2ª feira da 4ª Semana da Páscoa
Antífona de entrada
Misericordia Domini plena est terra, alleluia: verbo Dei caeli firmati sunt, alleluia, alleluia. Ps. Exsultate iusti in Domino, rectos decet collaudatio. (Ps. 32, 5. 6 et 1)
Vernáculo:
A terra está repleta da misericórdia do Senhor; por sua palavra os céus foram firmados, aleluia. (Cf. MR: Sl 32, 5-6) Sl. Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. (Cf. LH: Sl 32, 1)
Coleta
Ó Deus, luz perfeita dos bem-aventurados, que nos concedestes celebrar aqui na terra os mistérios pascais;fazei, nós vos pedimos, que nos alegremos, pelos séculos eternos, com a plenitude da vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 11, 1-18
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 1os apóstolos e os irmãos, que viviam na Judeia, souberam que também os pagãos haviam acolhido a Palavra de Deus.
2Quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis de origem judaica começaram a discutir com ele, dizendo: 3“Tu entraste na casa de pagãos e comeste com eles!” 4Então, Pedro começou a contar-lhes, ponto por ponto, o que havia acontecido: 5“Eu estava na cidade de Jope e, ao fazer oração, entrei em êxtase e tive a seguinte visão: Vi uma coisa parecida com uma grande toalha que, sustentada pelas quatro pontas, descia do céu e chegava até junto de mim.
6Olhei atentamente e vi dentro dela quadrúpedes da terra, animais selvagens, répteis e aves do céu. 7Depois ouvi uma voz que me dizia: ʽLevanta-te, Pedro, mata e come’. 8Eu respondi: ‘De modo nenhum, Senhor! Porque jamais entrou coisa profana e impura na minha boca’. 9A voz me disse pela segunda vez: ‘Não chames impuro o que Deus purificou’.
10Isso repetiu-se por três vezes. Depois a coisa foi novamente levantada para o céu. 11Nesse momento, três homens se apresentaram na casa em que nos encontrávamos. Tinham sido enviados de Cesareia, à minha procura. 12O Espírito me disse que eu fosse com eles sem hesitar. Os seis irmãos que estão aqui me acompanharam e nós entramos na casa daquele homem.
13Então ele nos contou que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa e dizer: ‘Manda alguém a Jope para chamar Simão, conhecido como Pedro. 14Ele te falará de acontecimentos que trazem a salvação para ti e para toda a tua família’. 15Logo que comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, da mesma forma que desceu sobre nós no princípio. 16Então eu me lembrei do que o Senhor havia dito: ‘João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo’.
17Deus concedeu a eles o mesmo dom que deu a nós que acreditamos no Senhor Jesus Cristo. Quem seria eu para me opor à ação de Deus?” 18Ao ouvirem isso, os fiéis de origem judaica se acalmaram e glorificavam a Deus, dizendo: “Também aos pagãos Deus concedeu a conversão que leva para a vida!”
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 41(42), 2. 3 e 42(43), 3. 4 (R. cf. Sl 41(42), 3a)
℟. Minha alma suspira por vós, ó meu Deus.
— Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh’alma por vós, ó meu Deus! ℟.
— A minh’alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus? ℟.
— Enviai vossa luz, vossa verdade: elas serão o meu guia; que me levem ao vosso Monte santo, até a vossa morada! ℟.
— Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. Vosso louvor cantarei, ao som da harpa, meu Senhor e meu Deus! ℟.
℣. Eu sou o bom pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim fala o Senhor. (Jo 10, 14) ℟.
Evangelho — Jo 10, 1-10
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus: 1“Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”.
6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Deus, Deus meus, ad te de luce vigilo: et in nomine tuo levabo manus meas, alleluia. (Ps. 62, 2. 5)
Vernáculo:
Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! Quero, pois, vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos! (Cf. LH: Sl 62, 2. 5)
Sobre as Oferendas
Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa e concedei o fruto da eterna alegria a quem destes motivo de tão grande júbilo. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Cantate Domino, alleluia: cantate Domino, benedicite nomen eius: bene nuntiate de die in diem salutare eius, alleluia, alleluia. (Ps. 95, 2; ℣. Ps. 95, 1. 3. 4. 7-8a. 8b-9a. 11-12a)
Vernáculo:
Cantai ao Senhor Deus, aleluia. Cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome! Dia após dia anunciai sua salvação, aleluia, aleluia. (Cf. LH: Sl 95, 2)
Depois da Comunhão
Senhor, olhai com bondade o vosso povo e fazei chegar à incorruptível ressurreição da carne aqueles que renovastes pelos sacramentos da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 27/04/2026
Cuidado com os lobos que atacam a Igreja
“Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.”
Cristo, o Bom Pastor, não deixa disperso o seu rebanho. Contra os perigos que rondam pelo mundo, o Senhor preparou para as suas ovelhas um aprisco seguro: a Igreja Católica. A porta de entrada para este redil de vida e santidade, onde há pastagem em abundância, não é outra senão o mesmo Senhor Jesus. Peçamos ao nosso Rei e Pastor a graça da escuta amorosa e fiel da sua Voz.
