5ª feira da 5ª Semana do Tempo Comum
Antífona de entrada
Venite, adoremus Deum et procidamus ante Dominum: ploremus ante eum, qui fecit nos: quia ipse est Dominus Deus noster. Ps. Venite, exsultemus Domino: iubilemus Deo salutari nostro. (Ps. 94, 6. 7 et 1)
Vernáculo:
Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemo-nos ante o Deus que nos criou! Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor.(Cf. MR: Sl 94, 6-7) Sl. Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva! (Cf. LH: Sl 94, 1)
Coleta
Velai, Senhor, nós vos pedimos, com incansável amor sobre a vossa família; e porque só em vós coloca a sua esperança, defendei-a sempre com vossa proteção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Primeira Leitura — 1Rs 11, 4-13
Leitura do Primeiro Livro dos Reis
4Quando Salomão ficou velho, suas mulheres desviaram o seu coração para outros deuses e seu coração já não pertencia inteiramente ao Senhor, seu Deus, como o do seu pai Davi. 5Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, ídolo dos amonitas. 6Ele fez o que desagrada ao Senhor e não lhe foi inteiramente fiel, como seu pai Davi. 7Foi então que Salomão construiu um santuário para Camos, ídolo de Moab, no monte que está defronte de Jerusalém, e para Melcom, ídolo dos amonitas. 8Fez o mesmo para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e ofereciam sacrifícios aos seus deuses. 9Então o Senhor irritou-se contra Salomão, porque o seu coração tinha-se desviado do Senhor, Deus de Israel, que lhe tinha aparecido duas vezes 10e lhe proibira expressamente seguir a outros deuses. Mas ele não obedeceu à ordem do Senhor.
11E o Senhor disse a Salomão: “Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo a um teu servo. 12Mas, por amor de teu pai Davi, não o farei durante a tua vida; é da mão de teu filho que o arrebatarei. 13Não te tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, que escolhi”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
Salmo Responsorial — Sl 105(106), 3-4. 35-36. 37 e 40 (R. 4)
℟. Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!
— Felizes os que guardam seus preceitos e praticam a justiça em todo o tempo! Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos, pelo amor que demonstrais ao vosso povo! ℟.
— Misturaram-se, então, com os pagãos, e aprenderam seus costumes depravados. Aos ídolos pagãos prestaram culto, que se tornaram armadilha para eles. ℟.
— Pois imolaram até mesmo os próprios filhos, sacrificaram suas filhas aos demônios. Acendeu-se a ira de Deus contra o seu povo, e o Senhor abominou a sua herança. ℟.
℣. Acolhei docilmente a Palavra semeada em vós, meus irmãos; ela pode salvar vossas vidas! (Tg 1, 21bc) ℟.
Evangelho — Mc 7, 24-30
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.
℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos
℟. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido.
25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.
28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”.
29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
Antífona do Ofertório
Gradual Romano:
Perfice gressus meos in semitis tuis, ut non moveantur vestigia mea: inclina aurem tuam, et exaudi verba mea: mirifica misericordias tuas, qui salvos facis sperantes in te, Domine. (Ps. 16, 5. 6. 7)
Vernáculo:
Os meus passos eu firmei na vossa estrada, e por isso os meus pés não vacilaram. Inclinai o vosso ouvido e escutai-me! Mostrai-me vosso amor maravilhoso, vós que salvais e libertais do inimigo quem procura a proteção junto de vós. (Cf. LH: Sl 16, 5. 6b. 7)
Sobre as Oferendas
Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para alimentar nossa fraqueza, concedei, nós vos pedimos, que se tornem para nós sacramento de vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.
Antífona da Comunhão
Ou:
Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados. (Mt 5, 4. 6)
Introibo ad altare Dei, ad Deum qui laetificat iuventutem meam. (Ps. 42, 4; ℣. Ps. 42, 1. 2. 3. 5a. 5bc)
Vernáculo:
Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. (Cf. LH: Sl 42, 4ab)
Depois da Comunhão
Ó Deus, quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, que possamos com alegria produzir fruto para a salvação do mundo. Por Cristo, nosso Senhor.
Homilia do dia 12/02/2026
A nossa miséria e a misericórdia de Deus
Ao visitar a região de Tiro e Sidônia, Jesus topou com uma mulher siro-fenícia que, cheia de fé e humilde, disse aquelas palavras que todos devemos guardar no coração: “Também os cachorrinhos, Senhor, comem das migalhas que as crianças deixam cair debaixo da mesa”. Quem crê no amor de Cristo, confia na sua benevolência e dele espera conseguir tudo; mas essa fé de nada adiantaria se não fosse também humilde, porque, ainda que Cristo esteja disposto a nos dar tudo o que nos convém, como poderíamos aproximar-nos dele sem reconhecermos que a nada temos direito, como cachorrinhos desprezíveis debaixo da mesa do seu dono?
O Evangelho de hoje nos mostra um caminho seguro para a vida espiritual. Não é um caminho complicado, mas é exigente: fé confiante e humildade sincera. Onde essas duas virtudes caminham juntas, ali Deus age com poder.
A mulher siro-fenícia não se escandaliza com as palavras de Jesus. Ela não se defende, não se justifica, não se exalta. Pelo contrário: humilha-se e confia. Reconhece que nada merece, mas acredita que o amor de Deus é maior do que a sua miséria. E é justamente por isso que alcança tudo.
