senhor toda a vida, cantarei ao meu Deus sem cessar! (Cf. LH: Sl 145, 1-2)
Sobre as Oferendas
Senhor, o sacrifício imaculado nos purifique, e dê aos nossos corações o vigor da graça do alto. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Spiritus qui a Patre procedit, alleluia: ille me clarificabit, alleluia, alleluia. (Io. 15, 26; 16, 14; 17, 1. 5; ℣. Ps. 77, 1. 2. 3-4a. 4bcd. 6b-7a. 7bc. 23. 24. 25. 29)
Vernáculo:
O Espírito que procede do Pai me glorificará, diz o Senhor. (Cf. MR: Jo 15, 26)
Depois da Comunhão
Senhor, nós vos pedimos, permanecei com misericórdia junto ao vosso povo e fazei passar da antiga para a nova vida aqueles que iniciastes nos mistérios celestes. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 18/05/2026
A Paz de Cristo e as tribulações
“Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!”
Hoje, finalmente chegamos à conclusão do capítulo 16 do Evangelho de São João, onde Jesus está no Cenáculo e seus Apóstolos, depois de terem feito tantas perguntas e ganhado tantas respostas de Jesus, dão a entender que compreenderam tudo o que Ele lhes ensinou. No entanto, eles ainda não haviam entendido o ensinamento mais importante: a Paixão de Nosso Senhor. É por isso que Jesus diz: “Credes agora? Eis que vem a hora, e já chegou, em que vos dispersareis cada um para o seu lado e me deixareis só” (Jo 16, 31-32).Depois, Cristo mostra-nos que Ele é um com o Pai: “Eu não estou só; o Pai está comigo” (Jo 16, 32). Por causa da oração de Jesus no alto da Cruz, presente no Salmo 21(22): “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes?”, podemos ter a falsa impressão de que Jesus, de fato, foi abandonado por Deus. No entanto, naquele momento, Jesus sentiu sobre si o peso dos pecados da humanidade, daqueles que abandonaram a Deus, por isso proferiu tais palavras.Jesus sabia que não estava sozinho e, embora todos fossem se dispersar e abandoná-lo, o Pai estava com Ele. Por isso, falou: “Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim” (Jo 16, 33). Essa é a primeira Palavra que Jesus vai pronunciar após ressuscitar. Após o drama da Cruz, a traição de Judas, a negação de Pedro, a fuga dos dez Apóstolos e, depois, a incompreensão de João em relação à Ressurreição, Nosso Senhor aparece no Cenáculo, na tarde do domingo de Páscoa, e faz uma saudação: “Paz a vós”. Paz por quê? Porque os discípulos poderiam ter a ilusão de não estar mais em paz com Jesus, com medo de que Ele voltaria para se vingar da infidelidade e da incredulidade deles.“No mundo, tereis tribulações; mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16, 33). De fato, no meio de todos os eventos trágicos da Paixão em que a Igreja pareceu ter fracassado aos olhos humanos, num momento quase que de grande apostasia, Cristo venceu o mundo e nos libertou da morte eterna, dando-nos a salvação. É importante lembrarmos também que, enquanto todos vacilaram na fé, inclusive os que estavam aos pés da Cruz, apenas uma pessoa permaneceu com uma fé sólida, íntegra e inabalável: a Santíssima Virgem Maria.Cristo nos dá a certeza de que Ele venceu o mundo, e por isso precisamos, como Ele mesmo disse, ter coragem. Em grego, há uma tradução ainda mais profunda para a palavra “coragem”: tharseite (θαρσεῖτε), a qual possui um sentido positivo de ter confiança e verdadeira ousadia ao enfrentar o mal. Eis as últimas palavras de Jesus dirigidas aos discípulos no Cenáculo. Depois, Nosso Senhor começa a sua oração sacerdotal e diz muitas outras coisas ao Pai Celeste. Guardemos, pois, em nossos corações a realidade de que meditamos hoje e verdadeiramente a apliquemos em nossas vidas, sabendo que Jesus, há muito tempo no Cenáculo, pensou em cada um de nós.
Deus abençoe você!
Santo do dia 18/05/2026
São João I, Papa e Mártir (Memória Facultativa)
Local: Roma, Itália
Data: 18 de Maio † 526
“Muitas e graves, conforme o juízo dos homens, as tuas culpas de homem e de rei: avidez de possuir e de destruir, muita tolerância da ferocidade e cobiça dos teus sequazes, arrogância e impostura…” Assim, pela boca de um anjo, João Papini apostrofa Teodorico no seu Juízo universal; apaixonada é a réplica: “Eu era o chefe de uma destas turmas de famintos nômades e toda a minha autoridade de capitão e de rei não podia transformá-la num momento num rebanho de salmistas e genuflexos… Romanos robustecidos e godos paganizados teriam de fundir-se num povo único e forte, capaz de dar novamente à Itália o primeiro lugar na terra. Não foi somente minha a culpa se aquele generoso sonho ficou só sonho”. A memória de são João I está unida ao drama político-religioso de Teodorico.
Toscano de nascimento, João sucedera ao papa Hormisda a 15 de agosto de 523. Há quem o identifique com o João Diácono, autor de uma Epístola ad Senarium, importante pela história da liturgia batismal, porque é talvez o único documento que ateste a tradição da Igreja romana de erigir e consagrar no sábado santo sete altares e de derramar no cálice uma mistura de leite e mel. João Diácono é reconhecido também como autor do tratado A fé católica, transmitido pelos antigos entre as obras de Severino Boécio.
Quando o filho de Constâncio se tornou papa, há apenas cinco anos, Hormisda e o imperador Justino, tio de Justiniano, tinham feito cessar o cisma entre Roma e Constantinopla, estourado em 484 pelo Henoticon do imperador Zenão, que tentara um impossível compromisso entre católicos e monofisitas. Com a jogada obtivera também interessantes resultados políticos e os godos eram arianos. Lá pelo fim de 524, Justino publicou um edito com o qual ordenava o fechamento das igrejas arianas de Constantinopla e a exclusão dos hereges de toda a função civil e militar. Teodorico então obrigou o papa João I a ir a Constantinopla para solicitar do imperador a revogação do decreto: as manifestações de atenção foram excepcionais: 15.000 saíram-lhe ao encontro com círios e cruzes e o papa presidiu as solenes funções do Natal e da Páscoa.
Justino aderiu ao pedido de restituir aos arianos as igrejas confiscadas, mas insistiu na privação dos direitos dos arianos convertidos ao catolicismo que novamente se tornassem arianos. Foi o suficiente para o suspeito Teodorico mandar matar Boécio e Símaco. Lançado na prisão em Ravena, o papa João I ali morreu aos dezoito de maio de 526.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São João I, rogai por nós!


