Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, Solenidade
Antífona de entrada
Cibavit eos ex adipe frumenti, alleluia: et de petra, melle saturavit eos, alleluia, alleluia, alleluia. Ps. Exsultate Deo adiutori nostro: iubilate Deo Iacob. Ant. Sumite psalmum, et date tympanum: psalterium iucundum cum cithara. Ant. Ego enim sum Dominus Deus tuus, qui eduxi te de terra Aegypti: dilata os tuum, et implebo illud. Ant. (Ps. 80, 17 et 2. 3. 11)
Vernáculo:
O Senhor os alimentou com a flor do trigo e com o mel do rochedo os saciou. (Cf. MR: Sl 80, 17) Sl. Exultai no Senhor, nossa força, e ao Deus de Jacó aclamai! Ant. Cantai salmos, tocai tamborim, harpa e lira suaves tocai! Ant. Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei. Abre bem a tua boca e eu te sacio! Ant. (Cf. LH: Sl 80, 2. 3. 11)
Coleta
Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa paixão; dai-nos venerar de tal modo o sagrado mistério do vosso Corpo e Sangue, que experimentemos continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que sois Deus, e viveis e reinais com o Pai, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Dt 8, 2-3. 14b-16a
Leitura do Livro do Deuteronômio
Moisés falou ao povo, dizendo: 2Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu, esses quarenta anos, no deserto, para te humilhar e te pôr à prova, para saber o que tinhas no teu coração, e para ver se observarias ou não seus mandamentos.
3Ele te humilhou, fazendo-te passar fome e alimentando-te com o maná que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te mostrar que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor.
14bNão te esqueças do Senhor teu Deus que te fez sair do Egito, da casa da escravidão, 15e que foi teu guia no vasto e terrível deserto, onde havia serpentes abrasadoras, escorpiões, e uma terra árida e sem água nenhuma. Foi ele que fez jorrar água para ti da pedra duríssima, 16ae te alimentou no deserto com maná, que teus pais não conheciam.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 147(147B), 12-13. 14-15. 19-20 (R. 12)
℟. Glorifica o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!
— Glorifica o Senhor, Jerusalém! Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! Pois reforçou com segurança as tuas portas, e os teus filhos em teu seio abençoou. ℟.
— A paz em teus limites garantiu e te dá como alimento a flor do trigo. Ele envia suas ordens para a terra, e a palavra que ele diz corre veloz. ℟.
— Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos e suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos. ℟.
Segunda Leitura — 1Cor 10, 16-17
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Irmãos: 16O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? 17Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Sequência
(Forma longa. A forma abreviada está indicada a partir dos colchetes)
Terra, exulta de alegria,
louva teu pastor e guia
com teus hinos, tua voz!
Tanto possas, tanto ouses,
em louvá-lo não repouses:
sempre excede o teu louvor!
Hoje a Igreja te convida:
ao pão vivo que dá vida
vem com ela celebrar!
Este pão, que o mundo o creia!
por Jesus, na santa ceia,
foi entregue aos que escolheu.
Nosso júbilo cantemos,
nosso amor manifestemos,
pois transborda o coração!
Quão solene a festa, o dia
que da santa Eucaristia
nos recorda a instituição!
Novo Rei e nova mesa,
nova Páscoa e realeza,
foi-se a Páscoa dos judeus.
Era sombra o antigo povo,
o que é velho cede ao novo:
foge a noite, chega a luz.
O que o Cristo fez na ceia,
manda à Igreja que o rodeia
repeti-lo até voltar.
Seu preceito conhecemos:
pão e vinho consagremos
para nossa salvação.
Faz-se carne o pão de trigo,
faz-se sangue o vinho amigo:
deve-o crer todo cristão.
Se não vês nem compreendes,
gosto e vista tu transcendes,
elevado pela fé.
Pão e vinho, eis o que vemos;
mas ao Cristo é que nós temos
em tão ínfimos sinais...
Alimento verdadeiro,
permanece o Cristo inteiro
quer no vinho, quer no pão.
É por todos recebido,
não em parte ou dividido,
pois inteiro é que se dá!
Um ou mil comungam dele,
tanto este quanto aquele:
multiplica-se o Senhor.
Dá-se ao bom como ao perverso,
mas o efeito é bem diverso:
vida e morte traz em si...
Pensa bem: igual comida,
se ao que é bom enche de vida,
traz a morte para o mau.
Eis a hóstia dividida...
Quem hesita, quem duvida?
Como é toda o autor da vida,
a partícula também.
Jesus não é atingido:
o sinal é que é partido;
mas não é diminuído,
nem se muda o que contém.
