5ª feira da 5ª Semana da Quaresma
Antífona de entrada
Vernáculo:
Tudo quanto nos fizestes, Senhor, com verdadeira justiça o fizestes, porque pecamos contra vós e não obedecemos a vossos mandamentos; mas dai glória ao vosso nome e tratai-nos conforme a grandeza da vossa misericórdia. (Cf. MR: Dn 3, 31. 29. 30. 43. 42). Sl. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! (Cf. LH: Sl 118, 1)
Coleta
Assisti, Senhor, aqueles que vos suplicam e guardai com solicitude os que esperam em vossa misericórdia, para que, purificados dos seus pecados, levem uma vida santa e mereçam tornar-se herdeiros das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Gn 17, 3-9
Leitura do Livro do Gênesis
Naqueles dias, 3Abrão prostrou-se com o rosto por terra. 4E Deus lhe disse: “Eis a minha aliança contigo: tu serás pai de uma multidão de nações. 5Já não te chamarás Abrão, mas o teu nome será Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de nações.
6Farei crescer tua descendência infinitamente. Farei nascer de ti nações, e reis sairão de ti. 7Estabelecerei minha aliança entre mim e ti e teus descendentes para sempre; uma aliança eterna, para que eu seja teu Deus e o Deus de teus descendentes. 8A ti e aos teus descendentes darei a terra em que vives como estrangeiro, todo o país de Canaã como propriedade para sempre. E eu serei o Deus dos teus descendentes”. 9Deus disse a Abraão: “Guarda a minha aliança, tu e a tua descendência para sempre”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 104(105), 4-5. 6-7. 8-9 (R. 8a)
℟. O Senhor se lembra sempre da Aliança!
— Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios! ℟.
— Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra. ℟.
— Ele sempre se recorda da Aliança, promulgada a incontáveis gerações; da Aliança que ele fez com Abraão, e do seu santo juramento a Isaac. ℟.
℣. Oxalá ouvísseis hoje a sua voz. Não fecheis os corações como em Meriba! (Cf. Sl 94, 8ab) ℟.
Evangelho — Jo 8, 51-59
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 51“Em verdade, em verdade, eu vos digo: se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte”. 52Disseram então os judeus: “Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra jamais verá a morte’. 53Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes tu ser?”
54Jesus respondeu: “Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. 55No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso, como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56Vosso pai Abraão exultou, por ver o meu dia; ele o viu, e alegrou-se”. 57Os judeus disseram-lhe então: “Nem sequer cinquenta anos tens, e viste Abraão!?” 58Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou”. 59Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do Templo.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Super flúmina Babylónis, illic sédimus, et flévimus, dum recordarémur tui, Sion. (Ps. 136, 1)
Vernáculo:
Junto aos rios da Babilônia nos sentávamos chorando, com saudades de Sião. (Cf. LH: Sl 136, 1)
Sobre as Oferendas
Acolhei, Senhor, com bondade, este sacrifício, para que seja proveitoso à nossa conversão e à salvação do mundo inteiro. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Vernáculo:
Lembrai-vos da promessa ao vosso servo, pela qual me cumulastes de esperança! O que me anima na aflição é a certeza: vossa palavra me dá a vida, ó Senhor. (Cf. LH: Sl 118, 49. 50)
Depois da Comunhão
Saciados pelo dom que nos salva, imploramos, Senhor, a vossa misericórdia, a fim de que, pelo mesmo sacramento que nos dais como alimento neste mundo, nos leveis a participar da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 10/04/2025
O Juiz que assume o castigo
Condenou-se o que era santo, para que nos tornássemos justos os que éramos réus, e experimentando Ele mesmo na cruz o que é a nossa morte, mereceu para todos a graça de não morrerem jamais, desde que guardem a sua palavra.
A controvérsia entre Jesus e os fariseus vem-se acalorando de dia para dia e hoje, como lemos no relato do Evangelho, ela finalmente chega ao final, com os judeus pegando em pedras e o Senhor escondendo-se no Templo para não morrer antes da hora prefixada pelo Pai. Não deixa de ser interessante notar que este mesmo capítulo de S. João, que se conclui com pedras, começara também com pedras: nos versículos iniciais, víamos uma adúltera surpreendida em pecado, que não só se livrou da condenação da Lei, senão que voltou para casa perdoada por Deus; agora, vemos o Senhor que a livrara das pedras e perdoara do pecado ser perseguido pelos mesmos que a queriam matar. No primeiro caso, o que vemos é uma pecadora que sai redimida e desculpada das pedras que merecia; no segundo, o que vemos é um inocente de toda culpa, mas que se dispõe a receber as pedradas devidas aos crimes de outrem. Aqui, neste contraste entre a culpada e o que perdoa, entre a ré que sai absolvida da pena e o juiz que se submete ao castigo, está contida a essência da Redenção: Deus, que é o ofendido pelos nossos crimes, dispõe-se a sofrer as penas das nossas ofensas, para que, pagando Ele mesmo o preço da nossa iniquidade, possamos viver livres de toda dívida. O admirabile commercium! Que sublime câmbio e que admirável comércio este, em que o Senhor da vida se precipita no abismo da morte, a fim de resgatar os que jazíamos na escuridão do pecado! Qual bom pastor que dá sua vida pelas ovelhas, Cristo nos salvou na cruz, vivendo a nossa própria morte física, e nos conquistou a graça de uma vida que não conhecerá ocaso: “Se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte”. — Cheios de gratidão, louvemos aquele que é maior que Abraão, por ser Deus santo e onipotente desde todos os séculos, e, em sinal de agradecimento pelo benefício da Redenção, consagremos nossa vida por inteiro ao que não recusou entregar a sua própria vida até a última gota de sangue, com o fim de que a morte já não tivesse domínio sobre nós: “Se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte”!
