Domingo de Pentecostes, Solenidade
Antífona de entrada
Ou:
O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que habita em nós, aleluia. (Rm 5, 5; Cf. 8, 11)
Spiritus Dómini replévit orbem terrárum, allelúia: et hoc quod cóntinet ómnia, sciéntiam habet vocis, allelúia, allelúia, allelúia. Ps. Exsúrgat Deus, et dissipéntur inimíci eius: et fúgiant, qui odérunt eum, a fácie eius. (Sap. 1, 7; Ps. 67)
Vernáculo:
O Espírito do Senhor encheu a terra inteira; ele, que abrange todo o universo, conhece também cada palavra, aleluia. (Cf. MR: Sb 1, 7) Sl. Eis que Deus se põe de pé, e os inimigos se dispersam! Fogem longe de sua face os que odeiam o Senhor! (Cf. LH: Sl 67, 2)
Glória
Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens por Ele amados.
Senhor Deus, rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso.
Nós vos louvamos,
nós vos bendizemos,
nós vos adoramos,
nós vos glorificamos,
nós vos damos graças
por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus,
Filho de Deus Pai.
Vós que tirais o pecado do mundo,
tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do mundo,
acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai,
tende piedade de nós.
Só Vós sois o Santo,
só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo,
Jesus Cristo,
com o Espírito Santo,
na glória de Deus Pai.
Amém.
Coleta
Ó Deus, que pelo mistério da festa de hoje santificais vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do vosso Espírito Santo, e realizai agora, no coração dos que creem em vós, as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho.Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 2, 1-11
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava.
5Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. 6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua.
7Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus na nossa própria língua!”
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 103(104), 1ab. 24ac. 29bc-30. 31. 34 (R. cf. 30)
℟. Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai.
— Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras! Encheu-se a terra com as vossas criaturas! ℟.
— Se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso espírito e renascem e da terra toda a face renovais. ℟.
— Que a glória do Senhor perdure sempre, e alegre-se o Senhor em suas obras! Hoje seja-lhe agradável o meu canto, pois o Senhor é a minha grande alegria! ℟.
Segunda Leitura — 1Cor 12, 3b-7. 12-13
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios
Irmãos: 3bNinguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.
7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo.
13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Sequência de Pentecostes
Espírito de Deus,
enviai dos céus
um raio de luz!
Vinde, Pai dos pobres,
dai aos corações
vossos sete dons.
Consolo que acalma,
hóspede da alma,
doce alívio, vinde!
No labor descanso,
na aflição remanso,
no calor aragem.
Enchei, luz bendita,
chama que crepita,
o íntimo de nós!
Sem a luz que acode,
nada o homem pode,
nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai,
ao seco regai,
curai o doente.
Dobrai o que é duro,
guiai no escuro,
o frio aquecei.
Dai à vossa Igreja,
que espera e deseja,
vossos sete dons.
Dai em prêmio ao forte
uma santa morte,
alegria eterna.
Amém.
℣. Vinde, Espírito Divino, e enchei com vossos dons os corações dos fiéis; e acendei neles o amor, como um fogo abrasador! ℟.
Evangelho — Jo 20, 19-23
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Creio
Creio em Deus Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
Às palavras seguintes, até Virgem Maria, todos se inclinam.
