5ª feira da 3ª Semana da Páscoa
Memória Facultativa
São Adalberto, Bispo e Mártir ou São Jorge, Mártir
Antífona de entrada
Iubiláte Deo omnis terra, allelúia: psalmum dícite nómini eius, allelúia: date glóriam laudi eius, allelúia, allelúia, allelúia. Ps. Dícite Deo, quam terribília sunt ópera tua, Dómine! In multitúdine virtútis tuae mentiéntur tibi inimíci tui. (Ps. 65, 1. 2. 3)
Vernáculo:
Aclamai a Deus, terra inteira, cantai salmos a seu nome, glorificai-o com louvores, aleluia. (Cf. MR: Sl 65, 1-2) Sl. Dizei a Deus: Como são grandes vossas obras! Pela grandeza e o poder de vossa força, vossos próprios inimigos vos bajulam. (Cf. LH: Sl 65, 3)
Coleta
Deus eterno e todo-poderoso, nestes dias em que nos fizestes conhecer toda a riqueza da vossa misericórdia, derramai-a sobre nós com maior generosidade, para tornar mais firmes em vossa verdade aqueles que libertastes das trevas do erro.Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 8, 26-40
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 26um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: “Prepara-te e vai para o sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto”. Filipe levantou-se e foi. 27Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia, e administrador geral do seu tesouro, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém.
28Ele estava voltando para casa e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. 30Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo?”
31O eunuco respondeu: “Como posso, se ninguém mo explica?”
Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele. 32A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: “Ele foi levado como ovelha ao matadouro; e qual um cordeiro diante do seu tosquiador, ele emudeceu e não abriu a boca. 33Eles o humilharam e lhe negaram justiça; e seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arrancada da terra”.
34E o eunuco disse a Filipe: “Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?” 35Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou Jesus ao eunuco. 36Eles prosseguiram o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. 37Então o eunuco disse a Filipe: “Aqui temos água. O que impede que eu seja batizado?”
38O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eunuco. 39Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria. 40Filipe foi parar em Azoto. E, passando adiante, evangelizava todas as cidades até chegar a Cesareia.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 65(66), 8-9. 16-17. 20 (R. 1)
℟. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.
— Nações, glorificai ao nosso Deus, anunciai em alta voz o seu louvor! É ele quem dá vida à nossa vida, e não permite que vacilem nossos pés. ℟.
— Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Quando a ele o meu grito se elevou, já havia gratidão em minha boca! ℟.
— Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o seu amor! ℟.
℣. Eu sou o pão vivo descido do céu, quem deste pão come, sempre há de viver. (Jo 6, 51) ℟.
Evangelho — Jo 6, 44-51
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna.
48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Lauda anima mea Dominum: laudabo Dominum in vita mea: psallam Deo meo, quamdiu ero, alleluia. (Ps. 145, 2)
Vernáculo:
Bendize, minh’alma, ao Senhor! Bendirei ao Senhor toda a vida, cantarei ao meu Deus sem cessar!(Cf. LH: Sl 145, 1-2)
Sobre as Oferendas
Ó Deus, pelo venerável intercâmbio deste sacrifício nos fizestes participar de vossa única e suprema divindade; concedei, nós vos pedimos, que conhecendo a vossa verdade a testemunhemos pela prática das boas obras. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Panis, quem ego dedero, caro mea est pro saeculi vita. Alleluia. (Io. 6, 52; ℣. Ps. 110, 1. 2. 3. 4. 5. 6-7a. 7b-8ab. 9ab. 9c-10a. 10bc)
Vernáculo:
O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo, diz o Senhor. Aleluia. (Cf. MR: Jo 6, 52)
Depois da Comunhão
Senhor, nós vos pedimos, permanecei com misericórdia junto ao vosso povo e fazei passar da antiga para a nova vida aqueles que iniciastes nos mistérios celestes. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 23/04/2026
Os dois efeitos do Pão da Vida em nós
Deus quer, sim, que sejamos felizes; mas não com uma felicidade meramente terrena, sujeita a tantas variações e incertezas, limitada por tantas circunstâncias. Ele quer dar-nos uma alegria além de toda alegria: a felicidade da qual Ele mesmo, em sua vida íntima e superabundante, goza no Céu. Para isso, Ele nos oferece já nesta vida o dom de sua graça, que nos purifica de nossas impurezas e nos faz participar, de um modo misterioso e real, da própria vida de Deus. Peçamos a Cristo, Nosso Senhor, que nos introduza na fornalha ardente de vida e de amor do seu Sacratíssimo Coração.
