3ª feira da 33ª Semana do Tempo Comum
Memória Facultativa
Santa Margarida da Escócia ou Santa Gertrudes, Virgem
Antífona de entrada
Meus pensamentos são de paz e não de aflição, diz o Senhor. Vós me invocareis, e hei de escutar-vos, e vos trarei de vosso cativeiro, de onde estiverdes. (Jr 29, 11. 12. 14)
Coleta
Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Primeira Leitura (2Mc 6, 18-31)
Leitura do Segundo Livro dos Macabeus
18Eleazar era um dos principais doutores da Lei, homem de idade avançada e de venerável aparência. Quiseram obrigá-lo a comer carne de porco, abrindo à força sua boca. 19Mas ele, preferindo morrer gloriosamente a viver desonrado, caminhou espontaneamente para a tortura da roda, 20depois de ter cuspido o que lhe haviam posto na boca. Assim deveriam proceder os que têm a coragem de recusar aquilo que nem para salvar a vida é lícito comer. 21Os encarregados desse ímpio banquete ritual, que conheciam Eleazar desde muito tempo, chamaram-no à parte e insistiram para que mandasse trazer carnes cujo uso lhes era permitido e que ele mesmo tivesse preparado, apenas fingisse comer carnes provenientes do sacrifício, conforme o rei ordenara. 22Agindo assim evitaria a morte, aproveitando esta oportunidade que lhe davam em consideração à velha amizade. 23Mas ele tomou uma nobre resolução digna da sua idade, digna do prestígio de sua velhice, dos seus cabelos embranquecidos com honra, e da vida sem mancha que levara desde a infância. Uma resolução digna, sobretudo, da santa legislação instituída pelo próprio Deus. E respondeu coerentemente, dizendo que o mandassem logo para a mansão dos mortos. 24E acrescentou: “Usar desse fingimento seria indigno da nossa idade. Muitos jovens ficariam convencidos de que Eleazar, aos noventa anos, adotou as normas de vida dos estrangeiros; 25seriam enganados por mim, por causa do fingimento que eu usaria para salvar um breve resto de vida. De minha parte eu atrairia sobre minha velhice a vergonha e a desonra. 26E ainda que escapasse por um momento ao castigo dos homens, eu não poderia, nem vivo nem morto, fugir das mãos do Todo-poderoso. 27Se, pelo contrário, eu agora renunciar corajosamente a esta vida, vou mostrar-me digno de minha velhice, 28e deixarei aos jovens o nobre exemplo de como se deve morrer, com entusiasmo e generosidade, pelas veneráveis e santas leis”.
Ditas estas palavras, caminhou logo para o suplício. 29Os que o conduziam, transformaram em brutalidade a benevolência manifestada pouco antes. E consideraram loucas as palavras que ele acabara de dizer. 30Eleazar, porém, estando para morrer sob os golpes, disse ainda entre gemidos: “O Senhor, em sua santa sabedoria, vê muito bem que eu, podendo escapar da morte, suporto em meu corpo as dores cruéis provocadas pelos açoites, mas em minha alma suporto-as com alegria, por causa do temor que lhe tenho”. 31Assim Eleazar partiu desta vida. Com sua morte deixou um exemplo de coragem e um modelo inesquecível de virtude, não só para os jovens, mas também para toda a nação.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial (Sl 3)
℟. É o Senhor quem me sustenta e me protege!
— Quão numerosos, ó Senhor, os que me atacam; quanta gente se levanta contra mim! Muitos dizem, comentando a meu respeito: “Ele não acha a salvação junto de Deus!” ℟.
— Mas sois vós o meu escudo protetor, a minha glória que levanta minha cabeça! Quando eu chamei em alta voz pelo Senhor, do Monte santo ele me ouviu e respondeu. ℟.
— Eu me deito e adormeço bem tranquilo; acordo em paz, pois o Senhor é meu sustento. Não terei medo de milhares que me cerquem e furiosos se levantem contra mim. Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me! ℟.
℣. Por amor, Deus enviou-nos o seu Filho como vítima por nossas transgressões. (1Jo 4, 10b) ℟.
Evangelho (Lc 19, 1-10)
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. 2Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. 3Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. 4Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. 5Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. 6Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. 7Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: “Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!” 8Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: “Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais”.
9Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Sobre as Oferendas
Concedei, Senhor nosso Deus, que a oferenda colocada sob o vosso olhar nos alcance a graça de vos servir e a recompensa de uma eternidade feliz. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Para mim só há um bem: é estar com Deus, é colocar o meu refúgio no Senhor. (Sl 72, 28)
Ou:
Em verdade eu vos digo: o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e vos será concedido, diz o Senhor. (Mc 11, 23. 34)
Depois da Comunhão
Tendo recebido em comunhão o Corpo e o Sangue do vosso Filho, concedei, Ó Deus, possa esta Eucaristia que ele mandou celebrar em sua memória, fazer-nos crescer em caridade. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 16/11/2021
Jesus quer estar em nossa casa
“Hoje, a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão” (Lucas 19,9).