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,
nasceu da Virgem Maria,
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado,
desceu à mansão dos mortos,
ressuscitou ao terceiro dia,
subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo,
na santa Igreja Católica,
na comunhão dos santos,
na remissão dos pecados,
na ressurreição da carne
e na vida eterna. Amém.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Confírma hoc Deus, quod operátus es in nobis: a templo tuo, quod est in Ierúsalem, tibi ófferent reges múnera, allelúia. (Ps. 67, 29-30)
Vernáculo:
Suscitai, ó Senhor Deus, suscitai vosso poder, confirmai este poder que por nós manifestastes, a partir de vosso templo, que está em Jerusalém, para vós venham os reis e vos ofertem seus presentes! (Cf. LH: Sl 67, 29-30)
Sobre as Oferendas
Concedei, nós vos pedimos, Senhor, que, conforme a promessa do vosso Filho, o Espírito Santo nos revele mais abundantemente o mistério deste sacrifício e nos manifeste toda a verdade. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Factus est repénte de caelo sonus adveniéntis spíritus veheméntis, ubi erant sedéntes, allelúia: et repléti sunt omnes Spíritu Sancto, loquéntes magnália Dei, allelúia, allelúia. (Act. 2, 2. 4; ℣. Ps. 67, 2. 4. 5abc. 5d-6. 8. 9. 20. 21. 29. 36)
Vernáculo:
De repente, veio do céu um ruído como de um vento forte, que encheu toda a casa em que se encontravam. (Cf. Bíblia CNBB: At 2, 2) Todos ficaram repletos do Espírito Santo anunciando as maravilhas de Deus, aleluia. (Cf. MR: At 2, 4)
Depois da Comunhão
Ó Deus, que enriqueceis a Igreja com os bens do céu, conservai-a em vossa graça, para que o dom do alto, o Espírito Santo, nela continue sendo sua força, e o alimento espiritual que recebemos aperfeiçoe em nós a obra da redenção. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 24/05/2026
Em Pentecostes, Cristo se reveste de um novo Corpo
Em Pentecostes, o Espírito Santo foi derramado em forma de línguas de fogo sobre os Apóstolos e Maria no Cenáculo. A partir de então, a Igreja se tornou uma realidade visível, o novo Corpo assumido por Cristo na história.
Neste domingo, transcorridos cinquenta dias após a Páscoa, celebramos a solenidade de Pentecostes. Depois de ressuscitar num domingo, Jesus apareceu aos discípulos durante quarenta dias; mas Ele mesmo disse “é conveniente para vós que eu vá”, a fim de enviar o Espírito Santo. Hoje o Paráclito desce sobre os Apóstolos, reunidos no Cenáculo com Maria Virgem. Tem início, assim, um novo período da história, o tempo da Igreja.
A Igreja está fundamentada no mistério de Pentecostes, porque ela é o novo Corpo do qual Jesus se revestiu. A expressão pode parecer ousada, mas está presente no último capítulo da Vida de Cristo, de Fulton Sheen. O capítulo intitula-se: “Cristo se reveste de um novo Corpo”. Fulton Sheen poderia tê-lo chamado de “Pentecostes”, mas preferiu esse título mais instigante. Isso porque em Pentecostes tem início a Igreja, o Corpo místico de Cristo, continuação, na história, do mistério da Encarnação. Reflitamos um pouco a esse respeito.
É comum ouvirmos algumas pessoas dizendo: “Se eu vivesse dois mil anos atrás, quando Jesus veio ao mundo, não teria dificuldade de crer nele. Agora, porém, Jesus está tão longe… O que sobrou foi uma Igreja corrompida, cheia de pecados. É triste saber que Jesus, tão santo, viveu dois mil anos atrás, enquanto nós o que temos hoje é a Igreja”.
A verdade é que, se vivêssemos naquela época, tampouco acreditaríamos em Jesus. Se nos escandalizamos hoje com as fraquezas presentes na Igreja, que é o Corpo místico dele, como não nos haveríamos de escandalizar, dois mil anos atrás, com as fraquezas do corpo físico de Cristo? Sim, Jesus é o Filho de Deus; nós, porém, o veríamos crucificado, ensanguentado, desfigurado, irreconhecível. Foi um escândalo para todos, e também seria para nós.
Por que tantos judeus se negaram a crer em Nosso Senhor? Porque o viam apenas como homem, com as fraquezas próprias de um corpo humano. Ele sangrou, sofreu e finalmente se entregou à morte. Ora, como é possível que Cristo, sendo Deus, morra na Cruz? Como é possível que, sendo de condição divina, tenha ao mesmo tempo um corpo frágil, estraçalhado, pregado ao madeiro? Eis o grande escândalo do corpo de Cristo.
Entretanto, Jesus subiu aos céus ressuscitado, em corpo glorioso, e de lá enviou o Espírito Santo para que esse corpo permanecesse na história. Esse Corpo é a Igreja.
