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4ª feira da 10ª Semana do Tempo Comum

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Antífona de entrada

O Senhor é minha luz e minha salvação, de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? São eles inimigos e opressores, que tropeçam e sucumbem. (Cf. Sl 26, 1-2)
Gradual Romano:
Dominus illuminatio mea, et salus mea, quem timebo? Dominus defensor vitae meae, a quo trepidabo? qui tribulant me inimici mei, infirmati sunt, et ceciderunt. Ps. Si consistant adversum me castra: non timebit cor meum. (Ps. 26, 1. 2. 3; p.288)

Vernáculo:
O Senhor é minha luz e minha salvação, de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? São eles inimigos e opressores, que tropeçam e sucumbem. (Cf. MR: Sl 26, 1. 2) Sl. Se os inimigos se acamparem contra mim, não temerá meu coração. (Cf. LH: Sl 26, 3)

Coleta

Ó Deus, fonte de todo o bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.

Primeira Leitura — 1Rs 18, 20-39


Leitura do Primeiro Livro dos Reis


Naqueles dias, 20Acab convocou todos os filhos de Israel e reuniu os profetas de Baal no monte Carmelo. 21Então Elias, aproximando-se de todo o povo, disse: “Até quando andareis mancando com os dois pés? Se o Senhor é o verdadeiro Deus, segui-o; mas, se é Baal, segui a ele”. O povo não respondeu uma palavra.

22Então Elias disse ao povo: “Eu sou o único profeta do Senhor que resta, ao passo que os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta. 23Deem-nos dois novilhos; que eles escolham um novilho e, depois de cortá-lo em pedaços, coloquem-no sobre a lenha, mas sem pôr fogo por baixo. Eu prepararei depois o outro novilho e o colocarei sobre a lenha e tampouco lhe porei fogo.

24Em seguida, invocareis o nome de vosso deus e eu invocarei o nome do Senhor. O Deus que ouvir, enviando fogo, este é o Deus verdadeiro”. Todo o povo respondeu, dizendo: “Ótima proposição”.

25Elias disse então aos profetas de Baal: “Escolhei vós um novilho e começai, pois sois maioria. E invocai o nome de vosso deus, mas não lhe ponhais fogo”. 26Eles tomaram o novilho que lhes foi dado e prepararam-no. E invocavam o nome de Baal desde a manhã até ao meio-dia, dizendo: “Baal, ouve-nos!” Mas não se ouvia voz alguma e ninguém que respondesse. E dançavam ao redor do altar que tinham levantado.

27Ao meio-dia, Elias zombou deles, dizendo: “Gritai mais alto, pois sendo um deus, tem suas ocupações. Porventura ausentou-se ou está de viagem; ou talvez esteja dormindo e é preciso que o acordem”. 28Então eles gritavam ainda mais forte, e retalhavam-se, segundo o seu costume, com espadas e lanças, até o sangue escorrer. 29Passado o meio-dia, entraram em transe até a hora do sacrifício vespertino. Mas não se ouviu voz nenhuma, nem resposta nem sinal de atenção.

30Então Elias disse a todo o povo: “Aproximai-vos de mim”. Todo o povo veio para perto dele. E ele refez o altar do Senhor que tinha sido demolido. 31Tomou doze pedras, segundo o número das doze tribos dos filhos de Jacó, a quem Deus tinha dito: “Teu nome será Israel”, 32e edificou com as pedras um altar ao nome do Senhor. Fez em redor do altar um rego, capaz de conter duas medidas de sementes. 33Empilhou a lenha, esquartejou o novilho e colocou-o sobre a lenha, 34e disse: “Enchei quatro talhas de água e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha”. Depois, disse: “Outra vez”. E eles assim fizeram uma segunda vez. E acrescentou: “Ainda uma terceira vez”. E assim foi feito.

35A água correu em volta do altar e o rego ficou completamente cheio. 36Chegada a hora do sacrifício, o profeta Elias aproximou-se e disse: “Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, mostra hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que é por ordem tua que fiz estas coisas. 37Ouve-me, Senhor, ouve-me, para que este povo reconheça que tu, Senhor, és Deus, e que és tu que convertes os seus corações!”

