3ª feira da 4ª Semana da Páscoa
Memória Facultativa
São Pedro Chanel, Presbítero e Mártir ou São Luís Maria Grignion de Montfort, Presbítero
Antífona de entrada
Misericordia Domini plena est terra, alleluia: verbo Dei caeli firmati sunt, alleluia, alleluia. Ps. Exsultate iusti in Domino, rectos decet collaudatio. (Ps. 32, 5. 6 et 1)
Vernáculo:
A terra está repleta da misericórdia do Senhor; por sua palavra os céus foram firmados, aleluia. (Cf. MR: Sl 32, 5-6) Sl. Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. (Cf. LH: Sl 32, 1)
Coleta
Concedei, ó Deus todo-poderoso, a nós que celebramos os mistérios da ressurreição do Senhor obter a alegria da nossa redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — At 11, 19-26
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, 19aqueles que se haviam espalhado por causa da perseguição que se seguiu à morte de Estêvão, chegaram à Fenícia, à ilha de Chipre e à cidade de Antioquia, embora não pregassem a Palavra a ninguém que não fosse judeu.
20Contudo, alguns deles, habitantes de Chipre e da cidade de Cirene, chegaram a Antioquia e começaram a pregar também aos gregos, anunciando-lhes a Boa Nova do Senhor Jesus. 21E a mão do Senhor estava com eles. Muitas pessoas acreditaram no Evangelho e se converteram ao Senhor.
22A notícia chegou aos ouvidos da Igreja que estava em Jerusalém. Então enviaram Barnabé até Antioquia. 23Quando Barnabé chegou e viu a graça que Deus havia concedido, ficou muito alegre e exortou a todos para que permanecessem fiéis ao Senhor, com firmeza de coração. 24É que ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E uma grande multidão aderiu ao Senhor.
25Então Barnabé partiu para Tarso, à procura de Saulo. 26Tendo encontrado Saulo, levou-o a Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando juntos naquela Igreja, e instruíram uma numerosa multidão. Em Antioquia os discípulos foram, pela primeira vez, chamados com o nome de cristãos.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 86(87), 1-3. 4-5. 6-7 (R. Sl 116(117), 1a)
℟. Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes.
— O Senhor ama a cidade que fundou no Monte santo; ama as portas de Sião mais que as casas de Jacó. Dizem coisas gloriosas da Cidade do Senhor. ℟.
— Lembro o Egito e Babilônia entre os meus veneradores. Na Filisteia ou em Tiro ou no país da Etiópia, este ou aquele ali nasceu. De Sião, porém, se diz: “Nasceu nela todo homem; Deus é sua segurança”. ℟.
— Deus anota no seu livro, onde inscreve os povos todos: “Foi ali que estes nasceram”. E por isso todos juntos a cantar se alegrarão; e, dançando, exclamarão: “Estão em ti as nossas fontes!” ℟.
℣. Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem. (Jo 10, 27) ℟.
Evangelho — Jo 10, 22-30
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
22Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da Dedicação do Templo. Era inverno. 23Jesus passeava pelo Templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus rodeavam-no e disseram: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”.
25Jesus respondeu: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; 26vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão.
29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Deus, Deus meus, ad te de luce vigilo: et in nomine tuo levabo manus meas, alleluia. (Ps. 62, 2. 5)
Vernáculo:
Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! Quero, pois, vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos! (Cf. LH: Sl 62, 2. 5)
Sobre as Oferendas
Concedei, Senhor, que exultemos sem cessar por estes mistérios pascais, para que a contínua obra de nossa redenção seja causa de eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Cantate Domino, alleluia: cantate Domino, benedicite nomen eius: bene nuntiate de die in diem salutare eius, alleluia, alleluia. (Ps. 95, 2; ℣. Ps. 95, 1. 3. 4. 7-8a. 8b-9a. 11-12a)
Vernáculo:
Cantai ao Senhor Deus, aleluia. Cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome! Dia após dia anunciai sua salvação, aleluia, aleluia. (Cf. LH: Sl 95, 2)
Depois da Comunhão
Escutai, Senhor, as nossas preces, a fim de que, por este sacramento, intercâmbio da nossa redenção, recebamos o auxílio para a vida presente e o dom da eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 28/04/2026
“Eu e o Pai somos um”
Jesus afirma hoje de modo categórico a sua divindade: “Eu e o Pai somos um”. Mas os judeus, escandalizados em sua falta de fé e cegueira voluntária, não conseguem tolerar que alguém se iguale a Deus. Por isso, pegam outra vez em pedras para tentar matar aquele que nos veio dar a vida. E nós, como reagimos à verdade de que Jesus, o Filho do Homem, é também o Filho eterno de Deus, e não um simples profeta nem uma figura histórica enterrada no passado? Peçamos ao Senhor que avive a cada dia a nossa fé.