Sob a mesma perspectiva, olhemos agora para a conversão de São Paulo. Jesus subiu aos céus sem que Saulo, ao que tudo indica, o tivesse visto alguma vez. Encarregado de levar os cristãos presos a Jerusalém, Saulo cai por terra a caminho de Damasco e ouve perguntarem-lhe do meio de uma luz fulgurante: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”; “Quem és tu, Senhor, para que eu te persiga?”; “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At 9, 3ss).
Saulo poderia ter dito: “Não, Senhor, persigo os que creem ti”. No entanto, Jesus trata-os como se fossem Ele mesmo. Quem, ao tropeçar e bater o pé num móvel da sala, reage dizendo: “Foi só o dedão”? Ninguém. Se o pé se machuca, o corpo inteiro sente-se afetado. Saulo estava pondo membros do Corpo de Cristo na cadeia, por isso Jesus, a Cabeça, queixou-se: “Por que me persegues?” É a experiência da Igreja. Em Pentecostes, vem à luz o Corpo místico de Cristo.
Não se trata de um corpo físico em sentido biológico. A partir da Ascensão, o corpo físico de Jesus está no Céu e, sacramentalmente, nos sacrários da terra, escondido sob a aparência de pão. A Igreja não é o corpo físico de Jesus, é o Corpo místico. Também não se trata de uma associação, como um clube ou uma empresa. As associações humanas são corpos morais, que se sustentam e se perpetuam pela vontade dos associados de permanecerem unidos uns aos outros. O Corpo místico de Cristo não é obra de vontades humanas. Não somos mera instituição humana. A Igreja é o Corpo místico de Cristo; logo, sua alma é o Espírito Santo.
Se os Apóstolos, antes de Pentecostes, tivessem decidido fundar a Igreja com as próprias forças, estariam fundando qualquer coisa, menos a Igreja. A Igreja é uma instituição fundamentalmente divina. Não é a vontade do homem, mas o Espírito Santo quem faz a Igreja.
A Igreja militante é um organismo presente no mundo; é uma sociedade visível, mas diferente de todas as outras. É fruto da ação do Espírito divino derramado sobre os Apóstolos e a Virgem Maria. O Paráclito é para a Igreja o que a alma é para o corpo humano.
A ciência, escreve Fulton Sheen na obra Vida de Cristo, já descobriu quais são os elementos que compõem o corpo humano. Ora, reuni-os todos e entregai-os a um grupo de cientistas. Embora conheçam cada um desses elementos, eles não serão capazes de produzir em laboratório um só dedo. Afinal, o que faz um corpo ser propriamente humano é a alma. O que faz um embrião, a célula concebida no tubo uterino de uma mulher, ser humano é a alma em virtude da qual aquele corpinho vai-se desenvolvendo como qualquer ser vivo.
O corpo vivo cresce de dentro para fora. O que não é vivo cresce de fora para dentro. Um edifício, por exemplo, constrói-se assim: primeiro se erguem as paredes e só depois se faz o acabamento. Ora, a Igreja é um Corpo vivo. Ela começa com os Apóstolos; mas não lhe basta ter os elementos — Pedro, André, Tiago, João etc. —, pois é necessário unificá-los pela alma infundida nesse Corpo. E a alma da Igreja é o Espírito Santo.
Em Pentecostes, o Paráclito, princípio vivificante da Igreja, foi derramado sobre ela em forma de línguas de fogo, de modo que a Igreja se tornou, a partir de então, uma realidade visível. Quando São Pedro abriu as portas do Cenáculo, e a multidão que estava do lado de fora ouviu o anúncio do Evangelho, a Igreja verdadeiramente nasceu. Antes havia elementos dispersos, ainda em preparação, que foram reunidos num só e mesmo Corpo vivo pelo Espírito Santo.