38Então caiu o fogo do Senhor, que devorou o holocausto, a lenha, as pedras e a poeira, e secou a água que estava no rego. 39Vendo isto, o povo todo prostrou-se com o rosto em terra, exclamando: “É o Senhor que é Deus, é o Senhor que é Deus!”

— Palavra do Senhor.

— Graças a Deus.


Salmo Responsorial — Sl 15(16), 1-2a. 4. 5 e 8. 11 (R. 1)


℟. Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!


— Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! Digo ao Senhor: “Somente vós sois meu Senhor”. ℟.

— Multiplicam, no entanto, suas dores os que correm para os deuses estrangeiros; seus sacrifícios sanguinários não partilho, nem seus nomes passarão pelos meus lábios. ℟.

— Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos! Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo. ℟.

— Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado! ℟.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Fazei-me conhecer vossa estrada, vossa verdade me oriente e me conduza! (Sl 24, 4b. 5a) ℟.

Evangelho — Mt 5, 17-19


℣. O Senhor esteja convosco.

℟. Ele está no meio de nós.


℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus

℟. Glória a vós, Senhor.


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.


Antífona do Ofertório

Gradual Romano:
Illumina oculos meos, nequando obdormiam in morte: nequando dicat inimicus meus: praevalui adversus eum. (Ps. 12, 4. 5)

Vernáculo:
Não deixeis que se me apague a luz dos olhos e se fechem, pela morte, adormecidos! Que o inimigo não me diga: Eu triunfei! (Cf. LH: Sl 12, 4. 5)

Sobre as Oferendas

Olhai, Senhor, com bondade nossa disposição em vos servir, para que nossa oferenda vos seja agradável e nos faça crescer no amor. Por Cristo, nosso Senhor.



Antífona da Comunhão

Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, minha força e poderosa salvação, sois meu escudo e proteção, em vós espero! (Cf. Sl 17, 3)

Ou:


Deus é amor; quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece come ele. (1Jo 4, 16)
Gradual Romano:
Dominus firmamentum meum, et refugium meum, et liberator meus: Deus meus adiutor meus. (Ps. 17, 3; ℣. Ps. 17, 4. 7ab. 7cd. 28. 29. 32. 33. 36; p.290)

Vernáculo:
Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga, minha força e poderosa salvação, sois meu escudo e proteção, em vós espero! (Cf. MR: Sl 17, 3)

Depois da Comunhão

Senhor de bondade, a vossa força salvadora nos liberte das más inclinações e nos conduza pelo caminho do bem. Por Cristo, nosso Senhor.

Homilia do dia 10/06/2026


Como Jesus é o cumprimento da Lei e dos Profetas?


“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento”.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

No Evangelho de hoje, Jesus nos diz que não veio abolir a Lei e os Profetas. O que isso quer dizer na prática? Em primeiro lugar, entendamos o que são a Lei e os Profetas. A Lei era, no Antigo Testamento, algo que impedia as pessoas de fazerem o mal; enquanto os Profetas, na verdade, eram algo que impulsionava as pessoas a fazerem o bem, através do anúncio de promessas futuras.

Então, Jesus veio não abolir isso, mas levá-lo à perfeição, ao cumprimento. Analisemos detalhadamente essas duas realidades.

Primeiro a Lei. Em primeiro lugar, nós vemos que as leis do Antigo Testamento podem basicamente dividir-se em três pedaços. Havia aquelas leis que estão na própria natureza das coisas. É a chamada lei natural, que não foi abolida. Por quê? Porque os Dez Mandamentos valem ainda hoje. Ora, a essas leis naturais, para serem realizadas no Antigo Testamento, Deus acrescentou dois outros capítulos.

Além da lei natural, havia, para o povo de Israel, as chamadas leis cerimoniais e as leis jurídico-processuais. Primeiro as leis cerimoniais. Elas foram abolidas, não porque Jesus as tenha apagado, dizendo: “Não valem mais”, mas porque seus objetivos já foram realizados. Ou seja: as cerimônias do Antigo Testamento eram uma prefiguração e um anúncio daquilo que viria, daquilo que Jesus iria realizar; portanto, uma vez que Jesus as realizou, não há por que ficar anunciando algo que já se concretizou.