Zaqueu queria ver Jesus, e fez todo o esforço possível para poder vê-Lo. Era de baixa estatura, tinha uma grande multidão a sua frente, e ele superou os obstáculos; não parou nos obstáculos, ele foi procurar Jesus de todo o seu coração para vê-Lo.
Por que Zaqueu quis ver Jesus? O Senhor já havia visto Zaqueu, é por isso que pediu para que Zaqueu descesse da árvore, porque, naquele dia, Jesus queria estar na casa d'Ele.
A salvação que entrou na casa de Zaqueu também entra, hoje, na nossa casa, na nossa vida, na nossa família
Jesus quer estar em nossa casa, mas nós precisamos querer vê-Lo, porque Ele vai chegar. E qual a importância que nós damos para Ele na nossa casa e na nossa vida? É necessário o empreendimento do esforço, da iniciativa, do correr atrás. Não podemos ser aquelas pessoas acomodadas, esperando que as coisas caiam do céu. Temos que correr para o encontro dos Céus, temos que subir na árvore e superar os obstáculos. Precisamos dos Céus, porque precisamos da graça de Deus.
Vivemos o contrário, como se Deus precisasse de nós. Ele será sempre Deus, independente de mim ou de você, mas seremos sempre miseráveis sem o amor e sem a graça d'Ele.
Deus é tão bom, que toma a iniciativa de vir ao nosso encontro; o que nós precisamos é corresponder, e para corresponder a tamanha graça, precisamos correr atrás, precisamos nos esforçar.
Infelizmente, vivemos a cultura da acomodação, a cultura de tudo receber em casa, tudo pronto, sem o mínimo esforço. Mas aquilo que não tem esforço não tem valor. O valor sublime da vida é o esforço que fazemos para alcançar nossas metas, nossos objetivos e aquilo de que precisamos.
Esforcemo-nos, trabalhemos, empenhemo-nos para conquistar o Reino dos Céus. Aprendamos com Zaqueu que o Reino é conquistado quando superamos os obstáculos, e não quando paramos neles, porque a salvação que entrou na casa de Zaqueu também entra, hoje, na nossa casa, na nossa vida, na nossa família, no nosso coração quando nos empenhamos com determinação em buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus, e o Reino d'Ele vem até nós, e nós vamos até eles.
Deus abençoe você!
Pe. Roger AraújoSacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova.
Facebook/padrerogeramigo
Ainda menina, Gertrudes foi entregue a um mosteiro beneditino e ali educada na escola monástica, recebendo desde cedo uma educação extraordinária. Isso, por si só, já rompe inúmeros preconceitos contra a Igreja, instituição alegadamente “opressora” e “patriarcalista”. Afinal, trata-se aqui de uma mulher em pleno século XIII, ápice da Idade Média, alfabetizada em latim e grego, versada nos grandes clássicos da literatura antiga e instruída no que então havia de melhor em ciência.Inteligente e culta, Gertrudes é uma montanha em cujas sombras se perdem, tímidos e esmaecidos, os falsos modelos de “realização” e “empoderamento” que o feminismo busca impor às mulheres de hoje.
Santo do dia 16/11/2021

Santa Margarida da Escócia (Memória Facultativa)
Local: Edmburgo, Escócia
Data: 16 de Novembro † 1093
A rainha Margarida da Escócia nasceu na Hungria em 1046. Para serem postos a salvo de tramas de assassinato, seu pai Eduardo, com outro irmão menor, foi enviado da Inglaterra para a Hungria, sendo educado naquela corte. Eduardo lá se casou. Deste casamento nasceu Margarida, educada também na corte húngara. Serenada um pouco a situação política da Inglaterra, Eduardo com a família voltou para lá para ocupar o trono, mas o normando Guilherme, o Conquistador dele se apoderou. Após a morte de Eduardo, a viúva com seus filhos achou refúgio na corte do rei Malcolm III da Escócia. Margarida acabou se casando com o rei, tornando-se então rainha da Escócia.
