Santa Inês, Virgem e Mártir, Memória
Antífona de entrada
Ou:
Feliz a Virgem que, renunciando a si mesma e tomando sua cruz, imitou o Senhor, o esposo das virgens e príncipe dos mártires.
Me exspectavérunt peccatóres, ut pérderent me: testimónia tua, Dómine, intelléxi: omnis consummatiónis vidi finem: latum mandátum tuum nimis. Ps. Beáti immaculáti in via: qui ámbulant in lege Dómini. (Ps. 118, 95. 96 et 1)
Vernáculo:
Espreitam-me os maus para perder-me, mas continuo sempre atento à vossa lei. Vi que toda a perfeição tem seu limite, e só a vossa Aliança é infinita. Sl. Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! (Cf. LH: Sl 118, 95. 96 e 1)
Coleta
Deus eterno e onipotente, que escolheis o que é fraco no mundo para confundir o que é forte, concedei benigno a nós, que celebramos o martírio de Santa Inês, a graça de imitar sua constância na fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 1Sm 17, 32-33. 37. 40-51
Leitura do Primeiro Livro de Samuel
Naqueles dias, 32Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu.
41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42quando pôde ver bem Davi desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor Todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultaste! 46Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra.
50E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. 51E, como não tinha espada na mão, correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 143(144), 1. 2. 9-10 (R. 1a)
℟. Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
— Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra! ℟.
— Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo; é meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés. ℟.
— Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi. ℟.
℣. Jesus pregava a Boa-nova, o Reino anunciando, e curava toda espécie de doenças entre o povo. (Cf. Mt 4, 23) ℟.
Evangelho — Mc 3, 1-6
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Afferéntur regi vírgines: próximae eius afferéntur tibi in laetítia et exsultatióne: adducéntur in templum regi Dómino. (Ps. 44, 15. 16)
Vernáculo:
Em vestes vistosas ao Rei se dirige, e as virgens amigas lhe formam cortejo; entre cantos de festa e com grande alegria, ingressam, então, no palácio real. (Cf. LH: Sl 44, 15. 16)
Sobre as Oferendas
Senhor, os dons que vos apresentamos na celebração de Santa Inês sejam do vosso agrado, como vos foi precioso o combate do vosso martírio. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Quinque prudéntes vírgines accepérunt óleum in vasis suis cum lampádibus: média autem nocte clamor factus est: Ecce sponsus venit: exíte óbviam Christo Dómino. (Mt. 25, 4. 6; ℣. Ps. 44, 2ab. 11. 12. 13. 14. 15. 16)
Vernáculo:
As prudentes, porém, além das suas lamparinas, levaram óleo nas vasilhas. No meio da noite, ouviu-se um alvoroço: (Cf. Bíblia CNBB: Mt 25, 4. 6) Eis que vem o esposo, ide ao encontro do Cristo, o Senhor! (Cf. MR: Mt 25, 6)
Depois da Comunhão
Ó Deus, que coroastes Santa Inês entre os santos pela dupla vitória da virgindade e do martírio, concedei-nos, pela força desse sacramento, superar com firmeza todo mal e alcançar a glória celeste. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 21/01/2026
Não há descanso para o amor
Privado do auxílio sobrenatural de Deus, o homem é moralmente impotente tanto para observar por longo tempo os Mandamentos da Lei quanto para realizar qualquer obra meritória da vida eterna.
A cura do homem de mão seca se dá no contexto de mais um conflito entre Jesus e alguns de seus adversários, fariseus e mestres da Lei, que procuram sem descanso um motivo para acusá-lo. Cristo, que falava como quem tem autoridade, arrogando-se com justiça o título de Senhor do sábado, rompia sem falsos escrúpulos o descanso sabático, o que deixa transtornados os que, ainda aferrados à letra da Lei, se opõe à doutrina salvífica do Evangelho. Eis o sentido literal do texto que a Liturgia nos propõe hoje à reflexão. De um ponto de vista espiritual, no entanto, este episódio nos revela, sob a imagem da mão ressequida, a nossa incapacidade de amar e praticar o bem como convém à salvação. É só com o auxílio da graça de Cristo, sem o qual nada podemos fazer (cf. Jo 15, 5), que nos tornamos capazes de realizar aquelas obras de justiça que o Pai tanto deseja recompensar.
