Nome: Santa Clara de Assis (Memória)
Local: Assis, Itália
Data: 11 de Agosto † 1253

Clara de Assis brilhou certamente entre as grandes santas mulheres na história da Igreja. Como o nome expressa, ela foi uma estrela reluzente.

Seu biógrafo Frei Tomás de Celano diz dela: Clara de nome, mais clara pela vida, claríssima pelos costumes.

Na Bula de canonização, o papa Alexandre IV escreve: Clara, preclara por seus claros méritos, clareia claramente no céu pela claridade da grande glória, e na terra pelo esplendor dos milagres sublimes. Brilha aqui claramente sua estrita e elevada religião, irradia no alto a grandeza de seu prêmio eterno, e sua virtude resplandece para os mortais com sinais magníficos.

Clara nasceu no ano de 1193/1194, em Assis, na Itália, da ilustre família dos Offreduccio. Seu pai era Favarone Offreduccio. Pelos 18 anos ela foi apresentada a Francisco por seu primo Frei Rufino.

Entusiasmada pelo tipo de vida de seu conterrâneo, procurou segui-lo na medida do possível. Era uma jovem rica, inteligente e de extraordinária beleza. Na primavera de 1212, na cerimônia dos ramos, o bispo, certamente já avisado por Francisco das intenções de Clara, desceu do altar e lhe entregou um ramo bento. Seria a anuência do Bispo para que Francisco recebesse Clara em sua consagração religiosa. Naquela mesma noite fugiu de casa e recebeu a veste religiosa na Porciúncula, onde Francisco vivia com seus companheiros.

Depois de mudar-se de um a outro mosteiro, devido à busca promovida pela família, foi para São Damião, onde havia a capela restaurada por Francisco. Ali Clara vai for mar o primeiro mosteiro da nova Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Alguns dias depois, seguiu-a, também pela fuga, sua irmã Inês, que será canonizada mais tarde, e depois outra irmã, Beatriz. Também sua mãe Hortolana terminará seus dias em São Damião.

Clara, com suas irmãs de São Damião, realizará de modo eminente a faceta contemplativa do ideal de São Francisco, dentro do espírito da mais estrita pobreza.

Em Clara, a Igreja contempla o ideal da virgindade cristã como seguimento do Cristo esposo. Está fortemente presente a espiritualidade dos esponsais ou das núpcias com o Cordeiro divino, Jesus Cristo, a que é chamada toda a humanidade. A virgindade consagrada sempre foi considerada como um grande valor no seguimento do Cristo obediente, pobre e virgem na total entrega ao Pai e a serviço do Reino. A virgindade pode ser apreciada como símbolo significativo da identidade mais profunda da mulher e de sua potencialidade de vida, tendo como fonte o amor verdadeiro. Jovem, ela como que acumula um tesouro que será investido na aventura do amor verdadeiro, fonte de vida. Clara colocou toda esta potencialidade do amor a serviço do amor de Deus, da multidão de virgens que Deus lhe deu como filhas espirituais, e de toda a humanidade, através de sua vida de oração.

No entanto, na vida de Santa Clara existe uma intima relação entre a espiritualidade dos esponsais, enaltecida no Cântico dos Cânticos e a altíssima pobreza. Tratava-se de esvaziar seu coração de tudo o que pudesse prendê-lo. para dar espaço ao amor universal, amor filial a Deus e amor fraternal ou de irmã ao próximo e a todo o criado, a exemplo de Francisco.

Durante toda a vida Clara lutará para seguir de perto o tipo de pobreza ideado por São Francisco, que as autoridades eclesiásticas do tempo julgavam mais ou menos incompatível com a vida religiosa feminina enclausurada, como o era a das clarissas. Forçada a aceitar estruturas da vida monástica feminina contemporânea, Clara procurou insuflar nas companheiras o espírito que bebera em São Francisco.

Clara foi enquadrada no estilo de vida consagrada do monaquismo. Não havia lugar ainda para uma vida religiosa feminina consagrada de tipo apostólico, como foi inaugurada por Francisco de Assis. Clara teve que aceitar, por exemplo, o título de abadessa, próprio de outras monjas, e a casa ou convento foi chamado de mosteiro, entidade autônoma. Somente poucos dias antes da mor te, ela conseguiu a aprovação papal de uma Regra, por ela mesma redigida sob inspiração da Regra dos Frades Menores. O enquadramento no estilo monástico de vida talvez explique o fato de, pouco tempo depois da morte de Santa Clara, começarem a surgir Congregações franciscanas femininas de vida regular e apostólica. Hoje são as mais de 400 Congregações Franciscanas que observam a Regra da Terceira Ordem Regular de São Francisco (TOR), as nossas Congregações franciscanas.

Vale a pena lembrar suas últimas palavras no leito de morte, depois de abençoar suas irmãs e filhas presentes e futuras: "Vai em paz, minha alma, porque seguiste o bom caminho; vai confiante, porque teu Criador te santificou, te protegeu constantemente e te amou com toda a ternura de uma mãe por seu filho. Ó Deus, bendito sejas por me teres criado".

Clara faleceu no pequeno mosteiro de São Damião, Assis, em 1253, sendo declarada santa dois anos depois.

A Ordem das Clarissas, a II Ordem Franciscana, espalhou-se rapidamente, contando atualmente em torno de 19.000 religiosas, sob várias denominações segundo a Regra que observam.

A Oração coleta realça Santa Clara em seu amor à pobreza. Pede que, por sua intercessão, possamos seguir o Cristo com um coração de pobre e contemplá-lo um dia no reino dos Céus.

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

Oração a Santa Clara

Ó amável Santa Clara, por teu amor à infância de Jesus, alcança-nos a proteção sobre nossa família;
Por teu amor à Paixão de Jesus, alcança-nos força e coragem na provação.
Por teu amor à Igreja, alcança-nos a fé, a esperança e a caridade.
Por teu amor aos irmãos, alcança-nos a graça que vos pedimos.
Por teu amor à oração, alcança-nos o desejo de estar com o Senhor.
Por teu amor à pobreza, alcança-nos desprender-nos dos vícios e pecados.
Por tua Santa Morte, alcança-nos também a nós,
uma vida e morte santas nas mãos da Virgem Maria.
Amém.

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