Deus abençoe você!
Santo do dia 10/04/2025
Santa Madalena de Canossa (Memória Facultativa)
Local: Verona, Itália
Data: 10 de Abril † 1855
Ela nasceu em Verona em 1 de março de 1774 de uma família nobre e rica, a terceira filha de seis irmãos.
Por etapas dolorosas, como a morte do pai, o segundo casamento da mãe, a doença, a incompreensão, o Senhor a guia por caminhos imprevisíveis que Madalena tenta com dificuldade seguir.
Atraída pelo amor de Deus, aos 17 anos quis consagrar sua vida a ele e por duas vezes experimentou a experiência do Carmelo.
Mas o Espírito a impele interiormente a um novo caminho: deixar-se amar por Jesus, o Crucificado, pertencer somente a Ele, estar totalmente disponível para os irmãos afligidos por várias pobrezas. Ela volta para sua família e, forçada por acontecimentos dolorosos e situações históricas trágicas do final do século XVIII, guarda seu chamado no segredo de seu coração e entra na vida do Palazzo Canossa, aceitando a administração do vasto patrimônio familiar.
Com empenho e dedicação, Madalena cumpre os seus deveres quotidianos e alarga o círculo das suas amizades, mantendo-se aberta à misteriosa ação do Espírito que pouco a pouco molda o seu coração e a faz participante do amor do Pai pelo homem, manifestado no dom total, supremo de Jesus na Cruz, seguindo o exemplo de Maria, a Virgem Mãe das Dores.
Iluminada por esta caridade, Madalena abre-se ao clamor dos pobres famintos de pão, de educação, de compreensão, da Palavra de Deus. Ela os descobre nos subúrbios de Verona, onde os reflexos da Revolução Francesa, os domínios alternados de Páscoas Veroneses estrangeiras deixaram sinais de evidente devastação e sofrimento humano.
Madalena procura e encontra os primeiros companheiros, chamados a seguir Cristo pobre, casto e obediente e enviados a testemunhar a sua caridade incondicional entre os irmãos.
Em 1808, superada a última resistência de sua família, Madalena deixou definitivamente o palácio de Canossa para começar, no bairro mais pobre de Verona, o que interiormente reconhece como a vontade do Senhor: servir os homens mais necessitados com o coração de Cristo!
A caridade é um fogo que se expande! Madalena coloca-se à disposição do Espírito que a guia também entre os pobres de outras cidades: Veneza, Milão, Bérgamo, Trento... Em poucas décadas multiplicam-se os fundamentos de Madalena, a família religiosa cresce ao serviço do Reino!
O amor do Crucifixo Ressuscitado arde no coração de Madalena, que com suas companheiras se torna testemunha do mesmo amor em cinco áreas específicas: a escola de caridade para a promoção integral da pessoa; catequese a todas as categorias, privilegiando os que estão longe; assistência prestada sobretudo aos doentes nos hospitais; seminários residenciais para formar jovens professores do campo e preciosos colaboradores dos párocos nas atividades pastorais; cursos de Exercícios Espirituais anuais para as senhoras da alta nobreza, a fim de animá-las espiritualmente e envolvê-las em várias obras de caridade. Mais tarde esta atividade também é dirigida a todas as categorias de pessoas.
Um florescimento de outras testemunhas da caridade gravita em torno da figura e da obra de Madalena: Naudet, Rosmini, Provolo, Steeb, Bertoni, Campostrini, Verzeri, Renzi, Cavanis, todos fundadores de outras famílias.
A Instituição das Filhas da Caridade entre 1819 e 1820 obtém aprovação eclesiástica nas várias Dioceses onde as Comunidades estão presentes.
Sua Santidade Leão XII aprovou a Regra do Instituto, com o Breve Si Nobis, em 23 de dezembro de 1828.
No final de sua vida, depois de repetidas tentativas malsucedidas com Dom Antonio Rosmini e Dom Antonio Provolo, Maddalena também consegue iniciar o instituto masculino que ela havia projetado desde 1799.
Em 23 de maio de 1831 foi inaugurado em Veneza o primeiro Oratório dos Filhos da Caridade para a formação cristã de meninos e homens, confiado ao padre veneziano Dom Francesco Luzzo, assistido por dois leigos de Bérgamo: Giuseppe Carsana e Benedetto Belloni.
Madalena termina sua intensa e frutífera jornada terrena com apenas 61 anos. Ela morreu em Verona assistida por suas filhas em 10 de abril de 1835, Sexta-feira da Paixão!
Fonte: causesanti.va (adaptado)
Santa Madalena de Canossa, rogai por nós!