3ª feira da 1ª Semana da Quaresma
Antífona de entrada
Domine, refugium factus es nobisa generatione et progenie: a saeculo, et in saeculum tu es. Ps. Priusquam montes fierent, aut formaretur terra et orbis: a saeculo, et usque in saeculum tu es Deus. (Ps. 89, 1. 2)
Vernáculo:
Senhor, vós vos tornastes um refúgio para nós de geração em geração; desde sempre e para sempre, vós sois Deus. (Cf. MR: Sl 89, 1. 2)
Coleta
Olhai, Senhor, a vossa família e fazei que, interiormente mortificados pela penitência corporal, resplandeça sempre mais em nós a luz da vossa presença. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — Is 55, 10-11
Leitura do Livro do Profeta Isaías
Isto diz o Senhor: 10“Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, 11assim a palavra que sair de minha boca; não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 33(34), 4-5. 6-7. 16-17. 18-19 (R. 18b)
℟. O Senhor liberta os justos de todas as angústias.
— Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou. ℟.
— Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia. ℟.
— O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. ℟.
— Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. ℟.
℣. O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus. (Mt 4, 4b) ℟.
Evangelho — Mt 6, 7-15
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras.
8Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais.9Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 10venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. 11O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. 13E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal.
14De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. 15Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
In te speravi, Domine: dixi: tu es Deus meus, in manibus tuis tempora mea. (Ps. 30, 15. 16)
Vernáculo:
A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! Eu entrego em vossas mãos o meu destino. (Cf. LH: Sl 30, 15. 16a)
Sobre as Oferendas
Ó Deus, criador de todas as coisas que recebemos da vossa bondade, acolhei as oferendas e fazei frutificar para a vida eterna os dons que nos concedeis neste mundo. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
CUM invocarem te, exaudisti me, Deus iustitiae meae: in tribulatione dilatasti me: miserere mihi Domine, et exaudi orationem meam. (Ps. 4, 2; ℣. Ps. 4, 3. 4. 5. 6a. 6b-7. 8)
Vernáculo:
Quando vos invoquei, vós me ouvistes, ó Deus, minha justiça, e na angústia me livrastes; tende piedade mim, atendei à minha prece! (Cf. MR: Sl 4, 2)
Depois da Comunhão
Por este sacramento, Senhor, dai-nos moderar os desejos terrenos e aprender a amar os bens celestes. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 24/02/2026
Oração não é fórmula mágica
“Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles”.
O Evangelho de hoje nos apresenta o Pai-nosso segundo o relato de São Mateus; logo, num contexto diferente daquele em que é relatado por São Lucas. No primeiro Evangelho, com efeito, a Oração do Senhor é parte de um ensinamento maior, conhecido como Sermão da Montanha, no qual Jesus estabelece primeiro uma contraposição entre a oração de seus discípulos e a dos pagãos. Diz Ele: “Quando orardes, não useis muitas palavras como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais muito antes que vós o peçais. Vós deveis rezar assim: Pai nosso…” etc.Com isso, o Senhor nos remete à soberana precedência de Deus. O pagão, contudo, pensa que o protagonismo é inteiramente seu. Para ele, é preciso fazer algo para chamar a atenção da divindade. Temos disso um exemplo memorável nos sacerdotes de Baal confrontados outrora por Elias, os quais buscavam atrair a atenção do ídolo ferindo-se com espadas, retalhando a própria carne, fazendo sacrifícios intercalados por muita gritaria. O cristão, por outro lado, sabe que Deus, Pai de infinito amor, não precisa de nada disso. Ele já está pronto para nos