A Igreja é uma união de seres humanos com o Ressuscitado num organismo vivo que atravessa a história. Pelo Espírito Santo, estamos unidos a Jesus Cristo como membros ao Corpo. Ele, nossa divina Cabeça, reina glorioso no Céu; nós, membros ainda padecentes na terra, vivemos da vida dele por obra do Espírito Santo que nos foi dado, pelo qual nos chegam as graças atuais de que necessitamos todos os dias: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28, 20). Eis o mistério da Igreja.
Há quem diga: “Eu creio em Deus e em Jesus Cristo, mas eu não creio na Igreja”. Isso não dá certo. O movimento dos inimigos de Cristo, exposto já por Pio XII, é assim: de início afirmam: “Jesus sim, Igreja não”; dali a pouco, fazem a ressalva: “Deus sim, Jesus não, porque temos de unir as religiões”; e enfim proclamam: “Deus não”. Esse é o caminho do Anticristo, que leva a um verdadeiro satanismo.
Quem tem fé em Jesus, mas não na Igreja, pode ter acesso a Cristo unicamente por meio da Bíblia? Ora, a história atesta que não haveria Bíblia, se antes não houvesse Igreja. Os três primeiros séculos do cristianismo, com efeito, foram muito conturbados. A Igreja era perseguida externamente pelo Império Romano e dilacerada internamente por uma religião parasita chamada gnose. O gnosticismo foi de longe o maior problema da Igreja nos três primeiros séculos, muito maior do que a perseguição romana. Porque os romanos perseguiam os cristãos, mas o sangue dos mártires, como diz Tertuliano, era semente de novos fiéis; o gnosticismo, no entanto, como um parasita dentro da Igreja, esse, sim, estava sugando-lhe a vida.
Em que consiste o gnosticismo? É a promessa de um acesso privilegiado à “verdadeira” doutrina cristã à margem da Igreja e da hierarquia eclesiástica: “Nós, gnósticos, temos a doutrina profunda. Já os bispos, uns ignorantes semi-analfabetos, de nada sabem. Nós é que temos conhecimento, a gnose”. E começaram a produzir dúzias de livros. Entre eles, o “evangelho” de Maria Madalena, listado por Dan Brown, autor de O Código da Vinci, entre os apócrifos excluídos da Bíblia por apresentarem um Cristo demasiado humano.
Na verdade, o evangelho de Maria Madalena é um escrito tardio do séc. III, que a Igreja fez bem em não incluir no cânon bíblico, pois é uma invenção gnóstica. Qual, porém, foi a grande “contribuição” de Dan Brown? Dar a conhecer aos ignorantes o que nós, católicos, sempre soubemos: só existe Bíblia, enquanto conjunto de livros inspirados por Deus, porque a Igreja Católica discerniu quais livros são inspirados. Sabemos disso há dois mil anos. Nunca o escondemos de ninguém. Foram os protestantes que, faz meio milênio, resolveram ter Bíblia sem a Igreja. Isso não é possível. Ou se crê na Igreja que nos deu a Bíblia, ou não há explicação para a origem da própria Bíblia.
“Mas a Igreja Católica”, dizem alguns, “está repleta de pedófilos, de pecadores, de ladrões, de assassinos, de gente sem-vergonha. Longe de mim crer nisso”. É um escândalo idêntico ao dos judeus, dos fariseus e dos sumos sacerdotes que não creram que Jesus é o Filho de Deus feito homem, por terem-no visto sangrar e morrer com um corpo humano cheio de fraquezas. Ora, do mesmo modo que o corpo físico de Cristo, antes da Ressurreição, tinha fraquezas — tanto que morreu crucificado —, assim também o Corpo místico, embora santo e imaculado, tem membros fracos e pecadores neste mundo.
Todo aquele que quiser ter contato com Jesus ressuscitado deve abrir-se à presença encarnada do Corpo místico dele na história, que é a Igreja. É dela que recebemos a Bíblia, os sacramentos, a sã doutrina, o exemplo e a intercessão dos santos; em suma, todos os nossos tesouros. E se Jesus não tem dois corpos, a Igreja só pode ser única.