Além das leis das cerimônias do Templo de Jerusalém, havia também outro capítulo, a parte judicial, aqueles preceitos. O povo de Israel, para conter sua maldade, precisava de punições bem claras: sentenças de morte, de apedrejamento, etc. Enfim, era a justiça humana que precisava ser realizada, mas Jesus vem levar isso à perfeição.

E como Ele fez isso? Com a misericórdia, assim como Ele fez, por exemplo, com a pecadora que foi trazida, amarrada e arrastada, até os pés dele na na esplanada do Templo. Jesus, com a misericórdia, vem trazer mais doçura, por isso vem realizar de forma mais plena o que antes, no Antigo Testamento, fora revelado imperfeitamente.

Essa é a parte da Lei. E a profecia? Quais são as partes da profecia que Jesus veio realizar? Em primeiro lugar, não sabíamos o significado de tantas coisas profetizadas no Antigo Testamento, como disse Jesus aos discípulos de Emaús: “Era necessário que Cristo padecesse tudo isso para entrar na sua glória”. As pessoas ficaram boquiabertas, porque liam o Antigo Testamento, mas não conseguiam entender isso. Por isso Jesus “abriu-lhes os olhos para que entendessem as Escrituras”.

Jesus estava cumprindo as profecias e mostrando que a promessa feita, por exemplo, a Abraão de ter uma grande descendência se estendia agora a todos os povos através da fé. Aconteceu a realização da profecia em que Deus previu: “Tirarei de vós o coração de pedra e colocarei um coração de carne”.

Então, veio um coração maravilhoso, o Coração de Cristo, para amar. Eis a realização plena da Lei e dos Profetas no preceito da caridade, do amor de Cristo: “Amai-vos como eu vos amei”. Então, o cumprimento derradeiro de tudo isso, quando Ele nos manda o Espírito Santo, é a nova Lei.

O Espírito Santo é derramado em nossos corações no dia de Pentecostes, festa judaica que celebrava o dia em que Moisés recebera a Lei no Sinai. Agora, em nossos corações, o Espírito Santo é a nova Lei, tornando efetiva a caridade de Cristo em nós. Assim, a Lei e os Profetas se realizaram.

Deus abençoe você!

Nossa Missão
Evangelize com o Pocket Terço: pocketterco.com.br/ajude

Santo do dia 10/06/2026

Santo Anjo da Guarda de Portugal (Memória Facultativa)
Data: 10 de Junho


Há pouco mais de um século, em 1916, um anjo visitou três pastorinhos em Portugal, preparando seus corações para as aparições de Nossa Senhora de Fátima. Quem registrou esses acontecimentos em detalhes foi a própria Irmã Lúcia, uma das videntes.

“A treze de maio, na Cova da Iria, no céu aparece a Virgem Maria”, é o que cantamos em honra a Nossa Senhora, que apareceu em Fátima no ano de 1917. Um ano antes, no entanto, os três pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco foram visitados pelo Anjo custódio de Portugal e tiveram os seus corações preparados para esse grande acontecimento sobrenatural. Sendo hoje, 10 de junho, festa desse Santo Anjo da Guarda (ainda que ela não conste no calendário litúrgico do Brasil), recordemos essas aparições celestes, tal como registradas pela vidente Irmã Lúcia em suas “Memórias”:

Pelo que posso mais ou menos calcular, parece-me que foi em 1915 que se deu essa primeira aparição do que julgo ser o Anjo, que não ousou, por então, manifestar-se de todo. Pelo aspecto do tempo, penso que se deveram dar nos meses de Abril até Outubro.

Na encosta do cabeço que fica voltada para o Sul, ao tempo de rezar o terço na companhia de três companheiras, de nome Teresa Matias, Maria Rosa Matias, sua irmã e Maria Justino, do lugar da Casa Velha, vi que sobre o arvoredo do vale que se estendia a nossos pés pairava uma como que nuvem, mais branca que neve, algo transparente, com forma humana. As minhas companheiras perguntaram-me o que era. Respondi que não sabia. Em dias diferentes, repetiu-se mais duas vezes.

