Nome: São João Crisóstomo (Memória)
Local: Comana Pôntica
Data: 13 de Setembro † 407

João, descendente de família distinta, nasceu em Antioquia da Síria por volta do ano 349. O pai Segundo, comandante das tropas imperiais no Oriente morreu cedo, deixando a educação do filho à esposa Antusa, mulher de excelsas virtudes. A fim de dedicar-se completamente à educação do filho, Antusa, viúva aos 20 anos, recusou as segundas núpcias. Providenciou ao filho os melhores professores de Filosofia e Retórica, entre os quais o pagão Libânio, mestre de grande renome.

Depois do batismo, recebido aos vinte e dois anos, quis retirar-se à solidão do deserto, à imitação dos muitos eremitas que viviam em torno à cidade, mas foi demovido pelas lágrimas da mãe que tanto se sacrificara por ele. Mas João tinha alma de monge e, por isso, mais tarde, passará realmente algum tempo na solidão, dedicando-se às austeras práticas da vida religiosa e aos estudos dos Livros Sagrados.

Voltando a Antioquia, foi ordenado sacerdote. Ali iniciou notável atividade pastoral como escritor e orador sacro. Escreveu nesse tempo um tratado sobre o sacerdócio, que é um dos mais belos de todos os tempos. Pondo em prática as lições de retórica do grande mestre Líbano, João tornou-se orador de excepcionais qualidades, de tal modo que mereceu o título de "Crisóstomo", "Boca de Ouro", que a posteridade lhe deu.

A pedido do imperador Arcádio, foi promovido a Arcebispo patriarca de Constantinopla. Aquele cargo foi de fato sua cruz, seu martírio. Da vida simples e pacata de Antioquia, viu-se João Crisóstomo transportado para a grande metrópole, a cidade do luxo, do mundanismo, das intrigas políticas.

Ao assumir o governo da diocese, Crisóstomo procurou conhecer bem o terreno em que pisava. Notou como o clero, em sua maioria, era pouco preparado para sua missão, pois era ambicioso, avarento e politiqueiro. A corte imperial era corrupta. A vida social era decadente, levada pelo luxo, pelas futilidades, pelas cobiças e pelos prazeres.

João começou sua obra de reformas pelo clero e os religiosos, exigindo a observância dos cánones eclesiásticos, de acordo com a pobreza e simplicidade evangélicas.

Em seus sermões arrebatados ele começou a verberar o mundanismo, o luxo, a imoralidade da vida social, as intrigas da vida política, as ingerências da corte na organização e disciplina eclesiásticas. Sua atitude de pastor zeloso, firme, enérgico era acompanhada de seus exemplos, de austeridade e grande caridade.

Os atritos começaram a surgir quando o patriarca se pôs a defender os direitos dos templos, entre os quais o de asilo, e a fustigar o mundanismo da corte, com o que exasperou os brios da imperatriz Eudóxia. Por inveja da imperatriz Eudoxia, que se sentiu ferida por uma homilia contra o luxo, e com o consentimento de Teófilo, bispo de Alexandria, João foi exilado pela primeira vez. Chamado de volta pelo imperador Arcádio, foi carregado em triunfo pelo povo. Dois meses depois, por causa da oposição a Eudoxia, que aspirava a honras divinas numa festa popular pagã, foi novamente exilado em Cucusa, na fronteira com a Armênia. Temendo sua influência, seus perseguidores transladaram-no para uma região quase inacessível. Não resistindo aos sofrimentos da longa viagem e aos maus-tratos, João veio a falecer em Comana, junto ao mar Negro, aos 14 de setembro de 407, completando dez anos de episcopado e 65 de vida.

Como bispo João Crisóstomo se dedicou à evangelização e à catequese, à obra litúrgica, caritativa e missionária. A anáfora eucarística por ele reelaborada de forma definitiva a partir do antigo esquema antioqueno é ainda hoje a mais difundida em todo o Oriente. Em sua obra de mestre e doutor destaca-se o comentário às Escrituras, especialmente às cartas paulinas, e seu contributo à doutrina eucarística. Crisóstomo é contado entre os quatro grandes doutores gregos: São Basilio, São Gregório Nazianzeno, São João Crisóstomo e Santo Atanásio. Em 1909, São Pio X o declarou celeste padroeiro dos pregadores da palavra de Deus.

A Oração coleta apresenta São João Crisóstomo como quem tem admirável eloquência e grande coragem nas provações. Importa que toda a Igreja, todos os fiéis tenham esta coragem no testemunho de Cristo. Ele é comemorado nas liturgias eucarísticas bizantina, siríaca, caldeia e maronita, na grande intercessão ou em outras partes.

Boca de Ouro, Alma de Anjo, Coração de Pai, João Crisóstomo foi o tipo acabado de santo e de pastor. Suas últimas palavras ao morrer, após a longa via dolorosa do desterro, foram: Glória seja dada a Deus em tudo!

Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.

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