Pentecostes nos chama, portanto, a renovar a nossa fé: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. É una, porque Jesus não tem dois corpos. É santa porque, embora os membros tenham pecados, o Corpo de Cristo é imaculado. É católica, porque em todos os tempos e lugares é a guardiã da fé em sua integridade. É apostólica, porque nossa fé é a mesma pela qual os Apóstolos derramaram o sangue. Os Doze, tímidos dentro do Cenáculo, de lá saíram em Pentecostes cheios do Espírito Santo, homens valorosos, prontos para derramar o próprio sangue, tingindo suas vestes no sangue do Cordeiro. Se eles morreram pela fé, também nós temos de morrer por ela.
Muitos acusam a Igreja de violência e intolerância por não aceitar a “diversidade”. A resposta é simples. Para os católicos, a fé não é algo pelo qual se deve matar, é algo pelo qual se deve morrer. Estamos dispostos a dar a vida para não deixar de ser membros do Corpo místico. Pentecostes é, por assim dizer, o “aniversário” da Igreja Católica. Derramado sobre os membros, o Espírito Santo dá forma ao Corpo de que Cristo é revestido, a Igreja, pela qual Ele continua vivo entre nós ao longo dos séculos.
Renovemos, pois, neste domingo nossa fé na Igreja. Renovemos ainda o nosso Batismo e a nossa Crisma, nos quais recebemos o Espírito que nos faz membros do Corpo de Cristo, ungidos como Ele. Por isso somos cristãos. Rezemos pela Igreja, que padece perseguições tanto externas (cristãos encarcerados ou martirizados) quanto internas (heresias que, como parasitas, sugam a vida da Igreja). Rezemos e mais uma vez renovemos a vontade de, cheios do Espírito Santo de amor, pertencer ao Corpo místico de Cristo ressuscitado, a santa Igreja Católica.
Deus abençoe você!
Santo do dia 24/05/2026
Nossa Senhora Auxiliadora (Memória Facultativa)
Data: 24 de Maio
Esta invocação mariana encontra suas raízes no ano 1571, quando Selim I, imperador dos turcos, após conquistar várias ilhas do Mediterrâneo, lança seu olhar de cobiça sobre toda a Europa. O Papa Pio V, diante da inércia das nações cristãs, resolveu organizar uma poderosa esquadra para salvar os cristãos da escravidão muçulmana. Para tanto, invocou o auxílio da Virgem Maria para este combate católico.
A vitória aconteceu no dia 7 de outubro de 1571. Afastada a perseguição maometana, o Santo Padre demonstrou sua gratidão à Virgem acrescentando nas ladainhas loretanas a invocação: Auxiliadora dos Cristãos.
No entanto, a festa de Nossa Senhora Auxiliadora só foi instituída em 1816, pelo Papa Pio VII, a fim de perpetuar mais um fato que atesta a intercessão da Santa Mãe de Deus: Napoleão I, empenhado em dominar os estados pontifícios, foi excomungado pelo Sumo Pontífice. Em resposta, o imperador francês seqüestrou o Vigário de Cristo, levando-o para a França. Movido por ardente fé na vitória, o Papa recorreu à intercessão de Maria Santíssima, prometendo coroar solenemente a imagem de Nossa Senhora de Savona logo que fosse liberto.
O Santo Padre ficou cativo por cinco anos, sofrendo toda espécie de humilhações. Uma vez fracassado, Napoleão cedeu à opinião pública e libertou o Papa, que voltou a Savona para cumprir sua promessa. No dia 24 de maio de 1814, Pio VII entrou solenemente em Roma, recuperando seu poder pastoral. Os bens eclesiásticos foram restituídos. Napoleão viu-se obrigado a assinar a abdicação no mesmo palácio onde aprisionara o velho pontífice.
Para marcar seu agradecimento à Santa Mãe de Deus, o Papa Pio VII criou a festa de Nossa Senhora Auxiliadora, fixando-a no dia de sua entrada triunfal em Roma.