Aqui está um ponto que precisamos guardar bem: a miséria nunca afasta Deus; o que afasta Deus é a soberba. Quando o homem se reconhece pequeno, Deus se inclina. Quando o homem se julga grande, Deus se retira.
Santo Afonso ensina que o inimigo age de dois modos: ou nos lança na vanglória, ou nos empurra para o desânimo. Contra a vanglória, a alma deve humilhar-se; contra o desânimo, deve confiar. Quem aprende esse segredo vence o demônio, porque não deixa espaço nem para o orgulho, nem para a desesperança.
Quantos se perdem não por causa dos pecados, mas porque não sabem lidar com eles. Uns se exaltam pensando que estão seguros; outros se abatem como se não houvesse salvação. Ambos erram. A alma verdadeiramente humilde reconhece: sou miserável, mas Deus é misericordioso. Sou fraco, mas Deus é fiel.
Os santos viam com clareza aquilo que nós muitas vezes ignoramos: quanto mais luz Deus concede a uma alma, mais ela enxerga a própria miséria. Por isso se julgavam os maiores pecadores — não por exagero, mas por verdade. E exatamente por isso eram grandes diante de Deus.
Devemos, então, guardar-nos cuidadosamente de nos preferirmos aos outros. Basta um pensamento de superioridade para perdermos tudo. Não temos direito algum diante de Deus. Se Ele nos concede graças, não é porque merecemos, mas porque é bom. E se não nos humilhamos, essas mesmas graças se tornarão motivo de maior condenação.
A verdadeira humildade não consiste apenas em dizer que somos pecadores, mas em aceitar sê-lo diante dos outros, sem ressentimento, sem defesa, sem amargura. Amar os desprezos, aceitar as correções, sofrer as humilhações em silêncio: eis o sinal de uma alma que começa a ser verdadeiramente humilde.
Mas atenção: não se trata de desprezar a misericórdia. Pelo contrário. A humildade verdadeira caminha sempre com a confiança. Quando o demônio tenta lançar-nos no medo, digamos com firmeza: “Senhor, pus em vós toda a minha esperança”. Não confiamos em nós, mas em Deus.
No encontro da miséria com a misericórdia está o coração do cristianismo. Quem foge da própria miséria, nunca experimentará a misericórdia. Quem confia na misericórdia sem humildade, cairá na soberba. Mas quem une as duas coisas, esse caminha seguro para a santidade.
Peçamos hoje essa graça: humilhar-nos sem desanimar e confiar sem nos exaltar. Assim viveremos na verdade, e Deus fará em nós aquilo que sozinhos jamais conseguiríamos.
Que o Senhor nos conceda essa humildade simples e essa fé confiante.
Deus abençoe você!
Santo do dia 12/02/2026
São Bento de Aniane (Memória Facultativa)
Local: Kornelimünster, Alemanha
Data: 12 de Fevereiro † 821
Bento era filho de Aigulfo, governador de Languedoc (França), e nasceu por volta do ano 750. Na juventude, serviu de copeiro ao Rei Pepino e seu filho Carlos Magno, sob o seu comando desfrutando de grandes honras e posses. A graça penetrou-lhe a alma aos vinte anos, quando resolveu buscar o Reino de Deus com todo coração. Sem abandonar seu posto na corte, ali viveu em extrema mortificação durante três anos; até que, escapando por pouco de um afogamento, foi levado a jurar que abandonaria o mundo, e assim ingressou no claustro de Saint-Seine.
Como prêmio por sua heroica austeridade na condição de monge, Deus concedeu-lhe o dom das lágrimas e o inspirou com o conhecimento das coisas espirituais. No cargo de procurador do mosteiro, dedicava toda a atenção às necessidades dos irmãos, e toda a hospitalidade aos pobres e visitantes. Recusando-se a aceitar a função de abade, construiu por conta própria um eremitério no riacho Aniane, onde viveu alguns anos em grande solidão e pobreza. Mas a fama de santidade atraía muitas almas à sua volta, e foi obrigado a construir uma enorme abadia, onde dentro em pouco já liderava trezentos monges.
Tornou-se o grande restaurador da disciplina monástica por toda a França e Germânia. Em primeiro lugar, preparou com grande esforço um código de regras de São Bento, seu notável homônimo, as quais recolheu junto aos principais fundadores monásticos, mostrando a uniformidade dos exercícios entre elas, e por meio da obra Penitencial impôs sua estrita observância; em segundo lugar, regulava com minúcia todas as questões acerca de alimentação, vestimenta e cada detalhe do cotidiano; e em terceiro lugar, prescrevendo o mesmo para todos, prevenia quaisquer riscos de inveja e garantia a mais perfeita caridade.
Num concílio provincial realizado em 813, sob a direção de Carlos Magno, no qual se fez presente, foi declarado que todos os monges do Ocidente deveriam adotar a regra de S. Bento. Ele faleceu a 11 de fevereiro de 821.
REFLEXÃO
A decadência da disciplina monástica e sua restauração por S. Bento de Aniane prova que ninguém está a salvo da perda do fervor, mas todos podem reconquistá-lo pela fidelidade à graça.
BUTLER, Alban. Vida dos Santos: para todos os dias do ano. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2021. 560 p. Tradução de: Emílio Costaguá. Adaptação: Equipe Pocket Terço.
São Bento de Aniane, rogai por nós!