Após falar de sua humanidade, representada na figura do bom pastor, Jesus refere-se hoje à sua divindade, declarada categoricamente naquela frase tão conhecida: “Eu e o Pai somos um”. Vale a pena destacar que o contexto em que esta fala de Nosso Senhor se insere é a festa da Dedicação do Templo, uma celebração estreitamente vinculada à expectativa pela vinda do Messias de Israel.
É por isso que os judeus, ao verem Jesus passear pelo Templo, no pórtico de Salomão, perguntam-lhe com insistência: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o Messias, dize-nos abertamente”. O Senhor, então, revela-lhes muito mais do que haviam perguntado. Ele é não só o Messias prometido, mas também o Deus que o prometera: “Eu e o Pai somos um”.
Prova de que os judeus compreenderam a fundo o que Cristo lhes dizia é o modo como reagiram a estas palavras: escandalizados, “pegaram pela segunda vez em pedras para o apedrejar” (Jo 10, 31). Mas nós, que temos a graça de pertencer ao rebanho do Senhor, ouvimos as suas palavras sem escândalo e as aceitamos com fé.
Sabemos que Ele não é uma pura memória histórica, petrificada em acontecimentos de dois mil anos atrás. Jesus continua vivo e ressuscitado, presente como alimento na SS. Eucaristia e atuante por meio de sua graça.
E quanto mais nos abrimos à sua ação santificante, mais cresce a nossa fé e, portanto, a nossa capacidade de perceber a verdade, viva e pulsante, daquelas palavras: “Eu e o Pai somos um”.
Que o Senhor as faça lançar raízes mais profundas em nossos corações e tornar-se, mais do que um conceito teológico distante e indiferente, realidade experimentada, vivida, saboreada e, sobretudo, amada com todo o nosso ser.
Que a nossa fé, alimentada dia a dia, nos leve a ouvir com docilidade a verdade daquele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
Deus abençoe você!
Santo do dia 28/04/2026
São Luís Maria Grignion de Montfort, Presbítero (Memória Facultativa)
Local: Saint-Laurent-sur-Sèvre, França
Data: 28 de Abril † 1716
Luís nasceu em Montfort, França, em 1673. Na crisma ele acrescentou Maria no seu nome, tornando-se um dos maiores Apóstolos da devoção a Nossa Senhora. Na família eram dezessete filhos, dos quais quatro se consagraram a Deus na vida religiosa ou sacerdotal.
Na idade de iniciar os estudos, Luís foi enviado ao colégio dos jesuítas de Rennes. Sabiamente dirigido pelos mestres, Luís avançava rapidamente no caminho da santidade, dando provas de vocação para o estado eclesiástico. Este caminho não lhe foi fácil. Inicialmente, por ser pobre, não foi aceito no famoso seminário de São Sulpício, em Paris. Ingressou numa pequena instituição, dirigida pelo Abbé de la Barmondière. Com a morte do Abbé, ele se transferiu para um estabelecimento ainda mais precário, onde reinava verdadeira penúria. Luís acabou adoecendo. Curado, finalmente, foi aceito no Colégio São Sulpício para terminar os seus estudos eclesiásticos. Foi escolhido como um dos alunos exemplares que eram enviados anualmente em peregrinação a algum dos santuários de Nossa Senhora que, desta vez, foi Chartres. Depois de sua ordenação, passou um breve período de tempo em Nantes, com um sacerdote que treinava pessoas para missões internas, antes de se dirigir a Poitiers, onde foi nomeado capelão do hospital. Fez um belo trabalho, sobretudo em favor dos pobres. Pelos ressentimentos provocados devido aos seus melhoramentos na Instituição, foi obrigado a renunciar a seu posto. Imediatamente começou a pregar missões aos pobres que acorriam em multidão para escutá-lo, mas o bispo de Poitiers, instigado pelos críticos de Pe. Grignion, proibiu-lhe de pregar em sua diocese. Seus métodos eram certamente um pouco estranhos e singulares. Sem desanimar de seu ideal de missionário entre os pobres, foi a Roma, onde foi recebido e incentivado pelo papa Clemente XI a continuar. Foi enviado de volta à França com o título de missionário apostólico. Como Poitiers permanecia fechada para ele, voltou à sua Bretanha, onde iniciou uma série de missões que ele continuou quase ininterruptamente até à morte. Embora a maioria das paróquias recebesse São Luís de braços abertos, as críticas dos adversários continuaram a perseguir seus passos e ele se viu excluído de certas igrejas, e mesmo de dioceses, por eclesiásticos de tendências jansenistas. Além do mais, seus métodos algumas vezes se chocavam com o convencional e o estabelecido.