O grande apóstolo da juventude, Dom Bosco, adotou esta invocação para sua Congregação Salesiana porque ele viveu numa época de luta entre o poder civil e o eclesiástico. A fundação de sua família religiosa, que difunde pelo mundo o amor a Nossa Senhora Auxiliadora, deu-se sob o ministério do Conde Cavour, no auge dos ódios políticos e religiosos que culminaram na queda de Roma e destruição do poder temporal da Igreja. Nossa Senhora foi colocada à frente da obra educacional de Dom Bosco para defendê-la em todas as dificuldades.
No ano de 1862, as aparições de Maria Auxiliadora na cidade de Spoleto marcam um despertar mariano na piedade popular italiana. Nesse mesmo ano, São João Bosco iniciou a construção, em Turim, de um santuário, que foi dedicado a Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos.
A partir dessa data, Dom Bosco, que desde pequeno aprendeu com sua mãe Margarida, a confiar inteiramente em Nossa Senhora, ao falar da Mãe de Deus, lhe unirá sempre o título Auxiliadora dos Cristãos. Para perpetuar o seu amor e a sua gratidão para com Nossa Senhora e para que ficasse conhecido por todos e para sempre que foi “Ela (Maria) quem tudo fez”, quis Dom Bosco que as Filhas de Maria Auxiliadora, congregação por ele fundada juntamente com Santa Maria Domingas Mazzarello, fossem um monumento vivo dessa sua gratidão.
Dom Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de AUXILIADORA. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com Dom Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de Ela ser conhecida também como a “Virgem de Dom Bosco”.
Escreveu Dom Bosco: “A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso”.
Fonte: loreto.org.br
Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!
São Vicente de Lerins, Abade (Memória Facultativa)
Local: Lerins, França
Data: 24 de Maio † c. 450
Depois que a Igreja teve campo livre com o edito do imperador Constantino e pôde sair abertamente, começando a fazer parte de direito da nova sociedade que nascia das cinzas do secular império romano, muitos cristãos sentiam desejo ardente de “desapego do mundo” e o chamado ao “deserto”, isto é, à tranquilidade da vida contemplativa, que se traduziu em várias formas de vida monástica e comunitária. São Jerônimo viveu muito tempo em uma gruta próxima de Belém, Paulino de Nola despojou-se de todas as riquezas para viver num quartinho perto do túmulo do mártir são Félix. Muitos escolhiam o deserto propriamente dito, como santo Antão abade, outros colocavam entre si e a tumultuosa sociedade o mar e se refugiavam numa pequena ilha.
Entre os principais refúgios monásticos do século V estava a ilha de Lerins, no Mediterrâneo, perto de Cannes. Fundado por santo Honorato, futuro bispo de Arsel, o mosteiro de Lerins se tornou viveiro de bispos, de santos e de escritores. Recordamos Euquério, que, antes de se tornar bispo de Lião, permaneceu longamente na ilhota, com a esposa e os filhos, e lá escreveu dois livros com sugestivos títulos: Elogio à solidão e O desprezo do mundo. Mas o nome mais célebre que saiu deste canteiro de santos é são Vicente de Lerins.
Não temos muitas notícias de sua vida. A sua celebridade está ligada a um livrinho sobre a tradição da Igreja, intitulado: Commonitorium, chamado por são Roberto Belarmino: “livro todo de ouro”. Trata-se de manual de regras de comportamento a seguir para viver integralmente a mensagem evangélica. Não havia grandes novidades. Em 434 (o ano em que viu a luz o precioso livrinho), o monge fornecia aos futuros teólogos o famoso cânon da ortodoxia, isto é, o meio de medir o valor de uma afirmação teológica: “Devemos nos ater ao que foi sempre crido, por todos e em toda a parte”. Mas são Vicente deseja progresso: “É necessário que cresçam e que vigorosamente progridam a compreensão, a ciência e a sabedoria da parte de cada um e de todos, seja de um só homem como de toda a Igreja, à medida que passam as idades e os séculos”.
Viveu nos tempos da luta da Igreja contra a heresia pelagiana. Nasceu na França setentrional, talvez na Bélgica, e se estabeleceu definitivamente em Lerins, e lá morreu em paz por volta de 450.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Vicente de Lerins, rogai por nós!



