3ª feira da 4ª Semana da Quaresma
Memória Facultativa
São Patrício, Bispo
Antífona de entrada
Sitiéntes veniíte ad aquas, dicit Dóminus: et qui non habétis prétium, veníte, bíbite cum laetítia. Ps. Atténdite pópule meus legem meam: inclináte aurem vestram in verba oris mei. (Cf. Is. 55, 1; Ps. 77)
Vernáculo:
Todos os que estais com sede vinde buscar água, diz o Senhor; quem não tem dinheiro venha também e beba com alegria. (Cf. MR: Is 55, 1) Sl. Escuta, ó meu povo, a minha Lei, ouve atento as palavras que eu te digo. (Cf. LH: Sl 77, 1)
Coleta
Senhor, a fiel observância dos exercícios quaresmais prepare o coração dos vossos fiéis para acolher com amor o mistério pascal e anunciar ao mundo a salvação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Ez 47, 1-9. 12
Leitura da Profecia de Ezequiel
Naqueles dias, 1o anjo fez-me voltar até a entrada do Templo e eis que saía água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o Templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do Templo, a sul do altar.
2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até a porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 3Quando o homem saiu na direção leste, tendo uma corda de medir na mão, mediu quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos tornozelos.
4Mediu outros quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos joelhos. 5Mediu mais quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me à cintura. Mediu mais quinhentos metros, e era um rio que eu não podia atravessar. Porque as águas haviam crescido tanto, que se tornaram um rio impossível de atravessar, a não ser a nado.
6Ele me disse: “Viste, filho do homem?” Depois fez-me caminhar de volta pela margem do rio. 7Voltando, eu vi junto à margem muitas árvores, de um e de outro lado do rio. 8Então ele me disse: “Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis.
9Onde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida onde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 45(46), 2-3. 5-6. 8-9 (R. 8)
℟. Conosco está o Senhor do Universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.
— O Senhor para nós é refúgio e vigor, sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia; assim não tememos, se a terra estremece, se os montes desabam, caindo nos mares. ℟.
— Os braços de um rio vêm trazer alegria à Cidade de Deus, à morada do Altíssimo. Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la. ℟.
— Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó! Vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo. ℟.
℣. Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo a alegria de ser salvo! (Sl 50, 12a. 14a) ℟.
Evangelho — Jo 5, 1-16
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo João
℟. Glória a vós, Senhor.
1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados — cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos.
6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” 7O doente respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente”. 8Jesus disse: “Levanta-te, pega na tua cama e anda”. 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou sua cama e começou a andar.
Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado! Não te é permitido carregar tua cama”. 11Ele respondeu-lhes: “Aquele que me curou disse: ‘Pega tua cama e anda’”. 12Então lhe perguntaram: “Quem é que te disse: ‘Pega tua cama e anda?’” 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar.
14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no Templo e lhe disse: “Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior”. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Exspectans exspectavi Dominum, et respexit me: et exaudivit deprecationem meam. Et immisit in os meum canticum novum, hymnum Deo nostro. (Ps. 39, 2. 3. 4)
Vernáculo:
Esperando, esperei no Senhor, e inclinando-se, ouviu meu clamor. Retirou-me da cova da morte e de um charco de lodo e de lama. Colocou os meus pés sobre a rocha, devolveu a firmeza a meus passos. Canto novo ele pôs em meus lábios, um poema em louvor ao Senhor. (Cf. LH: Sl 39, 2. 3. 4)
Sobre as Oferendas
Nós vos oferecemos, Senhor, os dons que nos destes, a fim de que manifestem vossa solicitude para conosco nesta vida e sejam remédio de imortalidade.
Antífona da Comunhão
Dominus regit me, et nihil mihi deerit: in loco pascuae ibi me collocavit: super aquam refectionis educavit me. (Ps. 22, 1. 2; ℣. Ps. 22, 3b. 4ab. 4cd. 5ab. 5cd. 6ab. 6cd)
Vernáculo:
O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha.(Cf. MR: Sl 22, 1. 2)
Depois da Comunhão
Senhor de bondade, purificai-nos e renovai-nos com os divinos sacramento, para que por eles sejamos auxiliados, hoje e por toda a nossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 17/03/2026
A tristeza que paralisa a alma
Jesus, assim como curou o enfermo do Evangelho de hoje, quer retirar a paralisia do nosso espírito, fazendo-nos levantar da nossa preguiça e caminhar corajosamente em direção à perfeição no amor.
