3ª feira da 9ª Semana do Tempo Comum
Memória Facultativa
Santos Marcelino e Pedro, Mártires
Antífona de entrada
Respice in me, et miserére mei, Dómine: quóniam únicus et pauper sum ego: vide humilitátem meam, et labórem meum: et dimítte ómnia peccáta mea, Deus meus. Ps. Ad te Dómine levávi ánimam meam: Deus meus, in te confído, non erubéscam. (Ps. 24, 16. 18 et 1-2)
Vernáculo:
Olhai para mim, Senhor, e tende compaixão, porque sou pobre e estou sozinho. Considerai minha miséria e sofrimento e concedei vosso perdão aos meus pecados. (Cf. MR: Sl 24, 16. 18) Sl. Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma, em vós confio: que eu não seja envergonhado. (Cf. LH: Sl 24, 1-2)
Coleta
Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos pedimos humildemente: afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o que for útil. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 2Pd 3, 12-15a. 17-18
Leitura da Segunda Carta de São Pedro
Caríssimos, 12esperais com anseio a vinda do Dia de Deus, quando os céus em chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão? 13O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. 14Caríssimos, vivendo nesta esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz. 15aConsiderai também como salvação a longanimidade de nosso Senhor. 17Vós, portanto, bem-amados, sabendo disto com antecedência, precavei-vos, para não suceder que, levados pelo engano destes ímpios, percais a própria firmeza. 18Antes procurai crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, desde agora, até ao dia da eternidade. Amém.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 89(90), 2. 3-4. 10. 14 e 16 (R. 1)
℟. Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós!
— Já bem antes que as montanhas fossem feitas ou a terra e o mundo se formassem, desde sempre e para sempre vós sois Deus. ℟.
— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. ℟.
— Pode durar setenta anos nossa vida, os mais fortes talvez cheguem a oitenta; a maior parte é ilusão e sofrimento: passam depressa e também nós assim passamos. ℟.
— Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Manifestai a vossa obra a vossos servos, e a seus filhos revelai a vossa glória! ℟.
℣. Que o Pai do Senhor Jesus Cristo nos dê do saber o Espírito, para que conheçais a esperança, reservada para vós, como herança! (Cf. Ef 1, 17-18) ℟.
Evangelho — Mc 12, 13-17
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 13as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes, para apanharem Jesus em alguma palavra. 14Quando chegaram, disseram a Jesus: “Mestre, sabemos que tu és verdadeiro, e não dás preferência a ninguém. Com efeito, tu não olhas para as aparências do homem, mas ensinas, com verdade, o caminho de Deus. Dize-nos: É lícito ou não pagar o imposto a César? Devemos pagar ou não?” 15Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: “Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja”. 16Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e a inscrição que estão nessa moeda?” Eles responderam: “De César”. 17Então Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. E eles ficaram admirados com Jesus.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Sperent in te omnes, qui novérunt nomen tuum, Dómine: quóniam non derelínquis quaeréntes te: psállite Dómino, qui hábitat in Sion: quóniam non est oblítus oratiónem páuperum. (Ps. 9, 11. 12. 13)
Vernáculo:
Quem conhece o vosso nome, em vós espera, porque nunca abandonais quem vos procura. Cantai hinos ao Senhor Deus de Sião, celebrai seus grandes feitos entre os povos! Pois não esquece o clamor dos infelizes, deles se lembra e pede conta do seu sangue. (Cf. LH: Sl 9, 11. 12. 13)
Sobre as Oferendas
Senhor, confiantes em vosso amor de Pai, acorremos com nossos dons ao santo altar. Concedei-nos que, ao celebrarmos os vossos mistérios, sejamos purificados por vossa graça santificadora. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Ou:
Em verdade vos digo, tudo o que pedirdes em oração acreditai que já o recebestes, e assim será, diz o Senhor. (Mc 11, 23. 24)
Ego clamávi, quóniam exaudísti me Deus: inclína aurem tuam, et exáudi verba mea. (Ps. 16, 6; ℣. Ps. 16, 1ab. 2. 5. 7. 8-9a. 15)
Vel:
Amen dico vobis, quidquid orántes pétitis, crédite quia accipiétis, et fiet vobis. (Mc. 11, 24; ℣. Ps. 60, 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9)
Vernáculo:
Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me! (Cf. MR: Sl 16, 6)
Ou:
Em verdade vos digo, tudo o que pedirdes em oração acreditai que já o recebestes, e assim será, diz o Senhor. (Cf. MR: Mc 11, 23. 24)
Depois da Comunhão
Governai, Senhor, pelo vosso Espírito os que alimentais com o Corpo e o Sangue do vosso Filho. Dai-nos proclamar a nossa fé não somente em palavras, mas também pela verdade das nossas ações, para que mereçamos entrar no reino dos céus. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 02/06/2026
Não cabe ao Estado dizer o que é a verdade!
“A César o que de é de César, a Deus o que é Deus”, não porque a Igreja e o Estado se encontrem separados de tal modo que o segundo nada deva à primeira nem tenha a obrigação de abraçar a religião verdadeira; mas porque, sendo ambos sociedades perfeitas em sua própria ordem, o Estado está circunscrito, em seus poderes e leis, por limites bastante claros, cuja extrapolação injusta nem a Igreja, nem consciência cristã alguma, está obrigada a tolerar.
No Evangelho de hoje, Jesus diz: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Olhemos um pouco para o contexto histórico deste Evangelho, a fim de entendermos o que Jesus está realmente dizendo.
Ajuda-nos muito a entender este Evangelho ir, mais à frente, ao momento em que Jesus é acusado diante de Pilatos. Sabemos que Jesus foi condenado à morte pelos sumos sacerdotes porque Ele, “sendo homem, se fazia igual a Deus”. É a acusação dos sumos sacerdotes, que não crêem que Jesus é Deus feito homem, e portanto só pode ser um “blasfemo”, alguém que quer tomar o lugar de Deus.