No Evangelho de hoje, Jesus declara que Ele é o Pão vivo que desceu do Céu e aquele que dele comer, terá a vida eterna. Todas as vezes que a palavra “vida” surge neste Evangelho, utiliza-se o termo grego “zoé”, ou seja, uma vida de uma qualidade superior, que não é biológica, natural, e sim divina. É aqui que compreendemos a ação da graça em nossas vidas. Quando Jesus veio a este mundo, Ele nos trouxe a graça que é, ao mesmo tempo, sanante e elevante. Pelo pecado original, aconteceu uma desordem na nossa natureza, que só se torna ordenada assim que Deus, com a sua graça, inspira nossa alma, para que ela possa manter o seu domínio sobre as paixões e sobre o corpo, para que haja a seguinte ordem hierárquica: Deus, alma, vida psíquica e passional, corpo. Entretanto, quando tirarmos a graça do controle dessa hierarquia, acontece uma desordem dentro de nós. Por isso, a primeira realidade que Jesus faz quando começamos a crer nele é colocar nossa alma em ordem. Mas, a partir do momento em que as coisas vão sendo organizadas em nosso interior, Ele também nos eleva, dando-nos a chance de participarmos de uma vida divina que não é nossa naturalmente, a vida da Trindade: do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Jesus, Deus encarnado que se fez Homem, tem dentro dele essa vida divina por meio de sua Ressurreição. Por isso, quando nos unimos a Ele, vamos nos transformando interiormente, assim como o ferro que, ao ser aquecido no fogo, tem os seus defeitos “sanados” e, depois de certo tempo, parece mais fogo do que ferro. É isso que Deus deseja fazer espiritualmente conosco. Cristo não quer somente purificar as impurezas da nossa natureza desordenada. Ele quer também nos elevar, a fim de que sejamos participantes da vida de Deus no Céu. Sabendo disso, devemos mudar nossa maneira de viver, buscando verdadeiramente as coisas do alto, porque existe uma felicidade maior do que aquela que teríamos neste mundo. Cristo não deseja apenas que sejamos felizes, ordenados e perfeitos como seres humanos, mas também que nos alegramos com a felicidade divina do Pai, do Filho e do Espírito Santo, participando da vida de Deus a partir da nossa união com o Pão Vivo, Jesus.Portanto, quando Jesus diz que Ele é o Pão Vivo que desceu do Céu e que Ele nos dará a Vida eterna, Ele está nos prometendo a vida do próprio Deus, uma participação que só é possível através da sua graça.
Deus abençoe você!
Santo do dia 23/04/2026
São Jorge, Mártir (Memória Facultativa)
Local: Dióspolis ou Lida, Palestina
Data: 23 de Abril † s. IV
Se de são Jorge possuímos só as Atas do martírio e mais precisamente sua Paixão (considerada apócrifa já pelo Decreto Gelasiano do século VI), poderíamos até duvidar de sua existência histórica. Todavia não se pode apagar com simples troca de pena uma tradição tão universal: a Igreja do Oriente o chama de grande mártir e todos os calendários cristãos incluíram-no no elenco dos seus santos. São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de cidade como Gênova, de regiões inteiras espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra, com a solene confirmação, para esta última, do papa Bento XIV.
Este culto extraordinário tem origens muito remotas uma vez que seu sepulcro em Lida, na Palestina, onde o mártir foi decapitado no início do século IV, era alvo de peregrinações já na época das cruzadas, quando o sultão Saladino destruiu a igreja construída em sua honra. A imagem de todos conhecida, do cavaleiro que luta contra o dragão, difundida na Idade Média, faz ver a origem da lenda criada acerca deste mártir e contada de várias maneiras em suas muitas paixões.
Diz a lenda que horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e se atirava contra os muros da cidade trazendo-lhe a morte com seu mortífero hálito. Para ter afastado tamanho flagelo as populações do lugar lhe ofereciam jovens vítimas, pegas por sorteio. Um dia coube à filha do rei ser oferecida em comida ao monstro. O monarca, que nada pôde fazer para evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até às margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era são Jorge.
O valente guerreiro desembainhou a espada e, em pouco tempo, reduziu o terrível dragão a manso cordeirinho, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes, que viera, em nome de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.
Também o fim deste glorioso mártir tem o sabor de lenda. Foi condenado à morte por ter renegado aos deuses do império. Os algozes infligiram-lhe no corpo os mais atrozes tormentos. Ele parecia de ferro. Diante de sua invicta coragem e de sua fé, a própria mulher do imperador se converteu. Muitos cristãos, amedrontados diante dos carrascos, encontraram a força de dar o testemunho a Cristo com o extremo holocausto de suas vidas. Por fim, também são Jorge inclinou a cabeça sobre uma coluna, e uma espada superafiada pôs fim à sua jovem vida.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Jorge, rogai por nós!