Ontem, Jesus falou da geração que precisa de sinais para acreditar, e hoje Ele realiza um milagre: a cura do paralítico.
Os sinais realizados por Jesus, portanto, não são simplesmente milagres, e sim revelações. Jesus, quando cura um doente, está pensando em cada um de nós e na mensagem salvífica que essa cura representa para nós.
A cura do paralítico na piscina de Betesda, a Piscina dos Cinco Pórticos, aponta para a paralisia que também precisa ser curada nos nossos corações. No final do Evangelho, Jesus revela que aquele homem não estava doente apenas fisicamente; a doença dele tinha também uma origem espiritual, pois Cristo disse: “Não peques mais para que não aconteça algo de pior”. Portanto, aquele homem sofria de uma paralisia na alma.
E o que é essa paralisia? Aquele homem está há trinta e oito anos paralítico, querendo ser curado, mas, quando vai até a piscina de Betesda, não possui a iniciativa de pedir ajuda a alguém e fica simplesmente reclamando. É a impotência de alguém deixado a si mesmo; a chamada doença da acídia.
A acídia é uma preguiça existencial. Nós somos chamados a nos unirmos a Jesus para o amarmos e sermos grandes santos. Mas isso tem um custo: assim como o homem na beira da piscina não será curado se não pedir ajuda, também nós não mudaremos de vida se não nos esforçarmos muito e pedirmos a graça de Deus. Infelizmente, sentimos uma grande tristeza quando vemos que é necessário pagar um alto preço para sermos santos.
Jesus não quer que fiquemos nos arrastando pelo chão como serpentes, reclamando e esperando que alguém faça algo por nós. Ele quer que voemos como as águias, amando-o verdadeiramente. Só assim cresceremos à estatura de Cristo. Desse modo, Ele virá como Salvador para nos libertar, perdoar nossos pecados e tirar nossa preguiça espiritual, pois somos chamados à santidade, entregando a vida por amor.
Deus quer que abandonemos essa letargia, que paralisa nossa alma. Portanto, saiamos desse desânimo e escutemos a Palavra de Cristo, pois existe um Céu maravilhoso esperando por todos nós.
Deus abençoe você!
Santo do dia 17/03/2026
São Patrício (Memória Facultativa)
Local: Down, Irlanda
Data: 17 de Março † 461
Os dados cronológicos do apóstolo da Irlanda são incertos. Talvez tenha nascido na Bretanha Maior, em Bannhaven Taberniae, em 385 e morreu em 461, perto de Down, no Ulster. A data de 17 de março para a festa é muito antiga. Certamente nasceu na atual Inglaterra e foi providencialmente levado à Irlanda, habitada pelos celtas e escoceses, ainda pagãos.
Caiu prisioneiro dos piratas, aos 16 anos, e foi levado aos mercados irlandeses para ser vendido como escravo. O encontro com a futura pátria foi um tanto desagradável. Tentou fugir duas vezes. Depois de seis anos conseguiu. Mas depois voltaria como arauto do Evangelho. Em Auxerre se preparou para a futura missão com profundos estudos teológicos sob a direção de são Germano. Cumpriu longa viagem através da Itália, visitando as ilhas do Tirreno onde havia mosteiros em plena vitalidade.
Segundo uma tradição foi o papa que o convidou para voltar à Irlanda, em 432, como sucessor do bispo Paládio. O êxito de são Patrício na ilha deve-se atribuir à inteligente organização que soube criar. Para começar ele soube adaptar-se às condições sociais do lugar, formando um clero local e pequenas comunidades cristãs, adaptando-se aos clãs, sem rejeitar os costumes tradicionais. Procurou antes de tudo a conversão dos chefes, sabendo que o exemplo desses seria eficaz na conquista dos súditos. Erigiu várias abadias que depois se tornaram famosas em torno das quais criaram-se as cidades.
Patrício teve muitas dificuldades com os hereges pelagianos, que para comprometê-lo recorreram até a calúnia. Para justificar-se, Patrício escreveu uma Confissão, na qual explica que seu trabalho missionário era um simples pôr em prática uma ordem divina e que sua aversão aos pelagianos nascia do valor teológico absoluto que atribuía à graça. Sua obra deu excelentes frutos. Produziu grande número de santos.
Referência:
SGARBOSSA, Mario; GIOVANNI, Luigi. Um santo para cada dia. São Paulo: Paulus, 1983. 397 p. Tradução de: Onofre Ribeiro. Adaptações: Equipe Pocket Terço.
São Patrício, rogai por nós!