Mas os sumos sacerdotes que condenaram Jesus à morte no seu tribunal não podiam apresentar a mesma queixa ao tribunal de Pilatos. Por quê? Porque, é claro, se dissessem: “Este homem diz ser Deus”, Pilatos daria uma gargalhada: “A deuses temos muitos”, porque Pilatos era parte de um império politeísta.
Então, os sumos sacerdotes precisavam forjar uma acusação política e mundana contra Jesus, e a acusação era de que Jesus estava revoltando o povo contra César, o imperador romano, porque estava impedindo o povo de pagar os impostos.
É exatamente essa a “armadilha” do Evangelho de hoje, ao perguntarem se é justo pagar impostos. Por quê? Porque querem que Jesus dê uma resposta política. Mas Ele escapa da armadilha com sabedoria — pois Ele é a Sabedoria encarnada —, mas não somente escapa, como também acende uma luz, um farol que irá iluminar a relação entre a Igreja e o Estado ao longo dos séculos.
César, como qualquer governante, deve cuidar das coisas temporais; mas há algo sobre o qual César não tem poder: é o que está acima de César, ou seja, Deus, a verdade, a sabedoria, a graça, a salvação eterna.
Jesus, ao distinguir os dois campos, trouxe abaixo o Império Romano. Sim, porque essa verdade, uma vez ensinada, fez com que os Apóstolos pudessem dizer: “Convém antes obedecer a Deus do que aos homens” (At 5,29).
Os cristãos foram sempre excelentes cidadãos, desde que o Estado não lhes pedisse coisas impossíveis. Sim, cidadãos obedientes ao Estado, desde que este não tome o lugar de Deus e queira ser um poder educacional, querendo dizer o que é verdade e o que não o é. Isso não compete ao Estado. Compete, sim, à Igreja ensinar a verdade; e compete a Deus dar a cada um a luz da verdade, tanto a luz natural da razão quanto a luz sobrenatural da graça. Mas é Deus quem nos vai dar a verdade.
Cabe ao Estado cuidar da segurança pública, dos esgotos e das necessidades comuns; mas não compete ao Estado ensinar a verdade que liberta. Jesus, ao dizer isso, literalmente realizou na história da Igreja a máxima do Evangelho de São João (Jo 8,32): “A verdade vos libertará”, isto é, “vos fará livres”.
Jesus criou homens livres ao longo dos séculos, bons cidadãos, obedientes, até surgir uma espécie de “besta” — para usar uma metáfora do próprio São João no Apocalipse —, ou seja, um Estado que quer tomar o lugar de Deus. Besta esta que, cavalgada pela prostituta dos interesses carnais e mundanos, quer acorrentar a Esposa do Cordeiro.
“Até aqui chegará a tua soberba, não além!” (Jó 38, 11). A Igreja tem demonstrado, ao longo dos séculos, que o sangue dos mártires está pronto para correr e ser derramado no chão, dando a Deus o que é de Deus.
Deus abençoe você!
Santo do dia 02/06/2026
São Marcelino e São Pedro, Mártires (Memória Facultativa)
Local: Roma, Itália
Data: 02 de Junho † c. 304
Infinitas vezes na história confirmou-se o ditado: “O homem põe e Deus dispõe”, querendo significar que frequentemente Deus dispõe ao contrário do que o homem propôs. Foi o que aconteceu com os santos Marcelino e Pedro. Como que pressagiando a sua missão de transmitir a memória de inumeráveis mártires, são Dâmaso, como refere ele mesmo, recolheu ainda menino a narração do carrasco dos santos Marcelino e Pedro. O algoz referiu que havia disposto a decapitação dos dois no centro de um bosque justamente para não ficar nenhuma lembrança: ambos tiveram de limpar com as próprias mãos a pequena superfície que ia banhar-se de sangue.
Os últimos três versos dos nove de que é constituído o canto 23 do papa Dâmaso, informam que os corpos desses mártires ficaram escondidos por algum tempo, numa límpida gruta, até que, impulsionada pela devoção, Lucila, piedosa matrona, deu-lhes digna sepultura. O martírio dera-se na terceira milha da antiga via Labicana, a hodierna Casilina. Constantino aí edificou uma igreja. Tendo sido violada pelos godos, o papa Virgílio a fez restaurar e introduziu os nomes dos santos Marcelino e Pedro no próprio cânon da Missa, assegurando-lhes assim a lembrança e a devoção da parte dos fiéis.
Onde a moderna via Labicana cruza com a via Merulana (a rua que vai de São João de Latrão a Santa Maria Maior) emerge desde 1751 a basílica dos santos Marcelino e Pedro, edificada sobre alicerces que parecem remontar à segunda metade do século IV e onde se encontra talvez a morada de um dos dois santos titulares. As peripécias terrenas do presbítero Marcelino e do exorcista Pedro foram enriquecidas de elementos mais ou menos lendários por uma Paixão do século VI.
Essa Paixão narra que Pedro e Marcelino foram fechados numa prisão sob a vigilância de certo Artêmio, cuja filha Paulina estava possuída pelo demônio. Pedro exorcista garantiu a Artêmio que, se ele e a sua mulher Cândida se convertessem ao cristianismo, sua filha Paulina seria imediatamente curada. Após algum tempo de indecisão, a pequena família se converteu e dali a pouco foi também chamada a testemunhar Cristo com o martírio: a doze milhas da via Aurélia, Artêmio foi decapitado e Cândida com Paulina foram sufocadas debaixo de um monte de pedras.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Marcelino e São Pedro, rogai por nós!