Ontem celebramos o Domingo do Bom Pastor. Hoje, a Igreja retoma durante a semana o capítulo 10 de São João, a respeito do Bom Pastor. Aqui se apresenta uma ideia básica, que é também de conflito. Temos um rebanho que precisa ser protegido de lobos vorazes, de mercenários, de ladrões e assaltantes; mas há um pastor, que quer proteger as ovelhas colocando-as num redil, numa clara alusão à Igreja. Ou seja: as ovelhas dispersas estão vulneráveis, podem ser atacadas a qualquer momento; ora, o redil da Igreja é o recinto em que as ovelhas estão protegidas durante a noite dos ataques de animais ferozes.No entanto, Jesus vê que a mesma Igreja, embora esteja bem amuralhada, pode ser atacada interiormente por falsos profetas, que ensinam heresias e mentiras camufladas de verdade. Por isso, Jesus conta essa parábola pensando em cada um de nós, não genericamente, mas em particular. Cristo, com efeito, recebeu de Deus a capacidade de ter cada homem presente ao seu amantíssimo Coração como se fosse o único do mundo.E como nos protegermos dos ataques que Ele prevê? O Senhor mesmo no-lo diz: “Eu sou a porta”. Ora, a “porta” quer dizer que, para entrar na Igreja, é preciso passar por Cristo, isto é, ter fé nele, acolhê-lo, deixar-se tocar por Ele. Então, se você não quer estar por aí, largado, como que vivendo a “aventura da vida” sem estar protegido por Jesus, precisa entrar no recinto da Igreja, abandonar a vida de pecado, ter fé no Cristo, ser batizado, confessar-se, permanecer em estado de graça. A ovelha que assim vive já está, graças a Deus, protegida no recinto da Igreja; mas, mesmo ali dentro, há falsários, pastores ilegítimos que, com o canto de sereia das heresias, das falsas doutrinas, das adaptações do Evangelho, buscam enganar as ovelhas. Mas Jesus nos tem presente a seus pensamentos: “As minhas ovelhas conhecem a minha voz” (Jo 10, 27).É extraordinária a delicadeza de Nosso Senhor em ver que a Igreja e aqueles que lhe são fiéis irão reconhecê-lo. Quantas vezes já me aconteceu no confessionário de orientar uma pessoa, dizendo-lhe uma palavra mais dura e desafiadora, e ouvir em resposta: “Padre, graças a Deus o senhor está me dizendo isso, porque outros me disseram palavras mais fáceis, mas eu sabia que aquilo estava errado”. É a verdade do Evangelho de hoje: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz”. Elas não precisam de adaptações, porque a Palavra de Deus pode ser dura em aparência; mas, na verdade, é ela que nos protege e dá a vida: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”. Os outros veem apenas para matar e destruir. Cristo deu a vida por nós. Correspondamos dando a nossa por Ele e acolhendo sua palavra tal como ela é.
Deus abençoe você!
Santo do dia 27/04/2026
Santa Zita, Virgem (Memória Facultativa)
Local: Lucca, Itália
Data: 27 de Abril † 1278
Lucca, onde Zita exerceu durante quase trinta anos o humilde ofício de doméstica, elegeu-a sua padroeira. Desde os tempos de Dante, que a cita em sua Comédia, trinta anos após a sua morte, o seu nome e o da cidade toscana são uma só coisa: falando de magistrado de Lucca, Dante, ou melhor, um diabo preto, limita-se a identificá-lo como um “ancião de santa Zita”. Zita nasceu em 1218 em Monsagrati, povoado nas proximidades de Lucca. Vinha de família humilde de camponeses, cujas meninas, para adquirirem dote e, o mais das vezes, para não ser um peso para a família, eram colocadas a serviço em uma família da cidade.
Antes das atuais conquistas sociais, a profissão de doméstica equivalia à “servidão”. Zita, com apenas doze anos de idade, foi posta a serviço da família luquense dos Fatinelli e aceitou com serenidade a sua condição social. Por amor a ele tolerava qualquer indelicadeza, seja da parte dos patrões, que no começo trataram-na com injustificada severidade, seja da parte de suas colegas de trabalho, enciumadas por seu zelo e por seu desinteresse total.
Era generosa nas esmolas aos pobres que batiam à porta da rica morada dos Fatinelli, mas dava da sua parte, pois vivia com muita parcimônia e as economias que punha à parte eram como tantos riachos que irrigavam as áridas plagas do abandono e da injustiça. Conta-se que uma companheira de trabalho, invejosa da estima que Zita tinha sabido conquistar (após as primeiras humilhantes provações, foi-lhe confiada a direção da casa), acusara ao patrão de dar muitas coisas aos pobres. De fato um dia Zita foi surpreendida enquanto saía de casa com o avental cheio para visitar uma família necessitada. À pergunta do patrão respondeu que levava flores e folhagens. E deixando livres as pontas do avental, uma chuva de flores caiu aos seus pés.
Sua vida foi toda um símbolo florido de virtudes cristãs provando que em qualquer condição social existe lugar para a atuação dos conselhos evangélicos. Suas virtudes impunham a admiração de todos os que dela se aproximavam e, após a morte, 27 de abril de 1278, imprimiram uma força irresistível à devoção popular. O seu túmulo na basílica de são Frediano, que ainda guarda o seu corpo, conservado incorrupto até a última exumação efetuada em 1652, sempre foi meta de peregrinações. O seu culto foi solenemente aprovado a 5 de setembro de 1696, por Inocêncio XII. Pio XII proclamou-a patrona das domésticas.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
Santa Zita, rogai por nós!