[Eis o pão que os anjos comem
transformado em pão do homem;
só os filhos o consomem:
não será lançado aos cães!
Em sinais prefigurado,
por Abraão foi imolado,
no cordeiro aos pais foi dado,
no deserto foi maná...
Bom pastor, pão de verdade,
piedade, ó Jesus, piedade,
conservai-nos na unidade,
extingui nossa orfandade,
transportai-nos para o Pai!
Aos mortais dando comida,
dais também o pão da vida;
que a família assim nutrida
seja um dia reunida
aos convivas lá do céu!]
℣. Eu sou o pão vivo descido do céu; quem deste pão come, sempre há de viver! (Jo 6, 51) ℟.
Evangelho — Jo 6, 51-58
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo: disse Jesus às multidões dos judeus: 51“Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. 52Os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?”
53Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Portas caeli aperuit Dominus: et pluit illis manna, ut ederent: panem caeli dedit illis: panem angelorum manducavit homo, alleluia. (Ps. 77, 23. 24. 25; p.207)
Vel:
Sanctificavit Moyses altare Domino, offerens super illud holocausta, et immolans victimas: fecit sacrificium vespertinum in odorem suavitatis Domino Deo, in conspectu filiorum Israel. (Cf. Ex. 24, 4. 5; p.338)
Vernáculo:
Ordenou, então, às nuvens lá dos céus, e as comportas das alturas fez abrir; fez chover-lhes o maná e alimentou-os, e lhes deu para comer o pão do céu. O homem se nutriu do pão dos anjos, e mandou-lhes alimento em abundância, aleluia. (Cf. LH: Sl 77, 23. 24. 25)
Ou:
Moisés edificou ao pé da montanha um altar, mandou alguns jovens israelitas oferecer holocaustos e imolar novilhos como sacrifícios de paz para o Senhor. (Cf. Bíblia CNBB: Ex 24, 4. 5)
Sobre as Oferendas
Senhor, nós vos pedimos, concedei benigno à vossa Igreja os dons da unidade e da paz, misticamente simbolizados por estas oferendas. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Qui manducat carnem meam, et bibit sanguinem meum, in me manet, et ego in eo, dicit Dominus. (Io. 6, 57; ℣. Ps. 118, 1. 2. 11. 49. 50. 72. 103. 105. 162 vel Ps. 22, 1-2a. 2b-3a. 3b. 4ab. 4cd. 5ab. 5cd. 6ab; p.383)
Vernáculo:
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele, diz o Senhor. (Cf. MR: Jo 6, 56)
Depois da Comunhão
Concedei-nos, Senhor, a participação eterna na vossa divindade que, no tempo presente, é prefigurada na comunhão do vosso precioso Corpo e Sangue. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Homilia do dia 04/06/2026
Sejamos ostensórios vivos de Cristo!
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim”.
Celebramos hoje Corpus Christi, Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, uma solenidade em que está presente, de forma extraordinária, Santo Tomás de Aquino, porque foi ele quem compôs todo o Ofício e a liturgia da Missa, as partes próprias desta solenidade. Ele é o grande cantor da Eucaristia. Nós precisamos, nesta festa, renovar a nossa fé neste sacramento de amor.
Quando Nossa Senhora apareceu em Fátima, pediu que renovássemos verdadeiramente a nossa devoção pela Eucaristia, inclusive preparou sua aparição com a do Anjo, que ensinou as três crianças a adorar Jesus Sacramentado e a oferecer o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Cristo, presente nos sacrários do mundo inteiro, em reparação das ofensas a Jesus Eucarístico, pela conversão dos pecadores e em reparação das ofensas ao Imaculado Coração de Maria.
Mas como o nosso amor pela Eucaristia tem a capacidade de desfazer a desordem do mundo? Com o pecado, o mundo caiu em desordem. Nós pusemos o mundo de cabeça para baixo. Deus, que deve ser glorificado, está no alto dos Céus, mas nós o pusemos no lugar mais baixo e o expulsamos de nossas vidas. Agora, precisamos, com a graça e a ajuda de Deus, pôr ordem nas coisas. A Eucaristia é esse instrumento extraordinário de salvação. O sacramento da Eucaristia é um instrumento de Deus para fazer com que nós recebamos em nossas vidas as graças que Jesus mereceu no Calvário.
Apesar de termos usado a palavra “instrumento”, sabemos que a Eucaristia é o próprio Deus que se fez homem, escondido atrás do véu do sacramento. Acontece que Deus escolheu a humanidade de Cristo como instrumento próprio para a nossa salvação, e os sacramentos são, sim, instrumentos nas mãos do divino Mestre.
