4ª feira da 2ª Semana da Quaresma
Memória Facultativa
São João de Deus, Religioso
Antífona de entrada
Vernáculo:
Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vinde em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação. (Cf. MR: Sl 37, 22. 23) Sl. Repreendei-me, Senhor, mas sem ira; corrigi-me, mas não com furor! (Cf. LH: Sl 37, 2)
Coleta
Ó Deus, conservai constantemente vossa família na prática das boas obras e, assim como nos confortais agora com vossos auxílios, conduzi-nos aos bens eternos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Primeira Leitura (Jr 18, 18-20)
Leitura do Livro do Profeta Jeremias
Naqueles dias, 18disseram eles: “Vinde para conspirarmos juntos contra Jeremias; um sacerdote não deixará morrer a lei; nem um sábio, o conselho; nem um profeta, a palavra. Vinde para o atacarmos com a língua, e não vamos prestar atenção a todas as suas palavras”.
19Atende-me, Senhor, ouve o que dizem meus adversários. 20Acaso pode-se retribuir o bem com o mal? Pois eles cavaram uma cova para mim. Lembra-te de que fui à tua presença, para interceder por eles e tentar afastar deles a tua ira.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial (Sl 30)
℟. Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
— Retirai-me desta rede traiçoeira, porque sois o meu refúgio protetor! Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel! ℟.
— Ao redor, todas as coisas me apavoram; ouço muitos cochichando contra mim; todos juntos se reúnem, conspirando e pensando como vão tirar-me a vida. ℟.
— A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor! ℟.
℣. Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8, 12) ℟.
Evangelho (Mt 20, 17-28)
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 17enquanto Jesus subia para Jerusalém, ele tomou os doze discípulos à parte e, durante a caminhada, disse-lhes: 18“Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte, 19e o entregarão aos pagãos para zombarem dele, para flagelá-lo e crucificá-lo. Mas no terceiro dia ressuscitará”.
20A mãe dos filhos de Zebedeu aproximou-se de Jesus com seus filhos e ajoelhou-se com a intenção de fazer um pedido. 21Jesus perguntou: “O que tu queres?” Ela respondeu: “Manda que estes meus dois filhos se sentem, no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”. 22Jesus, então, respondeu-lhes: “Não sabeis o que estais pedindo. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber?” Eles responderam: “Podemos”. 23Então Jesus lhes disse: “De fato, vós bebereis do meu cálice, mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou”.
24Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram irritados contra os dois irmãos. 25Jesus, porém, chamou-os, e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. 26Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; 27quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. 28Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Ad te, Dómine, levávi ánimam meam: Deus meus, in te confído, non erubéscam: neque irrídeant me inimíci mei: étenim univérsi qui te exspéctant, non confundéntur. (Ps. 24, 1-3)
Vernáculo:
Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma, em vós confio: que eu não seja envergonhado nem triunfem sobre mim os inimigos! Não se envergonha quem em vós põe a esperança, mas sim, quem nega por um nada a sua fé. (Cf. LH: Sl 24, 1-3)
Sobre as Oferendas
Considerai, ó Deus, com bondade, as oferendas que vos apresentamos e concedei-nos, por meio delas, o perdão dos nossos pecados. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Vernáculo:
Porque justo é nosso Deus, o Senhor ama a justiça. Quem tem reto coração há de ver a sua face. (Cf. LH: Sl 10, 7)
Depois da Comunhão
Senhor nosso Deus, vós quisestes que a Eucaristia fosse para nós penhor da imortalidade. Fazei que ela nos conduza à eterna salvação. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 08/03/2023
Servir é reinar
Por que razão os Apóstolos, após estarem tanto tempo com Jesus, não são capazes de captar o principal evento da vida de Cristo, o motivo último pelo qual Ele desceu dos Céus e fez-se Servo de todos?
No Evangelho desta quarta-feira, em que Cristo faz o terceiro anúncio de sua Paixão, assistimos aos filhos de Zebedeu manifestarem toda a sua ambição mundana e todo o seu carreirismo interesseiro. O Senhor vem tentando, desde a instituição do primado petrino, dar a entender a seus discípulos não só a necessidade como também a iminência da Cruz: "O Filho do Homem", diz, "será entregue aos sumos sacerdotes e aos mestres da Lei. Eles o condenarão à morte". As suas palavras, no entanto, só dão contra ouvidos moucos; não existem, pois, corações dispostos a escutá-lO no que de mais duro — e principal — há no mistério de sua vida. A razão dessa surdez, obviamente, não deve ser buscada numa pretensa falta de clareza, pois Jesus é Mestre por excelência, mas antes na falta de correspondência à graça interior que, iluminando-nos, abre os nossos olhos e ouvidos ao sentido profundo do Evangelho. Sem essa moção divina dentro de nós, nem todos os profetas e milagres serão capazes de dar-nos a certeza, humilde e confiante, da fé; se não damos ouvido à voz interior do Cristo, que nos fala ao coração, apenas nos deixaremos mover — e convencer — pela concupiscência da carne, pela concupiscência dos olhos e pela soberba da vida (cf. 1Jo 2, 16).