A característica do santo missionário era sua singular devoção a Nossa Senhora. Em Maria Santíssima ele tinha a mãe protetora e auxiliadora. Incentivava a devoção a Nossa Senhora, particularmente o santo Rosário. Sobretudo a partir de sua canonização, em 1947, tornou-se conhecida sua obra Verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria, aconselhando, inclusive, a consagração a Maria como livre escravidão, a fim de que ela, como Mãe de Deus, nos considere como sua propriedade. O lema de João Paulo II, Totus tuus, é a chave desta espiritualidade. Seriam os escravos de Jesus em Maria, como já propunha São Luís nos tempos de seminarista. Certamente por essa sua devoção, São Luís Maria foi reintroduzido no Calendário universal por João Paulo II na terceira edição típica do Missal romano em 2002.
Hoje, a Congregação do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos aconselha a evitar o termo "consagração a Nossa Senhora", pois a consagração é feita somente a Deus. Prefere-se dizer entrega a Maria ou confiar à sua proteção. Isso vale também para a chamada "consagração a Nossa Senhora" após o batismo.
São Luís Maria é fundador da Companhia de Maria e da Congregação das Filhas da Divina Sabedoria.
São Luís Maria aparece como discípulo e testemunha de Cristo, revelando o zelo missionário e o lugar e o papel da Virgem Maria na história da salvação e na vida da Igreja.
A Oração coleta é bem objetiva. Não entra na questão de escravo e de consagração. Deus quis dirigir os passos do presbítero São Luís no caminho da salvação e do amor de Cristo, na companhia da Virgem Maria. Concedei que, a seu exemplo, meditando os mistérios do vosso amor, procuremos, incansavelmente, edificar a vossa Igreja.
Curiosamente temos uma segunda Oração coleta opcional. Creio que é caso único em comemorações de santos. Na oração opcional se realça o caminho da espiritualidade de São Luis. Diz que Deus tornou São Luís eximia testemunha da plena dedicação a Cristo pelas mãos de sua Mãe Santíssima, Deus nos conceda que, trilhando o mesmo caminho espiritual, possamos estender, ao mesmo tempo, o seu Reino.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Luís Maria Grignion de Montfort, rogai por nós!
São Pedro Chanel, Presbítero e Mártir (Memória Facultativa)
Local: Futuna (ilha), França
Data: 28 de Abril † 1841
Futuna é pequena “expressão geográfica”, minúscula ilha, indicada nos atlas com um pontinho entre o Equador e o Trópico de Capricórnio no imenso oceano Pacífico, fragmento das ilhas Figi. Hoje, possessão francesa, meta de turistas amantes do exótico, a população inteiramente católica tem vida pacífica. Mas há cento e quarenta anos, precisamente a 12 de novembro de 1827, quando aí desembarcou providencialmente o missionário marista Pedro Chanel, em companhia de um confrade leigo, a pequena ilha, dividida em duas por uma montanha central e por duas tribos perenemente em guerra, não era decerto refúgio turístico.
Só a coragem e a caridade de homem de Deus podiam escolher aquela meta com todos os riscos que comportava. Aqui de fato Pedro Chanel teria concluído a sua aventura de evangelizador, morto a pancadas de bastão a 28 de abril de 1841, pelo genro do cacique, Musumusu, irado porque entre os convertidos ao cristianismo estavam já alguns membros de sua família.
Pedro Chanel nasceu na França, em Cuet, a 12 de julho de 1803. Aos doze anos, seguindo os conselhos de zeloso pároco, Trompier, iniciou os estudos no seminário. Foi-lhe concedido entrar, em 1824, no seminário maior de Bourg, onde recebeu, três anos depois, a ordenação sacerdotal. Gostaria de ter partido logo para as terras de missão, mas o seu bispo estava com muita carência de padres. Foi vigário de Amberieu e de Gex, unindo-se a um grupo de sacerdotes diocesanos, os maristas, que traduziam no próprio âmbito paroquial o ideal missionário, sob a guia de P. Colin.
A Sociedade de Maria, aprovada pelo papa em 1836, teve entre os primeiros membros Pedro Chanel, que no mesmo ano embarcou de Le Havre, perto de Valparaíso, com destino à Oceania. Quando o navio tocou Futuna, Pedro Chanel foi convidado a descer em terra e ficar, em companhia do irmão leigo, Nicézio, de 20 anos.
Foi uma lenta e paciente penetração no pequeno mundo daquela gente tão diferente em costume e mentalidade. O anúncio do Evangelho começou, porém, a repercutir na geração jovem. Mas este sucesso fez com que se aguçassem as hostilidades dos mais velhos. O tributo de sangue de são Pedro Chanel foi o preço para abrir, enfim, as portas de toda a ilha à evangelização. O novo mártir cristão, beatificado a 17 de novembro de 1889, foi inscrito no álbum dos santos a 16 de junho de 1954 e declarado padroeiro da Oceania.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Pedro Chanel, rogai por nós!