Esta aparição deixou-me no espírito uma certa impressão que não sei explicar. Pouco a pouco, essa impressão ia-se desvanecendo; e creio que, se não são os fatos que se lhe seguiram, com o tempo a viria a esquecer por completo.

As datas não posso precisá-las com certeza, porque, nesse tempo, eu não sabia ainda contar os anos, nem os meses, nem mesmo os dias da semana. Parece-me, no entanto, que deveu ser na Primavera de 1916 que o Anjo nos apareceu a primeira vez na nossa Loca do Cabeço.

Já disse, no escrito sobre a Jacinta, como subimos a encosta em procura dum abrigo e como foi, depois de aí merendar e rezar, que começamos a ver, a alguma distância, sobre as árvores que se estendiam em direção ao Nascente, uma luz mais branca que a neve, com a forma dum jovem, transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol. À medida que se aproximava, íamos-lhe distinguindo as feições. Estávamos surpreendidos e meio absortos. Não dizíamos palavra.

Ao chegar junto de nós, disse:
— Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:
— Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:
— Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.

E desapareceu.

A atmosfera do sobrenatural que nos envolveu era tão intensa, que quase não nos dávamos conta da própria existência, por um grande espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo sempre a mesma oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e íntima que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o espírito ainda envolvido por essa atmosfera que só muito lentamente foi desaparecendo.

Nesta aparição, nenhum pensou em falar nem em recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima que não era fácil pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos, talvez, também, maior impressão, por ser a primeira assim manifesta.

A segunda deveu ser no pino do Verão, nesses dias de maior calor, em que íamos com (os) rebanhos para casa, no meio da manhã, para os tornar a abrir só à tardinha.

Fomos, pois passar as horas da sesta à sombra das árvores que cercavam o poço já várias vezes mencionado. De repente, vimos o mesmo Anjo junto de nós.

— Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

— Como nos havemos de sacrificar? — perguntei.

— De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.

Estas palavras do Anjo gravaram-se em nosso espírito, como uma luz que nos fazia compreender quem era Deus, como nos amava e queria ser amado, o valor do sacrifício e como ele Lhe era agradável, como, por atenção a ele, convertia os pecadores. Por isso, desde esse momento, começamos a oferecer ao Senhor tudo que nos mortificava, mas sem discorrermos a procurar outras mortificações ou penitências, exceto a de passarmos horas seguidas prostrados por terra, repetindo a oração que o Anjo nos tinha ensinado.

A terceira aparição parece-me que deveu ser em Outubro ou fins de Setembro, porque já não íamos passar as horas da sesta a casa.

Como já disse no escrito sobre a Jacinta, passámos da Prégueira (é um pequeno olival pertencente a meus pais) para a Lapa, dando a volta à encosta do monte pelo lado de Aljustrel e Casa Velha. Rezamos aí o terço e (a) oração que na primeira aparição nos tinha ensinado. Estando, pois, aí, apareceu-nos pela terceira vez, trazendo na mão um cálix e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálix, algumas gotas de sangue. Deixando o cálix e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração:

— Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.

Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálix e a Hóstia e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálix deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo, ao mesmo tempo:
— Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

De novo se prostrou em terra e repetiu conosco a mais três vezes a mesma oração:
— Santíssima Trindade... etc.
E desapareceu.

Levados pela força do sobrenatural que nos envolvia, imitávamos o Anjo em tudo, isto é, prostrando-nos como Ele e repetindo as orações que Ele dizia. A força da presença de Deus era tão intensa que nos absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos até do uso dos sentidos corporais por um grande espaço de tempo. Nesses dias, fazíamos as ações materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural que a isso nos impelia. A paz e felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima, completamente concentrada a alma em Deus. O abatimento físico, que nos prostrava, também era grande.

Fonte: LÚCIA, Irmã. Memórias da Irmã Lúcia I. Compilação do Pe Luís Kondor, SVD. Introdução e notas do Pe Dr. Joaquín M. Alonso, CMF (†1981). 13. ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 168-172; Texto adaptado por padrepauloricardo.org

Santo Anjo da Guarda de Portugal, rogai por nós!


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