Aproveitemos este tempo quaresmal para, como muitos e frequentes atos de fé, renovarmos nossa certeza, escutada no íntimo de nossa alma, de que o sacrifício do Senhor no Calvário foi o coroamento esplendoroso — escândalo, porém, para a tola sabedoria do mundo — de toda a vida de serviço a que Ele, humilde como um cordeiro imaculado, dedicou-se sem descanso, a fim de que fôssemos purificados de nossos pecados. Que esta verdade, mais consolidada em nosso coração, nos motive, fortalecidos com o auxílio eficaz da graça divina, a nos entregarmos também nós pelos nossos irmãos, assim como Cristo, Senhor e Servo do homem, se entregou pelos seus escolhidos. Peçamos também à Virgem Santíssima que sempre faça presente ao nosso coração o sentido dessas palavras de seu Filho, bem como a graça de podermos levá-las a cabo: "Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo".
Deus abençoe você!
No Evangelho de hoje, Jesus, ao anunciar pela terceira vez a Paixão, procura fazer os discípulos entenderem a necessidade e o sentido do que será para eles, ainda poucos firmes na fé, motivo de confusão e escândalo: a crucificação do Senhor. Mas por que os Apóstolos, após tanto tempo com Jesus, depois de tantos milagres, não são capazes de aceitar— ou mesmo de captar — o principal evento da vida de Cristo, o motivo último pelo qual Ele desceu dos céus e se fez servo de todos? É o que o Padre Paulo explica na homilia desta quarta-feira, dia 8 de março. Assista e venha aprofundar-se na Palavra de Deus!
Santo do dia 08/03/2023
São João de Deus (Memória Facultativa)
Local: Granada, Espanha
Data: 08 de Março† 1550
Estamos diante de um santo com características singulares. João de Deus nasceu em Portugal em 1495 e morreu em Granada, na Espanha, no ano de 1550. Foi sucessivamente camponês, militar e comerciante. Fugindo de casa ainda menino, foi para a Espanha, onde aprendeu a cuidar de rebanhos e tornou-se administrador da propriedade do benfeitor. Alistou-se, a seguir, como soldado nas tropas do imperador Carlos V, mas foi expulso sob acusação de cumplicidade com ladrões de espólios de guerra.
Depois de várias outras peripécias, fixou-se em Granada, abrindo um pequeno negócio de livros. Ouvindo a pregação de São João de Ávila, foi tocado profundamente pela graça. Acabou encontrando sua verdadeira vocação e missão de benfeitor dos pobres e doentes. Com uma pequena herança deixada por um sacerdote, alugou uma casa em Granada para acolher indigentes. Daí por diante, as suas andanças visavam apenas a conseguir meios materiais para sustentar sua obra apostólica. Colocava toda a sua confiança na Providência Divina. Para conseguir ajuda para o hospital por ele fundado, ele passava pelas ruas e dizia: "Fazei o bem, irmãos".
Nem João nem seus auxiliares pensavam em constituir uma Congregação religiosa, mas depois de sua morte nasceu a Ordem dos Hospitaleiros de São João de Deus. Um século depois de sua fundação, a Ordem já contava com 80 hospitais. Hoje se acha espalhada em todo o mundo. Canonizado em 1690, João de Deus foi declarado patrono dos hospitais por Leão XIII.
O que podemos realçar na vida desse santo? Primeiramente, que cada pessoa tem a sua hora da graça. João de Deus atendeu ao chamado aos 40 anos de idade. Importa realmente responder ao chamado para o trabalho na vinha do Senhor. O outro aspecto é sua total dedicação aos pobres e enfermos, uma das obras de misericórdia do Evangelho.
A Oração coleta caracteriza-o pelo coração cheio de misericórdia que continua a convidar a todos para a prática das boas obras de caridade. Assim poderemos ser encontrados entre os escolhidos quando chegar o reino de Deus.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São João de Deus, rogai por nós!