A nova rainha foi uma verdadeira bênção para o marido e para o reino, pois o esposo, homem rude, embora de bons sentimentos, recebeu um benéfico influxo da convivência com a rainha, de tal modo que se transformou num dos mais amáveis, piedosos e virtuosos reis da Escócia. Promoveu enquanto pôde o bem da Igreja, edificou vários mosteiros e igrejas e distinguiu-se por grande caridade para com todos. Aos súditos, além do bom exemplo de uma vida dedicada totalmente à família, à oração e aos pobres, Margarida esforçou-se para extirpar da vida social abusos, escândalos, superstições. Deu grande apoio à formação dos sacerdotes e à reforma dos costumes.
Esposa e mãe exemplar, a memória de sua santidade ficou associada sobretudo à prática da caridade. Alimentava e servia com suas próprias mãos diariamente mais de cem pobres. Em caso de necessidade, não duvidava em vender suas joias para socorrer os necessitados.
Seus últimos dias de vida foram entristecidos pela desgraça da morte de seu marido e de seu filho no assalto ao castelo de Alnwick. Ao receber a triste notícia, elevou os olhos ao alto dizendo: "Agradeço, ó Deus, por que me dás a paciência para suportar tantas desgraças!"
Faleceu em Edimburgo no dia 16 de novembro de 1093, com 48 anos de idade. Foi canonizada em 1250, e declarada padroeira da Escócia em 1673.
O admirável em Santa Margarida da Escócia foi ter-se santificado como esposa, como mãe e como rainha. Foi uma santa que favoreceu a vida religiosa, a cultura e a educação em seu país. A Oração coleta lembra particularmente sua grande dedicação aos pobres: Ó Deus, que tornastes Santa Margarida da Escócia admirável por sua imensa caridade para com os pobres, dai-nos ser, por sua intercessão e exemplo, um reflexo da vossa bondade.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
Santa Margarida da Escócia, rogai por nós!

Santa Gertrudes (Memória Facultativa)
Local: Helfta, Alemanha
Data: 16 de Novembro † c. 1302
Santa Gertrudes é uma grande mística medieval alemã. Quase nada se sabe sobre sua vida no dia a dia, além daquilo que ela mesma deixou escrito, considerando ainda que ela não pretendia apresentar dados autobiográficos, mas apenas suas experiências religiosas e místicas.
Nascida em 1256, com 5 anos Gertrudes foi entregue pelos pais ao convento de Helfta em Eisleben, na Turíngia ou Saxônia, para ser educada. Nada se sabe sobre os pais. Ela foi educada no mosteiro onde brotou em sua alma a vocação claustral, ali permanecendo até à morte. Neste mosteiro de monjas, que seguia a regra beneditina com o acréscimo de alguns usos cistercienses, ela foi educada em todas as artes do tempo, ou seja, nas letras clássicas, canto, bordado e miniatura.
Aos 26 anos foi introduzida na vida contemplativa e mística, atraída pela espiritualidade litúrgica da regra beneditina e pela espiritualidade de São Bernardo. Entregou-se totalmente à leitura da Bíblia e dos Padres da Igreja, especialmente Santo Agostinho, São Gregório e São Bernardo, Mulher de vasta cultura, não só filosófica, mas também profana, alimentou sua vida espiritual na Liturgia, especialmente na Liturgia eucarística, na Escritura e nos Padres. Seus próprios escritos revelam com toda a clareza a influência tanto da Liturgia da Igreja como das suas leituras particulares. O conteúdo de suas visões e revelações era o conhecimento do amor de Cristo em relação aos homens. Sua espiritualidade era cristocêntrica. O amor à humanidade de Cristo levou-a a descobrir a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, sendo precursora do culto ao Coração de Jesus. Santa Gertrudes, chamada "a Grande", por causa das revelações que o Senhor lhe fez de seu Coração, antecipou-se, aos grandes Apóstolos da devoção ao Coração de Jesus, como São João Eudes e Santa Margarida Maria Alacoque.
Ela própria recolheu suas revelações num livro com o título Mensageiro do Divino Amor, que faz de Santa Gertrudes uma das maiores místicas ao lado de Santa Teresa d Ávila e de São João da Cruz. Faleceu, como num êxtase de amor, no dia 17 de novembro de 1301 ou 1302. Sem canonização formal foi inscrita no rol dos santos em 1678 e no Calendário romano em 1738. Ela é muito venerada pelos beneditinos e pelos cistercienses, sendo o mosteiro de Helfta reivindicado por ambas estas Ordens religiosas.
A Oração coleta contempla nela a morada de Deus a que todo cristão é chamado, expressando as experiências místicas da santa: Ó Deus, que preparastes para vós uma agradável morada no coração da virgem Santa Gertrudes, iluminai, por suas preces, as trevas do nosso coração, para que experimentemos em nós a alegria da vossa presença e a força da vossa graça.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
Santa Gertrudes, rogai por nós!