3ª feira da 6ª Semana da Páscoa
Memória Facultativa
Santos Nereu e Aquiles, Mártires ou São Pancrácio, Mártir
Antífona de entrada
Vocem iucunditátis annuntiáte, et audiátur, allelúia: nuntiáte usque ad extrémum terrae: liberávit Dóminus pópulum suum, allelúia, allelúia. Ps. Iubiláte Deo omnis terra: psalmum dícite nómini eius, date glóriam laudi eius. (Cf. Is. 48, 20; Ps. 65)
Vernáculo:
Anunciai com gritos de alegria, proclamai até os confins da terra: o Senhor libertou o seu povo, aleluia! (Cf. MR: Is 48, 20) Sl. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso, dai a Deus a mais sublime louvação! (Cf. LH: Sl 65, 1-2)
Coleta
Deus todo-poderoso e Pai de misericórdia, fazei-nos participar verdadeiramente da ressurreição de Cristo, vosso Filho. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 16, 22-34
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 22a multidão dos filipenses levantou-se contra Paulo e Silas; e os magistrados, depois de lhes rasgarem as vestes, mandaram açoitar os dois com varas. 23Depois de açoitá-los bastante, lançaram-nos na prisão, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. 24Ao receber essa ordem, o carcereiro levou-os para o fundo da prisão e prendeu os pés deles no tronco.
25À meia-noite, Paulo e Silas estavam rezando e cantando hinos a Deus. Os outros prisioneiros os escutavam. 26De repente, houve um terremoto tão violento que sacudiu os alicerces da prisão. Todas as portas se abriram e as correntes de todos se soltaram. 27O carcereiro acordou e viu as portas da prisão abertas. Pensando que os prisioneiros tivessem fugido, puxou da espada e estava para suicidar-se. 28Mas Paulo gritou com voz forte: “Não te faças mal algum! Nós estamos todos aqui”.
29Então o carcereiro pediu tochas, correu para dentro e, tremendo, caiu aos pés de Paulo e Silas. 30Conduzindo-os para fora, perguntou: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?” 31Paulo e Silas responderam: “Crê no Senhor Jesus, e sereis salvos tu e todos os de tua família”.
32Então Paulo e Silas anunciaram a Palavra do Senhor ao carcereiro e a todos os da sua família. 33Na mesma hora da noite, o carcereiro levou-os consigo para lavar as feridas causadas pelos açoites. E, imediatamente, foi batizado junto com todos os seus familiares. 34Depois fez Paulo e Silas subirem até sua casa, preparou-lhes um jantar e alegrou-se com todos os seus familiares por ter acreditado em Deus.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 137(138), 1-2a. 2bc-3. 7c-8 (R. 7c)
℟. Ó Senhor, me estendeis o vosso braço e me ajudais.
— Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me. ℟.
— Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma. ℟.
— Estendereis o vosso braço em meu auxílio e havereis de me salvar com vossa destra. Completai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos! ℟.
℣. Eu hei de enviar-vos o Espírito da verdade; ele vos conduzirá a toda a verdade. (Cf. Jo 16, 7. 13) ℟.
Evangelho — Jo 16, 5-11
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 5“Agora, parto para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’ 6Mas, porque vos disse isto, a tristeza encheu os vossos corações. 7No entanto, eu vos digo a verdade: É bom para vós que eu parta; se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei. 8E quando vier, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: 9o pecado, porque não acreditaram em mim; 10a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais me vereis; 11e o julgamento, porque o chefe deste mundo já está condenado”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Benedicite gentes Dominum Deum nostrum et obaudite vocem laudis eius: qui posuit animam meam ad vitam, et non dedit commoveri pedes meos: benedictus Dominus, qui non amovit deprecationem meam, et misericordiam suam a me, alleluia. (Ps. 65, 8. 9. 20)
Vernáculo:
Nações, glorificai ao nosso Deus, anunciai em alta voz o seu louvor! É ele quem dá vida à nossa vida, e não permite que vacilem nossos pés. Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o seu amor! (Cf. LH: Sl 65, 8. 9. 20)
Sobre as Oferendas
Concedei, Senhor, que exultemos sem cessar por estes mistérios pascais, para que a contínua obra de nossa redenção seja causa de eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Dum venerit Paraclitus Spiritus veritatis, ille arguet mundum de peccato, et de iustitia, et de iudicio, alleluia, alleluia. (Io. 16, 8; ℣. Ps. 33)
Vernáculo:
Quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do julgamento, aleluia, aleluia. (Cf. Bíblia CNBB: Jo 16, 8)
Depois da Comunhão
Escutai, Senhor, as nossas preces, a fim de que, por este sacramento, intercâmbio da nossa redenção, recebamos o auxílio para a vida presente e o dom da eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 12/05/2026
“É bom para vós que eu parta”
Era bom e conveniente que Jesus, uma vez glorificado, partisse deste mundo, para que do alto do Céu nos fosse enviado, como defensor e fonte de vida, o mesmo Espírito Santo que o ungiu como Cabeça da Igreja e que quer agora espalhar-se por todos os membros do Corpo místico de Nosso Senhor. Roguemos ao Espírito da Verdade que nos una com mais vitalidade à nossa divina Cabeça, da qual nos chegam todos os dons, virtudes e carismas.