Privado, pois, do auxílio sobrenatural de Deus, o homem é moralmente impotente para observar por longo tempo os Mandamentos da Lei — que se resumem em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (cf. Mt 22, 34-40) —, não só de forma meritória, em ordem à vida eterna, mas nem mesmo quanto à substância dos preceitos. Eis por que tão cedo a Lei se tornou para os judeus um fardo a ser carregado com uma obediência puramente externa, sem as disposições interiores sem as quais nem o maior dos sacrifícios tem valor (cf. 1Cor 13, 1ss). Por isso, devemos hoje estender nossas mãos ressequidas a Cristo Jesus e, humilhados diante dele, confessar nossa incapacidade de amar como Ele ama e de fazer como convém o que Ele deseja. O Senhor, que tudo pode e nos ama mais do que imaginamos, olhará compadecido para a nossa paralisia e realizará o prodígio de fazer brotar do rochedo de nosso coração a água de uma caridade benigna, sofredora, generosa e paciente (cf. 1Cor 13, 4-7).
Deus abençoe você!
Santo do dia 21/01/2026
Santa Inês, Virgem e Mártir (Memória)
Local: Roma, Itália
Data: 21 de Janeiro † s. III-IV in.
Inês, Agnes em latim, é uma das clássicas Santas Virgens Mártires do primitivo Calendário romano. Seu nome consta na I Oração Eucarística (Cânon romano).
Inês era romana, de importante família cristã e mártir provavelmente da perseguição do imperador Diocleciano (303-305). São poucos os dados certos, inclusive sobre o modo como ela foi martirizada. No Tratado sobre as Virgens, Santo Ambrósio dedica belíssimas palavras a Santa Inês. Ele a exalta como virgem consagrada totalmente a Jesus Cristo, seu esposo. "Ainda não preparada para o sofrimento e já madura para a vitória". Ele a apresenta como uma menina adolescente de 13 anos apenas. Acrescenta que Inês dá uma lição de firmeza apesar de tão pouca idade! Ambrósio conclui: "Tendes, pois, numa única vítima um duplo martírio: o da castidade e o da fé. "Inês permaneceu virgem e alcançou o martírio". Desta dupla vitória das virgens mártires provém também a expressão "dupla coroa", a da virgindade e a do martírio nas Missas de uma Virgem Mártir.
A oração da memória focaliza a Deus, que escolhe as criaturas mais frágeis para confundir os poderosos. Exalta a força da graça na fragilidade de uma menina adolescente. Apresenta como exemplo sua constância na fé. Exalta-se a coragem e a força das mulheres mártires, que no testemunho da fé em Cristo Jesus e no amor a ele equiparam-se aos homens e muitas vezes os superam.
Sobre seu túmulo em Roma foi construída uma basílica, hoje também Convento de religiosas, dando testemunho do amor consagrado inteiramente a Deus.
Por causa da semelhança do seu nome com agnus, cordeiro, Inês, em latim Agnes, ela é representada com um cordeirinho ou uma ovelhinha nos braços que pode significar também sua inocência.
No dia da festa de Santa Inês, em sua basílica em Roma, são abençoados dois cordeirinhos, símbolos da inocência, de cuja lã são confeccionados os pálios que o Papa dá como insígnia aos arcebispos, manifestando sua comunhão com o Papa, o supremo Pastor das ovelhas de Cristo. Estes pálios são colocados, em geral, na véspera da festa de São Pedro e São Paulo, sobre o altar existente sobre o túmulo de São Pedro no Vaticano. Como um manso cordeiro, Inês foi levada ao suplício do martírio, participando, agora, da glória do Cordeiro imolado e vitorioso.
Referência:
BECKHÄUSER, Frei Alberto. Os Santos na Liturgia: testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes, 2013. 391 p. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
Santa Inês, rogai por nós!