conceder o que deseja que lhe peçamos. Eis por que a essência da oração cristã está no Fiat voluntas tua, na conformidade entre a vontade do orante com a de Deus. Também por isso é próprio da oração cristã a consciência de que pedimos muitas vezes o que não devêramos pedir, razão por que os nossos pedidos hão de ser feitos sempre com cautela, quase sob condição: “Senhor, peço-vos o que penso ser bom, mas livrai-me de minhas orações, se o que vos peço, na verdade, é mau. Livrai-me, Senhor, de meus pedidos insensatos”.Ora, se Deus tem mais desejo de atender à nossa oração do que nós de sermos atendidos, é evidente que, para a nossa oração ser eficaz, temos de aprender a rezar, o que, em outras palavras, equivale a querer e pedir o que Deus mesmo quer e espera nos dar. E isso não se adquire sem conversão, sem mudança, sem metanóia, isto é, sem mudança de mentalidade. Deformados pelo pecado original, nossos desejos e nossas ânsias, nossa tendência a fugir da dor e a buscar o prazer são quase sempre maus conselheiros, que nos levam a pedir em oração o que é supérfluo ou, pior, o que nos pode ser prejudicial. Se somos cristãos — e nós o somos! —, busquemos a mudança de coração, necessária para entendermos que Deus sabe melhor do que nós o que nos convém.Não deixa, pois, de ser sugestivo o que a primeira palavra que o Senhor nos põe nos lábios é de confiança e piedade: “Pai”. Isso muda a oração inteira. “Se não fordes como crianças”, diz Ele noutro lugar, “não entrareis no reino dos céus”. Como criancinhas, podemos ter certeza de que Deus nos proverá com quanto nos for realmente necessário. É rezando assim: Pai nosso, seja feita a tua vontade, que iremos conformar ao dele o nosso coração, e enfim brotará a prece a que Ele tanto quer atender. Essa é a oração cristã.
Deus abençoe você!
Santo do dia 24/02/2026
Santo Etelberto (Memória Facultativa)
Local: Cantuária, Inglaterra
Data: 24 de Fevereiro † 616
Etelberto, rei de Kent, se casou com uma princesa chamada Berta, que era filha única de Chariberto, rei de Paris. Etelberto concedeu a sua esposa plena liberdade para participar de sua religião, e Berta levou à Inglaterra a Liduardo, um bispo francês. A tradição fala da piedade e as amáveis virtudes de Berta, que sem dúvida impressionaram muito o seu marido; entretanto, o rei não se converteu até a chegada de Santo Agostinho e seus companheiros.
Os missionários enviados por São Gregório Magno, desembarcaram em Thanet, desde onde se comunicaram com o rei, anunciando-lhe sua chegada e as razões da sua viagem. O rei lhes rogou que permanecessem na ilha e poucos dias mais tarde, foi pessoalmente escutá-los. Logo deste encontro, São Etelberto lhes concedeu permissão para predicar em todo o povo, converter a quantos pudessem e lhes entregou a igreja de São Martinho para que pudessem celebrar a Missa e outras liturgias.
As conversões começaram a multiplicar-se, e prontamente o rei e sua corte foram batizados no Pentecostes do ano 597. O rei além disto lhes deu permissão para reconstruir as antigas igrejas e construir outras novas.
Seu governo se distinguiu pelo empenho que pôs em melhorar as condições de vida dos seus súditos; suas leis lhe garantiram o apreço da Inglaterra, em épocas posteriores, e seu apoio à fé católica permitiu que se construíssem muitos templos, mosteiros e algumas dioceses, como a de Rochester.
O Santo prontamente se converteu em um modelo pela nobreza da sua conversão. A acolhida que deu aos missionários e seu gesto de escutá-los sem preconceitos são um caso extraordinário na história. Com sua atitude de não impor a fé a seus súditos, apesar do seu zelo por propagá-la, favoreceu enormemente a obra dos missionários.
Depois de cinquenta e seis anos de reinado, faleceu no ano 616, e foi sepultado na Igreja de São Pedro e São Paulo, onde descansavam os restos da rainha Santa Berta e São Liduardo.
Fonte: acidigital.com
Santo Etelberto, rogai por nós!