No Evangelho de hoje, Jesus começa a anunciar a vinda do Espírito Santo e convence os discípulos de uma verdade difícil de aceitar: “É bom para vós que eu parta” (Jo 16, 7). É um grande discurso de despedida, e os Apóstolos sentem-se entristecidos e acabrunhados pela ausência de Jesus. No entanto, Ele explica que deve partir, para que venha o Paráclito.
Por que Nosso Senhor disse isso? Porque, com a vinda do Espírito Santo, inaugura-se uma nova presença de Jesus entre nós, mais íntima e constante. Expliquemos isso: neste momento, Jesus Ressuscitado se encontra fisicamente no Céu e sacramentalmente nos sacrários deste mundo, mas nós podemos a todo momento recorrer a Ele, pois Ele não é apenas uma presença física em nosso dia a dia, mas uma presença virtual — no sentido da palavra latina “virtus”, que quer dizer força. Isso significa que há em nós o toque da graça do Ressuscitado, porque é Ele quem nos envia o Espírito Santo.
Desde toda a eternidade, existem o Pai, o Filho e o Espírito Santo, mas o Filho veio a este mundo e se fez homem. Então, a humanidade de Cristo — o Ungido — corpo e alma, estava tão unida à divina Pessoa do Filho que recebeu todo o agrado do Pai, cujo Amor se chama Espírito Santo. Essa realidade é atestada principalmente no batismo de Jesus, quando os céus se abrem, e a voz celeste do Pai diz: “Eis o meu Filho muito amado, no qual coloquei toda a minha complacência” (Mt 3, 17). É nesse momento que o Espírito Santo paira em forma de pomba sobre Nosso Senhor.
Portanto, o Amor do Pai — o Paráclito — é derramado no Filho Encarnado, Jesus, mas, com a subida de Cristo aos céus, esse Amor pode transbordar da Cabeça para os membros da Igreja. É como a imagem do óleo sendo derramado sobre a cabeça de modo tão abundante que ele toma conta do corpo inteiro. Logo, o Amor do Pai derramado sobre Jesus Ressuscitado agora transborda sobre nós, e por isso é oportuno que Nosso Senhor parta: para que a sua presença esteja entre nós ao recebermos o Espírito Paráclito, ou seja, ao recebermos o óleo que antes tocou a Cabeça, que é Jesus Ressuscitado, e agora pode tocar a nós, seus membros.
Para isso, é necessário que nós nos afastemos do pecado denunciado por Jesus no Evangelho: a descrença nele. Ele sobe para o Pai e, apesar de não vermos isso, sua humanidade é totalmente glorificada e sua santidade e justiça se derramam sobre nós. Antes, éramos escravos do demônio; agora, fomos libertos porque, tendo recebido o Espírito de Deus, ganhamos o espírito de filhos livres que clamam: “Aba, Pai”.
Deus abençoe você!
Santo do dia 12/05/2026
Santos Nereu, Aquiles e Pancrácio, Mártires (Memória Facultativa)
Local: Roma, Itália
Data: 12 de Maio † s. III f.; † s. IV in.
“Todas as estradas levam a Roma”, diz um provérbio, e de Roma saem algumas das mais célebres estradas do mundo. Em duas dessas estradas a sudeste e oeste, a Ardeatina e a Aurélia, foram sepultados os mártires Nereu, Aquiles e Pancrácio. Embora recordados os três no mesmo dia, 12 de maio, o culto deles foi sempre separado, como dizem os compiladores do novo calendário: “A memória dos santos Nereu e Aquiles e a memória de são Pancrácio são celebradas separadamente com formulários próprios segundo uma antiga tradição romana. Ao contrário, a memória de santa Domitila, introduzida no Calendário romano em 1595, deve ser cancelada, pois o seu culto não encontra fundamento algum na tradição”. Isso resolve também a questão da época em que Nereu e Aquiles deram seu testemunho.
O papa Dâmaso, que pouco depois da metade do século IV falava com absoluta segurança dos dois mártires, refere que viveram no fim do século III e morreram durante a perseguição militar com a qual se iniciou a “era dos mártires” (de Diocleciano). Eles eram levados à força ao tribunal de um “tirano”. Aí aplicavam as ordens de tortura e de execução dos “rebeldes” cristãos, até que atingidos pela coragem e constância dos mártires cristãos decidiram seguir seu exemplo. Privados das insígnias militares, foram por sua vez conduzidos ao suplício que enfrentaram com coragem e alegria.
A gravura que representa santo Aquiles atingido pelo verdugo é considerada a mais antiga representação que ficou de martírio. Abandona-se assim o que referia uma tardia e lendária Paixão do século VI, que unia a tradição do martírio de Nereu e Aquiles com os de Petronila e Domitila respectivamente filha de são Pedro e sobrinha do imperador Domiciano.
Também a história de Pancrácio, martirizado ainda muito jovem sob Diocleciano, foi enriquecida de tantos elementos lendários pela sua tardia Paixão, que é muito difícil separar os reais acontecimentos históricos deste que foi um dos santos mais populares não só em Roma como também em toda a Itália e ainda no exterior: é o patrono da Juventude de Ação Católica e dedicaram-lhe igrejas e mosteiros: a de Roma foi fundada por são Gregório Magno e a de Londres por santo Agostinho de Canterbury. A lenda o tornou vigoroso vingador da veracidade dos juramentos. Sua basílica era uma das estações quaresmais.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
Santos Nereu, Aquiles e Pancrácio, rogai por nós!