Façamos uma comparação, bebendo aqui da doutrina de Santo Tomás de Aquino. Poderíamos dizer que Deus, para nos salvar, se fez homem; então, nós temos um instrumento próprio. Imaginemos Jesus trabalhando na carpintaria. Ele, como instrumento próprio para trabalhar a madeira, tem as mãos, mas nem sempre Ele toca na madeira com as mãos, às vezes Ele a toca com o serrote, com o martelo, com o formão, com a plaina… Pois bem, esses vários instrumentos que servem de extensão para as mãos do Cristo são os sacramentos; a madeira somos nós, por isso precisamos ser trabalhados e transformados. Cristo já nos salvou; agora, a salvação precisa entrar em nossas vidas, e a forma mais íntima de isso acontecer, entre todos os instrumentos que Deus tem para tocar em nós, é a Eucaristia. Ela é o próprio Senhor dos sacramentos, Cristo que vem ao nosso encontro para nos alimentar, para ser refeição espiritual.
Renovemos hoje a nossa fé na presença de Cristo na Eucaristia. Ao comungarmos na Missa de hoje, vivamos com todo o fervor o mistério de saber que Ele está em nós. Nós iremos sair em procissão pelas ruas da cidade — sim, o sacerdote vai levar nas mãos o ostensório —, mas nós mesmos devemos ser ostensórios vivos, levando Cristo conosco para abençoar não apenas as ruas da nossa cidade, mas todos aqueles que encontrarmos, para que o mundo entre em contato com o instrumento de nossa salvação, que é o próprio Cristo.
Deus abençoe você!
Santo do dia 04/06/2026
São Francisco Caracciolo, Presbítero (Memória Facultativa)
Local: Agnone, Itália
Data: 04 de Junho † 1608
Às vezes um erro do correio pode ser providencial. No caso de nosso santo o erro era quase inevitável. Ele se chamava Ascânio Caracciolo e morava junto à Congregação dos Brancos da Justiça, que se dedicavam à assistência aos condenados à morte, junto à qual exercia a mesma obra humanitária outro sacerdote com idêntico nome, Ascânio Caracciolo. A carta foi escrita pelo genovês Agostinho Adorno, venerável, e por Fabrício Caracciolo, abade de santa Maria Maior de Nápoles. Ambos se dirigiam a Ascânio Caracciolo para pedir que colaborasse com a fundação de uma nova Ordem, a dos Clérigos Regulares Menores. Mas a qual dos dois Caracciolo?
O correio endereçou-a ao jovem sacerdote, nascido a 13 de outubro de 1563 em Vila Santa Maria de Chieti e que se mudou para Nápoles aos 22 anos de idade para completar os estudos teológicos. Os anos de sua juventude transcorreram sem que nada de particular fizesse prever nele a extraordinária atividade apostólica que em sua curta vida (morreu aos 45 anos) desenvolveria. Com os dois remetentes foi ao ermo de Camaldoli, para a elaboração da Regra, que o papa Xisto V aprovou a 1º de julho de 1588.
A Francisco Caracciolo se deve a introdução de um quarto voto, além dos comuns de pobreza, castidade e obediência: o de não aceitar dignidade alguma eclesiástica. Um ano depois Ascânio Caracciolo emitia os votos religiosos assumindo o nome de Francisco. Em 1593, a pequena congregação — estava ainda numa apertada moradia perto da igreja da Misericórdia — celebrou o primeiro capítulo geral e Francisco teve de aceitar por obediência o cargo de prepósito geral. Nesse tempo a jovem congregação se estabelecia em Roma, na igreja de santa Inês, na praça Navona. Vencido o seu mandato voltou para a Espanha, onde estivera já em 1593 e lá fundara uma casa religiosa em Valladolid e um colégio em Alcalá. Foi mestre de noviços em Madri e novamente Prepósito da casa de Santa Maria Maior de Nápoles.
As múltiplas atividades haviam enfraquecido sua débil saúde. Durante uma estada em Agnone, com os padres do Oratório, caiu gravemente enfermo e morreu a 4 de junho de 1608. O seu corpo, transportado para Nápoles, foi sepultado na igreja de Santa Maria Maior. O primeiro de seus numerosos milagres, a cura de um aleijado precisamente durante seus funerais, foi a faísca que acendeu a devoção dos napolitanos para com este grande santo, canonizado por Pio VII a 24 de maio de 1807 e eleito em 1840 co-padroeiro da cidade de Nápoles.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Francisco Caracciolo, rogai por nós!


